Infected

5 Capítulo 5: Reencontros


Ficamos mais duas noites no posto, por recomendações médicas da Dra. Aria Lynch, para que minhas costelas melhorassem mais. Antes de todos esses acontecimentos Aria cursava medicina na Escola de Medicina da Universidade de Emory onde, por coincidencia, Shay entraria para o curso no ano seguinte, após um exaustivo curso técnico em enfermagem. Bem, eu cursava Ciências da Computação no Georgia Institute of Technology (Georgia Tech, para os íntimos) e Viollet tinha conquistado sua vaga em Direito na Georgia State University. Tinhamos vidas bastante promissoras, se o mundo não tivesse sido dominado por zumbis.

— A água acabou, pessoal, acho que já é hora de irmos. — Viollet arrastava nossaa mochilas pelo escritório, um pouco desanimada.

— Eu não vejo a hora de sair desse lugar! — Shay já estava com sua mochila nas costas enquanto desenhava na parede do escritório as nossas iniciais: "SAVC". — Estou proclamando este lugar como nosso, caso precisarmos voltar algum dia.

— Até porque todos vão respeitar isso só por ter as nossas iniciais aqui, né? — Pela primeira vez, desde o ocorrido com os estupradores, Aria estava sendo ironica. As coisas tinham voltado a ser como eram.

— Eu não deixaria tão barato assim, Sabe Tudo, acho que ela está querendo tomar o lugar de cérebro do grupo. — Viollet para ao meu lado e acerta o cotovelo conta meu ombro enquanto me entrega minha mochila. — Au! Parei já...

— Para ser o cérebro do grupo eu acho que é preciso TER um cérebro, então a Aria não vai conquistar esse título tão cedo. — Shay lança suas madeixas loiras para trás e é a primeira a deixar o escritório, deixando para trás uma Aria resmungona.

— Essa doeu... — Viollet murmura para mim e não consigo deixar de sorrir enquanto caminhamos para fora do posto.

— Argh! Podemos deixar ela amarrada em alguma árvore? — Aria nos segue, bufando.

Não encontramos muitos obstáculos pelo caminho enquanto caminhamos, apenas alguns zumbis que são eliminados rapidamente pelas garotas. Me sinto inûtil tendo apenas que observar tudo, já que não posso fazer esforço. Viollet ensinou Shay e Aria a manusearem suas facas, transformando-as em incríveis máquinas assassinas de zumbis.

Nosso grupo é quase imbátivel agora, duvido que seriamos pegos de surpresa por alguns malucos novamente. Temos tudo o que precisamos para sobreviver: estamos com armas (roubadas dos estupradores), possuímos conhecimento médico (Aria e Shay), inteligência e estamos mais cuidadosos que nunca. Além de termos essa incrível conexão uns com os outros e o instinto protetor. A nossa evolução é, no minímo, notável.

Após algumas horas de caminhada resolvemos descansar embaixo de algumas árvores. Recosto as costas contra um velho tronco enquanto Viollet deita sua cabeça sobre minhas pernas. Seus olhos são lindos, de um verde purissímo. Apoio minha mão direita sobre a barriga da garota e uso a esquerda para massagear suas madeixas.

— Já posso até nos imaginar quando tudo isso tiver acabado, sabia? — Curvo-me para a frente, com um pouco de esforço e beijo Viollet.

— Mesmo? — A garota solta uma pequena gargalhada enquanto me encara. — Então você vai ter que me surpreender, cowboy. Mas antes, isso tudo, precisa acabar.

— Vou dar um fim nisso, algum dia, por você. — Não tenho certeza se essas palavras sairam confiantes ou melosas demais, mas eu realmente irei tentar, por ela.

— E eu acredito em você. — Viollet se levanta e senta sobre meu colo, me beijando enquanto abraço-a, sorrindo.

Shay e Aria sentaram-se um pouco afastadas de nós, provavelmente para nos dar mais privacidade e estão trocando alguns sussurros.

— EU PRECISO REALMENTE DE ALGUÉM, NÃO MEREÇO MORRER SOZINHA!!!! — Aria está nos observando atentamente enquanto grita, provavelmente com inveja da troca de afetos entre eu e Viollet e caímos na gargalhada.

— MEU DEUS!! — Shay literalmente está deitada, rolando e chorando de rir com a atitude de Aria, que ficou completamente vermelha de vergonha.

— Ai, me desculpem... Não queria atrapalhar. — Aria vira-se para o lado oposto a nós, constrangida.

— Ela está com abstinência de sexo, para ser mais exata. — Shay se apressa em dizer, ainda muito vermelha e os olhos cheios de lágrimas, de tanto rir.

— Shay!!!! — Aria se apressa em dizer e salta sobre a garota e as duas trocam alguns tapas, tudo na maior brincadeira, é claro.

— Crianças parem de brigar, ou vou ter que mandar o papai ir aí?! — Viollet tenta fazer sua melhor imitação de uma incrível mãe que consegue.

— Não me deixem zangado ou vou colocar as duas de castigo!! — Entro na brincadeira e tento parecer sério, porém já estamos todos rindo novamente.

Após todos estarem recuperados e termos comido algumas frutas, seguimos viagem. Viollet caminha ao meu lado, seus dedos entrelaçados aos meus. Aria e Shay caminham ao nosso lado e não param de comentar sobre as maravilhas da medicina moderna, o que, sinceramente, me deu um pouco de sono.

Aproximadamente uns oito quilômetros depois de termos voltado a caminhar, as coisas voltam a se complicar. Saímos da estrada após termos ouvindo alguns barulhos estranhos e nos esgueiramos pelas árvores, que nos encobrem. Avistamos, a uns setecentos metros de distância da nossa atual localização um grupo: dois caras e uma garota. Todos estão sentados em volta de alguns troncos, virados para o lado oposto ao nosso. Nos entreolhamos, calmamente, enquanto analisamos o grupo. Todos parecem ter entre dezoito e vinte e dois anos e estão destraídos, conversando (ou discutindo) sobre algum assunto, não consigo ouvir muito bem pela distância.

Me aproximo das garotas, fazendo o minímo de barulho possível.

— Fiquem aqui e mirem neles. Eu vou lá conversar com eles e, caso seja seguro, eu digo para vocês irem. Caso contrário, se me deixarem passar em paz, vocês vão pela florestas, se não, matamos eles. — Agarro a mão de Viollet enquanto falo, fixando os olhos em cada uma das meninas.

— Nem pensar! Você é estúpido ou só burro mesmo? Suas costelas ainda não se recuperaram totalmente, e eles podem ser perigosos. — Shay mantem sua notável confiança e frieza enquanto fala, Aria e Viollet concordam com ela. — Vamos todos juntos, nos separar nunca é uma boa opção. Juntos é melhor.

— Obrigada por dizer a ele, Shay. Acho que chamar meu namorado de estúpido no nosso quarto dia de namoro não seria nada romântico. — Viollet puxa sua pistola do bolso e me da um beijo, Shay e Aria já seguram suas armas também, sorrindo maliciosamente.

— Uou! Então beleza, afinal, somos um grupo mesmo. Vamos lá. — Me ergo e puxo a pistola do cinto.

Caminhamos duzentos metros sem sermos notados, até que a garota se ergue do tronco em que está sentada e se vira (provavelmente discutindo com um dos caras) fixando seus olhos diretamente em nossa direção.

— Mas que infernos é isso? — A garota é morena e baixa, seus cabelos amarrados em uma trança que lhe cai nos ombros e aponta o dedo para nós enquanto nos aproximamos.

Os dois cara se erguem quase que no mesmo instante, um deles parece mais velho que eu e tem uma arma pendurada no cinto, que a apanha no mesmo instante em que nos encara. O outro demora um pouco mais para reagir, é um garoto alto e seus cabelos estão mais compridos que o normal, mas ainda o reconheço. Ele não puxa a arma do cinto quando nos vê pelo mesmo motivo que eu abaixo a minha ao vê-lo: eu conheço esse filho da puta.

— HOLY FUCK, SÓ PODE SER BRINCADEIRA!!! — O garoto de cabelos compridos salta o tronco em que estava sentado e começa a correr em minha direção. — NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ESTÁ VIVO, CARA. CALUM FUCKING LYNCH ESTÁ VIVO!

— CARALHO! — Solto-me da mão de Vioellet e ignoro todos os avisos dela e das outras garotas para nos afastarmos. Corro na direção daquele cara e me sinto com quatorze anos novamente. — DANIELS FUCKING HIGGS, COMO CARALHAS VOCÊ SOBREVIVEU? — Encontro com o garoto e o abraço apertado, sentindo todas as dores imaginaveis em minhas costelas quando ele retribui o abraço.

Viollet está tão surpresa quanto o grupo do Dan com toda essa cena, porém Aria e Shay entenderam tudo e abaixaram as armas quando ouviram o nome do garoto. Os dois grupos caminham em nossa direção, receosos enquanto nos soltamos daquele abraço.

— Cara, você está mais gay do que nunca! Que cabelinho ridículo! — Solto uma gargalhada e raspo os dedos sobre os cabelos de Dan, que sorri igual um retardado, como sempre.

— Ah, olhe para você Lynch!!! Não está em melhores condições! — Dan dá de ombros e observa Shay, fixando os olhos na garota por um bom tempo (sério que ele ainda não superou aquela quedinha por ela?) e depois analisa Aria. — Já você, Shay, está mais linda do que nunca, é um prazer revê-la. Aria, digo o mesmo. — Dan se aproxima das garotas, na maior cara de pau e as comprimenta com um beijo na bochecha.

— De todas as pessoas no mundo para encontrarmos, tinha que ser justo você... — Shay revira os olhos quando dá a beija, porém está feliz, sorrindo.

— E aí, Dan? — Aria retribui o beijo de Dan com simpatia, amigávelmente.

— Opa, essa é carne nova no pedaço! Prazer, milady, eu sou o Dan. -O garoto se curva para comprimentar Viollet.

— Ahn... O prazer é meu, Dan. Sou a Viollet. — Vi sorri para Dan, constrangida com toda a cena dele.

— Ela é minha namorada, cara, para de dar emcima dela, seu cara de pau! — Arqueio uma das sobrancelhas para o garoto, que dá de ombros novamente enquanto me aproximo de Viollet. — Esse é o Daniels Higgs, Vi, meu melhor amigo desde sempre, literalmente.

— Nossa... — Viollet continua constrangida com toda a cena que Dan fez, e sorrio para ela.

— Bem, agora deixe-me apresentar os meus cachorrinhos de estimação. — Dan se coloca no meio da morena e do outro cara, que parece mais uma muralha, de tantos músculos. — Essa é a Megan e meu camarada cheio de esteróides aqui é o Mark. Pessoal esse é meu irmão, Calum, suas primas e a sua garota.

— É um prazer! — Megan é una garota simpática e se apressa em comprimentar a todos: dá um breve aperto de mão em mim e Viollet e abraça Aria e Shay, mais apertado do que o normal para um primeiro abraço.

— Eu não uso esteróides! E é um prazer. — Mark comprimenta todos com um aceno, fixando os olhos a maior parte do tempo em Shay.

— Ok, agora que as apresentações foram feitas, vamos achar um lugar para ficar, preciso realmente conversar com você, seu idiota. Pensei que tivesse morrido. — Continuo abraçado a Viollet e ergo uma das mãos para Dan.

— Ah, Cal, Cal. Você me despresa se realmente pensou que eu teria morrido justo agora quando o mundo ficou realmente interessante. Vamos, temos uma cabaninha a poucos metros daqui. Lá poderemos conversar melhor, aí você me explica onde andou apanhado, de novo. — Dan toca a lateral de meu corpo, bem sobre as costelas e sorri maliciosamente.

Todos seguimos Dan, Megan e Mark pela floresta até uma velha cabana, onde todos nos acomodamos. Agora eu sei que podemos sobreviver, agora eu acredito que ainda temos uma chance. Dan está de volta no jogo. Não estamos mais sozinhos. Ainda podemos e vamos achar um jeito de nos livrarmos desse apocalipse. O jogo pela sobrevivência acabou de ficar mais interessante e ganhou novos jogadores. A esperança ainda não acabou.

Notas finais
YOOO, GUYS! Então, espero que tenham gostado do capítulo e dos novos personagens. A história agora vai começar a entrar em seu climax, então continuem a acompanhar!