Infected
16 Capítulo 17: Charleston
[POV: Shay]
Acordo com as gotas de água se arrebentando contra a janela do carro. Dois dias se passaram e eu ainda não consigo acreditar na perda que tivemos. Claro que entendo o que ele fez, não esperava nada menos que isso de alguém como o Calum. Mas ainda dói.
Ajeito a cabeça de Megan em meu colo e massageio suas madeixas enquanto ela dorme. Em grande parte, eu acho, que aguentei tudo por conta da Megan. Ela consegue me passar uma força extraordinária estando ao meu lado e me motiva a seguir em frente.
— Ei, tudo bem? — Megan puxa minha mão e a deixa sobre sua barriga enquanto ela a massageia. Devo tê-la acordado.
— É, tudo sim. Digo, mais ou menos. Sinto falta daquele idiota, Meg. Não sei se vamos conseguir sem ele. — Respiro fundo evitando as lágrimas, pois sempre que falo do Calum agora, minha vontade é de chorar. Principalmente de raiva, eu NÃO deixei ele morrer, droga.
— Precisamoa, Shay, é o que ele queria, lembra? Você precisa ser forte, ainda precisamos da sua mente brilhante para bolar alguns planos para a gente. — Megan arqueia suas sobrancelhas, animada.
— É... Vou tentar. — Tento sorrir de volta para Megan mas acho que foi desanimador demais.
— Estamos chegando em West Virginia, pessoal, vamos realmente precisar da sua mente brilhante, Shay. Porque estamos ficando sem gasolina e suprimentos. — DJ me encara pelo retrovisor.
— Em qual cidade de West Virginia? — Afasto os pensamentos sobre a morte do Calum da cabeça. Preciso permanecer forte, isso tudo ainda não acabou.
— Monroe, eu acho. Era o que a placa dizia. — Aria está acordada também com a mão direita para fora do carro, tentando "agarrar" algumas gotas de chuva.
— Muda a rota para Charleston então. Vamos perder um pouco de tempo e poderemos encontrar mais zumbis, mas será melhor para procurarmos e arrumar alguns suprimentos e gasolina. Avise ao Dan, Aria. — Estalo os dedos de minhas mãos, animada com a ideia de descer desse carro.
— Sim, senhora. — Aria puxa o Walkie Talkie do porta luvas e passa as informações para Dan.
Se fosse uma viagem convencional demorariamos dois dias de Atlanta até Washington D.C, mas como estamos usando apenas estradas secundárias, para evitar os transtornos das rodovias, vamos demorar cinco, se eu não tiver calculado errado. Já se passaram quatro, ou seja, amanhã devemos chegar ao nosso destino.
A cidade de Charleston é tão grande, deveria ser linda em dias convencionais. Mas agora está destruida e "vazia" o que facilita muito nossa busca. Conseguimos encontrar um mercado enorme com algumas comidas resrantes e pegamos a gasolina de vários carros que encontramos pela cidade.
— Acha que poderíamos passar a noite aqui? Cara, eu tô exausto. Não sei se consigo dirigir por muito tempo mais. — DJ está sentado em um banco em frente ao mercado quando saímos. Ele vem dirigindo por quase dezoito horas seguidas, não posso culpá-lo.
— Gostei da ideia. — Dan joga algumas latas dentro do porta malas de seu carro e começa a comer uma bolacha que encontrou.
— Molengas... Eu posso dirigir para você, DJ. — Megan esta comendo algumas barras de cereais enquanto se senta ao lado de DJ.
— É, posso assumir para você também, Dan. — Viollet deita-se no capô do Honda Civic, comendo um salgadinho que encontrou.
— Eu voto por procurarmos um lugar para tomar banho! — Aria está comendo algumas bolachas também, sentada ao lado de Viollet.
— Pode ser uma boa ideia ficarmos aqui hoje, mas vamos precisar achar um lugar bem seguro. Viram quantos zumbis estavam rondando os arredores da cidade quando chegamos, e os daqui de dentro? Não quero ter problema algum com eles. — Mordo mais um pedaço da minha barra de cereal, sentada na calçada.
— Acho que já encontrei. — DJ indica um prédio enorme, ainda em boas condições. O letreiro sumiu e não conseguimos identificar o local. — Se conseguirmos chegar até lá em cima, não teremos zumbis para nos preocupar e poderemos descansar de verdade. Chegamos a Washington amanhã ainda.
— Eu voto pela ideia! — Dan sorri para DJ, agradecendo. Ambos estão exaustos por dirigirem.
Apanhamos todas as mochilas, inclusive a de Calum, e subimos as escadas do prédio. Viollet e Megan estão na dianteira, acertando qualquer coisa que se mova. Viollet é ágil e usa apenas sua faca para acabar com eles, Megan precisa usar sua arma algumas vezes. Não tem problema, estaremos seguros lá em cima.
[POV: DJ]
Conseguimos achar um cômodo grande o suficiente para nos abrigar, no oitavo andar, o lugar deveria ser um escritório de contabilidade. Aria e Shay subiram até a cobertura para checar se ainda tinha água na caixa d'água para um banho enquanto o restante arrumava o lugar: empurramos todas as mesas para o lado e usamos nossos cobertores de colchão. A noite pode ser tranquila, finamente, depois de três dias.
— Eu sou a primeira! — Aria entra correndo no escritório, sua blusa com uma pequena mancha de sangue e seus cabelos louros soltos, voando conforme a garota corre. Ela é realmente bonita.
— Temos água, sim! Eu amo esse lugar! E não interessa a ordem, contanto que eu possa tomar um banho também. — Shay se joga no colo de Megan e as duas começam a se beijar. Acredito que o banho delas será em conjunto.
— Eu vou então, não vejo a hora de lavar o corpo, cara. Tudo bem para você? — Dan toca meu ombro e aceno para ele. Não tenho pressa para ir tomar banho mesmo, estou querendo mais é descansar.
— Eu também não aguento mais, vou ir com você Aria, mas nada de tentar me assediar, por favor! — Viollet joga sua mochila nas costas e segue Aria e Dan, rumo aos banheiros.
— Se quiserem um menage, é só chamar... — Megan sorri maliciosamente para Viollet e a garota se apressa em correr para o banheiro, gritando algo do tipo "tô fora!".
— Ei, você ia me trocar por aquelas duas? — Shay faz um "biquinho" para Megan e a morena a abraça.
Tento relaxar um pouco e me deito sobre um dos cobertores. Talvez eu tenha parecido um pouco frio para o restante do grupo em relação a morte do Calum, mas também sinto a falta dele. Apesar do pouco tempo, afinal, foi ele quem me salvou. Mas eu precisava manter a cabeça no lugar e não pirar. Estamos em um mundo apocaliptico, perdas irão acontecer. Precisamos saber como lidar com elas.
Eu devo ter cochilado por uns quinze minutos e Dan me acorda assim que sai do banheiro.
— Ei, vai lá, apesar de ser so a água fria caindo sobre seu corpo, vai ser melhor para dormir depois. — Dan ergue sua mão e me ajuda a levantar.
Corro para o banheiro, me livro de minhas roupas e entro na pequena parte que tem o chuveiro. Fecho os olhos enquanto a água fria percorre meu corpo. A sensação é incrível. Quando abro os olhos novamente vejo Aria parada a minha frente, sorrindo como se já tivesse feito isso milhões de vezes.
— Mas que diabos...? Aria? — Me assusto e coloco as mãos sobre minhas partes intimas.
— Relaxa, DJ. Eu me lembrei agora que não tinha te agradecido por ter me ajudado a enxergar a verdade, sabe? Sobre o meu comportamento com o resto do pessoal. Então vim até aqui... — Aria começa a caminhar em minha direção e meu coração se acelera. Ela fica na ponta dos pés para selar seus lábios aos meus e nos beijamos. Evito tirar minhas mãos da virilha por precaução, não acho uma boa ideia no momento. — Então, obrigada... E aliás... UAU! — Ela quebra o beijo e sai do banheiro com naturalidade.
Fico mais alguns minutos no banheiro, pensando em Aria. Essa garota é encrenca na certa, mas acho que gosto do jeito dela.
Finalmente saio do banheiro e volto para o escritório. Eles acenderam duas velas da caixa que encontramos no supermercado para iluminar o cômodo e já estão todos deitados e de banho tomado, demorei muito no meu. Megan e Shay dormem abraçadas em um cobertor. Dan está deitado em seu edredom em um canto com Viollet a poucos metros dele. Aria tomou posse de meu cobertor e ocupa o outro canto da sala.
— Ei, pode me dar um cantinho aí, já que me roubou e bem, me assustou... — Sussurro para Aria e a garora molda seus lábios em um sorriso.
— Te assustei? Você tem medo de garotas, Devon? — Aria move-se para o lado, deixado um espaço para que eu consiga deitar também.
Me deito de barriga para cima e não consigo dormir. Remexo um pouco no cobertor até Aria suspirar e se virar para mim.
— Pode virar de lado, DJ. Até me abraçar se quiser, eu iria gostar, mas por favor, me deixa dormir! — Aria puxa meu braço e o passa por sua cintura, virando-me de lado. A garota apoia sua cabeça embaixo da minha. — Assim você consegue me esquentar. Muito. — Não consigo deixar de sorrir e fecho os olhos, dormindo, por incrível que pareça, abraçado a Aria Lynch.
[POV: Viollet]
Meus sonhos agora são todos sobre o destino do Calum. Dessa vez, ele escorregava e caia naquele penhasco que vimos, os zumbis caíam sobre ele e como já estava fraco, simplesmente se entrega a morte. Não gritando ou em desespero, mas sorrindo enquanto é devorado. Acordo com um feixe de luz solar sobre meus olhos.
Me sento sobre o cobertor e puxo a mochila do Calum para perto. Reviro seus bolsos e encontro uma foto de seus pais e uma que está ele, Shay e Aria. Minhas lágrimas caem sobre a foto e a seco rapidamente. Puxo uma arma da mochila também e a limpo para passar o tempo.
Uma hora depois já estão todos acordados e resolvermos tomar um café da manhã decente. Retiramos os objetos de cima de uma das mesas e colocamos algumas coisas que encontramos no mercado no dia anterior. As coisas parecem normais novamente, todos estão rindo e fazendo piadas, como um bando normal de adolescentes.
— Queria que momentos assim se tornassem rotina, sabe? — Recupero o fôlego após uma piada de Dan.
Antes que qualquer um possa responder, ouvimos alguns cliques. Dan e Aria arregalam os olhos, fitando a porta atrás de mim.
— Que pena acabarmos com a festinha então, hein, princesa? — Sinto o cano gelado de uma arma contra minha cabeça e evito girar. A voz parece ser de um homem mais velho.
Shay, que está ao meu lado, tenta se levantar para ver quem está atrás de nós e um homem puxa os cabelos da garota e a lança no chão.
— NÃO TOQUE NELA, SEU MERDA! — Megan se levanta por instinto e acerta um belo soco na cara do homem que derrubou Shay. Antes que ela possa ajudar a loira a se levantar o homem se recupera do atordoamento e acerta a testa da garota com uma coronhada. Um fio de sangue desce pelas bochechas de Megan.
— Calma aí, calma aí! — DJ se colocou de pé por instinto e fita os homens atrás de mim. Dan também se levantou e cerra os punhos, observando o homem erguer Shay, puxando seus cabelos e apontar a arma contra a cabeça da garota.
— Solta elas... O que vocês querem? — Dan aperta tanto suas mãos que ficam completamente vermelhas.
— O que queremos? — Um terceiro homem sorri enquanto fala e caminha para o lado de Dan, deixando o cano de sua arma apontado para o garoto. — Queremos levar vocês para um lugar bem bacana, cara. Da próxima vez que tentarem se esconder, escondam os carros também! Deixá-los parados em frente ao local é burrice nesses tempos.
Sinto as mãos do homem que aponta a arma contra minha cabeça puxar meu cabelo e me erguer. São três. Um, que acertou Shay e Megan parece ser o mais novo. O homem que está parado ao lado de Dan é o mais velho, provavelmente, e o homem que me segura deve ter uns trinta anos.
— Acho que achamos uma boa saca dessa vez, Donald. — O homem que me segura solta uma breve gargalhada.
— John, pega as mochilas e as leve para o seu carro. Vocês, crianças, comecem a descer lá para baixo. E sem gracinhas, meu amigo e eu não erramos de tão perto. — Donald, o homem que está ao lado de Dan o segura pelo pescoço e prensa a arma contra sua cabeça, forçando o menino a andar.
Todos descemos obedientemente. Existem mais três carros ao lado dos nossos. O homem mais novo do grupo hostil joga nossas mochilas dentro de um dos carros e puxa algumas cordas de dentro dele. Primeiro ele amarra as mãos de DJ e o joga dentro do porta malas do carro. Fazem o mesmo com Aria e a jogam no carro também. Em seguida é a vez de Megan, ainda tem um pouco de sangue escorrendo do machucado em sua testa.
— Eu vou matar todos vocês. — Ela cospe na cara do homem e recebe outro tapa antes de ser jogada no porta malas do segudo carro. Shay vai logo em seguida.
Donald amarra Dan e joga o garoto com força contra o porta malas do último carro, ele geme ao bater a perna.
— Se vocês se comportarem direitinho, podemos deixa-los viver, tuso bem, princesa? — Donald me amarra e me da um beijo na bochecha, fazendo meu estômago revirar.
Sou lançada ao lado de Dan e o porta malas é fechado. Alguns minutos depois os carros são ligados e começam a rodar, levando-nos para o desconhecido.
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