Infected
9 Capítulo 9: Partida
POV: Daniels Higgs
Calum e eu selamos os portões da fábrica, bloqueando-os com o carro e eliminamos todos os mordedores que perambulavam aos fundos do local. As coisas ficaram tensas entre todos. Confesso que vou sentir falta do Mark. Ele era um cara legal, de pávio curto, mas de bom coração. Estávamos juntos a quatro meses ou mais e foi ele quem me ensinou a atirar e a manusear armas, devo muito a ele. Não consegui ser rápido o suficiente quando ele precisou de mim. Mas ele foi um herói no final das contas, ele foi um Polícial bom até o momento de sua morte.
— Ele merece ser enterrado. — Digo a Calum quando voltamos para o galpão onde o corpo de Mark está, desvio o olhar dele.
— Nós vamos. Ele merece. Sei que você convivia com ele a mais tempo que eu e tudo mais, sinto muito Dan. — Calum sequer foca os olhos em mim quando fala, ele está muito abalado com tudo e não posso culpá-lo. São muitos acontecimentos para poucas horas.
— Cara, tá tudo bem. Ela vai sobreviver. Não se preocupe. — Tento soar o mais confiante possível mas ainda me lembro de acertar o braço de Aria com um facão até arrancá-lo. Talvez nunca possa esquecer.
— Eu sei. Mas fui descuidado, Dan. Eu que separei todos nós. Me pareceu o certo naquele momento, mas foi apenas ingenuidade. E agora perdemos o Mark. Aria perdeu um braço. Tudo minha culpa. — Calum apoia as mãos contra suas madeixas e lágrimas escorrem de seu rosto.
— Ei, ei, para de pensar assim. Nada disso foi sua culpa, cara! São riscos que não podemos evitar, nem sempre vamos sair ilesos de tudo, Cal. Você foi nosso líder, tomou a decisão que ninguém se arriscaria a tomar, e precisamos de alguém que as tome por nós. Nada disso é sua culpa, ninguém te culpa por nada. Tire isso da cabeça, precisamos de você. — Me aproximo do garoto e o abraço, tentando reconfortá-lo.
— Valeu, Dan. — Calum retribui meu abraço e sorrio. — Vamos lá, seja forte. Bola para frente agora. E vê se me solta, ou a Viollet vai realmente pensar que estou querendo te roubar dela!
— Eu estaria louco se trocasse ela por você, credo! — A voz de Calum soa mais confiante, porém ainda percebe-se que ele está abalado.
Levamos o corpo de Mark para fora da fábrica e cavamos um buraco com pás encontradas no estoque, no jardim do local. Enrolamos o corpo de Mark em um saco plástico e o colocamos em sua "cova". Calum, apesar de não conhecer Mark muito bem, insistiu em dizer algumas palavras de agradecimento por todo o heroísmo de Mark. Megan complementou suas palavras e acabou se emocionando.
— Valeu, amigo. Por tudo o que nos ensinou, todos os momentos de alegria e seu otimismo rotineiro. Apesar do pávio curto, você sempre foi um cara extraordinário. Obrigado mesmo. — Termino, por fim e nós três batemos palmas. Shay não se encontra porque se recusou a sair do lado de Aria, que ainda não acordou.
POV: Shay Lynch
Permaneço ao lado da "cama" improvisada de Aria. Trouxemos ela para o escritório geral da fábrica e a deitamos em um sofá de couro. O sangramento em seu braço já está quase completamente cessado porém nenhum sinal de a garota acordar.
Megan entra na sala e seco as lágrimas que percorrem minhas bochechas, não quero que ela me veja chorando.
— Nenhum sinal? — Megan segura o pulso direito de Aria enquanto eu faço um sinal negativo com a cabeça. — Vamos precisar de curativos especializados. Se a deixar-mos assim vai ser pior, a ferida pode infeccionar. Eu acho que percebi uma placa a caminho daqui. Acho que estamos na I-95, ou seja, não muito longe de Atlanta. Vou pedir para os garotos irem atrás de suprimentos médico em algum hospital de lá. Precisamos tratar a Aria direito. Tudo bem pra você?
— Tudo bem, você é quem manda, Dra. Megan. Obrigado. — Apesar de não gostar muito da ideia de nos separarmos novamente, é a nossa única chance de tratar da Aria. Tenho que concordar.
— Ok. Vou falar com eles e volto logo para te fazer companhia. — Megan sela os lábios em minha testa e sai do escritório.
POV: Calum Lynch
Não estou certo se deveriamos ter aceitado a ideia de Megan. Nos separarmos novamente me parece uma furada, mas ela e Shay insistiram que seria o melhor a fazer no momento, Viollet também concordou, alegando que não temos outra escolha.
— Então eu vou sozinho. O Dan pode ficar aqui e vigiar o perímetro, ele atira bem. — Suspiro e aperto ainda mais as mãos de Viollet sobre as minhas. Estamos todos sentados na mesa do escritório, ao lado de Aria.
— Nem pensar. Aquilo pode estar um caos e seria muito arriscado você ir sozinho. Vou com você, irmão, sem essa. — Dan se apressa em dizer, sacolejando a cabeça negativamente. — A Megan é uma ótima atiradora também, Mark nos ensinou. Ela consegue.
— Eu também sei atirar. Não há motivos para se preocupar, Cal. Vamos ficar bem. — Viollet me lança um olhar determinado e me animo um pouco, porém ainda não concordo plenamente com o plano.
— Eu não sei... — Começo a falar mas a voz de Megan ecoa mais forte que a minha, porque ela está irritada.
— Você quer salvar a Aria ou não? Já se passaram quase quatro horas que tivemos que amputá-la e ela está com curativos precários! Até vocês chegarem a Atlanta e voltarem vai demorar mais ou menos um dia! Então sugiro que pare de bancar o paizão e de nos considerar garotas indefesas, porque isso é tudo que não somos! — Megan bufa e sinto seu olhar pesado sobre mim. — Agora levante esse traseiro daí e vá logo, seu babaca!
— Uou... Eu diria que foi, no mínimo, inspirador. Vamos lá, Cal. Até amanhã, garotas, se cuidem, hein?! — Dan se apressa e sai do escritório, apanhando sua mochila e algumas armas do arsenal de Mark.
— Você é muito teimoso, Cal. Vai logo, droga. — Viollet se apressa e me beija, tão intensamente que me sinto até mais leve.
— Boa sorte, Cal. Contamos com você. — Shay sorri para mim e faz um aceno com a cabeça.
— Ok. Desculpa, pessoal. Aguentem firme. Voltamos o mais rápido possível. — Abraço Viollet com força e aceno para Shay e Megan, sorrindo, antes de sair da sala. Apanho minha mochila e algumas munições para minha Glock 43.
O discurso de Megan me motivou. Não somos pessoas fracas, nosso grupo é forte e vamos todos sobreviver a isso. Aria vai ficar bem. Todos vamos.
Me lanço no banco do carona e deixo minha mochila no banco de trás do Honda Civic, junto com os pertences de Dan. Megan nos seguiu até a entrada para abrir os portões para passarmos. Dan acelera e sorri maliciosamente, ele está tão animado quanto eu. Essa missão vai ser moleza. Tudo vai ficar bem. Saimos da fábrica e Megan fecha os portões. O medidor de combustível do carro indica que ainda temos pouco mais da metade do tanque, espero que dê tudo certo.
— Imagine isso como um daqueles acampamentos que faziamos no quintal da sua casa quando éramos crianças. Só que dessa vez, além de estarmos sozinhos, existem monstros reais que querem nos devorar de verdade. Vai ser irado! — Dan bate as mãos no volante do carro, sorrindo.
— Só espero que você não mije nas calças como sempre, Higgs. — Solto uma gargalhada ao relembrar os momentos de nossa infância. Estou feliz por ter Dan comigo. As coisas serão bem mais fáceis assim.
— E ainda assim eu pegava muito mais gatinhas do que você! Cale a boca, Lynch, ou te faço ir andando. Babaca! — Dan não consegue ficar sério por muito tempo e acaba sorrindo.
O clima continua assim por quase toda a viagem. Contamos histórias do passado e rimos muito. Sem pressão. Vamos conseguir concluir mais essa missão. Somos uma família novamente.
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