Infected
14 Capítulo 14: Confiança
[POV: Calum]
O primeiro dia de viagem foi bem tranquilo. Tudo correu bem e não havíamos tido nenhum imprevisto, tudo estava nos conformes. Evitavamos correr muito e usamos, na maioria das vezes, as estradas secundárias.
Deveriamos estar no estado do Tennessee quando paramos pela primeira vez no segundo dia de viagem.
— Tem um posto a frente, está vendo? Vamos parar lá para comer um salgado ou algo do tipo. Câmbio! — Megan não parava de dizer "câmbio" sempre que usava o walkie talkie que Shay achou em sua visita ao vilareijo perto da fábrica.
— Tá, mas você paga o salgado. Esqueci minha carteira. Câmbio! — Dan responde no mesmo instante.
Estaciono o carro na entrada da área de conveniência do posto, logo atrás do carro que DJ conduzia.
— Jesus Cristo, não aguento mais ficar sentada! Minha bunda está se achatando já. — Aria apalpa suas nádegas com a mão direita, sorrindo. Ela finalmente saiu de sua "paranóia" e agora as coisas estão tudo bem.
— Eu posso "desachatar" para você quando quiser... — Dan arqueia suas sobrancelhas para a garota e todos rimos.
— Sou muita areia para o seu pobre caminhão, Dan, desculpa. — Aria faz um biquinho para Dan, que se derrete ainda mais.
Antes que qualquer um pudesse dizer algo, ouvimos um barulho alto. Não era humano e muito menos zumbi. Pensei que jamais ouviria algo do tipo: são hélices! Provavelmente de um helicoptero. Todos nós erguemos os olhos para o céu a procura da aeronave.
— Meu Deus... — DJ é o primeiro a falar, ele coloca suas mãos na frente do sol para que consiga ver melhor.
— Todos estão ouvindo, né? Não estou louco! — Dan sobe sobre nosso carro, procurando o helicoptero.
— Ali!!!! Oh, céus... — Shay indica o céu com o dedo e todos nos viramos para onde ela está olhando.
O helicoptero está soltando fumaça de sua cauda e parece ter dificuldades para se manter no ar. Mesmo depois de, nove meses? Um ano?, que tudo isso começou ainda existe uma "resistência" bem armada.
— Ele vai... — Viollet aperta minha mão quando o helicoptero começa a perder altitude. Todos prendemos o fôlego e seguimos a trajetória da aeronave. Ela rodopeia por alguns segundos no céu antes de cair, chocando-se contra o solo em uma enorme explosão.
— Puta merda! — Dan salta do carro, seus olhos fixos no ponto em que a aeronave caiu.
— Temos que ir lá, ainda podem estar vivos! — Corro para o carro que eu conduzia e puxo minha Glock 43 de um bolso de minha mochila. Apanho dois cartuchos extras e minha faca. — Dan e Megan, vamos comigo! O resto fica aqui, por favor, dêem uma "geral" no posto e peguem o que for necessário. Voltamos logo.
Eu sequer havia terminado de falar quando Dan e Megan já me esperavam, armados também. Puxo Viollet para um beijo rápido e pisco para a garota, sussurro em sru ouvido para que fique bem e tome conta dos outros. Para minha surpresa, é Shay quem puxa Megan e sela seus lábios aos da garota antes de partimos.
— Certo, voltamos logo! Fiquem seguros! — Me apresso em dizer e corro para o meio da floresta, Dan e Megan me seguem.
Ouvimos o crepitar do fogo após uns cinco minutos de corrida pela floresta e encontramos a aeronave, bom, pelo menos a maior parte dela. A parte traseira não existe mais, apenas destroços em chamas.
— S-so-corro... — Ouvimos um gemido baixo, vindo da aeronave e nos entreolhamos, tentando decidir se é seguro nos aproximarmos.
— D.C... D.C... — O gemido continua, o esforço do homem para falar é visivel. Caminho na direção das portas da aeronave e tento abri-las, porém não consigo.
Dan se aproxima também e forçamos ainda mais a porta que range e estala até se abrir. Enxergamos no interior da aeronave o piloto, morto, sua cabeça esmagada contra o painel; um jovem, provavelmente vinte e cinco anos trajando uma roupa militar, jogado no chão, o sangue escorre sem parar de seu corpo; por fim, um homem de meia idade, trinta anos talvez, ainda sentado na poltrona do helicoptero, porém parte do banco, ou talvez até dos destroços da cauda da aeronave estão atravessando-lhe a barriga. Sangue escorre da boca do homem e ele segura uma maleta prateada, apertando-a com força.
— M-me ajudem... D.C... — O homem volta a gemer quando nos avista, cuspindo um pouco de sangue. — P-pa...ra D.C...
— Vamos tirá-lo de lá! Megan, consegue cuidar desses ferimentos? — Coloco o pé para dentro da cabine e a aeronave range.
— Não dá, Calum... Ele provavelmente precisaria de uma cirurgia, muito complicado. Sinto muito. — A garota desvia os olhos da cena, com pena do homem.
— Só l-leve... D.C.. Para D.C. — O homem dá seu último suspiro e solta a maleta, fechando os olhos pela última vez.
— A maleta, Cal! Pegue, ele quer que levemos para Washington, D.C.! — Dan toca meu ombro enquanto fala e compreendo tudo o que o homem estava tentando nos dizer.
Subo na aeronave com cuidado, receoso que ela vire. Caminho até o homem e seguro a maleta com força enquanto a puxo. Quando salto do helicoptero a estrutura de sua hélice cai e a aeronave explode, lançando-nos contra uma árvore próxima.
— Argh! Merda! — Dan massageia sua direita, com dificuldades para firma-se de pé. — Acho que bati muito forte contra a árvore!
— Puta merda... — Megan se ergue alguns segundos depois, seu braço esquerdo levemente avermelhado, talvez por causa das chamas.
— Estão todos vivos, né? — Tusso algumas vezes e massageio minhas costas, na área que atingi a árvore. — Temos que voltar...
Estavámos destraídos demais prestando atenção no cara do helicoptero e não os percebemos. Ergo os olhos e observo trinta, talvez quarenta zumbis caminhando rumo a área que estamos.
— MERDA! TEMOS QUE IR! — Megan corre para o lado de Dan e o garoto apoia-se na garota, deixando seu braço direito passar pelos ombros dela. — Consegue caminhar assim?
— Vou ter que conseguir! Vamos! — A expressão de Dan é de pura dor enquanto ele saltita ao lado de Megan, que caminha em um ritmo lento para que o garoto consiga acompanhar.
— Vão na frente! Estou logo atrás de vocês! — Disparo contra alguns zumbis que já se aproximaram demais e começo a seguir Megan e Dan.
Continuo a atirar contra alguns zumbis até ficar sem as munições do cartucho que já estava na arma. Ainda tenho dois extras mas não há tempo para trocar, puxo minha faca e apunhalo alguns zumbis que se aproximam de Megan.
— MAIS RÁPIDO, OU NÃO VAI DAR! — Grito para eles, mais como um incentivo do que uma ordem.
— Estamos tentando! A perna dele não está nada bem! Merda! — Megan diz, arfando.
— Não vai dar pessoal... Desculpa. — Dan parece estar mais exausto que nós e tropeça, levando Megan ao chão com ele.
— Merda! — Megan puxa rapidamente sua arma do cinto e dispara contra três zumbis que já a alcançava. Eles estão surgindo de toda parte agora. A explosão e o barulho do helicoptero deve tê-los atraído.
— LEVANTA DAN, SEU MERDA! VOCÊ NÃO VAI MORRER AQUI! — Empurro um zumbi que se aproximava mais do garoto e o ajudo a se erguer. — Megan, vem! — Grito para ela.
Megan se aproxima e passo Dan para ela, que o ajudo a se apoiar novamente. Eles começam a caminhas um pouco mais rápidamente, mas não será o suficiente. Não para sobreviverem.
— Dan, me prometa que vai levá-los para Washigton, vai conseguir manter todos em segurança e tirar eles dessa. — Alcanço Megan e coloco a maleta em sua mochila, sorrindo para a garota. — Meg, você também, precisa cuidar de todos, curá-los na medida do possível. — Acerto mais dois zumbis com a faca. Sinto o suor escorrendo por minha testa.
— O que você está falando, seu maluco!? — Dan gira o pescoço para conseguir me fitar, mas sei que ele já entendeu. Claro que entendeu, ele ê meu melhor amigo, sabe como eu penso. Percebo as lágrimas em seus olhos.
— Vou levá-los para longe, muito longe. Não vamos conseguir se continuarmos nesse ritmo. Sou o mais rápido, vou conseguir fugir deles. Vocês só tem que chegar ao resto do pessoal. — Consigo recarregar minha arma agora que estou livre da maleta. Alterno entre facadas e tiros contra os zumbis que se aproximam demais.
— NÃO! É suicídio! — Dan tenta parar para me ajudar mas Megan não permite e o força a andar ainda mais rápido. O garoto geme.
— Calum, vou mandar o DJ. Apenas leve eles para longe de nós e voltamos para te ajudar, prometo! — A voz de Megan soa firme, sei que ela vai salvar o Dan, e isso já me basta.
— Não... Se eu não voltar até o anoitecer... Desistam! Desistam e sigam para Washington, vocês precisam descobrir a importância dessa maleta e salvar os outros. Você disse que eu era o Capitão, nê? Então isso é uma ordem. Salvem os outros, confio em vocês!!! — Chuto a barriga de um dos zumbis e ele cai para trás, levando consigo dois outros mordedores. Suspiro fundo e começo a berrar, correndo para o lado oposto ao de Dan e Megan. — EI, SEUS SEM CÉREBROS, POR AQUI! A CARNE MAIS DELICIOSA DA REGIÃO É ESSA AQUI, BABY!
Começo a gesticular feito um louco e disparo algumas vezes, conseguindo atrair a atenção de toda a horda. Sorrio maliciosamente ao ver Megan e Dan de afastarem ainda mais. Eles estão seguros. Grito mais alguns palavrões e certifico-me de que todos os zumbis estão com o foco em mim, disparo floresta a dentro seguido pela maior caravana de mortos vivos que já encontramos.
[POV: Viollet]
DJ e eu vasculhamos, praticamente, cada centímetro do posto. Encontramos algumas bebidas, comida enlatada e alguns galões de gasolina. Já se passaram quarenta minutos que o Calum e os outros sairam, estou com um mal pressentimento.
— Pelo menos ainda teremos gasolina para alguns bons quilômetros! — DJ deixa os galões de gasolina ao lado dos carros.
— Eu nunca gostei de andar a pé mesmo! — Aria sorri para o garoto. Hmm, sei.
— Eles estão demorando muito... — Shay está sentada sobre o capô do Citroen, observando atentamente a floresta para a qual o grupo correu.
— Vai ficar tudo bem, Shay. Eles são bons atiradores, rápidos e inteligentes. Vão voltar logo. — Me sento ao lado da garota e observo a floresta também.
Aria e DJ jogam conversa fora quando ouvimos alguns galhos se quebrando. Shay e eu corremos para a encosta da avenida quando percebemos ser Dan e Megan. Apenas Dan e Megan. DJ e Ari chegam alguns segundos depois. Passo um dos braços em volta da cintura de Dan e DJ o segura do lado de Megan, que agora está sendo ajudada por Aria e Shay. Ambos parecem exaustos.
Sentamos Dan ao lado de uma das bombas de gasolina do posto e o garoto geme ao dobrar sua perna.
— Cadê o Calum? — Minha voz soa trêmula e cheia de insegurança.
— Ele, ele... Droga. Ele é um idiota! — Dan soca o chão, irritado. Lágrimas percorrem suas bochechas.
— Ficamos cercados por uma horda enorme... O helicoptero acabou explodindo e ferrou a mim e ao Dan. — Megan massageia seu braço esquerdo que está muito vermelho. — Não iriamos conseguir fugir dos zumbis. Calum chamou a atenção deles, tipo, TODOS eles. Uns trinta zumbis e correu com eles para longe de nós... Ele disse que voltaria até o anoitecer. Ele disse não, droga, ele vai voltar!
Sinto meu coração se acelerando no peito. O Calum ficou para trás, sozinho contra, talvez, trinta zumbis. As chances não são boas mas acredito nele. Ele me prometeu que iriámos ficar juntos depois que tudo isso acabasse. Acredito nele, ele vai voltar.
. Precisamos ir atrás dele! Ele não vai conse... Ele precisa de ajuda! — Shay se vira, fitando cada membro do grupo.
— Não. Ele disse para ficarmos. Não podemos nos arriscar todos e irmos atrás dele, ele pediu. — Dan apoia suas mãos contra o rosto e tenta disfarçar seu choro. — Aquele maldito é, sem dúvidas, o mais rápido de nós. Se existem alguém que conseguiria sair dessa, esse é o Calum.
Shay e Aria protestam, mas Megan também defende que a ideia é arriscada. Sei que não adianta também, é a cara dele querer proteger a todos nós, mesmo que se coloque em perigo extremo. Acredito no Calum, ele vai conseguir. Acredito nele desde que me salvou pela primeira vez, de meros seis zumbis, há alguns meses. Se ele disse que voltaria, ele vai conseguir.
...
A noite cai e ainda não tivemos nenhum sinal do Calum. Meu coração palpita a qualquer barulho, estou entrando em desespero. Sento-me ao lado de Shay e Aria e as abraço, todas estamos preocupadas com o Calum. Dan continua cabisbaixo, tentando disfarçar seu sofrimento enquanto DJ e Megan dormem dentro dos carros. Começo a me questionar se ele realmente conseguiria voltar, e alterno a noite toda nessa questão, sem conseguir dormir: Calum vai voltar; Calum não vai voltar. Calum está vivo; Calum está morto.
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