Infected
12 Capítulo 12: Esperança
[POV: Calum]
Três dias se passaram desde o ocorrido e as coisas ainda estavam ruins. Aria se recusava a falar comigo ou com o Dan e ficava, a maior parte do tempo, sentado no escritório acompanhada de Megan e Shay. Dan ficou abalado, é claro, Aria foi muito cruel com o garoto e sua alegria rotineira parece ter desaparecido um pouco. Ele fica a maior parte do tempo com o DJ, ensinando-o a manusear armas ou jogando conversa fora.
Viollet me deu todo o apoio possível. Ela é o máximo, uma garota perfeita, corajosa e gentil, mas ainda assim não conseguiu me animar muito bem. Estamos sentados na entrada da fábrica, admirando ao céu que está completamente azul e limpo de nuvens, por incrível que pareça.
— Você acha que as coisas vão voltar ao normal? Digo, se a Aria vai conseguir me perdoar e tudo mais? — Deito minha cabeça no colo de Viollet, desanimado.
— Você não fez nada de errado para ela perdoar. Desculpe, eu sei que vocês são primos, família e se conhecem desde sempre, mas eu acho que é tudo um drama da parte dela. Tipico de uma patricinha. — Viollet fixa seus olhos aos meus e sua voz sai neutra enquanto ela massageia minhas madeixas.
— Você acha? Ela me pareceu bem abalada naqule dia... Sabe, a Aria sempre teve tudo o que almejava e foi realmente mimada, mas isso realmente parece ridículo, até mesmo para alguém como ela. Mas ainda assim me sinto culpado. — Seguro a mão esquerda de Viollet e a deixo sobre minha barriga, fazendo carinho sobre ela.
— Ela vai cair na real alguma hora, Cal. Não se preocupe, ê como aquela música, sabe... What doesn't kill you makes you stronger! — Viollet cantarola a música, no mesmo ritmo e sua voz não desafina.
— Uou! Desde quando você canta? Quando vou ter meu showzinho particular? Viollet Voisier, você é uma caixinha de surpresas... — Estico as mãos e toco as bochechas de Viollet, puxando-a para perto de mim e selo nossos lábios em um beijo.
— Aprendi no circo dos meus pais também... Eu sou o maior mistério que você já encontro, Mrs. Lynch. — A garota sorri e toca minha testas com seu dedo indicador. — Quanto ao showzinho particular, eu posso pensar no seu caso, sabe... Você é bem gostosinho, até. Acho que dá para o gasto.
— Dou para o gasto? — Me ergo e lanço meu corpo sobre o de Viollet, prendendo suas mãos contra o chão enquanto me sento sobre ela. — Não me provoque garota, você está mexendo com fogo! E quanto ao mistério, vai ser uma honra desvendá-lo. Sabe, queria ter mais momentos sossegados assim, só eu e você. Em uma casa de praia, observando as ondas se quebrarem nos rochedos. Seria uma vida boa. — Roubo outro beijo de Viollet.
— Eu também. Estou cansada de ter que lutar contra essas coisas. Cansada dessa vida de sobrevivente, queria apenas ser uma garota de dezoito anos normal de novo. Você promete que vai nos tirar dessa, Cal? Vai achar um jeito de resolver tudo e fazer as coisas voltarem ao norma de novo, para que possamos ficar juntos sem nos preocupar? — Viollet sopra alguns fios de cabelo que lhe cobre o olho e me fita, sorrindo gentilmente.
— Prometo. Na verdade, eu juro. Por você, Viollet, vamos conseguir sair dessa. — Sei que é uma promessa um tanto quanto boba, mas posso ao menos tentar cumpri-lá, pela Vi.
— E eu acredito em você. — Viollet gira seu corpo e me lança contra o gramado, dessa vez ela fica por cima enquanto me beija.
[POV: Dan]
DJ é um cara bacana. Ele já conseguiu superar, em parte, o trauma pela morte de sua prima e ainda me animou bastante. O cara é simplesmente demais, além de ser um bom discursante.
— Espero que já tenha superado o pé na bunda e esteja com sua dignidade intacta novamente. Tenho uma notícia para você, é algo de que me lembrei. — DJ chuta algumas caixas para o lado enquanto abre caminho até onde estou: deitado em uma das esteiras da fábrica.
— Vai se foder, cara. Garotas são loucas, já me conformei com isso. Não foi a primeira e nem será a última que uma garota faz isso comigo. Foda-se aquela cretina da Aria, já superei. — Me sento na esteira enquanto DJ se aproxima e se senta ao meu lado, sorrindo. — Diz aí, qual a novidade?
— Washington, D.C. — DJ dispara, indiferente.
— Certo, a capital dos Estados Unidos, e daí? — Arqueio as sobrancelhas para o garoto enquanto o fito, confuso.
— Eu era estagiário do The Atlanta Journal-Constitution, e quando tudo isso começou, quando ainda tínhamos meios para publicar notícias que ajudassem as pessoas a sobreviver, nos foi informado que um moderno centro de pesquisa sobre mutações, genetica e acontecimentos biologicos tinha sido montado em Washington. — DJ fica sério enquanto fala e batuca seus dedos sobre a esteira. — Acho que ainda está lá, sabe? O centro de pesquisa. Acredito que ainda estejam tentando procurar a cura para isso tudo. Washington é uma das cidades mais modernas do mundo! Talvez ainda esteja de pé e estejam tentando nos salvar. Talvez seja melhor irmos para lá, teremos mais chances de sobreviver.
Fico em silêncio por alguns minutos, digerindo toda a informação passada por DJ. Tudo o que ele disse faz sentido e pode ser verdade. Talvez ainda haja um meio de reverter toda essa situação.
— Devon Joseph, meu amigo, você me deu a melhor notícia que eu poderia receber nesse maldito apocalipse! Precisamos contar aos outros, tipo, agora! — Me ergo da esteira, animado e sorrindo feito uma criança.
— Mas tudo pode ser falso também. Não quero criar falsas esperanças em vocês e colocá-los em perigo. — DJ se ergue também, não tão animado quanto eu.
— É melhor do que deixar nossas bundas suando nessa merda de fábrica sem fazermos nada! Temos que tentar, vamos lá, vamos contar para eles. — Corro para fora do galpão, entusiasmado.
Finalmente vanos poder fazer algo que realmente faça sentido. Talvez ainda possamos reverter essa situação e salvar o que ainda resta do mundo. Meu coração se acelera ainda mais quando avisto Calum e Viollet sentados do lado de fora da fábrica.
[POV: Shay]
Estou cansada das crises de Aria. Ela sequer parece com a minha prima de sempre, de tão mudada. Agora só sabe reclamar e ser indiferente em relação a tudo, já está me dando nos nervos. A melhor hora do dia é quando ela está dormindo, sem enxer o saco.
— Consigo sentir daqui o seu estresse. — Megan sussurra em minha orelha, se aproximado por trás enquanto observo Aria dormindo.
— O quê? Estresse? Eu? Jamais. — Sorrio quando me viro para a morena. Ela se tornou a única pessoa que consegue me fazer sorrir ultimamente.
— Qual foi, eu já te conheço o suficiente para saber quando está irritada. E posso dizer? Eu também estou. Pensei que a Rainha do Drama fosse você, e não a Aria. Vamos, nos distrair um pouco. — Megan tapa meus olhos com as mãos e me conduz para fora do escritório onde Aria está. Alguns minutos de caminhada depois eu ouço uma porta se fechando.
— O que você está fazendo? Meg, onde estamos? — Não consigo deixar de sorrir, o suspense é animador. Megan me senta em uma poltrona, eu acho. — O que você quer?
— O que eu quero? Acho que é meio óbvio, loira. — Megan tira suas mãos de meus olhos e se senta em meu colo, deixando suas pernas penderem sobre minhas coxas. Estamos em um comodo pequeno, a porta fechada. Provavelmente um antigo armário de vassouras. — Eu quero você, Shay.
Megan me abraça e começa a beijar meu pescoço, fazendo-me arrepiar. Passo as mãos em volta de sua cintura instintivamente, acariciando a morena. Meu coração se acelera.
— Meg... E-eu não sei... — Lanço minha cabeça para trás, dando mais espaço para a garota me beijar. — Não parece certo...
— E não é. Mas que graça teria se fosse? — Megan envolve seus dedos em minhas madeixas e me puxa, selando nossos lábios em um beijo duradouro.
Não consigo mais aguentar, a tentação é muita. Megan é tão carinhosa, gentil, inteligente e prestativa. Acho que gosto realmente dela. Subo as mãos pela cintura da garota e apalpo seus seios sobre sua blusa, ela sorri. Megan rettribui deixando uma marca de chupão enorme em meu pescoço e morde meu lábio inferior.
— Eu quero muito você, Shay. — Megan percorre meu busto com sua língua carinhosamente, fazendo com que eu me arrepie ainda mais.
— Eu. Também. Quero. Você. Megan. — Começo a fazer movimentos circulares sobre os seios de Megan quando ouvimos uma batida na porta. Droga.
— Ahn... Pessoal... Reunião, lá embaixo, tipo, agora... — Calum diz calmamente e o conheço o suficiente para saber que está segurando uma gargalhada. Faço uma "nota mental: matar o Calum."
Megan se assusta com Calum e me observa. Talvez ela tenha pensado que seu esconderijo era perfeito, consigo ver o desanimo em seus olhos. Puxo Megan para mais um beijo antes de descermos.
— Isso ainda não acabou... — Mordo levemente a orelha de Megan enquanto saio da pequena sala, caminhando para o primeiro andar da fábrica.
[POV: Calum]
Dan convocou a todos para uma "reunião" no primeiro andar e estou ansioso com o que ele tem a dizer. Por incrível que pareça, Viollet convenceu Aria de descer e participar, mas a garota fica mais afastada do grupo.
Shay e Megan chegam por último e seguro uma gargalhada ao ver a mancha no pescoço de Shay. Moldo os lábios, sussurrando para ela, sem nenhuma palavra: "BOA, SHAY". A garota ergue seu dedo do meio para mim e desvia o olhar, mas também está sorrindo.
— Bom, parece que alguns estavam em melhores condições que a gente, desculpe atrapalhar... — Dan inicia, ele deve ter notado a mancha em Shay também e a fita, sorrindo. Aliás, quem NÃO notaria aquilo? É enorme. — Enfim. DJ estava me contando uma coisa hoje que me deixou bastante animado e cheio de ideias. Pode compartilhar com eles, DJ?
— Claro... — Apesar do tamanho, DJ parece intimidado. Ele suspira algumas vezes antes de começar. — Eu trabalhava no principal jornal de Atlante e quando tudo isso começou, nos foi informado que seria montada uma base de pesquisa para a cura dessa epidemia. Em Washington. Acredito que ainda possa estar funcionando, e se estiver, temos boas chances de sobreviver se chegarmos lá.
Observo cada membro do grupo enquanto o silêncio toma conta da fábrica. Não poderia existir uma notícia melhor para recebermos do que essa. Estou animado.
— E aí eu estava pensando: "o que caralhas estamos fazendo aqui ainda? Vamos para Washington curar o mundo, porra!" — Dan dispara, quebrando o silêncio.
— Oh, céus... — Megan parece animada com a notícia.
— Isso é maravilhoso! — Shay ergue os braços em comemoração.
— Vamos logo então! Estamos perdendo tempo! — Viollet abre seu encantador sorriso enquanto exclama.
A notícia é realmente boa e animadora. Parece que revigorou o grupo todo em um piscar de olhos. Aceno a cabeça para o DJ, agradecendo-o.
— Então, só precisamos... — Começo a falar mas Aria pigarreia.
— Vão simplesmente confiar no novato? Isso pode muito bem ser uma armadilha ou algo do tipo! Nem conhecemos esse cara e já querem erguer um pedestal para ele só por ter dito algo que todos queriam ouvir? Que hipócritas vocês, sinceramente... — Aria se aproximou do grupo e sua voz soa indiferente enquanto ela fala, de braços cruzados.
— Eu confio nele. — Dan cerra os punhos, fuzilando Aria com os olhos.
— Você é um idiota, Dan, já era de se esperar. Vindo de alguém que cresceu sem pa... — Aria começa mas eu a interrompo.
— Cale a boca, Aria. Não comece a dizer merda, caralho! Olha só, estamos todos cansados de você se fazendo de vítima o tempo todo e reclamando. O DJ acendeu a esperança em nós e vamos, sim, confiar nele. Se estiver incomodada com a nossa decisão, eu sugiro que tente sobreviver sozinha ou procure um novo grupo então. Porque nós vamos para Washington, amanhã mesmo.
Aria fica em silencio por alguns minutos. Fico com medo de ter sido muito duro com ela, porque vejo lágrimas se formando em seu rosto. Mas não podia deixar ela continuar agindo assim, se desfazendo de tudo e humilhando todos.
— Que seja, então. — Aria solta por fim e limpa uma lágrima que escorre por sua bochecha. A garota se vira e corre para o escritório.
— Deixa, eu falo com ela. Decidam tudo e depois me avisem. Obrigado pela notícia, DJ. — Shay sorri para o garoto e dispara atrás de Aria.
— Boa atitude, líder. — Megan acena para mim, fazendo um positivo com sua mão.
— Obrigado, Cal. Vamos planejar tudo então? — Dan sorri para mim e retribuo.
Viollet se posiciona ao meu lado e segura minha mão enquanto recosta a cabeça em meu ombro. Sinto que agora vou finalmente conseguir cumprir a promessa que fiz para ela. Dan, Viollet, DJ, Megan e eu sentamos em volta de uma mesa no estoque e decidimos os preparativos para a viagem. Parece que agora tudo vai voltar ao normal, finalmente.
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