Infected
11 Capítulo 11: Aria
POV: Calum Lynch
— Ela era minha prima, na verdade. Mas sempre convivemos desde cedo, então a considerava minha irmã. Estávamos fugindo a alguns bons meses. — DJ observa a rodovia passar como meros borrões pela janela do carro. — A gente tinha sido encurralado por alguns mordedores, e aqueles caras chegaram... Estavam armados e se livraram dos zumbis. Pensamos que eram boas pessoas, e quando me aproximei para agradecer, acertaram minha cabeça com a arma. O resto vocês já sabem. — Ele toca o corte em sua testa e suspira. — Vou sentir falta dela.
— Sinto muito, cara. Mesmo. — Dan se apressa em dizer, sua voz soa suave. — Estamos com você agora, cara. Vai gostar do nosso grupo.
— São todos uns loucos. Mas são boas pessoas. — Sorrio e batuco os dedos ao volante.
— Temos três gostosas metidas a médicas, um "nerdzão" viciado em máquinas e, é claro, um garanhão pelo qual todas as meninas caem aos pés. — Dan fala tudo com normalidade, e não consigo deixar de rir. Pelo visto ele conseguiu conquistar o DJ também, porque até mesmo ele solta uma pequena risada. A cara de pau do Daniels chega a ser contagiante.
POV: Shay Lynch
A noite foi calma e relaxante, na medida do possível. Acabei adormecendo aos braços de Megan em um dos sofás do escritório, ela me abraçou e conseguiu fazer minha noite ser uma das melhores. Viollet estava dormindo em uma poltrona ao lado de Aria. Por volta das sete, ou oito, da manhã acordamos com o berro de Aria.
— AAAAAAAH!! O QUE ACONTECEU? MEU DEUS, O MEU BRAÇO!!!!! — Aria estava sentada no sofá, as lágrimas escorrendo de seu rosto enquanto ela tocava a parte arrancada de seu braço. A ferida comecou a sangrar novamente.
— Calma, Aria! Está tudo bem, calma! — Viollet levantou-se do sofá com um pulo e abraçou Aria, que chorava sobre sua blusa.
— Aria... Você está viva. Calma! — Me ergo do sofá com um pulo, hesitando em me aproximar de Aria. Observo-a chorar no ombro de Viollet. Megan se coloca ao meu lado, apenas observando tudo também.
— Meu braço, Shay, meu braço... O que aconteceu? — Aria começa a soluçar enquanto se soltava de Viollet.
— Aria... Você foi mordida. Tivemos que fazer isso, para que você não moresse. Pode ser frustante agora, mas conseguimos salvar sua vida. — Megan se apressa em dizer, séria, fitando a loira.
— Entendi... Mas quer saber? Eu preferia estar morta do que aleijada! — Aria encara Megan friamente, deixando apenas as lágrimas escorrerem em seu rosto, depois encara Viollet e a mim. — Por que me torturar desse jeito?
— Não tivemos opção, Aria! Era o único modo de salvá-la, por que está tão infeliz por estar viva?! Não tivemos culpa! — A ingratidão de Aria me estressa e não penso enquanto falo.
— É fácil falar quando se tem os dois braços inteiros ainda. — Aquela Aria que estava chorando a alguns segundos atrás foi substituida, por uma cópia fria. — Você tem razão. Não tiveram culpa alguma, desculpem me exaltar. Afinal, realmente estou viva. Então, obrigada.
— Não precisa agradecer. — Diz Megan, está visivel que ela não gostou das atitudes de Aria ao acordar. Mas não posso culpar minha prima, é um choque tremendo.
— A culpa foi do Calum. Cadê aquele merdinha desgraçado?! — Aria seca suas lágrimas e se coloca de pé, com um dos olhares mais macabros que já presenciei em toda minha vida.
POV: Daniels Higgs
A viagem de volta foi bastante quieta. Vez ou outra eu ainda tentava alegrar o DJ, mas era visivel que não iria funcionar. Resolvi dar tempo ao tempo.
Deveriam ser quatro ou cinco da tarde quando chegamos à fábrica. Arremessamos algumas pédras lá dentro, para não atrair a atenção de zumbis que estivessem pelas redondezas, e alguns minutos depois Megan abre os portões para entrarmos. Ela parece séria.
— A Aria acordou. — Ela diz, mas sinto em sua voz que isso não é tão bom assim.
— Oh meu Deus! — Calum entra rápido com o Honda na fábrica, seu sorriso enorme brilhando em seu rosto. — Onde ela está? Onde? Onde?
— Calum.. Ela não está bem. Não acho uma boa ideia você aparecer lá agora. — Megan evita fitar Calum diretamente e me observa, clamando por ajuda.
— Espera, o quê? Por que não? Megan o que aconteceu com ela? — O sorriso de Calum vacila em seu rosto enquanto ele desce do carro.
— Ei, Cal, vamos esperar um pouco... — Puxo as duas mochilas com suprimentos e desço do carro. DJ me segue, um pouco envergonhado e confuso. — Vamos apresentar o DJ para elas primeiro.
— Cara novo? Interessante. Bem vindo, amigo. — Megan tenta mudar de assunto rápidamente, enquanto comprimenta DJ.
— É um prazer. Obrigado. Sou o Devon Joseph, mas prefiro DJ. — Ele acena a cabeça para Megan, comprimentando-a.
— Corta essa, o que está acontecendo? Eu vou lá! — Antes que qualquer um possa tentar impedir, Calum dispara para a fábrica. Todos corremos atrás dele, mas ele é rápido demais, afinal, era da equipe de atletismo no colegial.
Pelo fato de termos ficado um pouco atrás, Megan me explica as coisas que estão acontecendo. Aparentemente, Aria surtou e culpa o Calum pela perda de seu braço. DJ nos segue, um pouco confuso com tudo. Droga, não era essa a primeira impressão que eu queria passar para ele.
Chegamos ao escritório um pouco atrás do Calum. Ele está parado no centro da sala, Viollet o abraça e o beija como comprimento enquanto ele observando atentamente Aria enquanto ela come uma maçã. Sbay está ao lado da garota.
— Aria, que bom que está tudo bem. — Ele tenta se aproximar da garota mas Viollet dá um leve puxão em seu braço. O clima tenso cobre todo o escritório.
— Cal, por favor, volte depois... — Shay começa mas Aria a interrompe, dando uma breve gargalhada.
— Bem? Você já viu essa merda aqui?! — Aria se levanta do sofá e deixa a parte que ainda lhe resta do braço a mostra, tenho que admitir, o negócio está feio. — Você conseguiu, né Calum? Conseguiu finalmente foder tudo! Isso aqui é tudo SUA culpa, seu idiota! Sua!!
A voz de Aria soa rigída e raivosa, todos ficamos em silêncio por um tempo, observando a garota. Calum está tremendo e sinto seus olhos desviarem de Aria quando ela mostra seu braço.
— Aria, e-eu... não sei. Sinto muito. — Calum cerra os punhos e observa a loira, visivelmente abalado.
— Sinto Muito? É tudo o que tem a dizer? Sente muito pelo Mark também que, a proposito, você também matou? — O sorriso de Aria é frio, nunca a tinha visto assim antes. Essa não é a Aria.
— Ele não teve culpa de nada, Aria! Corta essa, o que caralhas você tá falando? — Me aproximo de Calum e deixo minha mão direita em seu ombro, uso toda a confiança que consigo em minha voz. — Você pirou de vez, foi isso?
Todos me observam, exceto Calum e Viollet. Não entendo o motivo, mas os olhares parecem me culpar ou algo do tipo. Posso até ter sido rude, mas não vou permitir que alguém fale assim com meu irmão nunca. Seja quem for. Doa a quem doer. Vou apoiar o Calum, sempre.
— E o fiel escudeiro ataca novamente. Você é patético, Daniels. Sempre foi. Tentando se enquadrar na família, tentando ser parte de algo. O órfão abandonado. Mas a verdade é que sequer seus pais te aguentaram! Você foi, é e sempre vai ser uma misera sombra do Calum. Um cão de guarda, no máximo. — Solto os ombros de Calum enquanto Aria me bombardeia com suas palavras. Sinto meu coração se acelar.
— Aria... — Megan e Shay falam, quase que ao mesmo tempo.
— Me desculpa. Por favor, me perdoa. Aria, eu nunca quis isso para você. Desculpe. Não faça isso, não aja assim. — Calum caminha em direção a Aria, seus olhos lacrimejando.
— Desculpas? Você é um desgraçado mentiroso! VOCÊ disse que iria nos proteger, a mim e a Shay, sempre. VOCÊ nos separou e olhe todo o transtorno que isso causou. VOCÊ matou o Mark. VOCÊ arrancou meu braço. Eu te odeio, Calum. — Aria ergue seu braço direito a alguns centímetros da cabeça e o desce, chocando-o com força contra o rosto de Calum. O garoto gira o rosto com o impacto, lágrimas escorrendo por suas bochechas.
Viollet corre para perto de Calum e o abraça. Shay e Megan puxam Aria para trás, separando-a de Calum. DJ está parado a porta, sem entender as coisas muito bem. Todos ficamos em silêncio, observando a cena. Aria quebra os longos minutos silenciosos quando solta uma gargalhada seguida de lágrimas de choro enquanto desaba no sofá.
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