Infected

10 Capítulo 10: O Hospital


Notas iniciais
Coloquem Centuries, do Fall Out Boy para tocar no início do capítulo, vai ficar bem legal e entonado com a história.

POV: Calum Lynch

Achamos um Cd no porta-luvas do carro. Era um mixtape, as músicas até eram legais, tinha Coldplay, Imagine Dragons e Fall out Boy. O som do carro demorou alguns bons minutos para começar a tocar as músicas, mas por fim deu tudo certo. Começamos ouvindo uma de nossas músicas preferidas: Centuries, do Fall out Boy.

— Caralho, aumenta essa merda e foda-se os mordedores! – Dan disse, batucando os dedos ao volante enquanto ouvia os toques inicias da música. Já que estávamos longe da fábrica e não havíamos tido nenhum problema, resolvi acatar a ordem de Dan e aumentei o som do carro. – Lembra, Calum? 2015, estávamos completamente bêbados, as três da manhã na casa do Flip quando essa música começou. Éramos os reis da festa. Eles realmente não vão se esquecer da gente.

— Some legends are told, some turn to dust or to gold... but you will remember me...! – Era óbvio que eu lembrava daquela festa, foi uma das melhores que já fomos. Começo a cantar a música junto com o vocalista, minha voz soa mais baixa, porém consigo manter um timbre quase que satisfatório de acordo com o ritmo da música. – Espero que não sejamos esquecidos agora também. Vamos ter que sair dessa, deixar nossa marca, irmão.

— E vamos, vamos sim, brô. – Dan consegue sempre manter sua voz confiante, desde pequeno e agora não é diferente, mesmo estando em um maldito apocalipse zumbi. É por isso que gosto desse canalha. – And just one mistake, it’s all it will take, we’ll go down in history... REMEBER ME FOR CENTURIES!

Continuamos a ouvir as músicas da mixtape por um bom tempo, o dono do carro tinha um bom gosto musical, pelo menos. Após aproximadamente quarenta e cinco minutos de estrada, havíamos encontrado apenas sete ou oito zumbis pelo caminho e conseguimos desviar de todos. Dan pede para que eu assuma o volante e passa para o banco do passageiro para tirar um cochilo. Não posso culpa-lo, eu havia dormido por pelo menos meia hora também. Estávamos exaustos, acordados desde as seis da manhã fugindo desses malditos zumbis.

A noite cai e me pergunto se as meninas estão bem. Claro que estão. Megan se mostrou ser uma ótima pessoa. Viollet é forte e atira muito bem. Shay, apesar de estar abalada, nunca deixaria nada de ruim acontecer com elas. Elas estão bem. Volto a focar os olhos na estrada, enquanto ouço a próxima música do cd: It's time, do Imagine Dragons.

POV: Shay Lynch

A noite cai e continuo sentada ao lado de Aria, que ainda não acordou. Apesar de Megan ter afirmado que a garota vai sobreviver, estou receosa. Seguro sua mão direita e a beijo.

— Vamos lá, Aria, acorde logo... — Tento parecer confiante e sorrio. Alguns minutos depois, Viollet entra no escritório, com seu animador sorriso.

— Ei, Shay, já ouviu aquele ditado antigo? "Saco vazio não para em pé!". Vai comer alguma coisa, descansar por um tempo, eu fico aqui com a Aria por você. Você está exausta. — Viollet se senta em uma das poltronas do escritório, de frente para Aria.

— Eu ainda consi... — Não consigo reprimir e solto um longo bocejo. Droga, essa a Vi venceu, e ela sabe disso porque sorri triunfante diante de mim. — Só vou comer algo, não pense que venceu a guerra espertinha. Volto logo. — Passo por Viollet e beijo sua testa. Ela é uma garota incrível: prestativa e atensiosa. Combina com o Calum, estou feliz por termos ela do nosso lado.

Desço as escadas do escritório e caminho para a cozinha da fábrica. Megan está sentada na bancada de mármore, comendo uma maçã, com um mini pijama, porque nunca vi nada tão pequeno quanto aquilo. Como ela consegue ficar tão relaxada em um apocalipse zumbi a ponto de vestir um pijama? Ainda mais um pijama daquele tamanho. Sorrio para ela quando entro na cozinha.

— Finalmente resolveu sair de perto dela por um tempo? — Megan sorri amigavelmente enquanto caminho pela cozinha. Pego uma maça de um cesto que estava no chão e a mordo, parando em frente a morena. — Ei, eu não deixei você pegar uma das minhas maçãs. Mentira, para você eu deixo tudo.

— Acho bom, ou seria obrigada a começar um drama do qual você iria se arrepender e muito. Acho que o Calum não te contou meu outro apelido, né? — Arranco mais um pedaço da maçã com uma mordida, arqueando uma das sobrancelhas para Megan. Passei a gostar dela... É uma garota legal.

— Por que você mesma não me conta? Adoro ouvir histórias. — Megan bate sua mão na bancada ao seu lado, para que eu me sente.

— Eu era conhecida como a rainha do drama também. Sou boa nessas coisas. — Me sento ao lado de Megan e sinto meu coração se acelerando. Droga, o que há de errado comigo? — Hã, Meg... Eu não tive tempo para te agradecer, sabe? Por ter salvo a Aria. Você agiu muito bem. Obrigada. — Deixo a maçã de lado e me viro para a garota, sorrindo.

— Ei, não precisa me agradecer por nada. Somos uma família agora, não foi isso que o Dan e o Calum disseram? Protegemos uns aos outros. — Megan apoia sua mão esquerda sobre a de Shay, que está ao seu lado. — Esquece isso.

— Eu sei, mas... Obrigada, mesmo assim. — Me ergo da bancada e caminho para a frente de Megan, sorrio maliciosamente. Pelo menos uma vez na vida eu tenho que ser sincera comigo mesma e aceitar meus sentimentos. E a hora é essa. Paro entre as pernas de Megan e sinto sua respiração diminuindo, passo a mão direita pela nuca da morena e a puxo para perto de mim, selando nossos lábios em um beijo longo. — Esse era o agradecimento que eu queria te dar, na verdade.

Megan fica sem reação por alguns minutos e temo que ela não tenha gostado do beijo. Ou de mim. Começo a me afastar mas a garota usa suas pernas para me segurar, trazendo-me de volta para ela.

— Você pode me agradecer assim sempre que quiser. Eu vou adorar, Shay. — Megan entrelaça seus braços em mim e nos abraçamos. Pela primeira vez em muito tempo me sinto segurar, realmente segura nos braços de Megan.

POV: Calum Lynch

Eram aproximadamente três da manhã quando Dan assumiu o volante novamente. Consegui dormir por mais algumas horas antes de chegarmos a Atlanta. Junto com os primeiros raios de luz solar.

A cidade está completamente destruida. Os mordedores tomaram conta de, praticamente, todas as ruas da cidade e foi uma dificuldade para passarmos. Chegamos a esquina do Grady Health System, um dos hospitais mais respeitados e de melhor estrutura da cidade. E Dan estaciona o carro na esquina. Puxo a sacola com as armas que eram de Mark e apanho três cartuchos com munição, uma lanterna e uma faca do exercito. Dan apanha uma metralhadora semi automática, Taurus MT 40, e a deixa cair sobre seu ombro, presa pelo alça. Ele ajeita o facão sobre o cinto e apanha uma lanterna também. Saímos do carro e corremos na direção do hospital.

As portas estavam sem trava, o que falicitou muito nossa entrada. O local parecia estar bem cuidado, o que nos deixou mais alerta. Caminhos pelos corredores a procura do estoque do lugar e o encontramos ao final da ala de enfermagem. Felizmente o lugar ainda tinha muita coisa que poderíamos usar, abro minha mochila e jogo dentro dela tudo que encontro pela frente: gazes, água oxigenada, soros, esparadrapos, alguns medicamentos e utensílios médicos, como bisturi, pinças, luvas entre outros. Tudo poderia ser usado futuramente.

Dan também lotou sua mochila com tudo aquilo que ele pensava ser útil. Quando íamos saindo do estoque ouvimos um barulho, como um baque muito alto, seguido de um grito ensurdecedor feminino. Paramos no mesmo instante e ficamos observando o corredor vazio a frente. Não podia ser coisa de nossa imaginação, já que ambos ouvimos.

— Que merda foi essa? — Dan puxa sua metralhadora e a segura rente ao corpo.

— Tem alguém aqui. Que droga, por que nunca pode ser do modo fácil? — Abaixo o tom de voz e armo minha Glock 43.

— Do modo fácil não teria graça, jovem padawan. Não temos tempo a perder, Calum. A Aria precisa dos suprimentos. Vamos ter que encarar isso. — A expressão de Dan se torna séria. Ele está realmente disposto a enfrentar quem quer que seja para sairmos daqui.

— Vamos lá então, estamos juntos mesmo, brô. — Tento parecer tão confiante quanto Dan, mas não tenho certeza se funcionou.

Caminhamos lentamente pelos corredores do hospital, fazendo o mínimo de barulho possível. Estávamos próximos a recepção quando ouvimos alguns grunidos. Será que são mordedores? Não. Está me parecendo humano demais. No mesmo instante dois homens começam a conversar.

— Ahhh... Cara... Deveriamos... Ter... Apagado, ugh, uf... Esse cara... Logo. — O homem parece estar fazendo algum tipo de esforço enquanto fala. Sua voz soa áspera.

— Qual foi, Raul? Ele está desmaiado. Deixamos ela aqui depois que acabarmos e problema resolvido. Mais um louco criado nesse mundo! — O cara solta uma gargalhada quando termina de falar e ouvimos um novo baque. — Ou talvez ainda possamos matar ele, quem sabe?!

Fito Dan por alguns segundos e ele acena para mim com a cabeça. Já entendi o plano. Apesar de toda a nossa pressa, ainda temos que ajudar o cara que está lá dentro. Ele precisa de ajuda.

— No três... — Sussurro para Dan, que acena a cabeça positivamente. Começo a contagem apenas com os dedos. Um. Dois. Três.

Corremos em direção ao quarto de onde os homens falavam e a cena que vimos nos choca, de tão horrenda.
Há uma jovem negra deitada no chão, completamente nua. É possivel ver um corte em seu pescoço, por onde ainda escorre um pouco de sangue, ela está visivelmente morta. Um homem de meia idade, que identifico como Raul, está deitado sobre a mulher, completamente nu também enquanto volve seu corpo para frente e para trás, penetrando a mulher. Ao lado deles se encontra um cara negro, vinte e poucos anos, talvez, jogado no chão com um pequeno corte na cabeça, o rosto do garoto esta inchado, provavelmente os homens o espancaram e ele está com a boca vedada por alguns panos enquanto assiste ao estupro de sua colega, lágrimas escorrem de seu rosto enquanto ele tenta se livrar, mas suas mãos também estão amarradas. O segundo homem, também mais velho, está sentado em uma cadeira observando a cena de seu amigo, enquanto se masturba.

— Mas que... — Paro imediatamente a porta quando vejo toda a cena, chocado com tudo. O homem que estupra a jovem para quando ouve minha voz e se vira, com um sorriso no rosto. Não penso duas vezes e disparo contra o homem, acabando com todas as doze balas de minha arma, que penetram o corp do homem.

— FILHOS DA PUTA! — Dan acerta o maxilar do homem que se masturbava, usando sua arma.

O homem cai no chão, sua boca jorrando sangue por todo o seu corpo. Dan não perde tempo e chuta o homem, acertando em cheio suas bolas e seu pênis. O homem se contorce de dor no chão.

Corro para desamarrar o garoto, usando a faca do exercito. Ele é um cara grande e encorpado. Acena para mim quando termino de soltá-lo e caminha, furiosamente, em direção ao homem jogado no chão. Dan e eu nos afastamos, apenas observando toda a cena.

O garoto segura o homem pela gola da camiseta e o levata, acima de seu próprio corpo. O homem o encara, seus olhos arregalados suplicando perdão.

— Isso é pela Jade! — As lágrimas continuam a descer pelo rosto do garoto quando ele arremessa o homem contra a parede, que bate forte. O homem cai no chão e o garoto avança novamente contra ele, segura sua cabeça com a mão direita e a bate, ferozmente, várias vezes contra a parede. Parte da cabeça do homem está completamente destruida quando ele cai no chão.

Ao terminar seu acesso de fúria o garoto se senta ao lado da garota morta. Ele tira sua própria jaqueta e cobre seu corpo.

— Desculpa, Jade... Eu sinto muito, mesmo. — O garoto soluça algumas vezes e beija a testa da menina. Ele se levanta e caminha até eu e Dan. — Obrigado... Eu acho. — Ele limpa as lágrimas do rosto, mas elas cintinuam a escorrer por suas bochechas.

— Sentimos muito... — Dan se apressa em dizer e o garoto acente. — Eu sou o Dan e esse é o Calum. Ei, você tem para onde ir? — Dan tenta soar o mais amigável possível enquanto conversa com o garoto.

— Não... Estavamos fugindo dos zumbis quando esses caras nos sercaram. Eu estava cansado, eles me dominaram e, bem... — O garoto desvia o olhar de nós. — Sou o DJ.

— DJ, como meu amigo aqui disse, sentimos muito. Se quiser vir com a gente, temos um lugar seguro para ficar. Estávamos aqui para buscar suprimendos médicos. — Apoio uma das mãos no ombro de DJ e sorrio, dessa vez estou confiante enquanto falo. — Você será bem vindo, se quiser, é claro.

— Isso era o que eu ia propor. — Dan diz.

— E-eu... Vocês me ajudaram, agradeço muito. Mas não sei se devo... — DJ ficam em silêncio por alguns minutos, pensativo. — Eu não tenho mais nada a perder mesmo. Todos os que amava se foram agora. Obrigado, vou aceitar sim.

— Você não está mais sozinho, camarada. — Aceno positivamente para DJ. Eu sei que é arriscad, levar alguém que mal conhecemos para a fábrica, mas DJ me parece uma boa pessoa. E ele precisa de ajuda.

— Bem vindo a equipe. — Dan aperta a mão de DJ, amigavelmente.

— Eu posso me despedir da Jade? A sós. — DJ suspira e volta a fitar o corpo da garota, jogado ao chão. — Pode me emprestar a faca? — Ele estica a mão para trás, sem me fitar.

— Vamos te esperar lá fora. — Deixo minha faca sobre a palma de DJ e caminho para fora do hospital, junto a Dan.

Dan e eu conversamos a respeito de DJ e concordamos que é seguro levá-lo conosco. Acima de tudo, é humano. Enchemos o tanque do Honda Civic com a gasolina de uma ambulância que estava estacionada a frente do hospital. Passaram-se dez ou vinte minutos até que DJ finalmente sai do prédio. Ele me entrega a faca e entramos todos no carro. Ele parece estar melhor, mas ainda muito abalado. Me sento no banco do mototista e Dan no passageio, DJ vai atrás.

Atlanta está mudada, o mundo está mudado, mas as pessoas, acima de tudo, que eu pensei que não poderiam piorar, mudaram. Mas ainda não perdemos a esperança. Acreditamos que existe uma solução para tudo e vamos correr atrás dela. Nosso grupo acabou de ganhar mais um membro, nossa família cresceu novamente e é por isso que ainda acredito que podemos vencer. Acelero o carro e entramos na auto estrada novamente, rumo a fábrica.

Notas finais
Desculpem o atraso para postar o capítulo, pessoal, meu final de semana foi bem agitado e acabei ficando sem tempo. Eu quase fui preso, dá pra acreditar!??? (exagero) Enfim, espero que tenham apreciado o capítulo e o DJ. Não se esquecam de comentar! Até o próximo capítulo. (provavelmente amanhã) Hahaha.