Infância com Uma Única Letra

1 Capítulo 001 Saindo das ruas


Frio. Como fazia frio aquela noite, poucos faróis ainda se mantiam acesos em meio a escuridão eterna que sucumbia todos que a penetravam. Flocos de neve despejavam-se sobre as grandes construções de pedras negras, fazendo assim o rio, que cortava a bela cidade, congelar.

Uma ponte muito bem talhada em detalhes de criaturas cujam ganhavam nome de gargulas, diziam que estes eram deuses da noite que puniam quaisquer humanos que ultrapassavam o limite de sua paciência. Mas está história não ira falar deles, e sim do pequenino que ''morava'' debaixo desta ponte.

'' Q-que fr-rio! Ma-mamãe...p-pap-papai...me aj-judem!..'' -sonhava o pequenino tremendo e agarrando-se em poucos trapos de sua roupa

— Mãe! Pai! -gritou, se levantando apavorado de um turbulento sono- É mesmo...eles não estão aqui...-pronunciou a uma voz melancólica

Óh garoto de cabelos negros e desarrumados, olhos castanhos penetrantes, tão escuros que chegavam a ser negros, pele mais palida do que a neve em que usava de cama. Tremia, não só de frio mas de medo...medo de que? De estar ali, sozinho.

O dia se pôs a levantar-se devagar, aos poucos o pequeno pode se sentir seguro. O sol estava brilhando mais do que devia, seus raios aqueciam-o deixando ele mais confortável e disposto a levantar-se.

— Preciso procura-los! -disse a si mesmo olhando para ambos os lados.

Ajeitou seus cabelos que caiam sobre os olhos, se pôs a subir a íngreme colina coberta por camadas e mais camadas de neve. Escorregou um pouco mais conseguiu chegar a caçada de pedregulhos cinzas.

-Saiá daqui, garoto imundo! -gritou um senho que passava

— ...Me desculpe, não quis aborrecê-lo -pronunciou com a voz fraca e rouca

Andando e parando, dias sem comida e dias sem poder dormir direito. Seu estômago não aguentaria mais um dia que levara em suas costas, tão novo...já iria morrer tão cedo assim?

Esta pergunta o ecoava a cabeça todo o santo dia, igualmente aos seus pesadelos. Acreditava que um dia encontraria seus pais novamente, mas de que adiantaria? Eles não o queriam mais e não podia fazer mais nada em sua vida estúpida e sem motivo. Então...pra que viver? Porque Deus o colocara em um mundo em que não teria sentido continuar respirando e a vivenciar o mesmo sofrimento a cada dia que passara?

'' O que...eu sou...?''

Uma pergunta tão difícil, como se uma criança pudesse responder. Talvez se ainda existisse esperança em seu mundo...

Vagou mais algumas quadras a frente, pedindo esmolas para cobrar, nem que fosse, umas migalhas de pão, mas nada, completamenta nada o foi servido. Ninguem tinha dó, ninguem se colocara a seu lugar para pensar: ''Ele deve estar á varios dias sem comer...pobrezinho deixe da-lo algo''. Todos impuros, pensava a criança, em poucos motivos para continuar pedindo, passara a sua cabeça em montar seu patético túmulo. Mas...que iria a seu velório? Ou melhor, quem se importária? Era a mesma coisa que rezar para uma carcaça de inseto morto.

— Porque...tenho de sofrer? -dizia a si mesmo- Porque...? -começou a choramingar

Lágrimas de alguém tão inocente. Não eram poupados soluços e berros, uma criança tão pura a ponto de alguentar tanto sofrimento...poderia se considerar pecado? Se tivesse alguém para sofrer tal ilusão, poderia sim se considera-lo.

Uma luz de esperança era esperada, uma mão o tocou o ombro e por cima destes um rosto amigável mas ao mesmo tempo sério e robusto, veste negras como se o próprio estivesse de luto, quem era aquele senhor?

— Q-quem é vo-você? -pronunciou novamente o garoto, se sua voz não tivesse falhado teria dito mais coisas

— Eu? Devo ser o seu último pingo de esperança

Notas finais
Reviews? Sugestões? Criticas?
Algo para minha primeira história, obrigado.