Na noite seguinte, lá estava eu no campus, tirando forças de onde não tinha apenas para me manter de cabeça erguida naquele corredor. Os cochichos não paravam por um segundo, os olhares se mantinham o tempo inteiro sobre mim, e eu apenas caminhava rigidamente até minha sala, implorando para que tudo aquilo passasse logo.

Ao chegar à sala, meu corpo estancou na porta ao dar de cara com Minah e outras duas mulheres, a quem não reconheci, saindo de dentro do espaço. Seu olhar concentrou-se em meus olhos antes de dizer:

— É dessa puta que eu tava falando. — murmurou às outras antes de passar por mim com tamanho desprezo no rosto.

Suspirei pesado com sua fala e apenas fui sentar-me em uma das cadeiras, assistindo toda a aula em silêncio e tentando — e falhando — focar minha cabeça no assunto da matéria.

Com o toque do intervalo, ao invés de ir ao refeitório como sempre fazia, eu busquei um lugar mais quieto e vazio, como sugestão de Hanse. Optei por uma sala vazia qualquer, onde as luzes estavam apagadas e o corredor praticamente vazio.

Me aconcheguei em um canto e coloquei meus fones de ouvido. Não toquei em nenhum aplicativo de meu celular que não fosse o spotify. Depois de receber ameaças de Felícia em minhas redes sociais, após o escândalo do seu noivo traíra, eu as desativei e preferi me manter offline durante todo o dia.

Eu havia acabado de dar play na música, quando ouvi o ranger da porta da sala em que estava. Uma figura não tão alta, mas de porte musculoso, adentrou a sala com um celular na mão, cruzando para a parte mais escura da sala e sequer notando minha presença ali.

— Sim, eu sei. — ele resmungava no telefone, aparentando estar numa ligação.

A voz levemente rouca não me parecia estranha, pude deduzir sem muita demora que aquele que entrara era Seo Changbin, o noivo — ou ex-noivo — de Felícia.

— Não interessa se você me passou clamídia, eu te amo, quero continuar com você.

Meus olhos arregalaram levemente ao ouvir sua fala e meu corpo tensionou, se fosse descoberta ali, depois de ouvir tal afirmação, com certeza estaria em apuros. Me concentrei em manter a respiração tranquila e não me mover de forma alguma, mesmo estando escuro, qualquer barulho poderia chamar sua atenção.

— Me ouça, Seungmin! Bang não vai descobrir! Eu disse que peguei da tal Hyunjin. — proferiu ainda mais alto.

Precisei me segurar para não soltar um ofego ao abrir os lábios em surpresa, estava boquiaberta. A amante do Seo era a esposa do professor Bang. O mesmo Bang com quem havia insinuado ter relações, não havia ironia maior.

A vadia me chamando de prostituta sendo que quem transava com alunos era ela. Vaca, pensei comigo mesma, contendo toda e qualquer reação que tivesse sobre aquilo.

— Não se preocupe, vamos conversar pessoalmente. Estou sentindo sua falta. — murmurou já de forma mais calma. — Podemos nos encontrar na sua sala depois das aulas.

Gravei perfeitamente aquela conversa em minha mente enquanto ouvia ele despedir-se carinhosamente de sua affair com beijos e palavras de afeto. Guardei meu nojo com bastante esforço, vendo ele sair pela porta da sala minutos depois.

Respirei profundamente logo que me vi livre da tensão, e então veio a ansiedade por saber a verdade sobre o caso de Changbin e Seungmin. Minha reação mais coerente naquele momento foi ligar para Hanse, o contando detalhadamente o que havia acabado de ouvir.

Sua resposta foi curta e direta: “conte a ele”.

Logo que finalizei a chamada, saí calmamente da sala, enquanto pensava em como contaria ao professor Bang sobre a relação extraconjugal de sua esposa. Completamente envolvida naquilo, meus olhos encaravam o piso do corredor enquanto eu caminhava sem um rumo certo.