Inevitável
1 É a vida...
Notas iniciais
Alguns detalhes da vida passam pela gente sem percebemos, sem notarmos. Outros, porém, passam como um furacão deixando marcas profundas e dolorosas. O amor e a felicidade andam lado a lado com a decepção e a tristeza. Será que se uma não existisse a outra também se dissiparia? Hoje em dia falam que o amor é só decepção e temos dificuldade em ser felizes sem ter passado pela tristeza. Eu pelo menos passei por tudo isso, esses foram os ‘’detalhes’’ que passaram pela minha vida em forma de furacão. A perda do meu pai foi à coisa que mais abalou á mim e principalmente a minha mãe, ela me dizia que a única coisa que a matinha viva naquele momento era o fato de me ter.
Bom mais enfim, estou aqui no meu quarto olhando as paredes que foram pintadas de branco, uma cor neutra que possibilita qualquer móvel de qualquer cor estranha. Logo mais colocarei a minha estante para enfim colocar os meus mangas, é eu sou otaku e tipo só porque sou otaku não signifique que eu entendo tudo de animes e principalmente de Dragon Ball, sério só o conheço pelas tirinhas que vejo porque assistir realmente o anime eu nunca o fiz (Minto... eu já vi o anime, mas eu era pequena, sabe? Então eu nem lembro nada).
Mudei-me para a casa do novo marido da minha mãe, o Sebastian. O nome dele me agrada muito, quem assiste ou já assistiu Kuroshitsuji vai entender, mas não é só nome dele que é bom, ele é um padrasto realmente muito legal, sempre está se preocupando e é protetor. O único problema que eu estou passando agora é pelo fato do filho dele ser um grosso, chato, irritante, sedutor, burro, paquerador e sedutor, o menino é um verdadeiro porre.
Bom tudo começou quando minha mãe, Maryse e Sebastian, resolveram se casar, eles resolveram morar junto, então compraram uma casa em um lugar afastado até tive que me mudar de escola. Eu já havia conhecido o grosso do Alec, mas antes ele não era nada grosso pelo contrario me tratava tão bem que eu nem sentia vontade de voltar para casa. Após nos mudarmos ele começou a ser bastante babaca comigo e o pior de tudo, com certeza, eram suas olhadas maldosas para cima de mim, só de lembrar sinto calafrios.
Confesso que Alec é bonito, os cabelos negros dão realce para os olhos verdes e a pele branca. Alec se veste bem e vive pegando meninas no portão de casa. O celular dele não para um segundo, às vezes me irrita tanto que eu saio de perto ou coloco os fones de ouvido. Já me acostumei à escola, conheci duas pessoas que realmente devem ser chamadas de amigos: Isabelle e Jace, dois otakus. Combinamos bastante...
Após ter se passado mais ou menos sete meses o Jace me pediu em namoro, Sebastian aprovou e nos apoia bastante, mas o problema é o Alec, esse sempre estar se intrometendo nas conversas e falando coisas sem sentido sobre mim que realmente me enfurecem e parece ser o mesmo com o Jace. Algum tempo atrás eles até saíram se batendo no corredor, foi muito difícil separa-los, foi como se intrometer em uma luta feroz entre o personagem principal e o vilão odiado pelo mundo.
Mas vamos para os tempos ‘’atuais’’.
***
– Eu gosto de você!
– Como? Você não pode gostar de mim, eu sou sua irmã e namoro. – respondi com firmeza, mas ainda pensando nas ultimas palavras ditas por um doente mental sexy. Elas pareciam tapas dados fortemente, aquelas que ficam a marca dos cinco dedos. Será que Alec gostava de mim mesmo? Será que ele estava brincando comigo que nem fizera sempre? Será que ele é louco? Está drogado? Bom, pelo menos não sinto o cheiro de nada. Sei apenas que nesse momento eu quero me tele transportar para a Soul Society [/Sociedade de Almas que aparece no anime Bleach], virar uma shinigami, juntar a Rukia com o Ichigo (ou talvez eu deixe o Ichigo solteirão e inclua ele em umas orgias com o Shunsui) e costurar a boca da Inoue, sério ela me irrita muito com aquele ‘’Kurosaki-kun’’.
– É... Estou brincando – indagou ele passando a mão na franja negra e se aproximando de mim com passos lentos, mas decidido. Minha primeira reação foi de apenas olhar, a segunda reação foi a de paralisar as pernas, a terceira reação foi a de virar o rosto que queimava, com certeza eu parecia um pimentão. Ah como eu queria que o Sanji [/do anime One Piece] estivesse ao meu lado, ele me tiraria do perigo que o Alec me proporciona e principalmente me livraria do beijo, um beijo rápido, sufocante, forte e assustador. O pior de tudo foi vê-lo se afastar com um sorriso nos lábios.
Depois de um bom tempo parada eu corri para o quarto trancando a porta, a primeira coisa que veio na minha cabeça: pegar um death note [/caderno da morte, aparece no anime Death Note] e escrever o nome dele, mas antes de se matar eu o faria se torturar e a segunda foi a de falar sobre isso para o Jace. Ele já havia me alertado bilhares de vezes, para eu ficar atenta porque o Alec ficava me olhando muito e que esses olhares não eram nada bons. Nessas horas eu simplesmente falava que era coisa da cabeça dele e que não havia nada de estranho, por mais que eu soubesse que fosse mentira. Agora estou com uma baita duvida, não quero falar disso com o Jace, talvez se eu não tocar no assunto ele nem vai desconfiar. Pelo menos é o que espero...
***
De noite quando a campainha tocou eu fui atender, desci as escadas atenta sempre olhando para os lados para ver ser tinha algum sinal do louco do Alec, por sorte ele parecia não estar. Mais tranquila eu segui para o portão dando de cara com Jace, ótimo... Preciso ficar normal se não ele vai desconfiar.
– Você está estranha – disse Jace erguendo uma sobrancelha. Ótimo, nem para aparentar um jeito de ‘’não aconteceu nada’’ eu presto. Com um sorriso no rosto, sem sombra de duvidas forçado eu me aproximei e repousei meus lábios no dele, selando-os rapidamente.
– É apenas a sua imaginação. – O puxei para dentro. Segurando a mão dele subi as escadas e para o meu azar quem estava descendo a mesma era Alec. Evitando olhar nos olhos dele eu fui para o canto nem reparando que apertava fortemente os dedos de Jace, subimos em silencio enquanto Alec ficou na escada olhando de soslaio para mim. – ‘’Por Kami-sama, faça com que Alec fique em silencio!!’’ – pensamento desesperado o meu, né? Si bem que eu tenho motivos para estar desesperada.
Já no quarto Jace ficou me encarando, aqueles olhos castanhos claros que combinavam bastante com seus cabelos me secavam, me analisavam e eu... Bom, percebi de primeira e a única coisa que eu fiz foi: pensar, implorar, rezar – ‘’Todo poderoso Goku, faça com que ele pare de me olhar’’.
– O que aconteceu Clary? Não adianta dizer ‘’nada’’ porque eu não vou cair nessa. – Um minuto de silencio para a minha mente processar uma mentira boa.
– Nada – única coisa que consegui falar e ainda por cima saiu até que meio falha. Sou péssima em mentir e mais péssima ainda em pensar nas mentiras, trágico.
– Eu disse que não era para responder com um ‘’nada’’. Sua mãe brigou com você? – não respondi, apenas balancei a cabeça em negativa. – Sebastian brigou com você? – balancei a cabeça de novo. – Terminou um anime e não sabe qual ver? – neguei com a cabeça. – Um personagem que você gosta morreu? – negando novamente. – Apareceram manchas amareladas nos seus mangás? – balancei a cabeça de novo, negando. – Alec te fez algo? – neguei novamente, entretanto sem muita firmeza, minha cabeça parecia não querer negar.
E pronto, essa minha pequena hesitação o fez descobrir o motivo, pelo menos agora ele sabia que Alec tinha me feito algo. – O que ele te fez? – A pergunta que eu mais temia foi-me feita, agora sim eu devo pensar em uma mentira, tipo assim BEM RAPIDA.
– Nada demais, ele apenas fica me tratando daquele jeito lá... Eu já te contei sobre isso... E às vezes isso me incomoda e é só isso Jace, não aconteceu nada demais. – Mentir é algo realmente ruim, entretanto naquele momento a mentira parecia melhor do que a verdade. Se eu fosse sincera com certeza Jace iria querer tirar satisfação e isso resultaria em uma briga cheia de socos, pontapés, joelhadas, e outras coisas a mais.
E para a minha felicidade, Jace acreditou e tentou me reconfortar. Ficamos um bom tempo nos amaçando e conversando, e nesse meio tempo eu até pensei em falar sobre o ocorrido. Mas era melhor deixar quieto, pois Jace não era do tipo que tinha paciência e ainda por cima era bem ciumento... O melhor a se fazer é curtir esse momento fofo.
***
Os dias passavam rapidamente, às vezes eu acho que o dia passa mais rápido porque eu acordo cedo para ir à escola e quando volto fico na frente do computador sem reparar muito no horário, mas enfim ultimamente eu andei ficando na sala vendo meus animes e lendo como sempre faço, é que no calor o meu quarto parece uma fornalha, então a solução é ir para a sala. Ventiladores seria uma ótima solução, né? Sim, seriam, mas eu tenho um irmão maluco que consegue de alguma forma quebrar o ‘’ar-condicionado móvel’’, nem me pergunte como porque eu nem faço ideia.
E assim como os dias passando rápido, temos o Alec passando lentamente pela minha frente e não basta passar devagar, Alec faz questão de passar devagar e olhar para o Jace. Jace faz o mesmo, claro, e eu? Como fico? Bom, fico aqui tentando não parecer nervosa e com medo de uma briga feia sair.
Jace irá dormi comigo hoje, meus pais foram viajar e deixara-nos aqui, eles cofiam bastante em MIM porque no Alec eles têm certa preocupação, até eu teria, alias eu tenho.
***
De noite ocorreu tudo bem, bem até demais estou até começando achar que algum personagem (pedi ajuda para tantos, todos que eu conhecia) realmente está me ajudando nessa passeada. – Você tem certeza que não quer que eu durma no sofá? – perguntou Jace meio sem jeito.
– Não você vai dormi comigo, na mesma cama. – Falei com tanta confiança, me superei nessa. Ele é meu namorado e eu não quero que ele fique no sofá, pois algum louco pode aparecer e fazer algo a ele... E também... Eu estou nervosa, nunca pensei que dormiria com algum menino.
Após arrumar a cama Jace se deitou, já eu desci para arrumar algumas coisas. Primeiro fui ao banheiro arrumar meus cabelos, prendi os fios ruivos em uma trança que ficou meio frouxa, depois de lavar o rosto diversas vezes sai do banheiro, dando de cara com – ALEC? – mais que merda, como esse menino anda pela casa sem fazer barulho? Deve ser anos chegando tarde de baladas tentando não acordar o pai. Que raiva.
– O que está fazendo acordado? – perguntei fechando a porta do banheiro tentando arrumar um canto em que eu pudesse passar sem esbarrar ou mesmo tocar em Alec.
– Estou passeando. E você? – Alec perguntou na maior calma. Por que alguém passearia na própria casa, no escuro e às 2 horas da manhã? – O que faz aqui?
Apontei para a porta do banheiro e o olhei incrédula – estava no banheiro, agora irei dormi.
Sai dali na maior pressa, minto, eu estava querendo sair dali bem rápido, mas eu caminhei com passos firmes tentando mostrar que ‘’eu me assustei, mas não irei correr e Alec você é um babaca. Seque-me enquanto eu balanço minha trança torta’’, entretanto esses pensamentos me fizeram esquecer a maldita mesinha de centro, e por isso bati o pé, mas que dor maldita. A primeira coisa que eu fiz foi arregalar os olhos, depois eu me contorci toda, eu queria gritar mais o Jace viria correndo, eu mordi o lábio inferior e olhei para baixo, meu dedo mindinho estava sangrando, fiquei tão chocada que nem percebi Alec se aproximar.
– Você é cega? – como assim ele me pergunta se sou cega? Acho que ele não percebeu, mas está escuro aqui!
– Não, eu não sou cega.
– Imagina se fosse – ao fim dessas palavras ele me pegou no colo, momento para mais uma mordida no lábio inferior pra conter o grito de susto, e me levou para a cozinha, pegou a caixa de primeiros socorros e fez um curativo esplendido, nem eu conseguia fazer algo perfeitinho como aquilo.
– Obrigado – agradeci após ter o dedo completamente enfaixado, me agachei para verificar como havia ficado, mas nesse pequeno ato eu fiquei frente a frente de Alec, bem perto daqueles olhos verdes que me olhavam como uma câmera que tenta capturar todos os ângulos sem parar. Conseguia sentir seu hálito fresco bater em minha face. – Algum problema? – perguntei seria.
– Não, nenhum. – respondeu ele que para a minha surpresa ficou com as bochechas rubras, confesso que ele fica muito fofo com vergonha. – Vamos subir, já está tarde e amanha você precisa acordar cedo para fazer nossa comida.
– Tudo bem. – Única coisa que respondi. Saímos da cozinha passando pelo corredor, eu fiquei bem mais atenta, não queria bater meu outro dedo. Já chegando à sala senti Alec se aproximar mais de mim, conseguia sentir sua pele quente tocando no meu braço nu. Meia sem graça não disse nada, mas quando senti os dedos finos dele se aproximarem da minha mão girei a cabeça em sua direção, para minha surpresa ele me fitava.
Alec me olhava fixamente, aos poucos ele se aproximou, com a outra mão, a desocupada, puxou-me pela nuca fazendo nossos lábios se tocarem. Meus olhos se abriram, se abriram tanto que pensei que eles cairiam no chão. Alec continuava me pressionando contra seus lábios úmidos.
– Já terminaram? – Essa voz... Esse timbre... O pior aconteceu, si é que já não estava acontecendo. Jace estava nos olhando da escada, seu semblante era pura ironia. Ele olhava como se tivesse decepcionado. Palavras nem eram necessárias.
De imediato eu olhei para Jace, Alec fez o mesmo e para minha surpresa ele também estava surpreso. – Não é o que você está pensando Jace – Alec disse se afastando de mim. Outro momento surpresa, isso aqui ta parecendo um mangá shounen onde coisas acontecem de modo surpreendente e te fazem vibrar de emoção, no meu caso estava mais para aflição.
– Por acaso você sabe o que eu to pensando? Não sabia que podia ler pensamentos. – Jace respondia de um jeito frio, os olhos estavam brilhando como uma adaga afiada, um meio sorriso se formava nos lábios a cada palavra. Eu havia visto Jace nervoso poucas vezes, mas nessas poucas vezes eu aprendi um pouco sobre sua fúria mortal, está mesma fúria que eu nunca queria que fosse despejada sobre mim. Ele olhou para mim e o sorriso se ampliou – Não sabia que já tinha caído na lábia dele, parabéns.
– Jace eu... – EU QUERO MORRER! O que eu faço Kratos? O que eu digo?
– Deixa quieto. – Jace se virou e subiu as escadas rapidamente, eu e Alec ficamos parados na sala, apenas a luz do aquário estava acesa iluminando um pouco do local. Depois de algum tempo Jace desceu as escadas todo arrumado e com algumas coisas que lhe pertenciam – Vou indo, melhor deixar vocês a sós.
– Está tarde melhor ficar aqui por hoje e amanha de manhã você vai embora – disse Alec passando a mão sobre a nuca de modo pensativo.
– Cale a boca. Sabe? Você pode arrumar quantas meninas quiser, mas parece que a única coisa que te satisfaz é acabar com a felicidade das outras pessoas. Você deveria pensar melhor, alias os dois deverias, são irmão e vão ter que conviver juntos. Deveriam conviver como IRMÃOS e não como amantes... Agora licença e obrigado pela sua hospitalidade. – Ele saiu da sala indo direto para a cozinha, lá abriu a porta e quando eu ouvi o bolo de chaves sendo revirada sai correndo atrás dele, encontrando-o na frente do portão com os olhos sérios, havia um misto de emoções naquele olhar e nenhum deles era bom.
– Jace, por favor, me escuta.
– Sabe, Clary? Eu não estou triste por ter visto você ficar com seu irmão, alias eu estou triste com isso também, mas o que mais me chateia é ver você esconder essas coisas de mim, esconder que ele estava atrás de você, estava te jogando contra a parede com seu charme. Não a nada pior do que saber que a namorada não conta com você nos momentos difíceis. Tipo, você pode até achar que eu ficaria nervoso, e ficaria, mas eu te protegeria, porque é isso que namorados fazem, protegem, dão apoio e amor. – Dito isso ele enfiou a chave no portão destrancando-a, antes de sair deu uma ultima olhada para mim. Eu estava imóvel.
***
No dia seguinte Clary tentou inúmeras vezes ligar para Jace, esse não atendia. A culpa começava a inundar o peito, a consciência pesava. A cada questionamento que se fazia a única coisa que ficava no ar era o porquê de não ter dito nada a Jace. Já anoitecendo ela decidiu descer para comer algo, o corpo precisava mais do que ela imaginava.
– Clary? Você está bem? – perguntou Alec, com um semblante preocupado.
– Você acha que eu estou bem? Mas que merda de pergunta é essa?
– É... Você deve estar mal, me desculpa. Perdoe-me pelo que fiz.
– Cale a boca. – disse ela virando-se inconformada.
O dia passou e Clary ainda tentava falar com Jace. Ele sempre desligava as chamadas antes mesmo de tocar três vezes. Isso deixava Clary ainda mais aflita.
***
***
Um mês se passou, e nesse tempo Jace não falará com Clary nem uma vez, sempre que se vinham trocavam olhares intensos. Os dois sempre se encontravam pelas ruas, mas não proferiam nenhuma palavra, apenas olhares; esses que pareciam dizer mais do que palavras. Em casa as coisas com Alec até que estava indo bem. Ele se sentia culpado pelo termino do namoro, alias ele era o culpado por tudo.
A cada dia ele ia ser tornando uma pessoa dócil e amável em relação à Clary, ela aos poucos deixava Alec se aproximar, mas não parava de pensar em Jace. Sempre que se deitava lembrava-se do cheiro do rapaz, os cabelos lisos e castanhos claros que davam um realce aos olhos também castanhos claros, o corpo pequeno, mas de bom tamanho para sua altura, o jeito com que ele ficava corado ao dizer que a amava ao elogia-la, ao dar selinhos, enquanto Clary fazia bico e birras. Para ela, Jace era mais que perfeito, era o homem de sua vida.
***
– Isabelle. Eu a amo... Eu amo a Clary, mas não sei o que fazer. O irmão dela está próximo a ela e com certeza esta tentando conquista-la a todo o custo. – dizia Jace cabisbaixo sentado no canto do quarto, enquanto Isabelle jogava vídeo game no volume baixo.
– Você a ama certo? – perguntou Isa, as calças de moletom cinza estavam grandes, tampando assim metade da meia branca que usava, a blusa azul clara apertava na região dos seios, os cabelos pretos com as pontas rosas estava preso em um rabo de cavalo alto.
– Sim.
– Então corra atrás dela. Pois Clary ainda te ama muito pelo que sei...
– Como você sabe?!
– Você pode até não estar falando com ela, mas eu ainda falo senhor gênio. Então, me deixa continuar... Ela te ama e você a ama. O obstáculo é o irmão, que não é de sangue, esse ae se quiser fugir com ela pode e o bom é que os filhos não vão nascer com nenhum problema, não são do mesmo sangue mesmo. A família vai ser saudável em... – ela rolou os orbes negros para Jace que a olhava sério. Irrita-lo era muito legal.
– Quer realmente me ajudar desse jeito?
– Estou brincando, calma! Como eu disse eles são irmãos, e com o tempo vão se amar... Como irmãos, claro. BOSTA! – gritou Isa quando fez algo de errado no jogo – Jace, para de frescura e corra atrás dela e para de falar comigo se não vou perder, se eu perder vou te bater até minhas mãos doerem!
– Ah. Ta bom. – com um sorriso nos lábios Jace se levantou – Já vou indo – dito isso passou em frente à televisão, com um movimento rápido desligou-a deixando Isabelle de boca aberta, quando a garota levantou para liga-la e olhou para o lado procurando o amigo, este havia sumido.
– Maldito! Eu estou a sete horas tentando passar de fase – disse em voz baixa para si mesma – que odiooo!!!
~ Já na rua Jace andava com a cabeça baixa tentando se proteger dos ventos fortes. – ‘’Acho que vou ligar para ela’’ – pensou ele pegando o celular do bolso, digitando rapidamente o numero que sabia de cor e salteado. Após dois toques o celular foi atendido.
– O que você quer?
O coração de Jace que antes já pulava agora parecia querer fugir de seu corpo – Cadê a Clary? – perguntou ele tentando acalmar o timbre de voz.
– Lá em baixo, na cozinha. Você quer o que em? – perguntou Alec seco.
– Falar com ela, será que dá ou ta difícil?
– Não, não dá. Você não tem mais direito de ligar para ela e nem falar com Clary, você a largou. Nem deve imaginar o quanto ela está sofrendo, mas sabe? Até que foi bom, porque, assim, ela percebe o que realmente é bom para ela. – ao fim disso Alec desligou, olhava para a tela do celular com um meio sorriso no rosto, um sorriso de satisfação.
– O que foi isso?
De imediato Alec olhou para trás. – Nada. – respondeu ele a Clary.
– O que você estava fazendo com o meu celular? – a ruiva começou a se aproximar do irmão que parecia recuar a cada passo. – Devolva-me agora – disse estendendo a mão.
Alec obedeceu, dando o telefone para Clary que não perdeu tempo e verificou as chamadas, seus olhos se arregalaram ao ver a chamada de Jace. Afoita ela se virou para Alec, com um misto de raiva e choque – O que ele queria? –‘’ Falar comigo é obvio’’ – pensou ela.
– Nada.
– Nada? Como assim nada? Eu vou ligar para ele.
Quando se virou para discar o numero de Jace, sentiu uma pressão no braço, assustada olhou para onde sentia a dor vendo os dedos de Alec a agarrarem com força. Antes que ela pode-se dizer algo foi puxada bruscamente e jogada na cama, caindo dolorosamente sem jeito sobre o colchão. O susto foi maior ainda quando o irmão subiu sobre ela, segurando os braços da mesma para cima.
– Eu não quero que você vá atrás dele – indagou Alec com um tom perigoso – Ele te largou! – ele se aproximava do rosto de Clary, colando suas testas. O jovem fechava os olhos aos poucos, se aproximando da boca da ruiva, o nariz quente dele encostou-se ao dela.
– Você... Não deveria fazer isso comigo! – disse Clary, fazendo Alec abrir os olhos, estes que foram se abrindo mais ao avistarem a jovem embaixo de si chorando – Você é meu irmão e isso nunca mudará, por mais que a gente não seja do mesmo sangue... Alec não quero te ver me odiando, mas prefiro sentir seu ódio do que sentir seu amor, do que sentir esse tipo de amor... Somos irmão e você deveria me amar como uma irmã, me amar de um jeito protetor e nada mais... Porque é assim que tem que ser... Eu amo o Jace... – a cada palavra Clary chorava mais, sua garganta doía ao prender algumas gotas. Alec aos poucos saia de cima dela sentando no canto da cama.
– Desculpa. – falou abaixando a cabeça deixando a franja negra cobrir os olhos. Clary não conseguia ver a expressão de seu olhar, e as lagrimas não ajudavam em nada – Vá atrás dele. – Alec levantou a cabeça lentamente, olhava para ela fixamente – vá atrás de quem você ama, Clary. – forçou um meio sorriso e observou a irmã correr para fora do quarto, depois voltou a pender a cabeça. – Melhor ver você feliz do que eu. Com o tempo eu também paro de te amar – lagrimas começaram a escorrer do rosto de Alec, que as deixou rolar livremente.
~Na rua Clary corria apressadamente com o celular na mão, o vento balançava mais ainda os cabelos longos e ruivos, o rosto se avermelhava com o ritmo da corrida. Ela sentia na pele o frio de fim de tarde. A roupa que usava também não favorecia nada, calça legue preta e curta até o joelho, blusa amarela grande de detalhes brancos e chinelos sem estampa alguma. A cada passo que dava, sentia-se perto de Jace, perto de tê-lo novamente consigo, a cada tropeção lembrava-se de como ele a protegia, a cada lagrima se lembrava dos momentos bons que vivenciou com ele.
Depois de muito correr chegou à casa de Jace, parou em frente o portão e tocou a campainha, tocou uma vez e nada, duas vezes e nada, três vezes e nada. Amaldiçoou a si mesma, pegou o celular para ligar, mas este estava sem bateria. – Droga! Por que tem que ser assim? – Perguntou ela a si mesma, sentindo lagrimas rolarem novamente.
Repentinamente sentiu dois braços lhe envolverem o corpo, aquecendo-a, já reconhecendo Jace pelo cheiro e corpo; chorou mais. Jace por sua vez apertava-lhe com força. Após algum tempo Clary resolveu virar-se para olhar o outro.
– O que aconteceu? – perguntou ela passando a mão na bochecha vermelha.
– Seu irmão – responde Jace calmo com um meio sorriso – Passei na sua casa e ele me socou. – Clary o olhou extremamente espantada – Me disse para te amar muito, porque ele também a amara, mas agora como irmão. – Jace puxou a ruiva para perto de si, abraçando-a fortemente – Ele também me disse que se eu te largar novamente vai me torturar com um alicate de unha. – Jace não a ouviu rir, mas sentiu as costas de Clary tremerem – mas eu nunca mais vou te deixar, nunca.
Os dois pararam de se abraçar e se beijaram calorosamente, as mãos envolviam um ao outro, enquanto suas bocas se tocavam e as línguas tocavam uma à outra.
– Eu te amo. – falou Clary entre o beijo.
* Fim.
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