Inevitável
9 Capítulo 9
Notas iniciais
POV Percy
Sentei na areia molhada, enquanto a água passeava por mim e
voltava ao mar. Desde ontem á noite eu não conseguia parar de pensar em como um
encontro tão bom havia acabado daquele jeito. E como uma garota tão sexy
poderia ser tão irritante quando queria. O que eu havia feito de errado? Eu nem
tentei beija-la, o que explicaria sua reação se ela não o quisesse. Ela tinha
estragado meu fim de semana, pois não conseguia me concentrar em mais nada a
não ser seus olhos cinzentos atrevidos e seus lábios meio cheios e vermelhos
que me hipnotizou no simples ato de falar.
- Percy! – gritou uma voz que eu conhecia bem demais.
Virei, já sorrindo, para ver Thalia acenando para mim e vindo
em minha direção, sorrindo com seus olhos azuis elétricos.
- Ei. – falei, lhe dando um selinho, quando ela sentou ao meu
lado.
Thalia era minha prima e nós nos dávamos muito bem, apesar do
seu estilo punk que eu não era muito fã. E não, eu não tinha nada com ela a não
ser uma amizade incondicional. O selinho fora terno, já era um costume que nós
tínhamos desde sempre, um simples cumprimento.
- O que você tem? – franziu o cenho.
- Como assim o que eu tenho?
- Nunca te vejo longe de uma prancha, de uma bola ou de uma
garota. E olhe você aqui todo deprimido... Está pior do que quando Poseidon
bloqueou sua conta no banco e te fez trabalhar.
- Não exagere...
- Ok, então. Está gostando do trabalho?
- As secretárias são gostosas. – falei, simplesmente.
- Aposto que seu trabalho consiste em reuniões particulares
com elas.
- Nem tanto. Não dá pra competir com meu pai. Por algum
motivo elas preferem o automóvel ao invés do protótipo.
Ela deu risada.
- Finalmente voltou! – comemorou. – agora, para completar,
volte seu bumbum lindo e comestível para o lado de Jason e arrase com eles.
E eu o fiz, mas no meio do jogo, quando Jason estava prestes
a lançar a bola, parou e encarou o calçadão. Luke, do outro lado da rede, riu
olhando na mesma direção que Jason.
- Ih, Percy... – gargalhou. – parece que a cadelinha foi
adestrada a força.
Não entendi de primeira o que eles haviam dito, mas assim que
olhei na direção que eles apontavam, vi uma Annabeth com olhos escuros e frios,
com olheiras. Sua postura não estava tão decidida, e os lábios com os quais eu
fantasiei, estavam arroxeados. Mas o que mais me chamou a atenção foram as
várias marcas arroxeadas em seu ombro.
Como no outro dia, meus pés se moveram sozinhos em direção a
ela.
- Ei, Annabeth. – chamei.
Ela olhou em minha direção e franziu o cenho.
- O que você não entendeu sobre nem olhar para mim? – exigiu,
quando eu a alcancei. – Sabe que isso inclui não falar comigo, nem ficar
gritando meu nome, não é?
- Claro que sei e eu não ia falar com você, sua metida à
sabidinha. Ela fechou a cara diante do apelido, oque me encorajou. – quem
mandou fazer tatuagens que chamam tanta atenção?
Ela corou em um vermelho vivo.
- Ok, isso foi hilário, Jackson. Dá pra me deixar em paz
agora? – falou irritada, virando o rosto. O que me fez ficar sério de súbito.
- O que aconteceu com você? – sussurrei, vendo, pela primeira
vez, o hematoma roxo esverdeado em todo um lado de seu rosto. Eu ia tocá-lo,
mas deixei minha mão cair no meio do caminho. Logo minha voz se tornou ríspida.
– Quem fez isso com você?
- Ninguém. Eu só sou desastrada, e...
- Deixe-me adivinhar? – interrompi. – você caiu?
- E o que tem de errado em cair?
-O que tem de errado em mentir seria a melhor pergunta. Isso
são marcas de dentes? – exigi, ao olhar melhor seu ombro.
- Não é da sua conta. – cuspiu, mas logo sorriu, assumindo
uma expressão debochada. – O quê? Está preocupado comigo, Jackson? Isso é
comovente...
Eu cerrei os dentes. Ela era impossível.
- Não, sabidinha. – falei entredentes. – só estou com inveja
de quem fez isso. Era o que eu queria ter feito desde que te conheci.
Ela mordeu o lábio inferior parecendo irritada.
- Que bom. Posso ir agora, ou você prefere complementar
minhas tatuagens antes? – ironia parecia ser seu forte.
Meu estomago se contorceu ao imaginar algum idiota pondo as
mãos nela, ainda mais para machucá-la.
Eu suspirei.
- Olha, vamos eixar de ser infantis. Quem fez isso a você? –
perguntei gentil.
- Minha vida não é da sua conta.
- Annabeth, eu estou tentando te ajudar, deixe de ser
orgulhosa.
- Acontece, Jackson, que eu não preciso de ajuda de ninguém,
principalmente de um riquinho idiota como você.
Eu cerrei os punhos para reprimir uma vontade enorme de
chacoalhá-la.
- Riquinho idiota?
- É.
- Não sei como você pode me chamar disso depois do que
fizeram a você.
- Eu sei que você poderia muito bem ter feito o mesmo se
tivesse tido uma oportunidade.
- É, e você está enganada. Eu nunca machucaria uma garota. –
falei sinceramente.
- Você nunca bateria numa garota, melhor dizendo. Machucar
implica muito e não duvido nada que você faça isso por hobby
Tentei ignorar seu comentário. Eu tinha que saber quem a
havia machucado. Não sossegaria até descobrir.
- Escuta, Annabeth, isso não é sobre a gente, nem alguma rixa
idiota. É sobre você. Olhe seu estado...
Ela me olhou com entendimento, mas logo balançou a cabeça,
como se para clarear a mente, e me fulminou com os olhos.
- Me deixe em paz, Jackson! – gritou, me empurrou para fora
do caminho, e saiu correndo pelo calçadão, agora uma corrida desesperada como
se precisasse de todas as forças para ir.
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