Inevitável
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Enxuguei as lágrimas do rosto ferozmente. O movimento me fez
gemer de dor, pois foi justamente no lugar mais sensível.
Os movimentos continuavam por todo o meu corpo, despertando
diversas sensações. Eu fazia o máximo para não gemer, mas enquanto sua língua
passava pelo meu corpo, eu não podia evitar ter espasmos e soltar sons
estrangulados. Quando ele me penetrou, com tanta força que a cama tremeu, eu
ofeguei sem ar pelo prazer imenso que me consumiu. Ele começou a fazer
movimentos animalescos em cima de mim e esse prazer foi aumentando cada vez
mais até que ficou tão forte que eu gritei. Ele fez o mesmo segundos depois,
mordendo forte meu ombro, e ficou mole em cima de mim, seu peso me sufocando.
Eu ainda respirava forte e me sentia languida. As lágrimas continuaram a cair
quando voltei a mim. Meu corpo ainda estava quente, mas as sensações haviam
diminuído, me permitindo pensar e me senti miserável. Eu sentia prazer como
qualquer mulher tocada por um homem, mas ele chegava a mim errado, sujo.
Eu o empurrei para o lado, peguei minhas roupas e saí do
quarto. Deixei-as pelo caminho e entrei no banheiro, debaixo do chuveiro. A
água caiu pelo meu rosto, se misturando com minhas lágrimas, e pelo meu corpo,
o refrescando.
Quando terminei, me olhei no espelho e olhos frios me
olharam de volta, e eu quase gritei ao ver como estava. Eu estava horrível.
Todo o lado direito do meu rosto estava em uma mistura de avermelhado,
arroxeado e esverdeado, se é que é possível. O bom é que não atingiu meus olhos
se é que isso é bom. Se tivesse os atingido eu não precisaria olhar para mim
nesse estado. Ele até tinha tirado sangue do meu ombro, agora ferido e
avermelhado.
Ares já havia feito isso algumas vezes, mas nunca foi tão
ruim. A pancada, quero dizer. O sexo foi assim desde sempre, até na minha
primeira vez, com toda a força. Tornava-se ainda mais desconfortável quando ele
me forçava naqueles dias. Mas eu quase não ligava, só fazia o que tinha que
fazer e depois ignorava aquela lembrança como um sonho ruim.
Saí enrolada numa toalha em direção ao meu quarto. Troquei
de roupa e voltei ao quarto de Piper.
–Está acordada? – sussurrei.
Ela abriu os olhos, bem alerta.
–Não consegui dormir escutando vocês. – sussurrou de volta.
– ele bate em você, Annie? É por isso que você grita?
–Não, Piper. E não é uma coisa que você vá entender agora.
Depois eu te explico ok?
Ela acenou.
–Agora vá dormir. – mandei, beijando-lhe a ponta do nariz. –
mamãe vai te tirar da cama logo cedo, por que quer passar o dia grudada em
você.
–E aonde você vai? Não vai estar aqui amanhã?
–Não, vou correr na praia.
Era isso ou ficar em casa com a minha mãe vivendo em seu
mundinho perfeito com Ares.
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