Inevitável
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Eu liguei para ela no outro dia e acabou que ela me atendeu. Claro, que
eu quis ligar para ela no mesmo dia, mas não queria me mostrar desesperado. Nós
combinamos de sair na sexta para jantar no meu restaurante predileto, aquele
que eu havia levado minha mãe.
Eu fui trabalhar na segunda- feira, pois meu pai disse que tinha
escolhido algumas secretárias e que eu daria a resposta final. Ele havia
escolhido uma na semana passada, mas decidiu que era muito gostosa e a colocou
para trabalhar como camareira no quarto dele. Típico. Bagunçar a cama ao invés
de arrumar.
Minha mãe cumpriu sua palavra ligando todos os dias para mim. Ela estava
amando a viagem e sempre no final das ligações ela me perguntava se eu estava
comendo direito ou escovando os dentes.
No escritório, olhando para as secretárias, não gostei de nenhuma delas.
Uma era muito morena, a outra era muito vulgar, outra tinha os cabelos lisos
demais e a outra simplesmente não tinha cílios longos e claros o bastante.
No final do dia, eu havia dispensado todas e meu pai não gostou nada, me
dando um discurso de como é importante levar as coisas a sério, e depois
resmungando de como não teria desculpa para chamar uma delas para casa dele
agora.
Eu continuei indo o resto da semana para fazer uma coisinha aqui, um
relatório ali, para garantir meu salário no final do mês.
Na sexta- feira à noite eu cheguei cedo ao restaurante para ela não ter
a desculpa de que foi e eu não estava. Nós marcamos de nos encontrar às oito,
eu cheguei ás sete e meia e ela uma hora depois. Uma hora pode parecer muito
tempo, mas não é tanto, quando você passa flertando com as garçonetes, ganhando
números de telefones e recebendo sugestões de onde passar a noite. Nem vi o
tempo passar.
Mas quando Annabeth chegou, eu quase rasguei todos os números e queimei
em oferenda aos seus pés. Ela parecia uma deusa grega. Suas pernas estavam nuas
em um vestido preto, e com um decote que faria qualquer um vestido homem se
render. Ela andava com total confiança sobre seus saltos, e parecia que o mundo
poderia acabar e ela continuaria firme. Seus cabelos estavam presos em um coque
bagunçado com alguns cachos. Ela estava tão sexy...
Até meu amiguinho parecia saber disso, pois estava ameaçando se erguer.
Ela falou com a recepcionista, que logo mostrou- lhe a mesa e ela veio
em minha direção. Por onde ela passava, os homens não conseguiam resistir e
olhavam.
–Desculpe o atraso. — falou formalmente, se sentando. — Houve um
engarrafamento.
–Não me importei de esperar. A espera é o melhor. – tentei soar sexy.
Ela sorriu.
–Já fez o pedido?
–Queria esperar para fazermos isso juntos.
Fiz sinal e o garçom veio até nós e fizemos o pedido.
–Champanhe? — perguntei já colocando em sua taça.
–o que estamos comemorando? – perguntou dando um gole.
–Eu, mais uma semana de folga. Diga-me você.
–Consegui um emprego. — Comentou.
–Isso é ótimo! Onde?
–Você acha mesmo que eu vou dizer?
–Por que não diria?
–Você é um maníaco, esqueceu? – brincou.
–É, acho que sim. Mas você concordou em vir jantar com esse maníaco,
então acho que ele merece saber um pouco sobre você.
–O que o maníaco quer saber, em especial?
–Deixe-me ver por onde eu começo... – fiz uma expressão pensativa. –
Quantos anos você tem?
– 17.
– Muito novinha. Não deve nem ter acabado os estudos... Pra quê quer
trabalhar?
–Eu já acabei os estudos sim e faz um ano. Tenho que fazer algo da minha
vida. Eu fiz alguns cursos profissionalizantes e acho que já é o bastante por
enquanto.
–Não pensa em fazer faculdade?
–Não tenho tempo para fazer faculdade.
–O que você faz de tão importante?
–Não interessa a você. – tentou soar seca, mas sua expressão estava
aflita.
Eu entendi que ela não queria falar sobre isso.
–Ok, eu já estava esperando patadas suas. Eu estava até surpreso com
tanta simpatia vinda de você.
Sua expressão se suavizou.
–O que mais quer saber? – bebericou o champanhe.
– Mora com seus pais?
– Mais ou menos. Moro com moro com minha mãe e minha irmã. Meu pai
morreu faz um ano.
–Oh, eu sinto muito. – falei sinceramente.
–Obrigada, mas já superei. Bem, mais ou menos. Foi bem no dia da minha
formatura, então foi bem traumático. Mas chega de assuntos deprimentes. Me fale
um pouco de você agora. – falou parecendo interessada.
Pensei um pouco no que dizer a uma garota que fala da morte do pai como
se estivesse comentando seus sapatos.
–Hã... Meu nome é percy jackson, eu tenho 21 anos e trabalho em uma das
firmas do meu pai. Ano passado comecei a estudar medicina numa das faculdades
daqui mesmo, mas tranquei dois meses depois...
–Por que trancou?
–É muito detalhe para uma cabeça só. Não gosto muito de pensar...
–Percebi.
–Então, como eu estava dizendo... — continuei. – moro sozinho a mais ou
menos uns três quilômetros daqui. O meu quarto é o máximo e tem uma cama enorme
bem no meio. Você não gostaria de me visitar qualquer dia?
–Talvez. Se você reencarnasse em uma pessoa menos repugnante.
–Já disse que fui eu quem decorou meu quarto?
–Você é arquiteto? – perguntou parecendo realmente estar curiosa.
–Sim. – menti.
–Interessante...
–Por quê? Acha arquitetos sexys?
–Acho arquitetura legal. E ok, que existem arquitetos sexys, mas você
não se encaixa nessa categoria.
–É acho que mereci isso...
Nosso pedido chegou e nós comemos e conversamos, e eu fiquei feliz em
ver que ela estava se divertindo. Amei seu sorriso e o jeito que seus olhos
cinza brilhavam. O modo como seus cachos loiros balançavam, sua risada era
contagiante.
Depois da sobremesa, ela foi ao toalete e voltou com o batom retocado.
Seus lábios vermelhos me hipnotizaram e eu queria mais do que tudo prová-los.
Claro, pela aposta.
Eu já havia pagado a conta, então saímos, e novamente ela arrancou
olhares de desejo dos homens e de inveja das mulheres.
Ficamos caminhando lentamente pelo estacionamento. O céu estava lindo,
sem nenhuma nuvem e repleto de estrelas. A luz da lua cheia era o bastante para
eu ver o meio sorriso que Annabeth dava para algum de seus pensamentos.
Chegamos ao seu carro e eu segurei sua mão para impedi-la de se afastar.
–Te vejo amanhã?
–Não.
–Como?
–saí com você como combinado, e agora você não pode nem olhar para mim.
– falou séria, sem vestígios de estar brincando.
Encarei-a, estupefado. Ela virou e eu puxei seu braço novamente.
–Ei, achei que tinha se divertido. – eu não estava mais entendendo nada.
–E me diverti, mas isso não quer dizer nada. Eu sempre procuro me
divertir quando saio, mesmo que seja com uma pessoa como você.
Entrou no carro e partiu antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa.
Notas finais
Mil beijokasss...
Fale com o autor