Inevitável

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Demorou um século, mas aqui vai um novo capítulo...



Acordar na segunda–feira de ressaca com alguém ronronando irritantemente
em seu ouvido não é algo que eu recomende. Eu me vesti e saí ignorando o que
Rachel falava. Fui para minha casa, troquei de roupa, peguei minha prancha e
fui para a praia. A empresa era do meu pai e eu usaria a desculpa de estar sem
secretária por ter faltado.

Era quase hora do almoço e os caras já estavam surfando e eu não via a
hora de sentir a água em meu rosto. Surfar era o meu maior prazer. Só competia,
às vezes, com o sexo e olhe lá. Eu esquecia tudo quando sentia a água, inclusive
a noção do tempo. Quando saí da água, os caras já estavam jogando e meu irmão, Tyson,
estava fazendo dupla com Jason em meu lugar.

Enfiei minha prancha num buraco na areia e sentei ao lado, olhando o
jogo um pouco afastado, até que vi a garota dos cachos loiros correndo no
calçadão. Fiquei olhando-a e nem percebi que Luke havia parado de jogar e sentado
ao meu lado. Colocou cem pratas na minha mão.

–Aposto que não consegue uma noite com ela. — atiçou.

–Não estou pedindo esmolas. -devolvi o dinheiro.

–Não é sobre dinheiro. É sobre mostrar que é capaz.

–Não preciso provar nada para você.

Ele riu debochado.

–você não é de nada.

–E por que "você" não vai?-exigi.

–Por que não sou eu que está a mais de um mês secando-a. Deixe de ser
covarde.

Eu suspirei.

–E como você vai saber? Que eu consegui, quero dizer.

–Traga uma foto dela nua.

Eu concordei. Não ia ficar por covarde, e nem eu entendia por quê estava
tão hesitante em falar com ela.

Fiquei de pé.

–Nico!-gritei e fiz sinal para que ele jogasse a bola e ele o fez. E foi
no momento certo, pois ela estava passando por perto. Joguei a bola em sua
direção com a maior força que consegui. Ela estava tão distraída com os fones
de ouvido que nem percebeu, e acabou caindo quando a bola bateu em sua cabeça.

Eu corri até ela, e a ajudei a levantar.

–Me desculpe. -pedi.

Ela tocou no lado do rosto e franziu o cenho de dor, e olhou para mim
parecendo irritada.

–Desculpa você pede quando pisa no pé de alguém, não quando acerta a
cabeça desse alguém com uma bola.

–Eu sinto muito?- tentei, escondendo um sorriso.

Ela me fuzilou com seus olhos, e eu parei de sorrir. Aquelas duas bolinhas
cinza borbulhavam como prata derretida, que por um momento me deu medo.

–Qual o seu nome?- disfarcei.

Mas logo percebi que eu queria mesmo saber como chamar a garota que
invadia meus pensamentos, mas que eu logo expulsava.

–Annabeth. — falou como um resmungo, alisando a roupa.

–Nome legal. Eu me chamo Percy, prazer em lhe conhecer. — ofereci a mão,
mas ela a ignorou e deu um sorriso forçado, ajeitando os fones.

–Tenho te visto por aqui há algum tempo. — comentei.

–Uau!- forçou surpresa. — você viu uma mulher correndo na praia de Copacabana.
Meus parabéns!

Engoli um xingamento pelo seu deboche. E desde quando ela era uma
mulher? No máximo ela devia ter uns 17 ou 18 anos. Era apenas um pouco mais
nova que eu, mas não parecia ter vivido muita coisa. Só se ela estivesse
falando de mulher em outro sentido...

Cerrei os punhos ao imaginá-la nos braços de algum aproveitador barato.
Claro, eu era um, mas isso não contava.

Sorri, procurando algo para falar.

–Gosta de vôlei?- soltei.

–Não tenho nada contra.

–ótimo. Por que não fica para ver nosso jogo?

–Se você não percebeu, eu estava fazendo algo antes de você me
interromper. Bruscamente, por sinal. — reclamou.

–Vai ser por pouco tempo. — insisti.

–Você não acha mesmo que eu perderia meu tempo vendo você jogar, não é?-
riu como se isso estivesse fora de questão, colocou os fones de ouvido e ia
começar a correr, mas eu a segurei pelo braço.

–Espera me dá seu número para a gente combinar outra coisa, então.

–Você não percebeu que eu não estou nem um pouco afim de você?

–Eu só percebi que você está jogando fora uma oportunidade que muitas
garotas dariam tudo para ter.

–Duvido muito. E, acredite, eu não estou perdendo nada.

–Ok, então onde você mora?- eu soei desesperado, mas não me importei. Eu
só queria provar que era capaz de levá-la para a cama.

Ela gargalhou.

–Me solte, antes que eu ache que você seja um psicopata e comece a
gritar. — falou divertida.

–Me dá seu número, Amor?- falei galanteador. — O que você tem a perder?

–Eu já disse. Me tempo. Falou inalterada.

–Vai garota, eu sei que você quer...

–Você vai me deixar em paz se eu der?

Isso foi um beliscão no meu ego. Eu só acenei.

–Então, tanto faz. — ela falou o número, enquanto eu anotava em meu
celular.

–A gente se fala, então. — falou, e sorri.

–Claro, eu não vejo a hora. — falou sarcástica, voltando a correr.


Notas finais
Deixem reviews para que eu saiba se devo continuar...