Inesquecível E Inevitável
3 Capítulo 3 Quero distancia!
Notas iniciais
- Edward, entra.
Eu fui para a poltrona em frente a cama. Sentei e fiquei olhando ela terminar de pentear os cabelos. O perfume do quarto fez minha garganta doer a ponto de eu pensar de não conseguir ficar no quarto. Retomei meu autocontrole e me concentrei na conversa que Bella não parecia estar nenhum pouco a fim de ter. Justo, eu a deixei a seis anos. Muito justo.
- E aí voltou por quê? – ela perguntou parecendo alheia a minha presença. Agora ela passava um creme nos cabelos.
- Não voltei, te encontrei.
- Pois bem. Estou viva. Pode ir.
- Acho que as coisas não são bem assim.
- Não? – ela deveria estar me testando, se eu não soubesse de Reneesme talvez ela não me contasse.
- Não Bella!
- Então quanto tempo vai ficar?
- Não sei. Acho que você precisa me contar as novidades primeiro para me decidir.
- Eu não tenho novidades.
Eu olhei a foto que estava na escrivaninha dela, pouca coisa mudou desde a última vez que estive aqui.
- Reneesme. – ela disse, admirando a foto da menina de vestido florido sorrindo com ela nos braços.
- E...
- Ela é sua filha. Fruto da única e primeira vez que fomos para cama. – ela parou e respirou fundo – Meu presente mais precioso.
Eu olhei para ela tentando entender, era uma mistura de amor e ressentimento.
- Bella como isso é possível?
- Não sei, nunca soube que você era capaz disso.
- Ela...
- Ela é única. Meio a meio. Seus olhos, meus cabelos, sua pele em termos...
- Como assim?
- Não brilha tanto no sol, parece uma menina normal. Ela convive com outras crianças normalmente.
- Que história era aquela dela não querer aula na turma dela?
Bella sorriu.
- Ela é mais inteligente que o normal, puxou de sua parte. Sua mentalidade é de uma criança de doze anos mesmo tendo seis. Então ela não gosta da escola, nenhum pouco, mas precisamos manter as aparências.
- Você falou de mim?
Bella parou, pensou, editou metade da história com certeza e só assim me respondeu.
- Eu contei que você sumiu depois que estivemos juntos.
- E ela gosta de mim?
- Não sei, ela nunca mais perguntou. Acho que não te detesta.
- Vocês não conversam sobre isso?
- Não é meu assunto favorito. Falei o que ela queria e pronto. – mais ressentimento.
- Bella eu gostaria de conhecê-la.
O coração dela acelerou e percebi nervosismo quando ela movimentou as mãos para ajeitar os cabelos novamente. Aquilo me pareceu tão sexy se não fosse pela conversa tensa.
- Ela está na reserva... – a voz baixa.
- Ela está doente? Ouvi sua conversa com Charlie, aquilo nem ele acreditou.
- Ela precisa ingerir sangue a cada dois ou três dias. Fora isso ela pode comer qualquer coisa, mas ela não gosta muito.
- Ela passou mal porque...
-Porque de birra não ingeriu. Ela não gosta da distancia, eu passo só o final de semana com ela. Charlie, Jacob e Sue cuidam dela para mim durante a semana.
- Você...
- Edward eu preciso estudar para conseguir uma vida melhor para ela. Já foram três anos, agora falta pouco. Ela entende de uma certa forma, mas passamos dois meses juntas e a despedida nem sempre é fácil.
- Por que não a trouxe para casa?
- Os olhos ficam vermelhos quando ela ingere sangue humano.
- Ela o quê?
- Compramos sangue para emergência. Fica na casa de Jacob, ela fica fraca e não consegue caçar. Ela meio que desmaia.
- Ela caça? – como assim minha filha caçava
- Jacob ensinou, ela precisava se alimentar sozinha então para ajudar, Jacob ensinou. Era isso ou ela morria.
- Ela é muito vampira.
- Nada, o coração dela bate e suas bochechas ficam rosadas quando tem vergonha.
Eu não sabia nada dela e isso me entristeceu.
- Posso conhecê-la?
- Só final de semana que vem. Estamos em plena segunda, vai atrapalhar a rotina dela e eu preciso de um tempo Edward para avisar a ela.
- Tudo bem, acho que também preciso me acostumar com a idéia.
- Nada de seguir ela, nem comprar nada ou sei lá... – ela parecia confusa.
- Bella eu gostaria de dar uma lembrança.
- Eu decido quando, como e o que vai ser dado Edward!
- Tudo bem. Posso levar uma foto?
Ela levantou e passou por mim indo em direção a uma gaveta no seu guarda-roupa.
- Tome. É a mais recente, tem duas semanas. Ela cresce mais rápido que o normal então ela parece ter uns oito.
Vi a foto quando ela me entregou, linda, os cabelos de Bella.
- Ela é uma mistura perfeita.
- Se parece mais com você.
- Não acho.
- Você ainda não a viu sorrir.
Isso foi o fim, ela parecia cansada e eu precisava mostrar a foto para minha família. A essa altura todos estavam na casa.
- Amanhã você vai voltar para Seattle?
- Só a tarde, tenho aula. Acho que vou ver Reneesme de manhã, ela está de castigo saiba disso.
- Ela fez isso por sentir sua falta Bella.
- Ela não pode fazer isso, ela pode realmente ter algo sério da próxima vez.
- Tudo bem. Suas regras.
E eu fui embora deixando Bella descansar. Ela estava com muita mágoa, a cada palavra dirigida a mim eu podia sentir o quanto esses anos foram complicados. Ela guardava muito rancor e isso seria difícil de reverter. Quando cheguei Alice estava eufórica junto com Esme e Rose.
- Deixa eu ver a foto! – Alice correi não me deixando chegar na sala.
- Ela é linda!
- Tem meus olhos. Verdes.
Entramos e Esme sorria ansiosa.
- Ela tem os cabelos de Bella. – Rose disse.
- Olha! Os seus olhos Edward. –Esme estava admirando a foto.
- Como isso é possível? – Jasper disse
- Não sei, um milagre? – Rose disse.
- Ela é linda parabéns!
- Vamos ter que esperar até sábado para vê-la. Bella não quer atrapalhar a rotina dela e ela está de castigo.
- Castigo?O que ela aprontou? – Emmett ria pensando nas possibilidades.
- Ela para chamar atenção de Bella deixou de ingerir sangue e passou mal.
- Ela tem cede? – Carlisle perguntou interessado.
- Sim, mas pode conviver normalmente com humanos porque além de comer ela não brilha tanto como nós.
- Interessante a mistura. Nunca pensei que isso fosse possível Edward.
- nem eu, quando a deixei, pensei que...
- Como foi a gravidez? – Carlisle perguntou.
- Ela não me disse. Tem muitas coisas que eu não sei.
BELLA
Estava tudo mais ou menos arranjado, eu voltaria para o trabalho mais tarde e estudaria somente a noite quando fechasse a loja. Conversei com Reneesme ela com seu jeitinho conseguiu negociar os dias de castigo. Jacob ligou para a escola e avisou que ela estava doente. Ela amou a idéia de passar uns dias na Reserva, era o lugar favorito dela, sem sombras de dúvidas. Jacob é claro precisou saber da conversa que tive com Edward, ele concordou que sábado era um dia melhor e eu não deixei ele estar presente. Não precisava da rixa natural deles envolvida numa situação já complicada demais. E a pergunta ainda vagava na minha mente quando voltei para a faculdade: Você o ama?. É claro que ele precisava perguntar novamente antes de se despedir de mim, não respondi novamente. Era mentira se eu disse que não, mas a dor era maior. Agora a mágoa estava em primeiro plano e sinceramente ele poderia pastar e me esquecer como antes em vez de abrir a ferida novamente.
A primeira aula foi Estatística, eu realmente não estava interessada naquilo, mas era uma matéria obrigatória sabe-se lá porque. Descobri que Edward também fazia essa aula comigo. Assim que ele entrou eu fui logo cortando assunto.
- Não chegue perto de mim! – eu disse numa altura que ele ouviria com certeza.
Sendo assim ele sentou bem longe de mim. É claro que quando ele fingia se ajeitar meu coração saltava descompassado e eu precisava lembrá-lo de que foi por causa da pessoa por quem ele acelerava que eu acabei ficando uma morta-viva por uns bons meses! Antes da aula terminar meu celular começou a tocar freneticamente me envergonhando e também me fazendo ter que passar por todos para conseguir chegar a porta.
- Oi meu amor. Está melhor?
- Sim. – a voz mais doce do mundo. – Mãe Sue não quer me deixar ir com Jacob até a fronteira! Eu sempre vou!
- Olha, só por essa semana o Jacob não vai levar você tudo bem?
- Por quê?
- Porque temos visitantes.
- Ah... Mas posso ir no domingo?
-Bom... não sei... veremos tudo bem? Já almoçou?
- Sim. Posso caçar?
- Hoje não. Amanhã você vai para escola, o olho melhorou?
- Um pouco... acho que já está bem melhor. E eu não vou..
- Vai sim!
- Mãe!
- Olhe aqui... – quando ia terminar percebi as pessoas saindo da sala. Droga! Perdi as últimas instruções do trabalho. – vou lá meu amor. De noite nos falamos tudo bem?
- Sim.
- E nada de sair da casa de Sue sim?
- Só essa semana.
- Beijinhos!
- Saudades mãe.
- Também.
Quando desliguei encostei na parede e fechei os olhos. O cheiro dele invadiu meus sentidos me deixando tonta. Ele continuava cheiroso, enlouquecedoramente cheiroso.
- Ela está bem? – ele parecia preocupado. Abri os olhos para responder sem encarar ele.
- Sim. Só não pode sair da casa de Sue.
- Castigo?
- Não, visitas. Não queremos que ela os encontre antes de uma apresentação não é?
- Claro... mas ninguém vai se aproximar dela.
- Mas ela pode se aproximar de vocês. É muito curiosa.
Eu vi minhas coisas nas mãos dele.
- Seu material.
- Obrigada.
Peguei minhas coisas e fui para o trabalho. Agradecendo pelo movimento e pela falta de tempo, não teria que pensar nele ou naquela situação. No final do turno Alice entrou pela porta. Eles não iam me deixar respirar era isso?
- Boa noite. Vai querer alguma coisa? – uma das meninas perguntou.
- Quero falar com Bella. Ela está ocupada?
- Vou chamar.
Ela se aproximou de mim e eu fui encontrar Alice antes do recado ser dado.
- Fala.
- Bella...
- Alice estou trabalhando.
- Eu sei, mas não vejo muito o que fazer.
Alice estava sozinha na lanchonete.
- Mesmo assim.
- Posso levar Reneesme para nossa casa no domingo?
- Não.
- Bella! Ela é minha sobrinha...
- Alice, sábado ela vai conhecer o pai e não faço a mínima da reação dela então acho melhor não testar os limites da sanidade dela ok?
- Tudo bem... eu não consigo ver ela sabia?
- Não.
- Ela não é algo que eu já tenha conhecido então acho que por isso não me conecto com ela. – ela disse quase fazendo bico. – Queria conhecê-la e sei que Esme também.
-Tá. – disse friamente.
- Lindo nome. – Ela ignorou minha frieza.
- Certo.
- Não adianta Bella, sou sua amiga, vou continuar aqui!
- Amiga? Que merda de amiga abandona a outra assim que o irmão resolve sumir no mundo? Que tipo de brincadeira é essa Alice? Vocês acham que podem voltar e encontrar todos felizes porque os Cullen estão de volta a cidade! Pois bem! Merda nenhuma! – agora eu estava gritando — Não posso afastar Reneesme, mas eu não estou no pacote ouviram? Vão para o inferno com essa de VOLTAMOS!
E eu sai da lanchonete indo direto para meu carro. As chaves estavam no meu bolso e fui embora sem muitas explicações. É claro que liguei para Lily avisando que precisava sair imediatamente. Ela pediu que abrisse a lanchonete e eu precisaria atender. Quando cheguei em casa abri uma garrafa de cerveja na geladeira e bebi de uma vez só, eu precisa daquilo para me acalmar. Eu bebi umas quatro e fui para cama sonolenta.
Acordar pela manhã depois de umas cervejas não me faziam nada bem, coloquei meus óculos escuros, qualquer roupa e fui abrir a lanchonete. Parei para comprar café no caminho e finalmente me assegurar que tudo estaria pronta quando os clientes chegasse. Tinha uma lista enorme no quadro de avisos da loja que Lily deixou. Ela deveria estar um pouco aborrecida porque eu não ajudei a fechar a loja. Sem problemas, tomei o café num gole e fui arrumando as coisas. Hoje um grupo de professores iriam tomar café aqui em comemoração a um aniversário, tudo estava devidamente pronto para quando eles chegassem. Lily adiantou bastante com os bolos, era só alguns sucos e chá. Uma das professores não tomava café. Aquela sensação desde de manhã me invadiu novamente e eu respirei fundo. Precisava de uma aspirina urgentemente!
- Olha, saia daqui antes que eu pegue uma faca e me corte para ver se você larga do meu pé!
Eu disse de costas para o balcão procurando um copo para beber água e tomar um remédio.
- Você bebeu? – ele disse mal-humorado.
- Não é da sua conta!
- Bella o quanto você bebeu?
-NÃO É DA SUA CONTA! – minha cabeça doeu, droga! Tomei o remédio e olhei para o relógio. Já estava na hora de abrir.
- Vai ficar aí o dia inteiro? Não tem nada para fazer... uma aula para assistir... alguém para morder...
- Bella não seja ridícula. – eu precisei disfarçar, amava quando ele falava assim, me lembrava das discussões que tínhamos.
- Olha, NÃO ESTOU NO PACOTE! NÃO QUERO PROXIMIDADE MAIS Do que AQUELA NECESSÁRIA E ISSO NÃO É NECESSÁRIO! SAI!
Agora estava ferrada, minha cabeça latejava mais ainda.
- Eu vou ficar por perto, estou avisando, você não parece bem.
- VAI PARA MERDA COM A SUA PREOCUPAÇÃO. ESTÁ SEIS ANOS ATRASADO!
Ele saiu sem responder. Não foi correto, me senti mal, mas mandei isso também a merda também, ele que se ferrasse.
Por incrível que pareça, o resto do dia eu me senti tão mal quanto o possível por ter dito aquilo, mas ele estava ali. Não podia vê-lo exatamente só que era impossível não sentir. Fui para o Joe’s em vez de ir para casa.
- Muito tempo que você não aprece Belinha!
- Boa noite John! – sentei no balcão olhando o barmen.
- O que vai querer?
- Tem algo novo?
- Sim, mas é forte.
- Me duas doses.
- Hum... está dirigindo?
- Pego um taxi. Toma as chaves, amanhã eu pego.
E eu bebi quatro doses e duas cervejas. No final, cheguei sã e salva em casa e nem sabia como.
O toque do despertador parecia uma buzina na minha cabeça. Tonta e enjoada fui para o banheiro e tomei banho, demorei porque precisei vomitar tudo o que bebi e não comi ontem. Droga! Eu ia chegar atrasada. E minhas chaves estavam no bar.Liguei para a Lily e disse que entraria as dez porque acordei muito mal, mas já tinha tomado um remédio. Estava esperando fazer efeito.
- Você bebeu demais ontem não acha?
Ele estava sentado na cama quando eu sai do banheiro.
- Vá tomar conta da sua vida.
- Você é minha vida. Minha existência.
- Não sou e você sabe disso, como disse, seis anos são muita coisa não acha?
- Eu fiz isso por te amar.
- Obrigada, nunca me senti tão amada! Agora preciso me trocar, tenho que trabalhar.
- Não está em condições!
Respirei fundo antes de responder.
- Não estou em condições de ter isso de novo na minha vida! Você na minha vida!
- Bella eu preciso...
- Precisa sair. – interrompi, seja lá o que fosse não queria ouvir uma declaração de amor barata que fosse se acabar assim que alguém do mundo dele me atacasse novamente. Ele que engolisse todas as desculpas e arrependimentos. Dito isso ele saiu. E eu pude continuar minha semana, trabalhando, estudando, bebendo. Bom, a semana passou rápido sendo sexta e eu tendo que encarar a realidade sem nenhuma dose, Edward iria conhecer a filha.
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