Inesquecível
1 Ela era inesquecível e ele sabia disso.
Notas iniciais
ela era inesquecível e ele sabia disso.
Ele se lembrava dela. De cada pequeno detalhe de seu rosto, desde as sardas no nariz até a pinta tão pequena e que só podia ser vista bem de perto, embaixo da boca. Da forma como ela sorria quando ele dizia uma piada ou cantada estúpida ou então como ela sussurrava baixinho para que ele não a esquecesse.
Mas é óbvio que ele não o faria.
Marlene McKinnon era do tipo inesquecível e Sirius sabia muito bem disso.
Ele soube quando ela sorriu para ele, depois de vários copos de firewhiskey no meio de uma festa no salão comunal da Grifinória. Sirius soube de alguma forma, naquele momento, que nada seria o mesmo. E que aquele sorriso ficaria marcado em si para sempre.
E céus, ele adorou isso.
Quando eles saíram juntos pela primeira vez, em um encontro (não apenas uma sessão de amassos em um armário de vassouras qualquer) e Sirius segurou sua mão, ele sabia que nunca mais esqueceria sua maciez e a forma como ela se encaixava em sua mão, como se elas tivessem sido feitas sob medida uma para a outra.
E o quanto ele gostou disso.
Na primeira vez que eles fizeram amor, não só uma transa cheia de hormônios e sim sentimentos, dos mais puros possíveis, Sirius se lembrava de suspirar a cada toque dela, dos arrepios gostosos que ela lhe causava com as unhas ou a boca. De tudo. Quando eles gozaram e ela o encarou, com um sorriso pequeno no rosto e um brilho indescritível no olhar, ele teve a certeza de que a amava e que jamais poderia esquecer daquele momento. E muito menos, esquecer Marlene McKinnon. Isso se repetiu tantas vezes, mas nenhuma fora esquecida por Sirius.
Não que ele quisesse esquecer, de qualquer forma.
Depois de Hogwarts, quando Marlene aceitou morar com ele, o Black teve mais uma certeza: que todos os detalhes de Marlene estariam infiltrados nele de forma intensa e permanente. A cada beijo, o gosto dela ficava mais impregnado em sua boca, seu cheiro já tomava conta da casa e de suas camisas e ele não conseguia a tirar da cabeça em momento algum.
Mas o que Sirius mais gostava naquele momento, eram as manhãs. As que ela estava de cabelo bagunçado, nenhuma maquiagem e um sorriso ameno no rosto. As melhores manhãs que ele já tivera na vida.
— Você deixou um pouco de cereal para mim? — Sirius perguntou risonho, entrando na cozinha só de samba-canção. Marlene apenas revirou os olhos bebendo mais um gole de seu café.
— Não, eu comi tudo. E também comi toda a comida da casa, então acho que você vai ter que comprar mais — ela respondeu ácida, fazendo-o balançar a cabeça enquanto bebia um gole de seu café, apoiando o quadril na pia e a observando. Marlene voltou a comer despreocupada, mas logo franziu o cenho, levantando o olhar para Sirius.
—O que foi? — perguntou ríspida, mas mordendo o lábio inferior para não sorrir. Sirius apenas sorriu, bebendo mais um gole de seu café.
— Eu adoro o seu humor matinal — ela revirou os olhos pela segunda vez na manhã. — E você fica linda assim. Natural. — O moreno terminou seu café deixando a xícara na pia e se aproximou dela para lhe dar um beijo rápido que Marlene correspondeu, agarrando sua nuca com força quando ele quis se afastar rápido demais, o que o fez rir e prolongar o beijo.
— Eu te amo — ela sussurrou, beijando sua bochecha.
— Eu também te amo, McKitten — a morena riu e Sirius se afastou dela, feliz.
A mais pura e plena felicidade que alguém pode ter. Porque ele se sentia, acima de tudo, completo.
Ele gostava desses momentos. Pequenos e aparentemente insignificantes, mas que faziam seu coração se apertar de felicidade. Porque ela o tinha, céus, ele estava totalmente entregue àquela mulher. Que era maldita e completamente, inesquecível. E ele sabia que ela também estava entregue a ele, de forma mais intensa possível.
E isso bastava, até então.
— Onde você estava? — ela perguntou o abraçando assim que Sirius botou os pés dentro de casa. Ele sorriu, retribuindo o abraço e ela apenas suspirou, relaxando contra o corpo do moreno.
— James queria conversar. Ele está praticamente subindo pelas paredes, ficando preso naquela casa — sussurrou ele, acariciando os braços de Marlene com carinho e atenção. Ela se afastou um pouco, tirando o rosto do peito de Sirius.
— Aposto que James e Lily estão transando o tempo todo, isso sim — o Black gargalhou e ela apreciou a forma como a risada dele era o som mais adorável que ela já tinha ouvido. E os dois se separaram de vez.
— Não é como se nós estivéssemos muito diferentes deles — Marlene apenas o encarou, com uma expressão divertida no rosto.
— Mas eles têm o Harry, nós não — ela comentou, sentando no balcão da cozinha enquanto ele bebia um copo d’água. Quando ele terminou, a encarou de forma pensativa, soltando o copo na pia de qualquer jeito. Sirius se aproximou, postando-se na frente da morena e apertou suas coxas com leveza.
— Vamos fazer um então — McKinnon o encarou confusa e ele sorriu, colocando uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha. — Vamos ter um filho — ela riu, de forma descrente.
— Nós dois? —Sirius assentiu paciente, beijando sua bochecha e descendo lentamente para seu pescoço. Ela suspirou, deixando a cabeça pender para o lado. — Estamos no meio de uma guerra, Sirius — Marlene sussurrou, triste. Sirius se afastou, grudando as testas dos dois.
— Mas continuamos tendo um ao outro — ela assentiu, mordendo o lábio inferior, mas não pôde deixar de franzir o cenho de forma triste.
— O problema é até quando isso vai durar, Six — Sirius balançou a cabeça, segurando o queixo dela, de forma suave.
— Vai durar para sempre. Você é inesquecível, McKinnon — ela riu e ele a puxou para mais perto, fazendo-a enrolar as pernas em sua cintura. Caminhando para o quarto dos dois, Marlene suspirou, agarrando sua nuca.
— Assim como você, Black. — ele apenas suspirou, apertando-a mais forte contra si.
Eles não tiveram um filho. Ele sabia que ela queria, talvez tanto quanto ele, mas não aconteceu. Porque tudo era bagunçado, frágil demais. E independente de tudo, Sirius queria aproveitar todo o tempo que os dois tinham juntos, então a tristeza não persistiu nos dois por muito tempo. Pelo menos, não de forma tão intensa quanto o amor dos dois.
Porque mesmo com a guerra lá fora, mesmo com missões perigosas da Ordem, mesmo com uma legião de babacas que tentavam os matar a todo momento, Sirius Black não podia esquecer Marlene McKinnon. E tudo o que ele queria, no fim do dia, era voltar para casa e a encontrar.
Mas um dia, ela não estava lá.
E claro, ele gritou. Chorou. Amaldiçoou todos e tudo de forma tão forte que sentiu seu coração se despedaçar no peito. Mas ele não se importou. Ele só queria que ela estivesse ali. Com ele.
O mostrando a todo momento como ela era totalmente... Inesquecível. E como os detalhes dela, eram as melhores coisas do mundo. Mas ela não estava lá. E nunca mais estaria.
E isso doeu mais que tudo para Sirius Black. Mas… No fim, ele sabia. Que ela era inesquecível demais, que nenhuma memória com ela sairia tão facilmente de sua mente.
E principalmente, que Marlene McKinnon nunca o deixaria. Estando ele vivo ou morto, ele sempre a teria, assim como ela o teve.
E isso, era inesquecível.
Para ambos.
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