Inesperado Amor
2 Capítulo 2 - "Você conhece a história da família Cullen?"
Notas iniciais
Minha cabeça latejava quando ouvi o som do despertador tocar, sentia que meu estômago estava revirando de todo o álcool e fritura que ingeri em uma única noite. Nunca mais irei beber tanto. Ressaca era uma sensação que eu abomino e faço o possível para não ter que vive-la, para eu me entregar a bebida ao ponto de no dia seguinte não conseguir pensar no meu nome sem a cabeça doer, algo precisa ter me incomodado demais e me feito perder o controle das minhas decisões e então como um flash lembrei a razão disso tudo: Edward Cullen, aqueles olhos que conseguiram em desestabilizar no exato momento que os encontrei, além da sua postura arrogante e prepotente, idiota.
Entrei no banheiro com a cabeça ainda explodindo, fui me despindo calmamente e lembrando de cada palavra absurda que aquele ogro havia proferido sobre meu trabalho, antes de entrar na banheira notei um roxeado em meu quadril, fui à frente do espelho e percebi vários hematomas espalhados pelo meu corpo, toquei um que estava na minha clavícula e as memória explodiram.
Edward era possessivo na cama, ele tocava meu quadril com força e ao invés de me irritar, aquilo me excitou ainda mais, era como se houvesse a intenção de me marcar e seria concretizado já que minha pele era extremamente sensível e clara. Aproveitei o momento e raspei minhas unhas em suas costas recebendo um gemido brutal que me deu mais certeza em continuar, havia uma disputa de toques que tornava tudo mais sensual, seus dedos eram ágeis e agressivos, uma combinação perfeita para loucura. Sua boca estava na minha clavícula e eu podia sentir que ele deixava sua marca ali, o que iria me obrigar lembrar desse momento por um bom par de semanas.
Droga, droga, droga, eu havia transado com o ser humano mais babaca que habita essa terra, depois do Trump, mas ao mesmo tempo que eu estava com muita raiva de mim mesma por ter me entregado a alguém tão grosseiro, estava feliz por ter me permitido sair da minha zona de segurança pelo menos uma vez na vida. Gastei muitos anos da minha vida procurando por uma carreira bem-sucedida longe da minha mãe e por isso não me permiti viver, era estranha a sensação que eu havia feito algo realmente irresponsável, chegava a ser algo até prazeroso, não mais que a noite que tive com Edward Cullen.
Tomei o banho mais estranho da minha vida, cada vez que minha mão tocava em alguma parte do meu corpo uma enxurrada de lembranças vinham e junto a sensação que era tê-lo tocando naqueles exatos lugares, estava ficando louca com a confusão de sentimentos dentro de mim, eu sentia ódio dele por todas as coisas que me disse, mas eu sentia prazer somente lembrando de tudo que fizemos durante aqueles minutos ou talvez horas? Optei por sair da banheira antes que surtasse, passei pelo espelho evitando encará-lo porque tinha certeza que eu lembraria de mais coisas, peguei um remédio para minha dor de cabeça e fui me arrumar.
Como eu sabia que iria enfrentar um vôo longo na volta para Nova Iorque, coloquei uma calça jeans, uma camiseta cinza folgadinha com a estampa do Simba de Rei Leão, hakuna matata e peguei um casaco grosso porque o inverno estava chegando em Paris e eu não estava muito afim de congelar em nome da beleza. Minha intenção era manter minha mente o mais ocupada possível para que as lembranças da noite anterior não continuassem a me assombrar, então gastei a hora que eu tinha antes do brunch de despedida que a Victoria’s Secret dava para todas as modelos e staff do desfile. Dei uma última olhada no quarto para ter certeza que não havia esquecido nada, desculpa para me manter com foco em outra coisa.
Estava esperando o elevador e eu sentia meu coração acelerado lembrando da merda que eu tinha feito nele na noite passada. Por que eu simplesmente não conseguia esquecer isso e seguir em frente? Quando entrei no elevador parecia que as lembranças eram mais vivas e eu tinha a vontade de me chutar por não ter a habilidade de esquecer aquilo tudo, encostei minha cabeça na “parede” do elevador e fechei os olhos tentando limpar minha mente. Senti o elevador parar em algum andar, mas não me dei o trabalho de abrir os olhos, havia coisa demais na minha cabeça para tentar ser simpática.
— Educação realmente não é seu forte – ouvi aquela voz e abri meus olhos rapidamente e lá estava Edward Cullen em toda sua pose.
Edward era um homem muito mais que bonito, seus cabelos eram de um tom acobreado e pareciam bagunçados demais para um homem de negócios, seu maxilar era definido de uma maneira extremamente sexy e eu ainda conseguia lembrar de ter passado minha língua por ela, seus olhos eram um show à parte, eram de um verde tão límpido que o fazia parecer o ser humano mais puro e gentil, quando na verdade era o oposto. Ele conseguia ser alguns centímetros mais altos que eu, talvez uns 10 cm ou um pouco mais, seu corpo gritava sensualidade, principalmente quanto estava sobre o meu, mas sua beleza se resumia ao exterior porque seu interior era de uma podridão imensa, ele conseguia ser pior que todos os vilões da Disney juntos.
— Tratamento de silêncio? – questionou e eu apenas lhe dei um sorriso irônico voltando a encarar o vazio a minha frente – Talvez você realmente não seja como as outras – comentou e antes que pudesse questioná-lo, o elevador havia parado e ele saia pelas portas douradas, deixando-me sem reação.
Segui para o salão onde aconteceria o brunch ainda em estado de dormência, não conseguia achar nas minhas lembranças qualquer explicação para sua sentença, era tão confusa e tão fora de contexto, havia algumas memórias de coisas que ele havia dito, tão desconexas quanto essa última frase, mas na hora do sexo a última coisa que eu iria fazer era prestar atenção nas coisas que Edward falava, sentia que estava caminhando de forma quase automática em direção ao salão, mas a frase dele rondava minha mente.
— Baby – ouvi a voz de Adriana Lima e logo senti seus braços ao meu redor – Você sumiu na festa ontem.
Adriana era um amor de paixão, seu sotaque brasileiro lhe dava um charme que eu sentia vontade de colocá-la em um potinho e guardar em meu coração, além de toda sua fofura, ela era a grande mãezona, junto da Alessandra, e era a primeira a acolher todas as novatas, no dia que ela se aposentasse da Victoria’s Secrets eu choraria em posição fetal todos os dias.
— Eu... precisei sair – minha hesitação foi prontamente percebida por Josephine que ergueu a sobrancelha e saiu me puxando, com algumas Angels e modelos atrás dela, era como uma grande irmandade.
— Conta – cruzou os braços na minha frente depois de me sentar em alguns sofás.
— Eu transei bêbada – murmurei envergonhada e um sorriso malicioso preencheu o rosto da minha amiga e de algumas meninas.
— Preciso de nomes ou nem isso você lembra – brincou e quase dei na cara dela.
— Edward Cullen – fechei os olhos esperando as reações, mas todas ficaram quietas.
— Fala sério Bella, qual o nome dele? – Josephine rolou os olhos e dessa vez eu realmente quase dei na cara dela.
— Eu estou falando sério – enfatizei e todas me encaravam como se houvesse uma segunda cabeça em mim – Ok, o que está acontecendo aqui?
— My baby, você conhece a história da família Cullen? – Adriana se sentou ao meu lado e neguei com a cabeça achando tudo aquilo muito estranho – Quando Carlisle herdou a empresa, ele conheceu uma modelo, Elizabeth Masen durante o auge da carreira dela, não demorou muito para que engravidasse e diferente da reação comum, ela ficou com muita raiva – Adriana suspirou triste e sendo a mãe incrível que ela era, imagino o quão difícil era imaginar uma situação dessa – Ela achava que teria sua carreira arruinada. Carlisle conseguiu convencê-la a levar a gravidez até o final, mas assim que a criança nasceu ela o entregou, esse bebê era o Edward – prendi minha respiração ao ouvir a menção de seu nome em uma história tão triste – Elizabeth seguiu sua carreira sem ao menos se preocupar com o filho que deixara, até que em um acidente de carro veio a falecer, Edward nunca teve contato com a mãe e odeia qualquer um que siga a carreira de sua mãe, ele não aceita nem mesmo aceita falar com alguma modelo – terminou seu relato e minha boca poderia estar no chão nesse momento. Como um ser humano larga um bebê por uma carreira?
— Todas que tentaram se aproximar de Edward foram tratadas como lixo, chegando a ouvir até alguns xingamentos dele – Kendall Jenner contou e eu ainda não havia reagido a todas as informações recebidas – Minha mãe* o conheceu e contou que ele é uma simpatia com todos, desde que não seja uma modelo.
— Ele realmente foi um ogro com as palavras – pensei alto lembrando de todas as suas ridículas frases- Mas não houve xingamentos por parte dele – comentei confusa.
— Ele te machucou? – Sara questionou e havia preocupação em seus olhos.
— Não – exaltei-me um pouco – Ele não foi carinhoso, e nem era algo que eu esperava, mas ele não me machucou – me sentia tonta com todas aquelas informações e tentava encaixar aquelas características no ogro que eu havia conhecido na noite anterior.
— Não sei o que houve entre vocês – Gigi Hadid começou – Mas você conseguiu quebrar a barreira do Cullen – deu um sorriso de canto e dessa vez eu a encarei como se tivesse duas cabeças.
— Nós só transamos – afirmei e em seguida nos chamaram para o brunch quebrando a conversa.
Após o brunch fomos nos preparar para partir e ainda procurei Edward com o olhar, mas não o encontrei, talvez seja melhor assim, foi uma ótima noite de sexo, mas ele era complexo demais para mim, no entanto, eu não conseguia tirar sua história da minha cabeça, sempre vinha a minha mente um menininho de cabelos cobre sem uma mãe, imagino que Esme tenha feito o papel de mãe durante muito tempo, mas não era a mesma coisa, isso eu podia afirmar, meu pai, Charlie, morreu quando eu ainda tinha 3 anos após um ataque de coração e mesmo minha mãe tendo casado com Bob quando eu tinha 5 anos e ele ter sido o melhor padrasto que uma menininha poderia desejar, ele ainda não era Charlie.
Durante o vôo forcei-me a dormir, mas sonhei com um menininho de cabelos cobres gritando por sua mãe, droga, essa história toda do Edward mexeu muito comigo, mas seria algo temporário, como não nos encontraríamos mais, teria a vida inteira para poder esquecer toda essa situação que me afligia em relação a ele.
—x-
— Meu amor – mamãe correu para me abraçar no aeroporto e não pude deixar de sorrir, Bob estava logo atrás dela e eu me sentia em casa só por ter os dois ali – Você estava linda no desfile, queria ter conseguido ir – Renée estava trabalhando na sua nova coleção e não conseguiu viajar para o desfile
— O que importa é que estão aqui – sorri e virei para o homem que me criou como sua filha – Papai – pulei em seus braços sabendo que ele me amava quando o chamava assim.
Bob era alto, muito alto, ele conseguia atingir 1,93m, ele tinha cabelos e olhos castanhos e um nariz pontudo que era motivo de piada entre seus irmãos, toda vez que eu o via a minha vontade era correr para os seus braços e não sair de lá. Bob me criou como se compartilhássemos o mesmo sangue, ele ia em todas as minhas apresentações de escola, levava-me para todos os castings para tentar entrar na carreira de modelo, além de ficar me confortando toda vez que eu precisava chorar, Bob foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida e da Renée.
— Como eu senti falta da minha menina – apertou-me em meus braços e senti meus olhos marejados.
— Sabe que não pode falar essas coisas – murmurei e ele deu sua contagiante risada. – Senti sua falta também papai.
Sai do aeroporto de braços dados com meus pais e alguns paparazzi tiravam fotos desse momento, não me importava com nada naquele momento, nem mesmo se eu parecia mais com uma criança ao invés de uma mulher de 25 anos, só me importava a felicidade de estar com a minha família naquele momento. Após pegar as malas, sai correndo para o carro como uma menininha, não via a hora de chegar na casa dos meus pais para poder encher de beijos meu irmão mais novo. Max. Gostava de chama-lo de “meu presente de 18 anos”, Renée entrou em trabalho de parto no mesmo dia do meu aniversário de 18 anos, mas nosso pequeno Max só deu as caras no mundo na madrugada, permitindo que ele não precise dividir o aniversário com a irmã.
— Bella – Max correu em minha direção gritando quando abri a porta – Que saudades.
— Presentinho – gritei junto e ele riu com o apelido – Meu Deus, você parece tão mais alto – brinquei e ele riu ainda mais.
Max tinha 7 anos e era a criança mais simpática que já pisou na face da Terra, ele tinha cabelos castanho claro e sempre estava com um mini topete deixando-o ainda mais adorável, seus olhos eram claros como os do Bob e suas roupas o faziam parecer uma versão encolhida de um homem, ele sempre estava usando terninhos ou suéter por cima de uma camisa social. Max era o Buzz pro meu Woody*².
— Acho que cresci alguns centímetros – retrucou como o homenzinho que era e o abracei mais – Você não vai acreditar no presente que a mamãe me deu – saiu correndo antes mesmo que eu pudesse pensar.
Minha mãe e Bob moram em uma cobertura no Upper East Side, era um apartamento enorme de dois andares que ganhava de muitas casas, morei com eles até os meus 20 anos, quando decidi abdicar do luxo e ir enfrentar o mundo real sozinha, comecei com um apartamento pequeno no Brooklyn e depois de muito trabalho e três anos depois, eu havia conseguido comprar minha primeira cobertura, ás vezes eu me arrependia de ter gastado tanto dinheiro em um apartamento quando somente eu morava lá, mas com o tempo compreendi que não era apenas pelo luxo ou pelo tamanho que me senti tão feliz quando efetivei a compra, era pela certeza de ter feito tudo certo até aquele ponto da minha vida.
— Você ganhou um cachorro? – não pude conter o sorriso ao ver a bola de pelos vindo em minha direção – Mãe, você nunca me deixou ter um cachorro – acusei-lhe mas com um tom brincalhão em minha voz.
— Bella, você não era a criança mais cuidadosa do mundo – minha mãe me olhou divertida e mordi o lábio.
— Descobrimos isso depois do terceiro peixinho dourado que encontramos morto no aquário – Bob brincou e eu não consegui conter minha risada.
Durante minha vida tentei cuidar de vários animais de estimação, peixe, hamster, até mesmo um coelho e todos acabavam tendo um final não muito bonitos. Aproveitei aquele resto de dia para ficar com minha família, não era sempre que tínhamos tempo de ficar todos juntos, minha mãe gastava muito tempo com suas coleções e Bob era um grande advogado e comandava um grande escritório, obrigando-o a ficar horas e horas resolvendo casos e problemas do escritório, decidi dormir por ali mesmo e combinei com Max de leva-lo ao Central Park no dia seguinte. Ficamos até tarde assistindo alguns clássicos Disney, essa era uma tradição de família desde que Bob entrou em nossas vidas e sempre que nos reuníamos tentávamos mantê-la viva.
— x –
— Acorda Bella – ouvi uma voz ao fundo e senti minha cama balançar, mas meu cansaço era tão grande das longas horas de vôo do dia anterior que optei por ignorar a voz do além.
Não demorou muito para eu sentir o meu lado da cama afundar e uma mãozinha ir até as minhas pálpebras e forçá-las a abrirem, Max me encarava com um sorriso sapeca e já estava todo vestido com suas roupinhas de mini homem, ele estava com uma camisa social xadrez roxa e rosa, um suéter roxo, calça social e seu cabelo, como sempre, estava com um topete. Lembrei-me que prometi leva-lo ao Central Park e mesmo que minha vontade fosse ficar na cama e não sair nunca mais de lá, Max merecia toda minha atenção do mundo, já que não era sempre que podia estar com ele devido as minhas viagens para desfilar.
— Acordou Bella Adormecida — riu do seu próprio trocadilho e pulou da minha cama depois de se certificar que eu estava acordada – O café está servido e eu a espero lá embaixo – informou com sua intelectualidade que fazia-me querer correr atrás dele e enchê-lo de beijos.
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