Inesperado
1 Despedidas e a tão sonhada Londres.
Notas iniciais
Era mais uma manhã de verão no Brasil, pessoas andando pela rua, toda aquela imensidão de água brilhando, a brisa que vinha de fora balançava os meus cabelos..é, tudo isso iria me fazer falta. As roupas e as malas esperavam por mim dentro do armário para uma viagem de três anos para a Inglaterra. Minha mãe queria que eu tivesse o melhor, uma boa educação e achava que um intercambio seria o melhor para conhecer outras culturas, pessoas e lugares. Admito que fiquei feliz com a viagem, mas ficar três anos fora? Sentiria falta de tudo, dos meus pais, minha melhor amiga que era mais como uma irmã, dos amigos de escola, de tudo mesmo. A maior parte do tempo passo fora de casa, saindo com meus amigos, me divertindo, afinal, tenho 18 anos e tenho que saber aproveitar a vida pelo menos um pouco, certo? Minha mãe escolheu até o lugar onde eu irei morar, no prédio da Anne, a melhor amiga dela de infância, apenas lembrando que minha mãe não é brasileira e sim britânica, e quando mais nova fez faculdade na Inglaterra e conheceu meu pai lá, mas voltando para o presente, minha mãe falou que eu gostaria do lugar e que se eu precisasse de ajuda, Anne estaria lá para me dá qualquer tipo de assistência.
– Oioioi – Vitoria falou batendo na porta e entrando logo depois.
– Oi – Falei lhe abraçando.
– Como estão os preparativos pra viagem? Tudo certo? – Ela perguntou.
– Ta tudo certo, só tenho que acabar de arrumar minha mala, quer dizer, começar a arrumar. Quer me ajudar?
– Claro, por isso sou sua melhor amiga, lembre-se de mim quando você achar um cara lindo, príncipe, rico e que combine comigo. – Vi falou rindo e me abraçando. Sim, as coisas seriam difíceis sem ela por perto, disso eu tinha certeza.
Tudo estava pronto, minha mãe nos chamou pra almoçar, a Vi iria dormir aqui em casa hoje, ela fazia questão de ir comigo ao aeroporto. Depois do almoço saímos e foi tudo ótimo e emocionante, todos os nossos amigos estavam lá, me abraçaram, falaram o quanto sentiriam minha falta e eu não aguentei tudo aquilo, caí nas lágrimas, e sim, eu odeio chorar e a Vi fez questão de chamar todos os nossos amigos pra fazerem isso? Tudo bem que ela chorou também e que todos se abraçaram, mas eu odeio despedidas, mas sabia que ficaria sem ver todos eles por muito tempo, então perdoei ela dessa vez. Chegamos em casa já era de noite, eu tinha que descansar, afinal, 6:30 da manhã eu teria que sair de casa.
– Bia? – Vi falou olhando pro teto do quarto ao meu lado. – Você não vai esquecer de mim, certo? Quer dizer, tudo bem que agora você vai enfrentar algo novo na sua vida, algo que vai te fazer bem, você vai conhecer pessoas e tudo vai ser novo e...
– Vi – Falei lhe interrompendo e segurando sua mão. – Pode ficar tranquila, apesar da distancia eu sempre vou está aqui pra você e você pra mim, somos melhores amigas desde a 5 série e isso não vai mudar, okay? Vou te ligar todos os dias se possível, temos skype, facebook, twitter... temos várias maneiras de nos falarmos, tudo vai ficar bem, para de pensar besteira.
– Uhum, tudo vai ficar bem. E eu espero que você me conte absolutamente tudo, vai que você encontra um britânico maravilhoso, vou ter que participar desse relacionamento também, não posso deixar ser qualquer um. – Vi falou rindo.
– Chega por hoje, você ta começando a me deixar ansiosa e...olha isso, já são 2:30 da manhã, a gente tem que dormir. – Falei, mas a Vi nunca me ouvi, resumindo, fomos dormir 4:00 horas.
Acordei com o barulho do despertador, mas não tive vontade de levantar da cama pra ir embora por três anos.
– Meninas? – Minha mãe falou abrindo a porta. – Vamos, acordem! Já são 5:30, ou vocês querem se atrasar?
– Vamos adiar, o que acha? – Perguntei bocejando esperando que ela respondesse, e ela simplesmente puxou o lençol de nós duas e saiu do quarto. Me sentei na cama e ‘cutuquei’ a Vi.
– Ei, eu já ouvi sua mãe, okay? Nada melhor do que acordar comigo aqui, né? – Vi falou falou sonolenta.
– Muito engraçada você, vou tomar banho e te chamo quando sair.
Quando deu 6:20 eu e Vitória já estávamos prontas, Vi me ajudou a descer com as malas e fomos para o aeroporto. Não demorou muito, meu vôo foi chamado, me despedi dos meus pais que não paravam de chorar.
– Filha nos avise quando você chegar lá, vamos morrer de saudades. – Meu pai falou me abraçando mais uma vez, enquanto minha mãe continuava a chorar.
– Parem de drama, vocês que inventaram de me mandar pra lá, lembram? Olha, tudo vai ficar bem, eu amo vocês e quando eu chegar, ligo avisando. – Falei lhes abraçando mais uma vez.
Por último me despedi da Vi. Eu iria sentir falta de cada um deles, queria poder levar todos eles comigo... fui embora e deixei a minha antiga vida para construir uma nova. Foram horas de vôo, nem consegui definir ao total, eu dormia, acordava, comia e dormia de novo até finalmente chegarmos à Londres. Eram 20:00 hrs, esperei para pegar minha mala e quando saí vi a Anne segurando uma plaquinha que dizia “Bianca Clarion Miller/ Brazil”, abracei ela e ela me perguntou como foi a viagem e tudo mais, entramos no carro e ela me mostrou a cidade ao decorrer do caminho. Fomos para o apartamento dela, onde ela passava pouquíssimo tempo, pois morava em Holmes Chapel, mas disse que seu filho sempre estava por lá e que a cidade era próxima de Londres caso eu precisasse de algo. Chegando no apartamento, ela me disse que estavam acabando com a decoração do meu, mas que eu poderia ficar no dela até que tudo estivesse pronto no meu, e eu concordei. Anne foi um amor comigo, preparou o quarto de hospedes, conversou comigo, me mostrou o lugar onde seria minha casa, é, eu estava me sentindo muito bem.
– Como você ta se sentindo? – Anne perguntou me dando uma xícara de chá.
– Por incrível que pareça to ótima, o lugar é lindo e mais frio do que eu pensava... e muito obrigada pelo quarto e tudo mais. – Falei lhe agradecendo.
– Que nada, é um prazer ter você aqui. Ah, e daqui a pouco Gemma chega e Harry ta dormindo, vou arrumar algumas coisas na cozinha, tudo bem?- Anne falou recolhendo as xícaras.
– Anne...- Meu celular tocou interrompendo, era minha mãe. – hm, eu tenho que atender essa ligação, já volto.
– Tudo bem, querida. E se for sua mãe, mande um beijo pra ela. – Fiz que sim e entrei no quarto. Conversamos por uns dez minutos e quando voltei me deparei com uma menina loira sentada com Anne, logo ela nos apresentou e eu gostei de cara da Gemma, o que é difícil acontecer, mas fomos interrompidas por uma voz grave.
– Mãe onde ta aquela blusa azul que...- Entrou um menino na sala apenas de boxe, com o corpo totalmente definido, e com cabelos cacheados totalmente embaraçados.
–Harry! Temos visitas!- Anne falou em tom de reprovação enquanto Gemma ria de toda a situação. Quando Harry se deu conta de que eu era a visita, correu de volta pro quarto. – Bia, mil desculpas pelo Harry, ele tem costume de andar assim pela casa.
– É, ele adora andar por aí como veio ao mundo, Bia. – Gemma falou rindo, levando eu e Anne aos risos.Tudo bem, como aquele menino que eu mal conhecia conseguiu entrar na minha mente sem permissão? Logo depois, ele voltou devidamente vestido e ainda mais lindo do que antes, como isso era possível? Ele se juntou a conversa, e começou a se aproximar de mim. Calma, vamos manter a calma, esta tudo bem.
– Oi, acho que agora posso me apresentar devidamente vestido e com um pouco de vergonha...- Eu interrompi o garoto lindo que tava ali.
– Harry...certo? – Falei olhando para aqueles olhos verdes, pros cachos, como ele podia ser tão lindo?
– Isso, e o seu é Bia, né? Minha mãe falou sobre você faz algum tempo. – Ele respondeu com um sorriso de tirar suspiros, tive que me controlar para não babar ali mesmo. Eu, ele e Gemma ficamos conversando por horas. Quando deu 23:00 hrs, ela falou que tinha que ir. Ela foi se despedir de mim e falou no meu ouvido:
– Eu sei que alguma coisa ta rolando aqui, só pelo jeito como vocês se olham e toma cuidado que esse é mais safado que...
– Gemma, claro que não! Nã-ão tem nada acontecendo aqui, ta tudo bem e você vai pra casa. – Falei as pressas e ela somente riu e me abraçou e nos deixou sozinhos.
– Pois é...- Harry falou olhando pra mim.
– É...bom, vou dormir. Acho que a gente se vê amanhã. – Falei me levantando do sofá.
– É, também vou fazer isso. Se precisar de qualquer coisa to no quarto ta? – Ele falou maliciosamente.
– Ah não se preocupe, vou lembrar disso quando eu precisar, o que eu tenho certeza que não vai acontecer. – Falei e pude notar ele rindo, logo depois entrei no quarto. Será que o que a Gemma disse realmente ta acontecendo? Tudo bem que eu e ele conversamos sobre quase tudo, rimos bastante, mas não quer dizer que esteja rolando um clima, ou está?
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