Inesperado

10 Capítulo 9


Notas iniciais
É o seguinte gente: eu estava com dificuldades de postagens, mas consegui dar um jeito de fazer dois blocos de postagens, com umas cinco fics em cada uma. A cada semana, eu posto um bloco, fazendo assim com que cada fic tenha uma atualização a cada duas semanas. Espero que dê certo e espero que comentem, senão eu desanimo. Bem, está aí mais um capítulo!

Capítulo 9

Passos pesados iam se aproximando do acampamento improvisado deles. Passos pesados, respiração irregular e vozes grossas e irritantes. Mas não havia ninguém para se ver. E mesmo se houvesse, ninguém veria. Todos dormiam tranquilamente.

– Parece que trouxeram um porco. — disse um das pessoas, referindo-se a Eustáquio, que não parava de roncar.

– Essa aqui é fêmea. — disse uma voz próxima a Lúcia.

– Essa aqui também. — disse outra perto de Gael.

– Essa também. — disse uma próxima a Selena. — Mas seria difícil sem acordar esse macho. — continuou, referindo-se a Edmundo que estava ao lado dela.

– Essa aqui sabe ler. — disse a voz perto de Lúcia, mexendo em seu livro.

– Vamos levar ela. — disse uma voz.

Lúcia foi levantada no ar. Tinha a boca aberta, mas som algum saía dali. Parecia que alguém segurava sua boca, enquanto as pegadas a arrastavam para dentro da floresta. Ela se sentia suficada, e não sentia os pés no chão. Tentou arrancar o que quer que fosse que tampava sua boca, mas tinha dificuldade por não saber o que era e por ser forte. Ela então chegou em um jardim e finalmente a soltaram. Se levantou rapidamente do chão, assustada com as risadas no ar, e tirou o punhal. Mas o que quer que fosse que a acompanhava, arrancou o punhal de sua mão e, quando ela fora atrás, empurraram-na para longe.

– Não tem saída. — disse uma voz.

– É. — concordou outra.

– Assustador.

– O que são vocês? — perguntou Lúcia.

– Somos feras horríveis, horripilantes. — disse uma das vozes.

– Se pudesse nos ver, ficaria mesmo apavorada. — comentou outra.

– É, se esqueceu de dizer que também somos muito grandes.

– E o que é que vocês querem? — Lúcia perguntou diretamente.

– Você vai fazer o que nós mandarmos.

– É, vai sim.

– Tá na cara.

– Disse muito bem.

Lúcia se levantou. — Se não?

– Senão... morre.

– Morre.

– Morre.

– Morre.

– Mas eu não serviria morta pra vocês, serviria?

– Eu não tinha pensado nisso.

– Bem pensado. Resolvido, nós vamos matar os seus amigos.

Lúcia permaneceu calada, tentando encontrar outra solução.

– O que vocês querem de mim? — ela perguntou por fim.

– Você vai entrar na casa — ela foi empurrada — do Opressor.

– Que casa?

– Essa aqui.

Uma porta foi aberta, no meio do jardim, no ar. E Lúcia ficou surpresa ao ver como o interior era extenso.

– Lá em cima — continuou a voz — vai achar uma livro de feitiços. Recite o feitiço que faz você ver o oculto.

Enquanto as vozes o elogiavam, Lúcia andou de um lado para o outro, procurando pelo resto da casa, mas só havia a continuação do jardim.

– Rápido que não temos o dia todo.

– Lembrem-se do que vai acontecer aos seus amigos.

As outras vozes confirmaram.

– Por quê não fazem vocês sozinhos? — Lúcia perguntou, desconfiada.

– Não sabemos ler.

– Para falar a verdade, nem escrever.

– Nem somar.

– Por quê não disseram logo? — Lúcia perguntou, quase irritada.

– Cuidado com o Opressor.

– Ele é muito opressivo.

– Que torna o oculto visível, não se esqueça.

Lúcia entrou por fim, e a porta se fechou.

~*~

Selena acordou de repente, sentindo alguma coisa em seus pés. Quando se levantou, porém, percebeu que era apenas a maré alta batendo em seus tornozelos. Mas então ela olhou em volta, sentindo que alguma coisa estava errada. Quando se virou para o lado contrário onde Edmundo dormia, ela reparou uma grande e única pegada descalça, se um par por perto. E então ela percebeu que a ilha não era assim tão desabitada.

– Edmundo. — ela o balançou, procurando acordá-lo. — Edmundo!

Ele se levantou de repente, assustado com o tom de voz dela.

– O que foi? — ele perguntou, preocupado com a expressão assustada que ela tinha.

– Alguém esteve aqui. — ela disse simplesmente, antes de se levantar e gastar apenas um segundo analisando as pegadas solitárias antes de correr até Caspian e acordá-lo. — Caspian, acorda!

– Lena? — perguntou, sonolento.

– Alguém esteve aqui durante a noite. — ela repetiu e essa frase teve efeito suficiente para despertá-lo e se levantar.

– Cadê a Lúcia? — Edmundo perguntou, se aproximando dos dois que observavam as enormes pegadas. — Lúcia!

– Todo mundo de pé! — Caspian gritou, sacudindo os mais próximos enquanto Edmundo corria para onde a irmã teria dormido.

– Levanta, já podem acordar! — disse Drinian, chamando outros.

Pegaram as espadas rapidamente e correram pela floresta, seguindo as pegadas. Eustáquio, porém, continuou dormindo, ressoando como um porco.

~*~

Lúcia entrou pelo largo corredor da casa, sentindo-me mínima e intimidada. Era realmente uma casa enorme e ela se perguntava como acharia a saída novamente. Aproximou-se de uma porta dupla no fim do corredor e viu um livro fechado sobre um tripé no centro. Parecia ser a biblioteca, deduzindo pelos livros que havia numa estante ao fundo do cômodo. Era ali que deveria ir. Se aproximou e tentou abrir o livro, mas este estava lacrado. Era grosso e antigo, com as letras na capa espalhadas e um detalhe elevado pelas laterais. No tripé, logo acima do livro, ela viu um pequeno anjo soprando. Imaginou se aquilo realmente daria certo e soprou, observando as letras se reorganizando e formando palavras, enquanto das laterais saiam linhas delicadas em um vermelho vinho como o das letras.

"O Livro de Feitiços."

Ela então tentou, e conseguiu abrir o livro. Viu alguns feitiços como Feitiço Para Dores de Dente e o Feitiço Para Esquecimento. Até que um chamou sua atenção. Duas páginas negras, com as palavras em branco.

Fale as palavras,

Como se deve,

E ao redor,

Você verá neve.

Na página ao lado, totalmente negra, pequenos pontinhos brancos surgiram do alto. Lúcia levantou seu olhar e constatou que realmente nevava dentro daquela sala. Flocos brancos e delicados caíam delicadamente pelo chão. Lúcia ficou boquiaberta, admirando o lugar em volta. Ela virou-se novamente para o livro e soprou o acúmulo de flocos brancos sobre as páginas. As folhas passaram rapidamente e, assustada, ela bateu no livro para que parasse. O que ela não percebeu, porém, enquanto virava e se deparava com a sala limpa de neve, foi uma névoa fina saindo do livro e sumindo aos poucos no chão. Virou-se novamente para o livro e, num impulso, ela leu as palavras ali.

– "Um feitiço infalível

Para virar ela

Que você sempre julgou

Ser mais bela."

Lúcia observou a figura ao lado se transformar em um espelho se si mesma e, quando sorriu, julgando-se não tão feia assim, a imagem foi se transformando e, aos poucos, Susana apareceu ali.

– Susana, que história é essa? — ela perguntou, pensando ser alguma brincadeira.

Mas a imagem de Susana também falara e Lúcia percebeu que era o espelho, pensando ter realmente se transformado em sua irmã. Tocou a própria e, quando a imagem de Susana repetira o gesto, ela sorriu.

– Estou linda.

Mas então ela olhou em volta e correu até um espelho da sala, percebendo que o feitiço a transformara em Susana apenas pelo livro. Quando voltou para perto do livro, a imagem foi se desfazendo, mas não era isso que ela queria. Quando percebeu que havia o mesmo feitiço em ambas as páginas, ela arrancou a página da mulher loira e as folhas se agitaram, sainda dali um rugido estrondoso.

– Lúcia! Lúcia...

Era uma voz que ela conhecia bem. Mas parecia triste e decepcionada.

– Aslam? Aslam?

As folhas de acalmaram e Lúcia estava envergonhada, mas ainda assim ela colocou a folha arrancada sobre a camisa. Achou o feitiço pedido pelos homens invisíveis e começou a recitá-lo.

– "Como o 'p' em óptica

O 'h' em histórica

Tinta invisível

e verdade teológica"

~*~

Enquanto isso, do lado de fora da mansão, o grupo chegara no jardim.

– O que é aquilo? — perguntou Selena, vendo um punhal no chão.

– Caspian, o punhal da Lúcia.

Caspian se aproximou, mas lanças surgiram ao redor de todos.

– Fiquem parados aí, ou vão morrer. — disse uma voz invisível.

Puxaram a espada de Caspian e os marinheiros levavam socos. Selena tentou não se deixar abalar quando foi desarmada e puxou seu punhal, recuperado nas Ilhas Solitárias, e tentou arranhar quem quer que seja, mas sem muito sucesso. Quando ela levou um soco no rosto que a fez cair, Edmundo ficou raivoso e tentou correr até ela para ajudá-la, mas foi lançado para longe por outro homem invisível.

~*~

Nesse momento, Lúcia já terminava de recitar o feitiço.

– "O feitiço se completa

Agora tudo está visível"

Lúcia olhou em volta e, aos poucos, perto de uma das estantes no fim do cômodo, uma escada de rolar foi aparecendo. Dali desceu alguém que jogou um livro no chão. Depois pegou outro e o folheou, enquanto suas formas aos poucos iam surgindo. Uma roupa amarronzada cumprida e barba por fazer. Quando virou-se para Lúcia, ficou surpreso, mas parecia já esperar por sua visita. E Lúcia estava apavorada por ter sido pega pelo que seus sequestradores chamavam de Opressor.