Inesperadamente
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu não acreditei quando recebi aquela ligação, ou ate mesmo pensei que fosse algum trote idiota de algum palhaço da faculdade da minha irmã mais não era, realmente era o meu pai que lembrou da minha existência quando ele mais precisa, e por que ele precisa ? pelo simples fato da mulher dele ter sofrido um acidente de trânsito quando ia trabalhar ela não suportou a batida e acabou partindo, deixando ele e três filhos pequenos, um menino de 9 anos uma menina de 4 e um bebê de 1 ano e 3 meses. Charlie, o então pai que apareceu de uma hora para outra me ligou e..
– eu sei que você deve estar magoada comigo, Anne, mais eu preciso muito de você, preciso que esteja aqui comigo –
– você não precisou de mim no ano passado, nem no ano retrasado, nem nos 17 anos que foi embora, você soube passar por muita coisa sem a minha presença, por que não vai conseguir passar por mais essa agora ? —
– por que dessa vez e diferente, você já e uma mulher de 22 anos e eu preciso muito da sua ajuda, preciso.... preciso que todos só meus filhos estejam juntos ao meu lado –
– eu não sei se... Se ainda sou a sua filha –
– por favor, só por alguns meses, ate que a minha vida.. – parou um pouco antes de responder- tome novamente seu rumo, não sei se vou conseguir passar por isso só –
– vou pedir demissão – disse depois de pensar alguns minutos
– estamos te esperando – desligou. Uma ligação e tudo que eu havia planejado pro meu futuro teve que esperar pra outra hora, quem eu sou? sou Annelize Mary, meu sobrenome por enquanto não interessa, pois e grassas a ele e ao meu maldito sangue que vou pra Los Angeles trocar o meu trabalho de veterinária pelo de babá de três crianças, com certeza se fosse alguma outra no meu lugar mandaria ele pro inferno, pra mãe puta que o pariu, mais eu? Eu não, mesmo ele não me ligando no natal, no meu aniversário ou em outras datas e ocasiões importantes da minha vida como a minha formatura na faculdade, continuei amando ele, afinal meu paidrasto, sim PAIDRASTO pai+ drasto= paidrasto, o cara que me deu amor, me tratou como sua filha desde que eu tinha 4 anos quando a minha mãe casou com ele, e logo em seguida veio a minha irmã Emily que está na faculdade de direito (terei uma advogada, só assim não preciso pagar pra ela quando arrumar encrenca), tive que pedir demissão da clinica veterinária que eu trabalhava e arrumar as malas, e em uma semana tive que re-planejar toda minha vida, meus planos meus objetivos, tudo teria que esperar ate que a vida de Charlie tomasse algum rumo, (isso é, se algum dia tomar algum rumo), Emily teria que morar novamente na casa dos nossos pais já que ela não ia gostar de ficar naquele apartamento sozinha, e nem eu concordei dela chamar as amigas dela pra morar lá, sabe-se lá quem realmente são as pessoas, mais eu liberei pra que ela fizesse um festa de vez em quando contanto que me avisasse antes, cheguei no aeroporto internacional de Los Angeles quase as 11 da manhã e assim que pisei no local do desembarque Charlie estava lá, seus cabelos um pouco grisalhos seus olhos azuis cobertos de tristeza, sorriu fraco ao meu ver e acenou no mesmo instante, mais ele estava profundamente abatido
– você tem certeza que você é Anne? a Annelize Mary ? – perguntou surpreso (grande surpresa mandei uma foto recente antes de ontem pra que me reconhecesse e ele mandou uma dele ¬¬ )
– sim – sorri fraco
– você está tão linda, madura, e... tão... adulta — pegou o carrinho enquanto eu segurava minha bolsa e o acompanhava ate o carro –
– crianças crescem –
– e como crescem... crescem tanto a ponto de exercer uma carreira parecida com a dos pais-
– você é veterinário? – perguntei surpresa
– bom, eu cuido apenas da raça humana, mais e parecido -
– sim –
– desculpe Ann, nós pretendíamos ir a sua formatura mais... Sophie nasceu no mesmo dia do embarque e tivemos que ....-
– eu entendo – sorri fraco ( “entendo” o que custava dar pelo menos uma ligação?) – por que paramos aqui ? – perguntei quando ele estacionou de frente pra uma clinica veterinária um pouco parecida com a que eu trabalhava só que um pouco maior
– me acompanhe — pediu, sai atrás de Charlie que acenou pra mulher da recepção que sorriu pra ele, o acompanhei ate uma sala no fim do corredor, e deu três batidas
– pode entrar – disse uma voz masculina dentro da sala , e eu fui atrás dele
– Jon, essa e a Annelize, minha filha mais velha — apontou pra mim enquanto o tal de Jon estendia o braço pra me cumprimentar
– olá Annelize, sou Jon –
– só Anne – apertei sua mão
–prazer, só Anne – sorriu
– então Anne, que tal irmos olhar um pouco o estabelecimento? –sugeriu Charlie
– eu acho uma ótima idéia – disse Jon sorrindo em minha direção, então os acompanhei por toda a clinica, que também era um pet shop , vi alguns cachorrinhos na reabilitação e outros tomando banho, enquanto alguns gatos relaxavam na massagem (nem eu) adorava ver a carinha de prazer deles *--*
– então, o que achou ? –
– do que ? –
– hora do que, do seu estabelecimento de trabalho — disse Charlie
– eu vou... trabalhar... aqui ?? –
– sua sala fica bem de frente a minha – disse Jon sorrindo
– lógico Anne, essa clínica, era.. era da Diana, ela planejou montou e decorou cada canto e lugar — segurava o choro — íamos lhe presentear quando viesse nos visitar, mais isso acabou acontecendo um pouco antes, acho melhor irmos as crianças devem estar nos esperando, foi um prazer Jon – o cumprimentou e saiu na frente
– prazer Charlie – sorriu a apertou sua mão — prazer em conhece — lá, chefinha – sorriu pra mim
– o prazer foi meu.. Jon – sorri pra ele e segui Charlie novamente ate o carro, Charlie disse que eu só poderia vir trabalhar 2 vezes na semana, mais a noite, pois passaria o dia brincando e ajudando com as crianças que ELE colocou no mundo, chegamos em um condomínio de classe media regular (pra quem tem dinheiro pra ter uma clínica veterinária ) pegamos o elevador pelo estacionamento do prédio e fomos pro 6 andar , ele morava na 483ª porta e assim que foi aberta uma alinda menininha de cabelos negros e um belo par de olhos azuis correu em nossa direção
–PAPAI!! — disse ela vindo com os bracinhos abertos — senti saudade – o olhou nos olhos
– se comportou com a tia Vera enquanto papai esteve fora meu amor ? –
– sim – disse ela olhando agora pra mim enquanto um menino um pouco alto demais pra ter 9 anos apareceu na sala ( qual é? Será que eu sou a única ovelha negra da família? Não tenho olhos azuis e não sou alta >.< será que foi por isso que ele me abandonou ?)
– quem é papai ? – perguntou a menina
– essa Bel, e a Anne – apontou pra mim e eu acenei com um sorriso tímido — e.. Anne, esses são Isabel e Bryan —
–oie Anne você vai ser a nossa babá nova e ? – perguntou Isabel de frente pra mim
– não Bel, ela e sua irmã mais velha lembrada nossa conversa de ontem? –
–aaaaa seja bem vinda aqui – sorriu meigo
– obrigada —
–Bryan me ajuda com as malas ? – pediu Charlie e o menino que ate agora apenas me estudava pegou a mala média e a levou pra o corredor seguindo Charlie que levava o restante
– moça de onde você veio ? você tem quantos anos ? gosta de brincar? – fez uma carinha estranha
– bom, eu vim do Brasil, vermelho, 22 anos, sim e você? –
– também mamãe vai ficar feliz quando souber que você veio —
– sua mamãe.. sabia que eu viria ? –
– não sei, acho que sim, ela sabe de tudo –
– Jura ? -
– juradinho mais ela tem que chegar pra poder saber né ?
– chegar? Ela.. saiu pra algum lugar ? –
– ela foi trabalhar e nunca mais voltou – me lançou um olhar vazio
– então você e a tal da Anne que veio pra nos ajudar – chamou a nossa atenção uma ruiva entrando na sala –
– sim –
– adorei a sua roupa :
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– gostei do... seu cabelo — foi a única coisa que consegui pensar
–como foi a viagem querida ? —
– tranqüila –
– já conheceu a nossa Belinha, e pelo visto o Bryan também, só falta o motivo pra sua estadia aqui – sorriu — venha – me puxou e Isabel vinha nos seguindo logo atrás, entramos no primeiro quarto com uma porta branca e uma plaquinha escrito “ Sophie” de rosa entramos e um berço branco estava no lado esquerdo do quarto várias bonecas e brinquedos infantis espalhados por todo o quarto e umas nuvens e alguns anjos enfeitavam as paredes, a tal da Vera pediu para que eu me aproximasse e quando vi, um bebe simplesmente lindo sorria olhando pros brinquedinhos que estavam pendurados em cima do berço e deu uma gargalhada ao me ver
– tia levanta eu pra eu ver a Sofi – pediu Isabel
– você e muito pesada e já esta grandinha pra eu ficar colocando você no colo, depois você ver a Sofi -
– ta boum tia – fitou triste o chão
– e o que eu falei sobre esse negocio de “tia” ?
– ta bom Vera – (MÃE ?? o.0 )
– e vamos logo vou colocar o almoço – saiu na frente enquanto eu continuava olhando pra aquele lindo bebe, também de olhos azuis e cabelos escuros e que faltava alguns dentes, todos, os dentes –
– vamos — a acompanhei e Isabel pegou na minha mão ate a sala de jantar onde Charlie e Bryan nos esperavam já há mesa. Terminamos o almoço e fiquei sabendo de algo que me chocou, “Vera” não era nem amiga, nem irmã, nem prima, nem a vizinha que adora ajudar, e sim, a namorada dele como alguém que acabou de perder o tal “amor de sua vida” tem a capacidade e esquece — lá assim tão rápido? Puta, a mulher mau morreu e ele já ta com outra? ¬¬ que tipo de cara e esse ?, Isabel e Bryan não pareciam nada a vontade ao ver Vera acariciando e beijando o pai deles, assim que terminamos o almoço Vera me ensinou a trocar fraudas pra poder cuidar do bebe antes que ela fosse embora, Charlie se trancou no escritório e eu fiquei conversando com os dois na sala, ate que Sofi acordasse e me fizesse ficar com ela dia todo, os coloquei na cama e fui pro quarto. Acordei no dia seguinte com uma enorme luz no meu rosto, a maldita janela ficava bem de frente pra cama, levantei e fui puxar a cortina pra tapar um pouco aquela luz miserável daquela maldita estrela chamada sol, e ao me aproximar da janela olhei pra sacada de baixo, era uma varanda, uma enorme varanda com quatro espreguiçadeiras pelo local e alguns cachorros corriam loucamente e.. um cara dormia em uma das espreguiçadeiras, com algum livro sobre o rosto enquanto seu belo abdômen que estava nu pegava uma corzinha e sua calça que me pareceu um pouco grande estava com o botão/zíper abertos, nossa que saúde desse abençoado, e que abençoado você é!
– já de pé?- me assustou Vera
– já.. e.. perdi o sono —
– acho que ele vai ser mais um peso pra você – escutamos Sofi chorar — ao trabalho
– como vou saber o que ela tem ? –
– não sei, e bom você olhar ou ela vai acordar a todos
– eu já vou – voltei pra janela e o cara já havia saindo, estava apenas o livro na espreguiçadeira puxei as cortinas e fui ate o quarto de Sofi ver o que tava acontecendo
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