Inerzia

7 Nemico Del Tempo


Notas iniciais
Oi! Então, eu disse lá no grupo do Facebook que ia postar sexta, mas aconteceram uns problemas e não tive cabeça pra isso, peço que por favor me entendam! Se quiserem entender um pouco mais o que eu sinto, vou deixar o link de uma poesia que acabei de escrever nas notas finais. Na capa, mais um aesthetic que entrega muito sobre a história! Desejo uma boa leitura!

Descerrar os olhos é um trabalho árduo para Pâmela. Pisca-os várias vezes seguidas. Olha para os lados, vendo-se em uma sala branca e um rosto conhecido cobre sua visão.

— Daniel, o que faz aqui? — Interpela, tentando se levantar, contudo, é repreendida pelo mesmo.

Shhh... — eleva o dedo indicador em direção aos lábios. — Você precisa relaxar... — acaricia seus cabelos.

Sua primeira recordação é Thiago. Lembra de tê-lo beijado na festa de Carol, porém, passara mal em seguida.

— Onde está Thiago? — Ousa questionar.

O loiro a observa com ira. Cerra seu punho e respira fundo.

— Desde quando vocês são amiguinhos?

— Você não respondeu minha pergunta! — Ergue uma sobrancelha.

— Na sala de espera, junto de seus pais.

— E o que você faz aqui?

— Sou seu namorado, esqueceu?

Antes que pudesse retrucar, um médico adentra à sala e se felicita ao vê-la acordada.

— Pâmela! Como se sente? Faz tempo que acordou?

— Não tanto tempo, nem tão bem! — Fala, sentindo uma leve dor de cabeça e repulsa pela presença do "namorado". — O que eu tenho, afinal?

O doutor fecha o sorriso, fitando-a sério.

— Vou chamar sua família! É importante que todos saibam seu quadro.

Seu coração dispara. Pressente que algo ruim está por vir a deduzir pela feição do homem. Daniel atreve-se a segurar sua mão e dizer que tudo vai ficar bem. Opta em não o responder. Seu nervosismo a domina e a falta de ar parece voltar.

— Filha! Que bom que você acordou! Ficamos tão preocupados! — Maria entra na sala, abraçando-a, enquanto Fábio beija sua testa várias vezes.

Ela veste seu uniforme branco de recepcionista, molhado por lágrimas e ele seu terno de segurança um pouco amarrotado. Ambos trabalham para o hospital no qual a jovem se encontra.

— Vou direto ao ponto. — O médico avisa, sentando-se em uma cadeira ao lado da garota. — Você está sofrendo de estenose valvular grave. Basicamente, a abertura da válvula do seu coração é estreita, ou seja, seu coração precisa se esforçar ao máximo para bombear o sangue, o que acabou danificando o órgão. — Ao ouvir aquelas palavras, a mãe fica aos prantos, sendo amparada pelo pai, enquanto a ruiva aperta a mão de Daniel, analisando a todos, desesperada.

— Tem cura? — É a única coisa que consegue perguntar.

— Você vai precisar de um transplante. Se tiver convênio, será mais rápido consegui-lo. E quanto mais rápido fizer a cirurgia, mais chances de continuar viva, você tem. — Responde franco.

— Nós não temos convênio, dependemos do SUS. O que fazemos? — O pai pergunta aflito.

— Sinto muito, porém, a fila do SUS demora em média dois anos. Não sei se Pâmela tem todo esse tempo de vida...

Escutando aquilo, Maria chora ainda mais. Nem a própria garota aguenta e também desaba.

— Além do mais, tem o tempo de espera para achar um doador compatível, o que pode demorar também. — O doutor os vê assolados. — Melhor deixá-los a sós um pouco. — Retira-se do quarto.

Passando pela recepção, Thiago o cerca para saber sobre o quadro da moça. Ao ouvir a notícia, sente como se um soco tivesse atingido em cheio seu estômago.

Caminha rapidamente pelos corredores e entra no quarto onde Pâmela está, sem permissão.

— Ei cara, o que você está fazendo aqui? — Daniel o encara, sério, de braços cruzados.

O homem apenas o ignora e abraça a jovem, que chora em seu ombro.

O namorado continua tentando afastá-lo, entretanto, ambos só se soltam depois de um tempo.

— Sei que não é o melhor momento, mas... — Daniel se manifesta, tirando uma pequena caixa vermelha aveludada do bolso da calça. — Tenho planejado isso há um tempo e acho que chegou a hora. — Ajoelha-se, pegando na mão direita dela. — Pam, aceita casar comigo?

Nem pôde responder. A família comemora em meio ao choro. Thiago os olha enraivecido.

— Por favor, me deem um tempo sozinha com o Thiago. — Pede com a voz baixa. Recebe olhares confusos dos pais, enquanto Daniel a fulmina. O mesmo os acompanha até a sala de espera.

— Vem cá, você pode me explicar que porra é essa? — O homem é direto.

— Ele está os manipulando. Não tenho nada a ver com isso!

— Você disse que estava solteira e ele voltou da viagem correndo quando soube do ocorrido.

— Nós não estamos mais juntos! — Defende-se.

— Ah não? E essa aliança aí? — Aponta para a caixinha que estava no criado-mudo ao lado da cama.

— E-Eu não sei... — chora ainda mais. — O que aconteceu entre nós foi...

— Um erro! — Ele completa. — Sou vinte e poucos anos mais velho que você. Estava carente, aquilo acabou acontecendo. Você é só uma pirralha que mal saiu das fraldas!

Pâmela sente uma pontada no coração. Não pela sua doença, mas por saber que ele pensava isso dela.

— Quer saber!? Seja feliz com o playboy perfeitinho! Só não venha chorar para a polícia quando estiver sofrendo violência doméstica morando sob o mesmo teto. Porque aí vou ter orgulho em dizer "eu te avisei!" e rir da sua cara.... — Passa as mãos pelos cabelos com força. — Disse aos seus pais que nos encontramos na festa de Carolina e ficamos amigos. Relaxa, ninguém vai saber que você beijou um homem que tem idade para ser seu pai! — Ri em deboche, enquanto ela continua chorando em silêncio. — Até nunca mais, vizinha! — Sai do quarto batendo a porta atrás de si.

Maria entra no quarto com o rosto vermelho.

— Filha... O que você falou para o Thiago? Ele saiu muito bravo daqui, sem falar com ninguém!

— Ele se ofereceu para pagar um convênio e eu não aceitei. — Mente, enquanto seca as lágrimas.

— Thiago é um bom homem. Até demais! — A mulher sorri. — Mas por que não aceitou? O que vamos fazer?

— Vou continuar trabalhando e vou tentar eu mesma pagar um convênio. Não quero ninguém mais sofrendo junto comigo. Essa dor é minha e só minha! — Complementa.

— Meu amor, não é necessário pensar assim. Você tem a mim! Ao seu pai! Ao Daniel que te ama muito e...

— Mãe, não sei se ainda gosto do Daniel! — Comenta sincera.

— Você está louca?! Ele é um príncipe encantado! É uma garota de sorte por tê-lo em sua vida... Deveria ser mais grata! — Pensa em contar à mãe sobre o que o namorado fizera, todavia, nenhuma palavra sai de sua boca. — Além do mais, ele te ama. Olha que linda surpresa te deu! — Pega a caixa com a aliança na mão. — Nós também te amamos, meu amor! – Deposita um beijo no topo de sua cabeça e se retira, deixando-a com o objeto nas mãos.

Não muito tempo depois, o loiro entra no quarto.

— Oi... — caminha para mais perto. — Gostou do presente? — Sorri forçadamente, sem obter respostas. — Vamos esquecer o passado, ok? Eu te amo, você me ama. Por que não podemos ser felizes juntos?

— Porque vou morrer. — Fala quase num sussurro.

— Não, você não vai! Se for uma boa menina, aceitar meu pedido, omitir o decorrido, vou pagar seu convênio e todo o tratamento que for possível. Mas você tem que jurar que vai se manter longe do tal Thiago!

— Ele é meu vizinho. Como vou me manter longe? — Retorque sarcástica.

— Você entendeu o que eu disse... — dá uma piscadela. — Minha única exigência é essa: Seja minha e vou te salvar. Muito simples, não acha? — A encara com um sorriso maléfico.

— Será que pode me fazer um favor? — Ele assente. — Vai tomar no cu!

Daniel coloca a mão no peito, como se estivesse sentido. Em seguida, ri.

— Se continuar agindo desse jeito, vai morrer mesmo! — Beija sua testa e sai de lá, deixando-a furiosa, tremendo.

Novamente encara a aliança em suas mãos, pondera sobre seu futuro.

"Ó Deus, me ajude! Talvez essa seja a única saída!"— Coloca-a no dedo anelar da mão direita e se ajeita na cama, a fim de descansar um pouco.

Notas finais
Caso reste alguma dúvida: SUS= Sistema Único de Saúde, ou seja, sistema público de saúde aqui no Brasil (que é um lixo, dIga-se de passagem) O que acham do capítulo? Mereço umas porradas? Quem odeia o Daniel? Quem tá com raiva do Thiago? Quem tá com raiva da Pâmela? Comenta aí! Link da poesia: https://spiritfanfics.com/historia/angustia-10425216 Link do grupo no Facebook sobre minhas histórias: https://facebook.com/groups/ficsdapaah