Inegavelmente Complementares
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Nada jamais seria como antes em suas vidas, eles sabiam disso, mas nenhum dos dois se importava. O momento mais escuro sempre é aquele que antecede o amanhecer e para os dois a manhã havia finalmente nascido.
Ele jamais teria sonhado com aquele momento, ela jamais imaginara que tal sonho se realizaria – contudo agora tinha se realizado. A diferença no modo como viam a vida era demasiadamente grande e isso não era pretexto para que ambos se distanciassem.
As batalhas que enfrentaram juntos é que os tinha unido uma vez – e todas as outras vezes também; e a guerra pela qual passaram juntos apenas serviu para mostra-lhes o que já não podiam negar. Eles se amavam e sempre se amariam.
E não importava se eles eram completamente divergentes, pois os dois eram também inegavelmente complementares. Ela toda agitação e ele toda a serenidade – algumas vezes o contrário.
Mas as batalhas tinham sido todas vencidas, a guerra tinha acabado levando pessoas queridas – e a tão esperada paz que eles buscaram juntos os fez se afastarem e ele havia ficado só.
Disseram-lhe que talvez tudo tivesse sido apenas uma brincadeira, uma piada do destino e eles nunca fossem conseguir ficar juntos, mas ele recusava-se a aceitar. O amor que sentia por ela e que sabia que ela correspondia jamais seria uma brincadeira ele faria com que não fosse.
Não se importava se ela era cruel ele sempre a acalmaria – do mesmo modo que ela não se importava com a preguiça dele, pois sabia que sempre o motivaria a ir em frente. Ele amava aquela mulher, e lembrava-se perfeitamente de todos os detalhes dela – tão pequenos que fossem. De como seu cabelo balançava com o vento de como ela gostava de admirar as estrelas e de como ela sorria para ele.
O apartamento agora tão triste, cinza e vazio como ele estava silencioso e apenas a respiração dele podia ser ouvida. Duas batidas na porta interromperam sua agonia.
E o coração dele bateu acelerado com a pessoa que viu. Ela estava ainda mais bonita que qualquer outra vez em que se viram. Os olhos dela brilhavam – seriam lágrimas? – os dele também. Ela mostrou-lhe aquele sorriso e ele sentiu retribui. Ela o abraçou sendo prontamente correspondida. Beijaram – se com urgência sentindo a pele aquecer.
Palavras não precisavam ser ditas naquele momento. Eles sabiam o que cada um representava para o outro, sabiam o que sentiam um pelo o outro e sabiam o que queriam, portanto pensar não se fazia necessário e sim apenas agir.
Ele achou que a havia perdido. Mas ela voltara para junto dele. Ela jurara ficar com ele e ficara.
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