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1 Granjiuty: Capítulo 1- A defesa da Cidadela


Granjiuty se assentava, observando o cardápio sobreposto na mesa da frente, esperando ser atendido por alguém. Pode apenas escutar as sirenes do aeroporto , o local estava sendo evacuado. ”De novo não”, pensou ele.

Saiu as pressas do bar, tentando focar os olhos de pato no grande navio que pousava sobre o heliporto, aqueles só podiam ser os Piratas.

Mal teve tempo de reportar a Proclamação , quando cerca de dez sentinelas saíram atirando do grande veículo. Granjiuty odiava situações como aquela, onde inúmeras vidas estariam em jogo, pensou que ia ser apenas mais uma missão de procura comum.

Sem hesitar , retirou o cajado para bater de frente contra os agressores. Mal sabia como proteger todas as criaturas do lugar, fez o óbvio. Balançou o cajado por entre uma mão e o pegou com as duas, deixando o mesmo na horizontal, enquanto gritava

—Dusmas Agonistu!

As rajadas de tiros estonteantes que antes eram expelidas simultaneamente pelas armas dos dez sentinelas foram todas impedidas por uma espécie de escudo invisível gigante, que acabou, felizmente, salvando a maioria das vidas antes em jogo, isso porque todos os disparos parados no ar voltaram para os inimigos, causando uma explosão certamente considerável.

A morte dos assaltantes deu a Granjiuty um intervalo que se tornou importante , mesmo que apenas alguns segundos, por permitir a ele reportar a Milícia da Proclamação Dos Magos, que logo estaria chegando ao planeta em que agora se encontrava.

Era a terceira vez que aquilo acontecia , estava em uma missão de busca , procurando por um indivíduo chamado Hurtle Benimokion, um mercenário muito famoso que queria falsificar seus registros, quando os piratas interferiram, de algum jeito , os acontecimentos tinham algum tipo de ligação.

Agora vinha a pior parte, a real invasão. Já estava um caos no aeroporto quando os capangas saíram pra fora da fortaleza-navio. Isso porque aqueles sentinelas eram apenas o começo do ataque , do qual Granjiuty não iria conseguir lidar sozinho, por isso , sem dúvida nenhuma , precisava do apoio dos magos que reclamara. Assim , tentaria enrolar a batalha o máximo que conseguisse, usando o mesmo feitiço de antes, o escudo, que prenderia os atacantes por uma quantidade pequena de tempo.

Não iria conseguir contê-los por nenhum segundo a mais, e não entendia por que aquelas pessoas não fugiam do perímetro, já que a possível resposta para essa questão traria problemas muito maiores tanto para Granjiuty , quanto para a Proclamação. O aeroporto de Glarban era cercado por cadeias de montanhas do lado direito e esquerdo , e , se mais uma daquelas “naves-navio” tivesse chegado pelo lado norte , todos os magos que chegariam à baía estariam encurralados, já que o que Granjiuty estava contendo no momento, se localizava na parte Sul do distrito. Era visível que os saqueadores queriam cercar todos para criar um flanco de ataque e invasão, que, se coordenado da maneira correta, poderia ser devastador.

Assim que o feiticeiro escutara os motores das naves chegando pelo céu , rompeu os escudos que protegiam as pessoas das centenas de capangas dentro das cúpulas, mas mesmo com as forças militares da Proclamação continuando a batalha já em solo , seria uma devastação incontrolável , já que os habitantes continuavam na cidadela que ficava entre o heliporto principal e as montanhas. E com essa preocupação em mente, tinha de continuar lutando mesmo que totalmente exausto pelas energias retiradas pelo feitiço.

O massacre era certo, mas o número de baixas poderia ser diminuído. As tropas magais aéreas chegaram à bordo de cerca de cinco Quotes-02 (espécie de cargueiro militar) e vinte e nove helicópteros Marchfalcon, isso para dois navios de piratas espaciais, com cerca de quatrocentos capangas em cada um.

Sob tais circunstâncias , era impossível saber o real vencedor.

Granjiuty decidiu ir para o centro da batalha, que era o deque de um dos navios, assim poderia lutar com o Capitão daqueles loucos, e assim, desaconselhar todos, já que ele que dava as ordens ali, e, consequentemente, acabaria com esse massacre.

Usou um feitiço para criar uma plataforma invisível para ir voando até a parte de cima do veículo, que estava sendo bombardeada tanto pelas bombas disparadas pelos Marchfalcons, quanto pelo som da batalha abaixo.

Decidiu observar o novo perímetro com sua visão aprimorada: Haviam quinze soldados para muitos piratas , com certeza precisariam de uma ajuda extra, e lá estava ele.

Avançou contra um Hargruti de tamanho médio, era um ser proveniente do planeta Hefrian, e parecia um cachorro bípede gigante, o que atacava Granjiuty se armava com um blaster de ogiva e uma faca (aquele não sabia o que era meio termo). Avançou a lâmina até o abdômen do Tainafiano, que jogou a mesma no chão com um movimento do cajado, mas ainda havia a carabina, sendo que esse o tipo que disparava granadas, agora vinha o problema de verdade; o ser ia atirar uma daquelas no meio do deque, o que acabaria matando muita gente. Quando a bomba foi atirada pela arma , Granj viu que apenas desviar a mesma não ajudaria em nada , já que poderia acabar atingindo os civis que tentavam sobreviver no chão. Teve tempo apenas de criar o escudo pelos fragmentos do tiro, mas havia apenas o problema de localizar cada parte: primeira achada , segunda , terceira , e última .Era o que pensava, pelo menos. Juntou as peças que e viu, faltava uma para completar a granada.

A explosão foi causada na extremidade direita do navio, exatamente por onde estavam atacando, aquele trambolho de madeira iria amassar cada uma das criaturas dali, não fosse pelos magos que haviam chegado ao momento mais que certo para impedir isso.

Granjiuty viu muitos rostos familiares enquanto escorregava pelo chão já inclinando para o grande tombo, mas não era momento de nostalgia. Todos os feiticeiros presentes fizeram um movimento único, como se coreografado, e bateram os cajados todos no chão, começando a levitar a massa gigante de madeira e aço que esmagaria cada um dali. Era um segundo decisivo, todos, inclusive os piratas, xingando e murmurando, pararam para presenciar.

Com muito esforço, salvaram o dia, mas a luta continuava, e Granjiuty não encontrara o Capitão ainda, se um dos capangas deu tanto problema, imagine o chefe deles.

Se um dos navios tombara, o tal Capitão só poderia estar localizado no que havia chegado pelo norte, precisaria avançar pela Cidadela, o que tomaria muito de sua energia, que queria guardar para a batalha decisiva, assim, decidiu pedir carona em um Marchfalcon até o destino.

Acabava de nocautear um Jawer quando viu outro cargueiro militar pousando em uma distância considerável, aquilo seria uma verdadeira guerra, a julgar pelo número de soldados que a Proclamação colocou para lutar ali.

Nada de Marchfalcon , nada de transporte, teve sinal do veículo apenas quando um deles caiu explodindo em chamas pelos ares. Granjiuty já estava realmente preocupado com a continuidade dos eventos que seguiam sua chegada ao planeta. Seguindo a linha de pensamento de que atraía problemas, decidiu apenas esperar, resistindo às forças enviadas para o centro.

Foi quando pode ouvir diversas explosões matando tanto os soldados como os capangas, elas iam em direção ao pato. Mal teve tempo de se proteger com o uso de alguma artimanha ou feitiço, pois a que o atingiu levou uma fileira inteira de gente pelos ares.

Acordando aos poucos, tentando ajustar o foco dos olhos de acordo com a claridade do sol de Arid, Granjiuty enxergou a silhueta de algum tipo de humanoide. Aos poucos, começou a decifrar o segredo visual que estava a sua frente, agora se aproximando. Era um Dlemo, mais um de milhões de tipos de seres vivos por aquele Universo. Muito chamou a atenção de Granjiuty, como o olho biônico e a espada nas costas, Mas principalmente, o fato de carregar um orbe, tipo de armamento que somente os mais avançados magos saberiam manejar. Granjiuty nunca lutara com um feiticeiro de tal nível, tão menos contra um capitão desertor, as coisas se tornariam muito mais complicadas.