Indigo
2 ii. Uma garota me fotografa!
Notas iniciais
ACORDAR CEDO PELA MANHÃ NUNCA FOI DE FATO O MEU FORTE. Sempre estou tentando prolongar ao máximo as minhas horas de sono, o que por esses dias vem sendo um pouco complicado.
Dylan e Collin tentaram me animar me chamando para ir colar uns cartazes que eles tinham feito. Eu meio que aceitei meio que recusei, eu só fui mesmo porque precisava comprar uma guitarra nova e minha mãe nunca me deixaria ir sozinho... Então usar meus amigos como desculpa era uma boa forma de ir comprar minha guitarra "sozinho".
A Clara apareceu no meu quarto e começou a pular na minha cama o que me deixou irritado por que eu não usava roupa, só uma box. E deixar minha irmã mais nova me ver sem roupas não era adequado nem ético. Dei um beijo de bom dia nela e mandei que ela descesse e me esperasse para assistirmos um pouco de desenho enquanto esperava os meus amigos.
— Querido venha tomar o café! — Minha mãe falou do andar de baixo e a Clara correu escada a baixo para comer.
Rolei mais algumas vezes na cama simplesmente por culpa da preguiça matinal. Meu olhos procuravam a fonte da luz direta que se espalhava pelo quarto. Levei um tempo até associar a luz com a janela.
Mais uma vez a voz da minha mãe se fez ouvir.
— Querido... Venha tomar café. Seus amigos já estão aqui. — Suspirei e me joguei para fora da cama.
Abri o armário a procura de uma peça de roupa que me fosse útil o dia inteiro.
Por fim tiro de dentro do armário uma bermuda preta e uma camiseta da minha serie de televisão favorita.
Desso as escadas ainda sonolento e só paro de andar quando me sento na bancada da cozinha ao lado do Dylan e do Collin.
— Bom dia. — Falei com o prato de misto quente na minha frente.
— Bom dia. — Meus amigos e mãe responderam.
— Ahhh. Claro. Para vocês também. — Gargalhei.
— Você vai ter que levar a Clara com você hoje querido. — Arregalei os olhos.
— Mas mãe... — Tentei argumentar.
— Nada de mas... Vai levar sua irmã e ponto. Tenho de fazer umas coisas essa tarde e não posso levar ela. — Dylan colocou a mão no meu ombro e sussurrou um "tudo bem, cara!"
Olhei para a Clara e quase peguei a faca que minha mãe usava e enfiava em meu peito.
...
Estávamos colando cartazes de "procura–se baterista!". Os cartazes eram enormes e chamativos. Os garotos conseguiram me enganar direitinho somente para me fazer ir procurar um baterista. Eu particularmente achava que um piano, uma guitarra e um baixo já seriam suficientes para dar a nossa música o nosso toque vintage.
Mas... Como sou só o pianista e as vezes o vocalista não tive muita voz aqui. E por isso estamos colando cartazes.
Minha irmã mais nova está agarrada com uma força grande ao cós da minha bermuda. O que eu devo admitir é bem esperto da parte dela.
— Vocês não acham que está bom de cartazes? — Collin falou enxugando o suor do rosto.
— Acho. — Falei.
— Só mais esse... — Dylan colou um cartaz em um poste.
— Preciso ir comprar uma guitarra nova. O que vocês acham de ir comigo? Ou se prefirirem podem me encontrar no parque.
— Nós vamos lá... Clarinha quer vir conosco? — Minha irmã não êxitou em ir.
— Encontro vocês lá.
Entrei na loja de instrumentos musicais e fui direto na guitarra que eu queria à alguns meses. O vendedor mal me viu e já deu um sorriso... Esses seriam os melhores cinco mil dólares que eu gastaria em toda minha vida.
...
— Hey pessoal! — Avistei as costas doa meus amigos.
— Oi. — Dylan falou votando a comer o sorvete que tinha em mãos.
— Onde está a Clara? — Perguntei tentando achá-la em meio a multidão.
— Uma garota esta tirando fotos dela e de uma outra criança. — Collin deu de ombros e apontou para a garota.
Ela estava concentrada na câmera profissional que portava em mãos e mexia na bolsa freneticamente a procura de algo. Enquanto isso minha irmã brincava com o garotinho... O garoto caiu no chão e sem que eu tivesse visto ela também havia caído no chão. Dei uma pequena risada e vi a garota a tirar foto do pequeno. Fiquei curioso com o fato dela tirar foto do garoto machucado. Mas então ela lhe ofereceu algo e começou a tirar fotos com ele e com minha irmã.
Decidi parar de olhar um pouco e comecei a escrever uma nova música.
Um tempo depois eu voltei a encarar minha irmã. E assim que levantei o olhar cruzei-o com o da garota que eu acho ter esquecido que o flash estava ligado, pois acho que ela me fotografou. Joguei o caderno de lado para ir falar com a garota quando ela deu um pulo e arrumou as coisas, pegou o garoto pela mão e deixou um cartão com a minha irmã. Ela saiu tão rápido do local que eu mal pude falar com ela... A única coisa que eu tinha era o telefone dela naquele cartão que minha irmã estava mastigando.
— Não!! — Corri gritando atrás da minha irmã que parecia querer implicar comigo... Pois não parava de mastigar o cartão. — Não mastiga o cartão!!!
Dylan e Collin começaram a dar risada quando eu consegui pegar o cartão e o coloquei em meu peito suspirando feito um retardado. Nem eu mesmo tinha notado que havia suspirando.
— Precisamos ir galera... Amanhã falo com vocês. — Peguei minha guitarra e a mochila que estava ao meu lado, coloquei a mão da minha irmã no cós da minha bermuda e comecei a andar na direção do ponto de ônibus.
Assim que subi no ônibus com a minha irmã observei o cartão.. O último número estava comido e completamente indecifrável... Algo ficou triste em mim então eu decidi que tentaria número por número...
Final (0)... Primeiro toque... Décimo toque... "Alô?" voz masculina.
...
Final (9)... Primeiro toque, segundo toque... "Alô?" A voz era feminina.
"Você por um acaso tira fotos?" Perguntei.
"Sim. Mas agora eu estou mega ocupada... Poderia me ligar depois?" Tinha quase a certeza de que ela tinha jogado o cabelo e mordido o lábio.
"Mas..." A ligação caiu e eu fiquei só ouvindo aquele barulho horrível de fim de ligação.
Eu tinha ficado sentido por ter uma ligação batida na cara... E não foi nada legal.
Desci do ônibus com a minha irmã no colo e a guitarra.
Mamãe me esperava do lado de fora com uma carranca feia. Acho que ela tinha percebido o sumiço de algum dinheiro na minha conta pessoal... Mamãe nunca me deixa sair sozinho e sabe que quando eu saio eu gasto...
— O que é isso no seu braço? — viram?
— A Clara ora essa...
— No outro braço!
— O fruto da nossa futura renda. — Passei por ela dando um beijo em sua testa.
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