Indifference
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Observava o cabelo esverdeado à minha frente e suspirava. Abaixei o olhar, deitei minha cabeça em cima da carteira e bufei irritado. Estou ficando louco! Não aguento mais suportar o terrível temperamento do Midorima, isso quando ele se dá ao luxo de falar comigo. Sempre fui paciente e bem humorado, nunca me importei com seus comentários ácidos, seu ar superior ou suas manias estranhas, mas ultimamente ele ficou ainda pior, e eu não consigo entender o porquê. Sempre que tento ajudar ou descobrir o motivo da mudança em seu comportamento sou maltratado, e tenho a impressão de que Midorima está evitando minha companhia. Só passamos o tempo juntos na sala de aula ou nos treinos, em outras ocasiões ele foge de mim, nem voltamos mais para casa juntos como de costume. Odeio admitir, mas gosto dele. Sinto falta de ficar ao seu lado como antes, não suporto mais essa situação. Preciso fazer algo e farei hoje.
Ouvi o sinal anunciando o fim das aulas e levantei a cabeça, arrumei meu material sem tirar os olhos de Midorima, que estava arrumando suas coisas na carteira em frente à minha. Esperei ele se levantar e levantei-me em seguida.
— Ei. — pigarrei para chamar sua atenção.
Ele pareceu ouvir o chamado e girou nos calcanhares. Ajeitou seus óculos e direcionou seus olhos verdes em minha direção, mostrando que estava prestando atenção.
— Posso falar com você? — perguntei baixo. Sentia-me nervoso com aqueles olhos aparentemente frios e controlados sobre mim.
— Pode, mas seja rápido. Não tenho todo o tempo do mundo. — respondeu seco.
Esperei todos os alunos saírem da sala para iniciar o assunto.
— Está acontecendo alguma coisa com você? — meu tom de voz saiu mais preocupado do que eu pretendia.
— Por que estaria? — retrucou.
Respirei fundo. Preciso manter a calma, Midorima nunca foi uma pessoa fácil de lidar.
— Você está agindo diferente, parece irritado.
— É impressão sua. Agora tenho mais o que fazer. Se era só isso... Tchau. — despediu-se e foi até a porta.
Já esperava esse tipo de resposta então não me abalei. Não desistiria de tentar descobrir o motivo por uma resposta atravessada.
— Espera! Eu posso te levar para casa. — se ele aceitasse seria uma ótima oportunidade para continuar a questioná-lo. — faz tempo que não andamos juntos. — Eu estou com saudade completei mentalmente.
— Não, obrigado. Prefiro ir sozinho. — ele saiu porta afora, deixando-me sozinho na sala.
Cerrei os punhos com força e contei até dez mentalmente. Se ele acha que vou desistir tão fácil ele está muito enganado! Sai da sala de aula correndo e encontrei Midorima descendo as escadas que levavam até a saída, essa parte do colégio já estava vazia há essa hora.
— Espera! — gritei, fazendo-o parar e vira-se na metade do caminho. Aproximei-me de onde ele estava e parei em um degrau acima do seu, o que fazia com que ficássemos quase na mesma altura.
— O que você quer? — indagou, encarando-me.
— Eu fiz alguma coisa para você? — respondi com outra pergunta e olhei em seus olhos.
— Como assim? — ele franziu as sobrancelhas.
— Por que você está me tratando dessa forma? Foi algo que eu disse? Ou foi alguma brincadeira que você não gostou? — perguntei tudo de uma vez, preciso saber o motivo. Não aguento mais tanta indiferença.
— Você não fez nada. O problema não é com você. — ele desviou seus olhos dos meus, mas parecia ter respondido com sinceridade.
— Então qual é o problema?
— O problema sou eu e o que estou sentindo. — seus olhos voltaram a fitar os meus com uma intensidade que nunca vi antes.
— O que você está sentindo? Do que está falando?
— Eu estou te evitando porque você está acabando com todo meu impecável autocontrole. Não consigo mais ficar perto de você sem me sentir nervoso, não consigo te tirar dos meus pensamentos, eu sinto uma vontade quase incontrolável de te tocar, Takao. Eu sinto coisas estranhas quando estou com você e não sei o que fazer sobre isso. Não sei o que está acontecendo comigo. –Ele admitiu tudo de uma vez, sem tirar os olhos de mim por um único instante. Acho que esse foi o discurso mais longo que eu o vi falar.
Sorri enormemente e fiquei feliz por enfim descobrir o motivo de sua mudança. Nunca imaginei que seria algo desse tipo.
— Eu sei o que está acontecendo porque sinto as mesmas coisas quando estou ao seu lado. Você gosta de mim, Shin-chan. E saiba que é correspondido.
Aproximei meu rosto lentamente do seu, dando oportunidade de recusa, o que não aconteceu. Encostei meus lábios nos seus em um beijo leve. Fechei os olhos ao senti seus braços abraçarem minha cintura com firmeza e retribui o contato abraçando seu pescoço. Rocei minha língua entre seus lábios cerrados, pedindo passagem, que não demorou a ser cedida. Senti um arrepio percorrer todo meu corpo ao sentir sua língua entrelaçada na minha. Beijávamo-nos com carinho, devagar, aproveitando a sensação de finalmente estarmos juntos. Quando o ar tornou-se necessário apartamos o beijo, olhando-nos de forma significativa.
— Agora podemos ir para casa juntos? — perguntei e abri um grande sorriso.
— Podemos, mas você vai pedalar. — ele curvou seus lábios em um pequeno sorriso.
— Isso não é justo! — reclamei.
— Pare de reclamar e vamos logo, seu idiota. — sua face voltou à seriedade de sempre, mas agora o brilho em seu solhos era diferente. E eu faria de tudo para eles continuarem dessa forma.
— Tudo bem, eu pedalo. — aproximei meus lábios de sua orelha e mordisquei seu lóbulo, em seguida sussurrei em seu ouvido. — Mas depois você terá que me recompensar, Shin-chan.
Afastei-me e vi que suas bochechas estavam ligeiramente rosadas. Dei risada e entrelacei seus dedos aos meus, puxando-o para descermos a escadas juntos. Tenho certeza que tudo voltou ao normal. Passaremos ainda mais tempo juntos, e agora de forma mais prazerosa.
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