Notas iniciais
Olá, tudo bem com vocês? Eu realmente espero que vocês gostem. É um drama adolescente sobre um garoto bissexual, com ciume de sua amiga com outra garota e etc. Se gostarem, deixem comentários!!!Espero que gostem!!!

INDEPENDENCE

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Proclaim

Para se ter um império precisa ser forte e persistente, não desistir e não deixar transparecer seus sentimentos. Ou será ferido e perderá a guerra.

Ele fechou o seu casaco do uniforme preto, estremecendo com o ar gélido invadindo seu peito. Era dia, as nuvens sobrevoavam no céu, cinzas, cheias de água. Era sexta-feira, horário da educação física. O pátio estava vazio, pelo menos naquela parte. Ele seguia a garota dos cabelos verdes, que se dirigia para trás de um prédio onde se encontrava a caixa d’água que distribuía o liquido para a escola inteira.

Ao chegar atrás do prédio, à garota já se fazia sentada no chão, sentou-se ao seu lado. Ficaram por alguns segundos calados. O garoto pegou uma pedra e jogou no muro da escola, do outro lado se fazia uma casa não muito grande que pertencia a um senhor de idade.

A garota o imitou, jogando também. Em poucos segundos já estavam em uma briga para ver quem conseguiria jogar a pedra em tal lugar. Ele fez o primeiro ponto, ela o segundo e foram se alternando.

— Vão fechar a sala de ciências – comentou ele, largando as pedras. — E não tivemos nem a oportunidade de usa-la.

A garota concordou a cabeça.

— Eles usam aquele lugar para guardar os uniformes. Desde a chegada do supervisor aquilo virou um verdadeiro depósito.

Mais alguns segundos de silêncio, as pedras da garota voando pelas paredes. Cada um tinha um fone em seu ouvido, as músicas tocando em um considerável. Como plano de fundo escutavam os gritos dos garotos jogando futebol na quadra, que ficava na frente do prédio da caixa d’água.

— A nova professora ainda não vem... – disse o garoto.

— Pois é – concordou ela. — Escuta essa música, a Manuelle que me passou.

O garoto fez uma leve careta. Manuelle não descia a sua garganta. Nojenta, irritante e sem sal. Tinha certeza que a garota pensava as mesmas coisas dele. Mas Pedro não era um garoto de expor seus sentimentos, ela nunca saberia, ao menos se alguém contasse para ela.

Ele colocou o fone e escutou a música e depois largou o fone. Decidiu que a sua música era bem melhor do que aquela. Claro, uma vez que aquela garota tinha um gosto musical bem diferente do seu.

Eles levantaram-se e se fizeram sentados no banco de frente para a quadra. Na mesma a única pessoa com quem falavam era Ká, a mesma não jogava muito bem, mas conseguia fazer alguns gols. A professora substituta ficava ziguezagueando pelo pátio, passando pela área coberta perto da caixa d’água e pegando o caminho para dentro da escola, para as salas, as escadas e o pátio central, onde toda a escola se reunia no inicio e na hora de intervalo.

Temi, uma garota baixinha, usando um casaco de uma marca conhecida azul mexia em seu celular, em um aplicativo de mensagens.

— Sabe com que ela parece? – perguntou o garoto, rindo.

Pitty apenas olhou para cima.

— A minha tia Valéria.

A garota do cabelo verde começou a rir, como se aquela fosse uma das melhores piadas. Tecnicamente não fora uma piada, mas realmente ela parecia à tia do garoto. O modo de andar, as roupas e o vicio pelo celular.

A professora aproximou-se deles.

— Ele é sempre assim? – perguntou ela indicando um garoto acima do peso perto da área coberta, parado.

Ela se tratava de Gilberto. Ele era um garoto que não falava com ninguém, nem com as professoras e que todos achavam que era altista. Mas tinha umas das melhores notas da turma.

— Sim – responderam os dois juntos. — Ele nunca fala, já tentei, mas ele parece que vai me jogar longe – continuou a garota.

— Ele deve ser altista – disse a professora. — Já viram algum pai dele?

Os dois negaram com a cabeça e a professora voltou a fazer o que fazia, ainda prestando atenção no garoto.

Um raio atravessou o pátio, caindo no chão do lado de fora da quadra. Todos deram um pulo e logo uma chuva começou a água caindo por todos os lados. Todos correram para baixo da área coberta, os jogadores bravos pela chuva.

Pedro, o garoto amigo da Pitty, a garota do cabelo verde, estava com as mãos no bolso quando Matheus passou ao seu lado. Ele era um pouco mais baixo que Pedro, e Pedro era alto, bem alto. Ele tinha os cabelos curtos e pretos, era magro e não tinha nada de lindo. Mas algo chamava a atenção de Pedro. Ele não era gay, na verdade tinha uma tendência, puxava mais para o bissexualismo. Mas nunca falará a alguém, nem para a sua amiga.

— Acho que é a melhor a gente ir para a sala, talvez caia mais raios – disse a professora.

Os alunos pegaram os corredores para dentro da escola, correndo para não pegar chuva, uma vez que o corredor era aberto, andavam encostados nas paredes. Pedro perdeu Pitty no meio da bagunça, viu Ká pegando um caminho controverso ao de Temi. Pensou em chamar a garota, mas ela já estava entrando no banheiro feminino, Temi a seguindo. A única coisa que restou a Pedro era subir as escadas, ao lado de Matheus.

INDEPENDENCE

A chuva estava mais forte quando ele entrou na sala. Eram os poucos ali dentro, os outros estavam espalhados pelos corredores fazendo algo antes de entrar na sala. Na verdade nenhuma garota ainda havia entrado, eram apenas garotos. Pedro sentou-se em sua cadeira, na janela, observando por canto de olho Matheus tirar sua camisa de um time de futebol estrangeiro, exibindo seu corpo magro, e depois colocando a camisa verde do uniforme. Rezava para que ou Pitty ou Ká chegassem até mesmo Temi, para que tirasse sua atenção.

Mas nenhuma delas precisou tirar. Algo estava martelando na sua cabeça. Após pegar a escada, andando um pouco atrás de Matheus, ele escutou fortes batidas vindas da sala de ciências. E sabia que aquelas batidas não eram simples batidas. Eram batidas de raivas. Ele viu algo caindo no chão dentro da sala, um martelo batendo em várias mesas e caixas. Não conseguiu ver que aluno estava ali dentro da sala, tinha uma ideia, mas nem quis pensar. Ele não queria se ver envolvido naquilo.

A professora entrou na sala com aqueles brinquedos que ela trazia para quando chovia, como jogo de bola com bolas de gude. Cartas, jogo do mico e de tabuleiro. Rapidamente as cartas e os brinquedos foram pegos e a única coisa que restou foi xadrez. Decidiu não pegar.

Nenhuma de suas três amigas havia retornado. Tinha medo que o destruidor fosse alguma delas, elas certamente seriam expulsas da escola e aquilo não seria legal. Ele guardou seu material, uma vez que faltava apenas um período para ir embora e foi até a professora. Pediu para ir ao banheiro e a mesma deixou. Nisso, muitas garotas já estavam dentro da sala, menos suas amigas.

Ela pegou o único corredor que tinha parede dos dois lados e que o protegia da chuva – outros, como os anteriores, eram abertos em uma das paredes. Passou na frente da outra turma de nono ano, ao lado da sua, e virou o rosto. Não gostava de ninguém que estudava naquela sala.

Ele pegou uma escada e se viu de frente para o banheiro, mas não iria entrar. Percorreu os corredores em busca de suas amigas. Encontrou Ká com um garoto em um corredor, apenas sorriu para ela e depois foi em busca da outra. Temi não encontrou, certamente deveria estar pagando boquete para algum garoto no fundo da escola, na área coberta. Pitty foi a mais fácil, encontrava-se sentada em uma das escadas e ao seu lado Manuelle.

A garota fez uma cara de nojo.

— A sora está chamando – mentiu ele.

Pitty apenas fez uma cara de raiva. Ela odiava quando Pedro era o certinho que sempre tinha que seguir as regras da professora.

— Ela que vá a merda – diz Manuelle, sorrindo.

— Tecnicamente, ela já está – disse Pedro, sentando-se em um dos degraus acima delas, olhando fixamente para a garota. — O que estão fazendo.

— Conversando, oras – disse Manuelle, voltando a falar com Pitty. Elas conversaram por mais alguns momentos até que Pedro levantou-se e saiu, sem avisar ou dizer nada a amiga.

Ele já ia pegar o caminho até a sala quando deu de cara com Temi. O problema era o que ela segurava. Um martelo. Tudo se encaixou em sua cabeça. Ele persistiu ali, não deixou seus sentimentos se exporem. Ele sabia. Era ela o destruidor. O porquê ele não sabia, mas apenhas fechou os olhos.

Temi o pegou pelo pescoço e o prensou na parede.

— Você não viu nada. Esse martelo é da escola. Você apenas me encontrou no corredor, na verdade, nem corredor me encontrou. Se você disser alguma coisa a alguma pessoa eu vou contar para todos o que você é! Um viadinho puto que é apaixonado pelo colega. Está me entendendo.

O coração de Pedro deu um pulo. A garota o largou e saiu pelo corredor. Pedro a encarou, com medo.

***

Pitty já estava na sala, Ká e Temi também. Pedro entrou minutos antes de o sinal tocar. Ele entrou com o rosto molhado, ficará por um tempo no banheiro após o encontro com Temi. Ao sentar-se em sua cadeira, as três amigas o olhavam com ar de graça.

— Tava no banheiro batendo punheta, né? – disse Pitty fazendo movimentos com as mãos.

Temi sorriu para ele, Pedro desviou o olhar.

— Manu disse que você está muito chato.

— Chata é ela – disse Ká, que sentava em frente a Pedro. — Aquela garota é escrota.

Pedro concordou, rindo.

— Tenho que concordar – disse.

Pitty revirou os olhos.

— Eu não sei o que vocês têm contra ela – disse.

— Tudo! – disse Ká, rindo, puxando Pedro e sussurrando em seu ouvido. — Não conta nada do beijo com o garoto, tá? Eu te peço.

Pedro sorriu e concordou. Olhou de relance para Temi. O sinal tocou, a chuva continuou a cair e os alunos se fizeram fora das dependências escolares.

***

Quando o seu império está sendo ameaçado por uma força maior que poderá destruí-lo...

Pedro não quis sentar. Ficou de pé olhando para a diretora, um sorrisinho nos lábios.

...a única coisa que resta a fazer...

— Vamos! Você sabe quem foi? – indagou a diretora.

...é proclamar sua independência.

— Foi a Temi!

E se tornar soberano sobre os outros.

Notas finais
E aí, gostaram? Se sim, deixem comentários. Se não, tentem no próximo capítulo!!!Beijos!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.