Já se passaram três longos meses, incrível como parecem anos e não meses. Já o conheço à algum tempo e o relacionamento entre nós é tão relaxante e profundo que dói sempre que temos horários a cumprir e temos de nos separar. O dia começa bem, cheguei ao colégio e percorri o corredor sendo constantemente observada por todos os lados e ângulos possíveis, olhares de inveja, ódio, carinho. Cheguei ao fim da linha, ou seja, cheguei a pequena e acolhedora [nem tanto] sala de convívio. Encarei com diversas caras, mas à minha direita encarei com a mais bela delas todas. Parecia que os meus pés começaram a acelerar de tal forma que nem o meu cérebro conseguia acompanhar.

— Bom dia linda. — a voz mais querida do mundo finalmente. Recebeu-me com um beijo e continuou com o seu olhar sereno a observar os movimentos que surgia na sua frente.

Ouvimos passados três minutos a campainha tocar, aquele som agudo que faz toda a gente ficar aborrecida logo pela manhã. Segurei os meus livros e a mão dele e subimos a longa escadaria que nos levava ás salas de aula.

— Vemo-nos mais logo meu amor. Amo-te. — Perdão, ele já não me chama "meu amor", foi simplesmente a minha mente nostálgica que foi buscar esta expressão. — Vemo-nos mais logo. Amo-te. — Deu-me um beijo de despedida e desapareceu pelas escadas.

Por vezes sinto falta de como tudo era no início, irónico dizer isto porque na verdade continuamos no início. Sempre fui a mesma com ele, sempre fui a rapariga mais chata do mundo com ele. Arrogante, fria e orgulhosa. Mas quando estou bem-disposta sou a mais querida e amorosa que ele pode encontrar. Mas não sei como algo mudou entre nós, algo mudou quando fui de férias a Inglaterra. Aquelas férias eram necessárias por mais que eu e ele [ou só eu] não quiséssemos. Época natalícia é suposto passarmos com a família mais próxima e a minha não estava assim tão próxima, por isso a ida a Inglaterra tinha de ser. Quando voltei, tudo corria bem, encontrei o rosto mais bonito do mundo à minha espera no aeroporto, adormeci nessa noite colada a ele. No entanto algo não estava bem.

[13 dias depois]

— Então como correu?

— Mal, muito mal. Ele disse que estava a ficar farto disto. Farto das minhas atitudes, atitudes estas que sempre tive desde que tudo começou.

— Bem, temos algo importante para te contar. — diziam elas.

— A questão é que eu não entendo! Eu confrontei-o com o assunto "terminar o relacionamento" e ele simplesmente encarou o chão e selou os lábios.

— Ana, temos algo para te contar. — a expressão delas passou de séria a preocupada.

— Estou aqui para ouvir.

— Bem, é melhor irmos mais para ali.

Estávamos na entrada do colégio, andamos poucos metros até uns bancos feitos de cimento que se encontravam no pátio. A Samanta mantinha um expressão fechada e de medo. Enquanto que as outras duas [Taíssa e Leonor] pareciam preocupadas.

— Não me digam, é sobre o Tiago?

— Sim.

Foi neste momento que o meu coração disparou [relato verídico do momento], as minhas pernas começaram a tremer, eu não conseguia respirar normalmente devido à minha ansiedade.

— Bem, não sabemos na verdade como te contar isto, não existe forma fácil de dizer tal coisa, portanto vamos directas ao assunto. Durante o período em que estavas fora do país, soubemos de pelo menos duas raparigas com quem ele esteve.

— Não. — disse eu. — Não pode ser verdade.

— Bem, não podemos dizer que temos a certeza, porque aliás o que eu vi foi muito pouco. Estava um noite com o Duarte no carro e e vi-o passar com uma rapariga atrás, parecia aquela putinha de que nós gostamos muito sabes?! Não tenho a certeza, Ana. Não vi nada para além de eles a passaram pela rua de minha casa. — contou a Samanta.

— Vocês têm mesmo a certeza disso?

— Sim, Ana. Contaram-me que o viram com outra rapariga, uma do Porto que veio cá passar as férias com a irmã, na discoteca sabes? A dançarem e acho que viram um beijo, e também os viram a sair de lá juntamente com o Lucas e com outra rapariga. Ou seja, ambos em casal. — disse a Íris.

— Grande porco! Como foi possível isto tudo assim? Fazer o que fez por mim, falar como falou comigo, ser assim! Ele estava mesmo a pedir para tudo acabar como?

— A questão é mesmo essa, ele parecia te amar tanto e gostar imenso de ti.

Eu já não consegui ouvir mais nada, o meu corpo tremia a cada suspiro que dava. Não consegui conter as lágrimas e sentia cada vez mais olhos postos em mim. Tinha de sair dali. Dirigi-me a rua em frente ao colégio para pelo menos estar um pouco mais isolada da população escolar. Não conseguia para de encarar o meu telemóvel com vontade de acabar tudo ali mesmo, não seria [nem foi] o mais correto porque aliás ele até podia não ter feito nada, visto que num meio quase pequeno, todos os boatos são possíveis. As horas não passavam, só queria poder avançar no tempo para que o relógio batesse as cinco horas. Depois da discussão que tivemos durante a tarde antes de receber essa péssima notícia não podia estar mais furiosa e magoada com ele. Esperei-o na sala de convívio novamente completamente cercada por olhares que eu não fazia nem queria fazer ideia do que seriam. Talvez do género, "lá vai a cornuda" ou "como será que ela aguenta os cornos com o peso que eles já têm".

A campainha tocou para a cinco da tarde, esperei que ele saísse mas nada. Achei, tola que sou, que ele por milagre saberia que eu ia estar ali à espera e o motivo e por isso mesmo não quis sair. Mas depois uma luz acendeu na minha cabeça pateta e lembrei-me que ele estaria no treino de judo. As meninas esperavam por mim ás três juntas ansiosas por saber o que se iria passar ou não. Entrei com vontade no ginásio, precisava de respostas, estive perto de inundar o pavilhão de tanto chorar.

[10 minutos depois]

— Então a tua palavra final é acabou? — ele dizia entre soluços.

— Queres que seja o que?! Não sabes como me estou a sentir nem o que estou a imaginar! Sim é essa a minha palavra final!

— Por favor, eu não te traí.

— Não te consigo olhar na cara.

— Por favor. Eu não iria trair a mulher da minha vida.

Não consigo não pensar naquelas palavras sem chorar, nem um dia da minha vida. Ele também era e é o homem da minha vida mas naquele momento eu não conseguia ligar isso a nada. Hoje, passadas três semanas exactas desde o sucedido, ainda o sinto diferente comigo. Infelizmente vai ser necessária outra conversa, outra longa conversa sobre os nossos problemas, vai ser preciso derramar lágrimas que irão ser as suficientes para me inundar nelas e não conseguir vir à superfície.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.