Notas iniciais
Mais um. Boa leitura!

INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL

By Amanur

Capítulo 4 — Reunião

...

Gritei como uma galinha louca e ainda me atirei no chão, achando que ia morrer, quando aquele mostrengo gigantesco — o ônibus — passou a toda velocidade ao meu lado, junto com a caminhonete verde e a moto. Pronto! Hoje é o dia em que vou bater as botas. Digo, sandálias rasteiras da Hello Kitty. E acho que borrei um pouquinho nas calças, quando o carro preto derrapou na pista, parando a exato um palmo de distância de mim. Juro! Aí, uma porta se abriu, batendo na minha cabeça, e duas mãozinhas surgiram me tragando para dentro do veículo.

Eu estava tão nervosa e atordoada que levei mais um minuto — eu acho — para me dar conta de que era o Naruto no volante e o emo ao meu lado, me chacoalhando para lá e para cá.

— RESPIRA, PORRA, RESPIRA! — ele dizia.

— Estou viva? — perguntei, sem acreditar, né? Minha mãe ia ficar impressionada se lhe contasse minha experiência de quase morte. Ainda mais por ter a tido duas, no mesmo dia!

— Sim, mas não por muito tempo! QUE MERDA VOCÊS ESTAVAM FAZENDO NA RUA, EM PLENA LUZ DO DIA E DESPROTEGIDOS? — ahm... Eu entendi bem?

— Você queria que andássemos com camisinhas na rua? — err — Você está bravo comigo, porque quase morri, Sasuke?

— Não. — ele diz em tom mais baixo, passando carinhosamente a mão nos meus cabelos — Estou bravo com vocês, minha querida Sarakura do banhado com o cu cagado — e puxou meus cabelos —, PORQUE VOCÊS SÃO DUAS MULAS MANCAS SEM NEURÔNIOS!

— Ah! Eu não acredito nisso! Naruto, quer fazer o favor de dizer a essa anta que eu quase morri, porque acho que ele ainda não percebeu! Isso é culpa do fumo, emo-róidas! Eu te falei para parar com isso!

— UWETY&W#WRY%&*#W$!!! NÃO ME CHAME POR ESSE NOME! E que morrer, o que?No máximo você ia acabar ficando pelada no meio da rua, ou seria seqüestrada!

— Ah, bom! Ufa! Se é assim, sim! Realmente ser abusada e seqüestrada, ALIVIA A MINHA CONCIENCIA!!!

— AHHHHHHHHHHHH! — desta vez, foi Naruto quem berrou — VOCÊS QUEREM FAZER O FAVOR DE PARAR DE GRITAR NO MEU CARRO?

— Você também está berrando! — o emo resmunga.

— Nhenhenhenhenhe! — eu resmunguei.

Aí, Naruto, de repente, freou o carro. Como eu e o emo estávamos sem o cinto de segurança, demos de cara com os bancos da frente.

— Nos explique o que diabos vocês estavam fazendo ali? — o loiro pergunta, se virando para nos encarar.

— Falando nisso, cadê o Lee? Não me diga que vocês deixaram o coitadinho pra trás!!!— me apavorei, né? Só então foi que me dei conta de que o pobre sobrancelhudo não estava dentro do carro!

Mas então, Naruto apontou para trás de mim. Virei-me para enxergar pelo vidro traseiro o Lee na moto com o Sai. Vinham logo atrás de nós, junto com o ônibus, a caminhonete do ruivo e meu jipe — Sininho estava dirigindo-o... Porque provavelmente esqueci a chave no carro. Err. Ri nervosa, internamente, me dando conta de quem era a frota. Ahém. Na hora do pavor, perdemos a noção de tudo mesmo! Err.

— Como é que vocês sabiam onde nos encontrar? — perguntei.

— Lee mandou uma mensagem pro Spice Bixa. — Sasuke responde.

Hummmm. Ah! Na hora em que ele pegou o celular! Ao invés de pedir bolo, o danado pediu ajuda. Só podia ser isso! Lee esperto!

— Mas me expliquem uma coisa! Porque cargas d’água todos vocês vieram? Bastava um de vocês! Digo, menos o Sai... — em uma moto, não cabem três!

— Por que quando o Neji recebeu a mensagem — o emo explica —, ao invés de ler para si mesmo, o idiota leu em voz alta. Aí, todo mundo simplesmente saiu correndo, sem pensar...

— Só o Itachi que não correu. — Naruto complementa — Acho que ele foi o único a pensar mesmo. Até por que alguém precisava tomar conta da Hotaru.

— Tsc. — Sasuke bufa — O idiota ficou para trás por que é o único que não tem carro, isso sim! — aí, nós dois, eu e o loiro, olhamos para o emo, né?!

— Olha só quem fala! — resmunguei.

— Hum? Tsc! Você só tem carro porque EU te dei um!

— Aham. Com dinheiro ganhado às MINHAS custas, você quer dizer, né, Sasuke querido?!

— Nãaao. Foi graças às minhas habilidades fotográficas, Sarakura do banhado, com o cu cagado! — grrrrrrr!

— Ah, nem vem! Eles elogiaram a modelo, que eu sei! — há!

— Siiiiimm! Por que qualquer ogro Shrek sairia bem numa foto tirada por mim! — mas credo! Eles estava mesmo me comparando a um ogro?

— W&$#$W&WU%&W%#$%TET$@#%&!!!

— Hauihauiahi! Nem mesmo namorando, vocês param de brigar, não é não? Decidam-se! Ou o Sasuke fica comigo, ou a Sakura!— nós dois o ignoramos.

Aí, ele se virou para frente, resmungando.

— Ninguém me ama! Me pergunto quem irá chorar, quando eu morrer — tadinho.

— Posso ficar com o seu carro, quando você morrer? — o emo pergunta.

Bom, eu não contei sobre nossa conversa no jipe. Disse apenas que o Lee estava procurando por um livro específico... De receitas de bolos. Era uma boa desculpa; ninguém iria desconfiar. Sasuke bufou, mas acho que acreditou. Logo em seguida, Naruto voltou a dirigir, ao som da buzina do ônibus, atrás de nós.

— Eu não acredito que, em tão poucos meses, já somos perseguidos assim! — o loiro comentava, enquanto dobrava uma esquina — Devia ter umas trinta pessoas ali.

— Eles eram fãs? Eu tenho fãs! — meus olhinhos se encheram de lágrimas. Não tinha me dado conta disso ainda. Digo, eu vi bem aquele povo pulando, durante o show, mas nunca parei para pensar que teria seguidores! — Mas você tem certeza de que eram apenas uns trinta, Naruto? Parecia uma população inteira, para mim! — tsc.

— Nhenhenhenhenhe! — o emo resmunga. E eu lhe belisquei.

— Sério, qual é o problema dele? — perguntei. Ele ainda estava emburrado?

— Sasuke está com ciúmes porque só tinha uma mulher no meio! E aposto que é lésbica. Hauihaiuahi. — hum. Eu tinha visto mais mulheres naquela multidão, sim.

— Há! Eu, com ciúmes? Euzinho? Tsc! É mais fácil eu morrer sufocado por um peido, do que ter ciúmes dessa desmilinguida. — ele cruzou os braços, mas olhava para fora da janela ao seu lado.

Engraçado ele dizer isso, não é mesmo? Err. Até o Naruto me olhou pelo espelho retrovisor, rindo do idiota.

— Além disso — o emo acrescentou —, acho que é mais fácil todos eles estarem correndo atrás do Lee, do que dela. — Lee, de fato, chamava mais atenção do que eu, pelo seu tamanho e sobrancelhas. Apesar do meu cabelo cor de rosa, isto é. Err.

— Sim, Sasuke, Nova Iorque inteira virou gay! Hauhauhua. — Naruto retruca. Mas Sasuke apenas bufou.

O carro continuou seguindo pela estrada, até chegarmos em casa. Quando entramos na sala, Itachi andava de um lado para outro, com seu celular colado entre a orelha e seu ombro, e tinha uma agenda e uma caneta nas mãos. Ele anotava alguma coisa, enquanto resmungava. Logo atrás dele, estava Hotaru, ainda em sua fantasia de mulher gato, seguindo-o e imitando todos os gestos que fazia, como se fosse a sombra do cabeludo dois. Mas assim que nos viu, ela veio correndo e postou atrás do emo, para se fazer de sombra dele. Mas por algum motivo, Sasuke ficou mais estúpido do que nunca.

— AHHH, MAS QUE SACO! AGORA, NÃO, HOTARU! NÃO ME ENXE O SACO, CACETE! — e o cretino ainda deu um empurrão nela. Se não fosse pelo Sininho, ela teria caído no chão.

Naturalmente, a criança começou a chorar. Todos ficaram chocados, olhando para o idiota do emo subir as escadas, pisando forte nos degraus, sem entendermos bulhufas. Apesar de tudo, ele nunca tinha sido estúpido com a menina. Imediatamente, Itachi encerrou a ligação, e saiu atrás do Sasuke. Sai, logo em seguida, pegou Hotaru no colo para acalmá-la. Mas por algum motivo, Neji olhava para o chão.

Hum. Aí tem um dedo divino dele!, pensei.

Assim, como que não quer nada, puxei o cabeludo um pelos cabelos, arrastando-o até o jardim, e fechei a porta da sala para que tivéssemos privacidade.

— O que aconteceu, Neji?

— Boa pergunta!

— Hein?

— O que aconteceu com VOCÊ, princesa? — e assim, sem mais nem menos, ele me deu as costas, voltando para dentro da casa.

Err. Maravilha! Cometi um erro, e agora serei condenada! Crucificada, queimada, esquartejada, como preferirem!

Tsc. Como se todos eles fossem santos!

Quando voltei, todos estavam sentados no sofá, ouvindo o Itachi berrar com o emo no andar de cima. Mas ele falava tão rápido que não dava para entender muita coisa, além dos insultos. Eles ficaram discutindo durante um tempão. Quando Itachi apareceu, ele estava sério e não me dirigiu o olhar. Apenas pegou a Hotaru dos braços do Sai e saiu de casa, apenas dizendo que voltaria mais tarde.

Não me atrevi a subir as escadas durante o resto do dia, e Sasuke não deu as caras desde então. Deve ter ficado trancado no quarto de castigo. Eu quis subir para conversar com ele, mas não sabia se realmente deveria fazer isso. Afinal, nada poderia justificar o que havia feito com a Hotaru, que não tinha nada a ver com nada. Sim, apesar de tudo, eu tinha consciência disso!

Então, no final das contas, não fui falar com ele. Fiquei o dia jogando cartas com Naruto, na mesa da cozinha, com Shikabum servindo de platéia — por algum motivo, ele apenas queria nos assistir jogar. Só que eu só perdia para o Naruto, e já estava perdendo, também, a paciência.

— Não se engane... — ele me diz — No esporte é assim também. Quando não se ganha, não se ganha nada! — isso era para servir de consolo? Por que não serviu! Err.

— Obrigado, Naruto. — lhe digo sarcasticamente.

— Sabe o que eu acho?

— Nem quero saber!

— Agente deveria acrescentar mais emoção. Que tal para cada partida perdida, o perdedor tira uma peça de roupa. — eu sabia que ele diria assim mesmo.

— Muito engraçado, Naruto.

— Se quiser, eu posso começar sem roupa alguma! — é quase comovente, seu senso de solidariedade, não é mesmo?

Shikabum riu, bem no instante em que Gaara entrou na cozinha, coçando a bunda. Ao olhar o cabeludo três, com a cabeça apoiada na mesa, ele olha para o relógio de pulso e bufa para si mesmo.

— Nara, não era o seu dia de fazer o almoço? Já são duas da tarde! — o ruivo lhe diz.

— Caaaaaalma, cara! — Shikabum responde, bem calmamente — Nunca ninguém morreu por descansar! — err. Gaara precisou de alguns segundos para entender o que ele disse.

—... Eu vou te esgoelar, está bem?

— Nunca ouviu aquele sábio ditado? Descanse de dia para dormir bem à noite! Pois então! — o ruivo pôs as mãos na cintura.

— Cara, estou começando a concordar com o Sasuke. Você não é um completo inútil! Pelo menos, serve de mau exemplo! — e ele lhe dá uma tapinha nas costas, que, no segundo golpe, se converteu em um tapão, fazendo o Shikabum se engasgar.

Aí, Gaara tirou a camisa — não me perguntem por que — e foi se meter a cozinhar alguma coisa. Nós três ficamos babando pelas costas dele. De vez em quando, ele rebolava com muita graciosidade. Foi quando me dei conta do porque daquele folgado não querer cozinhar...

E assim, o restante do dia foi tranqüilo, apesar da manhã superagitada que tivemos!

Às vezes, me pergunto como é que eu sobrevivo?! Err.

Pouco antes de anoitecer, Itachi voltou com a Hotaru, que trazia um ursino de pelúcia nas mãos.

— Manhêee! Olha o que eu ganhei! — ela me diz, mostrando seu ursinho — Fomos toma sovete, e blicar no paquinho!

— É brincar no parquinho, Hotaru.

— Blincar paquinho. — err.

Aí, ela saiu correndo para a sala, fazendo de conta que seu ursinho voava.

— Devíamos comprar mais brinquedos para ela. — Itachi diz, encostando-se na porta da cozinha. Nesse momento, Neji entrava com um pacote de pipocas vazio. Ao ouvir o que ele disse, vi que seus olhos brilharam. Mas não disse nada; apenas jogou o pacote no lixo, e lavou as mãos na pia.

Nisso, Sasuke, então, apareceu. Parecia meio abatido e não caminhava direito. Itachi, por sua vez, ajeitou a coluna, pigarreando.

— Ótimo, Neji, chame o restante para a cozinha. Preciso dizer quais são os planos para os próximos dias. Preparem-se, pois terão muito trabalho... — ele parecia exausto, enquanto tirava de dentro da sua jaqueta um pequeno bloco de anotações.

Uma vez todos na cozinha, Itachi começou a falar.

— Amanhã, teremos uma reunião com alguns produtores e um diretor, que irão patrocinar o primeiro vídeo clipe de vocês! — logo, todos se agitaram, comemorando a noticia. Menos Sasuke, que, encostado na geladeira, olhava para os pés — Se tudo der certo, na semana que vem, viajaremos para Los Angeles, Califórnia. —continuou — Ficaremos durante duas ou três semanas, mais ou menos, instalados num hotel perto de uma praia. — mais comemoração.

— Vamos gravar vídeo de qual das nossas músicas? — perguntei.

— Os produtores ficaram mais interessados na Ashes. Mas agora, enquanto voltava para casa, um outro cara me ligou, interessando em produzir a I’m in Here. — nesse instante, vi o olhar de surpresa que o emo lançou.

Acho que ninguém mais sabia sobre a verdade por atrás daquela música, por isso, apenas eu sorri com a notícia.

A maioria quis comemorar as boas novas com bebia, mas, por causa da Hotaru, tanto o Itachi, quando Neji e Sai, foram contra. Como eu sabia no que o álcool era capaz de fazer conosco, resolvi dar o braço a torcer também. Teríamos tempo de sobra para comemorar o que quiséssemos enquanto estivermos na Califórnia. Pois o Itachi disse que já pedira para suIno vir buscá-la, para passar uns dias com seus pais.

Depois da janta, discretamente, Sasuke tentou se aproximar da Hotaru, que desfilava pela sala com os sapatos de alguém. Ele ainda parecia caminhar com problemas, e desconfiei do que poderia ser. Hotaru, no entanto, se fez de durona.

— Hotalu não fala com bandidos! — e virava o rosto para ele, cruzando os braços na altura do pescoço. Ele revirou os olhos, e tentou mais uma vez.

— Eu sei, o tio foi um bandido mesmo. Mas se a Hotaru aceitar falar com o tio, ele mostra para Hotaru a minhoca dele.

—#$w&$%&@#$@#%#%$! QUE HISTÓRIA É ESSA, SASUKE? — praguejei.

— Minha minhoca! — ele diz, mostrando o dedo indicador, fazendo careta. Err.

— Hotalu qué vê a minhoca do tio.

— Ok, então, vamos lá pro jardim. Mostrarei, só quando estivermos lá. — aí, ele pegou a mão dela, e foram para fora da casa.

De fininho, fui atrás. Eles se sentaram na calçada, um do lado do outro.

—... Você entende? Quando cresce, você percebe que nada é como você achava que seria. Sem querer, sua vida vira completamente de cabeça para baixo, e percebe o que não fez, e que nem é o que esperava ser quando pequeno. Isso é um tanto complicado, sabe? O choque é grande. E acho que até hoje ainda não superei muito bem essas mudanças... — Hotaru olhava atentamente para ele, sem piscar os olhos — O mundo é maior e mais complicado do que você imaginava ser. Mas ao mesmo tempo, você percebe que tudo dá errado por sua própria culpa, mesmo não tendo a intenção. Mas acontece! Essas coisas acontecem. O problema é que ninguém está realmente interessado em saber o que se passa na nossa mente. O que interessa são eles mesmos, e pronto! Se eu começo a falar, estou sendo dramático demais, estúpido demais, gay demais, machista demais! É um saco mesmo!

— Cadê a minhoquinha? — ela pergunta, nada interessada no que ele dizia.

Ele a olhou incrédulo, e bufou. Aí, pôs a mão esquerda no bolso da calça, pegou uma caneta, e começou a escrever alguma coisa nas pontas dos dedos. Depois que a guardou de volta, pôs a mão rabiscada, dentro de um dos bolsos traseiros da calça e a tirou novamente.

— Aqui, oh! O tio tem cinco minhoquinhas de uma só vez! — ele lhe exibia os dedos da mão, mexendo-os como se tivessem vida. Ele havia desenhado carinhas na ponta de cada dedo, mostrando a ela. E ela, olhando para os dedos, começou a rir — E o tio ainda poderia ter mais minhoquinhas! — ele lhe diz, mostrando a outra mão.

— Ahhh! O tio ia ter um montão de minhoquinhas!

— É, um montão. Agora vai lá, e diga a todo mundo que o papai também gostava de fazer carinha na minhoquinha dele, e brincava com ela enquanto tomava banho! — err.

— Tá! — ela se levantou, pronta para sair correndo, quando ele a segurou pelo braço.

— Ei... O tio tá desculpado?

— O tio tá desculpado.

—Ok... Você sabe que o tio te ama, certo?

— Hotalu ama o tio emoloidas também!

— Err... Vamos fazer um trato? A Hotaru é a única que pode chamar o tio de emo... emo... — ele tossiu — emo... emo.... — ele engasgou — roídas. — e ele cuspiu. Err — Entendeu? Quando a Hotaru ouvir mais alguém chamar o tio assim, a mulher maravilha tem que dar uma chicotada em quem chamar ele assim!

— Tá!

— Boa menina... Agora volte e diga pra todo mundo o que o seu pai fazia com a minhoquinha dele... E diga que a minhoquinha do papai é menor que a do tio.

Ela voltou correndo para dentro da casa, enquanto o Sasuke permaneceu sentando na calçada, atirando pedrinhas no meio da rua. Aproximei-me dele, e sentei ao seu lado.

— Desde quando está bisbilhotando?

— É verdade essa história do Itachi?

— Tsc. Sim. Agente... Err. Tomávamos banho juntos, QUANDO ÉRAMOS PEQUENOOOS — ele enfatiza — e, às vezes, ele riscava o pauzinho com caneta, e brincava com a sombra que fazia embaixo do chuveiro. A lâmpada ficava bem acima de nós. Acredite, arrancaria meus cabelos... não, não. Arrancaria uma perna para poder esquecer disso. — err.

— Sim, eu acredito que você seria capaz de dar uma perna, que não cresce de volta, a dar seu cabelo, que cresce de volta.

— Sim, é como eu sempre digo, NUNCA troque o que pode ser substituido.

— Me ajude com essa lógica. Por queeeee....??

— Por que a cópia nunca sai igual ao original! Se eu der meus cabelos, eles podem crescer encaracolados! É uma fatalidade completamente inadimissível!

— Claro, claro...

Ele pegou outra pedrinha do chão, esticou o braço e a lançou mais longe que pôde. Mas logo em seguida se retraiu, pondo as mãos sobre o abdômen.

— Você está com dor de barriga, Sasuke?

— Uhum.

— Não está não! Deixe-me ver.

— Não, cai fora!

— Por quê?

— Por que não é da sua conta, cacete. — aí, de repente emburrado, tentou se levantar. Mas eu o derrubei no chão antes. Ele gemeu, rolando para o lado, e levantei sua camisa. Antes que ele me desse um empurrão, consegui ver o hematoma perto da costela. Ele praguejou, me xingando, e recusou quando tentei lhe oferecer a mão para ajudá-lo a levantar.

— Mas que merda! QUANDO É QUE VOCÊ VAI APRENDER A PARAR DE SE METER ONDE NÃO É CHAMADA, HEIN? PUTA MERDA! MAS QUE COISA CHATA!

— QUANDO EU APRENDER A PARAR DE TE AMAR, SEU IMBECIL! — aí, desta vez, fui eu que saí pisando forte no chão, deixando-o para trás.

Que se dane também, miserável! Tsc! U#TW&UWT&%ER&$EWWR%YT&*$W#! Porque eu nunca aprendo mesmo, hein? Devo ter alguma deficiência de neurônios! Err. Você acha, Sakura? Tsc!

Fui direto para o quarto do Itachi, sabendo que o encontraria lá. Ele caminhava de um lado para o outro com o telefone grudado na orelha. Parecia irritado. Assim que me viu, disse para a pessoa no outro lado da linha que precisava desligar, e assim o fez.

— Desde quando você guarda segredos? — estranhei.

— Todo mundo guarda segredos. Era a minha mãe, no telefone, querendo saber se eu não estava me esquecendo de lavar bem atrás das orelhas! — err.

— Foi você quem fez aquilo no Sasuke?

— Por “aquilo” você quer dizer...? — revirei os olhos.

—O hematoma.

— Ah! Bom, como vocês vão gravar o vídeo clipe semana que vem, achei mais apropriado preservar o rostinho dele. Mas fiquei seriamente em dúvidas se deveria ter arrancado os olhos, ou os dentes. De repente, o cabelo. — ele diz, pensativo — Ele tem tanto orgulho daquele maldito cabelo perfeito!

— Você não precisava ter feito isso!

— Ele bateu em nossa filha! Você acha que não vale a pena cair na porrada por isso?

— Não foi o que eu disse. Estamos falando do Sasuke! Ele não fez de propósito!

— Ele é o meu irmão! Acredite se quiser, mas sei muito bem como lidar com ele. O Sasuke é do tipo de pessoa que só aprende na base porrada, Sakura. Sendo de propósito ou não, não justifica o que ele fez. — revirei os olhos — O que é que você quer?

— Nada. — me atirei na cama dele, de braços cruzados. No entanto, eu sabia que ele estava certo.

Ele revirou os olhos, e fechou a porta. Depois, veio se sentar ao meu lado. E eu fiquei olhando para o teto por um tempo. Havia uma traça, perto da lâmpada, que se sustentava apenas com uma das pontinhas do casulo, deixando todo o resto do corpo caído. Se ela caísse dali, cairia bem na minha boca. Mais ou menos. Eca. Como diabos elas se sustentam desse jeito?

O ouvi suspirar. Em seguida, ele se deitou ao meu lado, me pondo deitada em seu braço, mas não disse nada. Ele era um pouco mais alto que o Sasuke, e eu me sentia pequena demais no abraço dele. Com o Sasuke, eu parecia encaixar perfeitamente...

Devo ter cochilado por algum tempo, pois, quando me dei conta, a Hotaru já estava por cima de nós, sussurrando pro Itachi. Mas continuei de olhos fechados, me fazendo de dorminhoca.

— Papai vai casa com a mamãe?

— Algum dia, talvez, eu case.

Precisei de um tempo para interpretar bem o que ele disse. E depois, precisei de mais um tempinho, para refazer interpretação. Tipo assim: COMO ASSIM, ALGUM DIA, TALVEZ, ELE CASE? ELE ESTÁ BÊBADO?

Ela riu de alguma coisa que ele lhe fez, e se meteu no nosso meio. Aí, tive que fazer de conta que estava acordando. Ela engatinhou e me deu um beijo no rosto, com aqueles lábios cheios de baba que toda criança tem. Mas ela cheirava a sabão.

— Quem te deu banho? — perguntei.

— Foi o tio loilo. Manhê, ele soltou pum na banheila e fez meu patinho voa. Hehehe. Mas eu não falei nada pla ele. — err.

— Ok. Eu vou voltar pro meu quarto. — aí, dei um beijo nela, e apenas acenei pro cabeludo, que nos ouvia.

Mas antes de fechar a porta, ele veio atrás de mim.

— Você queria me dizer alguma coisa, não?

— Não era nada.

Ele ficou me olhando desconfiado, mordendo o canto do lábio inferior, mas não disse nada. Apenas meneou a cabeça e voltou para dentro do quarto, fechando a porta. Antes de voltar para o meu quarto, fui até a cozinha, percebendo que todos já estavam dormindo. Menos o cabeludo um, que estava lá, escrevendo algo em um caderno.

— Escrevendo uma música? — ele se assustou ao me ouvir, pondo a mão sobre o peito.

— Se eu estivesse com a bexiga cheia, já era! — err — Estou tentando... Mas só sai merda.

— Posso ver? — perguntei. Ele ficou um tempo batendo a caneta contra o caderno, olhando para sua escrita, pensativo.

— Prefiro que não.

— Eu posso ajudar... — ele fez uma careta, hesitando, e, então, tomei o caderno. Comecei a ler em voz alta.

If you, if you could return, don't let it burn, don't let it fade.

(Se você, se você pudesse voltar, não deixar isso queimar, não deixar isso desaparecer.)

I'm sure I'm not being rude, but it's just your attitude,

(Tenho certeza de que não estou sendo rude, mas é só sua atitude, que,)

It's tearing me apart, It's ruining everything.

(Está me rasgando em pedaços, está arruinando tudo.)

I swore, I swore I would be true, and honey, so did you.

(Eu jurei, eu jurei que seria sincero, e, querida, você também.)

So why were you holding his hand? Is that the way we stand?

(Então, porque estava segurando a mão dele? É desse jeito que nós ficamos?)

Were you lying all the time? Was it just a game to you?

(Você estava mentindo o tempo todo? Isso foi só um jogo pra você?)

But I'm in so deep. You know I'm such a fool for you.

(Mas eu estou tão envolvido. Você sabe, eu sou um tremendo idiota por você.)

Eu me sinto tão bem por saber que agora sirvo de inspiração para todo mundo! É uma maravilha mesmo! Uma benção divina, quem sabe. Ainda mais quando inspiro sentimentos tão bonitos, gloriosos e negativos, relacionados à minha própria pessoa.

Larguei o caderno em frente a ele, sorri, e saí da cozinha sem dizer mais nada. Nem peguei o copo com água que queria. Prefiro beber água da torneira do banheiro mesmo! Err.

Subi as escadas, indo direto para o meu quarto. Jack, que não largava da minha bunda... Digo, do bolso da minha calça! — ahém —, marcava quinze minutos para uma da madrugada. Sasuke estava sentado na cama, sobre os lençóis, com as costas na cabeceira. Olhava para a porta, quando entrei.

Troquei de roupa, esperando que ele me atacasse a qualquer momento, vindo por trás de mim, como sempre fazia. Mas nada. Continuou olhando para a porta, com a mandíbula contraída, contendo a raiva que, obviamente, estava ali. Me fiz de autista e deitei na cama, sem dizer nada também. E apaguei a luz do abajur, ao meu lado, deixando o quarto na penumbra total. Poucos minutos depois, ele veio por cima de mim, e o acendeu.

Suspirei.

— Onde você estava?

— Na cozinha, Sasuke.

— Antes de ir para a cozinha, Sakura. — ah, droga! Ele acertou meu nome! Tsc!

— Conversando com o Itachi. — o que não era totalmente mentira, certo? Eu conversei com ele!

— Não foi o que eu vi, quando fui deixar a chaveiro no quarto dele. — saco!

— Então, você deve ter visto, também, que não fiz nada além de babar na camisa dele.

Ele ficou me olhando, enquanto mordia a bochecha esquerda. Não disse nada. E apenas apagou a luz, e se deitou.

No dia seguinte, fomos para a tal reunião com os produtores, e o diretor do vídeo clipe. Os encontramos na sala de reuniões do escritório dos produtores, no centro de Nova Iorque. Assim que sentamos nos acentos de couro, o cara foi nos passando o orçamento que previa para a produção, e ainda nos disse estar interessando em produzir o restante dos outros vídeos, visando o lançamento do nosso primeiro DVD. Todos nós ficamos bastante animados com a notícia, mas, até aí, basicamente, quem falou foi o Itachi, fazendo todas as negociações. Eu poderia dizer que foi tudo muito bem, se não fosse por um pequeno detalhe que nos deixou um tanto, digamos, tímidos? Não. A palavra certa, acredito, seria revoltados, do tipo a ponto de explodir o universo inteiro! Pois é. O diretor queria que eu mostrasse um pouco mais além do necessário no vídeo...

— A minha idéia — dizia o diretor. Um cara baixinho, barrigudo —, é que no refrão, a Sakura apareça saindo da água, com uma camisola branca, toda molhada. — aí, Sasuke bufou, é claro.

— Hum. — bem ruidosamente, ele socou a mesa com o cotovelo, apoiando o queixo na mão, se fazendo de interessado — Com um belo biquíni rosinha, por baixo? — ele pergunta. O diretor, é claro, ficou meio surpreso.

— Ahm... Não. Sem biquínis...

— Uma calcinha e sutiã cor de rosa, então. — desta vez, foi o cabeludo um quem se pronunciou. E eu já estava vendo que aquilo não ia prestar, pois até o Sasuke olhou meio desconfiado para ele.

— Que coisa... Essa também não é a minha idéia, meninos!

— Ahhh, já sei! — até o loiro se meteu nessa — Vai ser com um tapa sexo, né? Já ouvi dizer que essas coisas funcionam que é uma maravilha. São super discretos! — e todos eles concordaram com o Naruto. Mas como eu estava ao seu lado, lhe dei um cutucão, vendo Itachi ficar entre o roxo e o azul.

— Que tal se deixarmos esse assunto para a senhorita decidir, hum? — um dos produtores me pergunta — Afinal, é dela quem estamos falando. — aí, eu engoli a seco, né? Todos eles viram a atenção para mim. Suspirei.

— E porque a camisola tem que ser branca? Não pode ser preta? — perguntei, delicadamente.

— Tái! Preto! — Neji responde, batendo as mãos na mesa — Gostei da idéia. É dark, é discreto, é rock n’ roll! Tem tudo a ver. Ótima idéia, princesa! Não foi a toa que a escolhemos, hum? — e então, todo mundo olhou para o diretor, que já estava balançando a perninha, impaciente.

— Vocês sabem como funciona a venda de vídeo clipes? Quanto mais passar na tv, mais vocês ganharão. Mais todos nós ganharemos! E hoje em dia, ainda contamos com a internet. Quanto mais acessos tiverem, na página oficial da produtora com o vídeo de vocês, mais ganharemos. E vocês sabem o que as pessoas mais compram no mercado do entretenimento, hoje em dia?

— Barbies? — o emo responde, entre os dentes. Ele também não estava muito contente com o caminho que aquela conversa estava tomando.

O diretor o olhou com cara de bunda, mas logo sorriu.

— Quase. Sexo. — Barbie e sexo tem tudo a ver mesmo — E a senhorita Sakura é um bom exemplar. — Sasuke rosnou. E eu não gostei. Ele estava mesmo me chamando de Barbie? Mas que audácia! — Hoje em dia, quer você goste ou não, as pessoas estão mais interessadas em sexo. Quanto mais apelo para isso dermos, melhores serão as vendas. Britney Spears não seria nada hoje se não tivesse lançado seus vídeos sensuais, e tivesse ficado só com aquele vídeo From the Button of My Broken Heart, que é uma bosta, com o perdão da palavra.

— Está perdoado. — Lee resmunga.

— Hey! Aquele clipe fez muito sucesso, na época. — todo mundo olhou para o Sai, que baixou a cabeça, logo em seguida.

— Sim, naquela época! Mas hoje, a época é outra!

— Mas não somos uma banda de música pop! — Gaara grunhiu.

— E já pensou na repercussão que fariam se vendessem mais do que apenas boa música de rock? — o diretor insiste.

— Mas não queremos vender mais do que boa música! — o ruivo insistiu, tentando imitar a vozinha chata do diretor. Claro que o cara não gostou.

Aí, comecei a contar, de trás para frente, para ver até quando o silêncio do Itachi ia durar. Três...

— Vamos fazer o seguinte! — não deu nem três segundos! — Nós gravamos o vídeo...

— E nós vamos quebrar o seu rostinho! — o emo já estava com o corpo todo rígido naquela cadeira.

— E depois vemos o resultado do vídeo, para ver como ficou. Dependendo do resultado, aprovamos ou não. Certo, diretor?

— Não é bem assim. — um dos produtores retrucou — Ou vocês aceitam agora, ou não aceitam. Não estamos investindo dinheiro para jogá-lo fora. O que pode ser feito, é alterar alguns detalhes. Cortar algumas cenas... E só!

— Feito! Passa para cá, que eu assino! — Itachi disse, sem nem pestanejar.

Nenhum dos meninos parecia muito contente com aquilo, com exceção do Shikabum, que jogava alguma coisa em seu celular, sem ter prestado o mínimo de atenção. E Kiba, que observava Lee brincar. Muito fofos.

Saímos do escritório, com cara emburrada. Mas eu já sabia que eles iriam pedir para cortar tudo o que fosse possível!

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Notas finais
Algum comentário? Esse capítulo foi mais dramático, mas espero que tenham gostado! Preparem-se para o proximo! >:D Ah, aquela letra que o Neji "escreveu" pertence à The Cramberies. A musica se chama Linger. (recomendo!)