Incógnita: Sexo, Drogas e Rock N Roll
21 Clínica de requeijão
Notas iniciais
INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL
By Amanur
Capítulo 21 – Clínica de requeijão
Eles colocaram um saco de lixo na minha cabeça. Eles tiveram a coragem e capacidade de colocarem um saco de lixo na minha cabeça! Eles também colocaram um saco na cabeça do Sasuke, mas com ele eu não me importava mais com o que fizessem. Não que algum dia tenha me importado, isto é.
Ahém.
No fim, eles resolveram afanar a van (com a promessa de que a devolveria), mas, para isso, tiveram que voltar para dentro da casa, pegar a chave do bolso de um dos instrumentistas da banda da Vakarin, e voltar.
E algumas quadras depois, eles pararam a van para deixar o Carneiro entrar.
— Mas onde é que você estava, homem? — Amoreco indaga.
— Ah, por aí. — ele responde, esbaforido — O que importa é que conseguimos pegar de volta o Sasuke.
E o emo grunhe de dentro do saco, se sacodindo num protesto que ninguém se importou.
— É, mas nenhum do pessoal do grupie está aqui. — diz o loiro — Aliás, eu nem vi quando o Utakata fugiu.
— Nem eu. — Sai diz. E todos eles disseram a mesma coisa.
— Não importa. — o Carneiro retruca — O que importa é o importante, não importa o quão importante isso for.
— Não, tá tudo errado, cara! — o loiro retruca — O certo é dizer que o importante é o que importa, não importa o quão importante for!
— É mesmo?
— É, sim.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Ok.
Err. A viagem de volta para casa foi longa. Tão longa e escura que dormi quase todo o trajeto. Só acordava para comer algo (que eles pagaram com o cartão de créditos que conseguiram pegar “emprestado” da carteira do emo, no bolso de sua calça). Pelo menos, eles tiraram a fita da minha boca para comer, e não a colocaram de volta.
Já o Sasuke... Não se pode dizer o mesmo. Por que foi só o cabeludo puxar um pedacinho da fita, o suficiente para o Emo idiota morder a mão do Neji.
— FILHO DA FRUTA! — e deu um bofete bem dado na cara do emo, como se estivesse muito ofendido — Pois você vai ficar sem comer! — e colocou a fita de volta. Mas em seguida, só por maldade, a puxou com toda sua boa vontade duvidosa, só para ouvir o emo berrar de dor.
— EU JURO, SEU SPICE BIXA DE MERDA, QUE VOU ARROMBAR ESSE TEU RABO, VOU TE PEGAR DE JEITO PARA NUNCA MAIS SOLTAR!
— Ui, fala mais gostoso assim, que eu gosto, Sasuke. — debocha.
— Então chega mais, vem aqui para eu sussurrar no seu ouvidinho, E ARRANCAR UM NACO DA SUA ORELHA DE MERDA!
— Acho melhor cobrir essa boquinha suja de novo.
E o cabeludo coloca outra fita. E cruza os braços na frente do emo, admirando-o enquanto Sasuke bufa.
— O quê? Você quer dizer mais alguma coisa? Ok. — e o cabeludo cretino foi lá, e puxou a fita de novo sem dó nem piedade.
— FIIIIIIIIIIILHO DA PUTAAAAAAAAAAAAAA CORNAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
— Hora de cobrir a boquinha suja de novo! — e Neji a cobre.
— Tio, tio, tio — a menina diz — Hotalu também qué puxar a fitinha do tio Emolóidas! Deixa, deixa!
Sasuke arregalou os olhos. Hehe.
Enfim, finalmente chegamos em casa. Já era tarde da noite e estávamos tão exaustos que só tínhamos fôlego para cair na cama para dormir até o próximo século. E lá estava eu, sonhando com a minha doce e amada cama, com meus lençóis cheirosinhos, quentinhos e macios...
Só que eles deixaram eu e o Sasuke amarrados na sala.
GRRRRRRRRR!
— Pessoaaaaal! Vocês não acham que isso é muita maldade, não? Eu também estou cansadinha, sabe? — resmunguei, enquanto eles subiam as escadas.
Mas quem disse que alguém iria me ouvir? Fiquei pasma com a falta de consideração, sabe?
Mas quem precisa deles? Fui saltitando até os pés da escada. Eu poderia subir por mim mesma.
— Como diz o ditado, “quem tem pés vai à Roma”. — disse pra mim mesma.
O Emo soltou uma risadinha sarcástica, da qual não gostei nem um pouco.
— Pode rir à vontade, seu parasita, pois eu estarei na minha cama e você aí.
Então, olhei para o primeiro degrau. Eu estava com os pés amarrados, e as mãos presas nas costas. Não tinha mesmo como eu pular de degrau em degrau, porque eu acabaria, numa dessas, rolando escada abaixo feito uma salsicha desengonçada. Então, me sentei no primeiro degrau. E olhei para minhas próximas opções. Fui rolando com a bunda para o lado, para meter os pés no degrau de cima, mas meu corpo ficou para baixo. Mas me desequilibrei, e rolei para o chão mesmo assim.
O Emo riu.
Eu odeio ele.
E o pior é que não consegui me levantar do chão sozinha. Sem as mãos para me dar apoio, não tinha como me reerguer. Eu tentei, tentei e tentei. De um lado para o outro, e nada. No máximo, apenas consegui me sentar de bunda no chão.
E o Emo continuava a rir da minha cara.
Eu odeio ele. Eu já disse que odeio ele? Por que eu odeio ele!
No fim das contas, tive que ir me arrastando pelo chão feito uma minhoquinha até o sofá e, toda desajeitada, consegui me atirar ali. E a essa altura, eu já estava cansada à trigésima potência.
Aí, me acomodei para dormir. E, então, o emo senta com sua bunda em cima do meu quadril.
— Ahn, com licença? Estou tentando dormir...
— ERT$¨$¨&IDTHERTW$&%ÏJHDQ#%$%¨WU! — ele resmungou.
— Não estou te entendendo...
Ele revirou os olhos, e então, começou a se debater e gemia e agonizava tentando se soltar.
— Fiquei quieto, Sasuke. Eu quero dormir. — resmunguei — Você não vai conseguir sair daí mesmo.
Tive que me sentar, porque ele não iria me deixar em paz.
Estávamos sentados no sofá, e apesar de eu ter dormido a maior parte da viagem, eu estava tão cansada de ficar naquela posição (com as pernas presas e as mãos atadas nas costas), que sentia ainda mais sono. Mas o Emo não estava tão interessado em dormir, porque ficou se remexendo fazendo gestos com a cabeça. Ele queria que eu me virasse de costas, junto com ele, para um tentar desamarrar as mãos um do outro, como nos desenhos animados. Pena que na realidade a coisa não funcionava. Então, eu apenas dei uma cabeçada no peito dele, e me joguei no colo dele para dormir esticada no sofá. Sabe, já que ele não iria se deitar mesmo...
— Uhummm. Hum-hum-huuuum-hum-hum-huuum. — resmungou.
— Psiu. Quietinho.
— GRRRRRRRRR. — rosnou.
— GRRRRR. — rosnei de volta.
Mas pelo menos, não incomodou mais.
E, no dia seguinte, acordamos com todos eles de braços cruzados, nos encarando, porque, de alguma forma, estávamos num... Bem, aquilo era um “meia nove” mesmo. Err. Por que o emo deve ter caído no sono também e se ajeitado para o lado, ficando com a cabeça em cima do meu quadril enquanto eu continuava com a cabeça no colo dele, virada para a barriga dele, sabe, encarando seu churros.
Eu mereço.
— Se divertiram? — Neji pergunta, meio irritado.
— Ah, por favor, nada disso teria acontecido se não tivessem ME AMARRADOOOO! — eu digo.
Aí, de repente, Itachi chama os meninos.
— Cambada, o negócio é o seguinte: precisamos fazer uma reunião de emergência. Tipo, AGORA! — disse, bem sério. Tão sério, que me arrepiei.
Então, junto com aquele bando de pernas, fui me dirigindo até a cozinha, saltitando com os pés juntos porque ainda estava amarrada. Fui pulando até o único local com mesa para reuniões/refeições/bagunça/sujeira/sexo. Ahém. Mas, de repente, uma parede se plantou na minha frente, me fazendo dar de nariz naquela rocha que era o peito do Itachi.
— Menos a senhorita.
— Como é que é?
— Menos a senhorita. — repetiu.
— Por quê?
— Por que nós vamos... — e desviou o olhar — Ter uma conversa de macho para machos. Ou quase.
E então, me deu um empurrão para o lado e trancou a porta da cozinha, que eu nem sabia que tinha tranca.
Eu fiquei indignada, né. Como ousam me excluir?! Fiquei batendo na porta com a cabeça, pedindo para eles me deixarem entrar, enquanto o Sasuke saltava até ali, onde eu estava. E, aí, ele grudou a orelha na porta, para tentar ouvir. Fiz o mesmo.
Pena que não ouvimos nada. Mas a pseudo reunião para machos durou menos de dez minutos. Quando me dei conta, eles abriram a porta e todos eles ficaram ali, plantadinhos, de braços cruzados, me encarando feio como se eu tivesse feito alguma coisa de errado.
Mas eu era um anjo inocente!
Ahém.
— O quê? — pergunto entre os dentes.
— Princesa, princesa, princesa... — Neji resmunga, colocando os dedos sobre a ponte do seu nariz — Assim você me decepciona.
— Eu estou estarrecido! — Naruto ainda profetiza.
— Fiquei chocado! — Sai diz.
— Estou pasmo! — até o Amoreco.
— Estou com fome. — o sobrancelhudo diz, para contribuir.
— Pra mim, dá na mesma. — Kiba assume.
Shikabum bocejou, fazendo "sim" com a cabeça. Agora, com quem ele estava concordando, eu não sei. E Sininho estava apenas roendo unhas.
— Desembuchem. — resmunguei entre os dentes, perdendo a paciência.
— Eu não sei nem por onde começar... — Itachi disse.
— Bom, como fui eu quem encontrou o artefato, — Sai dizia — acho que posso começar a dizer algumas palavras...
— AHHH, NÓS SABEMOS QUE VOCÊ ESTÁ USANDO DROGAS! — Naruto, então, se adiantou, estragando o prazer do japa.
Revirei os olhos. Sai também. E o Sasuke também.
Mas resolvi bancar a sonsa.
— Heeeeein? Desde quando eu estou usando drogas? — porque, né, nem eu sabia disso!
— Sakura, essa não foi a primeira vez! Eu encontrei um saquinho no vaso sanitário, logo depois que você saiu do banheiro, outro dia. — Sai diz, enquanto beliscava o braço do loiro.
— Ahhh!!! — lembrei — Vocês entenderam tudo errado! Eu não usei nada. Só joguei fora.
Aí, o nosso querido Carneirinho saltitou para frente, colocando o braço sobre os meus ombros, com aquela sua carinha de solidariedade fajuta.
— Sakura, Sakura, Sakura... Não adianta negar, neném.
— Não estou negando nada! Só estou afirmando: eu-não-u-sei-naaa-daaaaaa! — era tão simples! Não entendo como eles não estavam entendendo.
— Eu sei que foi o Utakata quem o vendeu para você. E ele me disse que te deu outro saco depois, neném. Além daquele que você pediu no show do Sasuke.
— MAS EU NÃO PEDI NAAAADAAAAAAAA!
Itachi pigarreia.
— Voltando à nossa questão... O que você tem a dizer sobre o artefato encontrado no vaso, neném?
— Artefato que eu joguei FOOOOOOOORA. Duh! — como eles são bobinhos.
— Ela está naquela fase da negação. — Naruto diz — É tão triste.
— Eu não consigo mais ver isso! — Neji diz, parecendo uma princesa inconsolada, que ainda coloca a mãosinha sobre a testa, fecha os olhinhos, e vira a cara.
Retardado.
— Entãaaaao... — Itachi retoma a conversa — É pensando apenas no seu bem estar, ok, neném, que nós, todos nós, decidimos que iremos colocá-la numa clínica de reabilitação.
— Clínica de Recreação?
— Reabilitação.
— Revolução?
— RE-A-BI-LI-TA-ÇÃO!
— Requeijão! — hehe.
— Você vai para lá, e ponto final! — resmunga, irritado.
— Como é que é, mané?
— É isso mesmo.
— MAS EU NÃO ESTOU USANDO DROOOOGAS! Mas que droga mesmo! Desse jeito, era melhor eu ter usado mesmo!
— Oia só, oia só! Ela já está na segunda fase, a da raiva!— Amoreco diz — Pobrezinha.— mas algo me dizia que ele estava dizendo aquilo só para me irritar.
#$*@#%#URESKRW$U#@%WEORW$J@#! E conseguiu, né?! Por que o Itachi teve que me conter, ou eu avançaria no pescoço dele. Aliás, morderia a cabeça de cada um deles, de tanta raiva!
De repente, ouvimos um ruído estranho. Era o emo, rindo da minha cara.
— Tá rindo do quê, palhaço? — o Carneiro retruca, dando um tapão na cabeça dele — Você vai pra lá também!
— UH-HUM! UH-HUM! UH-HUM! UH-HUM! — emo foi balançando a cabeça de um lado para o outro, dizendo “não”, com os olhos arregalados.
— Na verdade, eu já marquei um horário numa clínica. — e então, o Carneiro me solta mais essa.
Meu queixo foi ao chão. Fiquei tão chocada quanto um pinto num galinheiro! Quero dizer, não que eu fosse uma galinha. Err. Mas o problema aqui era: desde quando os cretinos estavam armando contra mim, pelas minhas costas? Aquilo era inaceitável!
Mas desde quando eles, alguma vez nessa história, me deram ouvidos? Isso era irritante!
Quando me dei conta, já estávamos marchando em direção ao ônibus do cabeludo.
— Mas já? Por que tão rápido? Posso ao menos comer, fazer xixi? Tomar banho?
— Neném, quanto antes, melhor. Nada de enrolações. Que, aliás, aprendi que você é muito boa nisso.
— Como é que é? W##%¨$DFWTTJHDT#%! Olha só quem fala!
— Shhhi! — ele ainda teve o desaforo de me dizer.
Mas credo! Eu tinha vontade de explodir aquela casa!
Mas, antes, a Hotaru parou na frente da porta, nos encarando com o cenho franzido, ainda agarrada ao seu ursinho decapitado.
— Pala onde estão levando a mamãe e o tio emolóidas?
Aí, o Itachi se ajoelhou na frente dela.
— A mamãe e o tio vão fazer uma pequena viagem, mas logo-logo voltarão.
— A Hotalu pode í junto?
— Não, querida, não permitem crianças lá, onde eles estão indo...
— Ahhh... Mas a mamãe e o tio Emolóidas vão voltá logo, né?
— Vão, sim.
— Quando?
— Logo, querida.
— Logo quando?
— Logo-logo.
— Logo-logo, quando?
— Logo-logo, logo.
— Logo-logo, logo, quando?
— Querida, vá dormir, vá.
Err.
Ela saiu da frente da porta, mas ficou nos encarando com aqueles olhos gigantescos.
E o Sasuke, então, se agachou na frente dela, de costas para ela. Ele fez alguma coisa com as mãos que a fez rir, e pegar na mão dele em resposta.
Em seguida, vejam bem, ele se levantou, virou, e tentou correr para longe, fugindo. Pois é. Mas, né, o idiota só parecia com um idiota amarrado, saltitando feito coelhinho. De pulinho em pulinho... Será que ele pensou mesmo que iria conseguir ir longe?
Claro que o Naruto, Sai, Amoreco e Neji conseguiram pegar ele pelos braços, pernas e cabelos, e jogá-lo para dentro do ônibus feito um saco de lixo, enquanto ele se contorcia e gemia, morrendo de raiva. Hehe.
Mas a pulga ficou coçando atrás da minha orelha, sabe?
— O que foi que ele fez? Conta para a mamãe, conta!
Mas em resposta, ela só me deu um beijinho babado no meu rosto. Err.
— Bom, você sabe que agora será a única mulher na casa, né? — disse.
— Eu e a Mulé Malavila.
— Ah, sim, claro... A Mulher Maravilha... Mas o que eu quero dizer é que agora a mamãe não vai estar por perto, então, você tem que cuidar dos meninos, entendeu?
— Pode deixá, mamãe, que a Hotalu e a Mulé Malavila vão cuidar dileitinho da casa pala quando você e o tio Emolóidas voltarem da viagem.
Aproximei-me mais dela, para sussurrar em seu ouvido.
— Com muito chicote mágico.
— Muito chicote mágico. — ela sussurra de volta.
— Boa menina.
Ahém. Não sou vingativa, nem um pouco. Ahém.
E, aí, Neji e Sai, fungando o seus nariz (err), me ajudaram a subir no ônibus.
No caminho, Itachi ia nos dizendo que escolhera um ótima clínica, com profissionais bem capacitados, que trabalhavam com tecnologia de ponta, e blablablabla. Nada daquilo me interessava. Eu só me interessava em morder o cabeção do miserável.
Num piscar de olhos, estávamos na tal clínica de reabilitação. É claro que continuamos amarrados, mas, pelo menos, eles me deram um vestido que enfiaram por cima da minha cabeça. Fiquei parecendo uma amputada com os braços presos dentro do vestido, ou pior, uma louca numa camisa de força. Mas quem se importa, não é mesmo? Argh!
O lugar, pelo menos, parecia bacana, como uma fazenda. A clínica em si, era um casarão em estilo colonial, no meio de uma área verde bonita, cheia de árvores, mosquitos, mariposas, aranhas, libélulas, e todas as criaturas diabólicas que abomino. Argh.
Na recepção, uma moça simpática nos atendeu.
— Preencha aqui os dados dos pacientes. — dizia ela para o Carneiro — Como eles estão vindo à força, precisamos da assinatura de alguém que se responsabilize.
— Eu me sinto tão adulto, me responsabilizando por alguém. — o Carneiro diz, assinando os papéis.
— E eu me sinto tão violada e violentada, nas mãos de vocês... — eu respondi, porque, né, eu realmente corria mais perigo nas mãos deles do que com criminosos. GRRRRR.
— Para a internação, — a moça disse — é necessário que o paciente tenha consigo essa listinha. — e entregou ao carneiro um panfleto com as informação. Me aproximei para bisbilhotar.
– 2 pares de calças;
– 3 blusas de frio;
– 3 camisetas ou blusas (não poderá usar roupas decotadas ou curtas);
– 3 bermudas (na altura do joelho);
– 2 jogos de cama;
– 2 toalhas de banho;
– 1 travesseiro;
– 1 cobertor ou 1 edredom;
– creme dental;
– sabonete neutro;
– xampu e condicionador;
– hidratante;
– sabão em pó;
– 5 peças de roupas intimas (cuecas/calcinha e soutien);
– 1 chinelo;
– 1 tênis sem cadarço;
– repelente;
– desodorante rolon;
OBS: nada de objetos cortantes, ou qualquer coisa que o paciente posa usar para se ferir, ou ferir outros.
Nada de saias? Isso é o quê, um convento? Mas o pior não era isso. Era o prazo para sairmos de lá: “no mínimo seis meses, podendo se estender até 12 meses, ou mais — dependendo do caso.”
Olhei para o Itachi. Ele só podia estar louco.
— CÊ TÁ LOUCO?
— Paciência é uma virtude, neném.
— Que eu não tenho! — resmunguei entre os dentes — Quando eu sair daqui, juro que vou te comer vivo, Itachi.
E o idiota olhou para a recepcionista.
— Moça, é melhor levar ela o quanto antes.
Err.
Pena que o Sasuke não estava tão tranquilo quanto eu. Ele se debatia e relinchava o tempo todo, infinitamente furioso pelo que estavam fazendo com ele — tomando toda a atenção para si. Se não fossem pelos meninos, acho que nem os enfermeiros conseguiriam segurá-lo por muito tempo, de modo que tiveram que cedar o emo com uma injeção no braço. O que me preocupou, no final das contas. Afinal, o que diabos iriam fazer conosco alí?
Então, assim que os papéis foram assinados, os enfermeiros foram nos levando. Mas antes de irem embora, o Cabeludo pediu para falar comigo por uns minutinhos.
— Você não está brava, está, princesa? — me perguntou.
— MAS É CLARO QUE EU ESTOU PUTA DA VIDA! EU ODEIO VOCÊS! VOU ROGAR UMA PRAGA PARA QUE O PINTO DE VOCÊS CAIA! — @#@#%#$¨%@#$@¨$%$%#!
Ele soltou um longo e pesado suspiro.
— Acredite, eu preferia mil vezes que você ficasse em casa!
— Olha só que coincidência, eu também! Então me leva de volta para casa, e assim todo mundo fica feliz! — a solução era tão simples e fácil de se resolver!
— Princesa, vocês têm problemas a resolverem. Enquanto não saírem daqui bem, nada poderemos fazer. Isso é para o bem de vocês.
— MAS EU NÃO ESTOU USANDO N... — ele me interrompeu colocando um dedo nos meus lábios. E, então, de repente, me peguei hipnotizada por aqueles olhinhos claros me encarando com seriedade. E, em seguida, me tascou um beijo no melhor estilo limpa-fossa. Sua língua ia varrendo todos os cantinhos da minha boca, sugando toda a minha saliva, meus dentes, minha garganta, meus micróbios e um pouquinho das minhas energias... Quero dizer, minhas pernas ficaram bambas.
E aí, quando desgrudou de mim, me olhou novamente com aqueles olhinhos que eu ainda ei de comer. Err.
— Eu te amo, princesa, e quero que você fique bem...
— Ahã...
— Promete fazer tudo direitinho, o que eles mandarem aqui?
— Ahã...
— Ok... Fique bem, pra gente poder voltar com tudo pra banda, ok?
— Ahã...
— Nós iremos trazer suas coisas depois e, não se preocupe, viremos visitá-los todos os fins de semana...
— Ahã...
Ele ficou me encarando por mais alguns segundos, com aquela expressão séria, de cenho franzido, preocupado. E, então, sem dizer mais nada, me deu as costas.
E algo meio estúpido me ocorreu: talvez, ele acreditasse que eu estivesse usando drogas apenas como uma desculpa para ir atrás do Sasuke. E, talvez, a clínica fosse uma esperança para ele.
— MAS EU NÃO ESTOU USANDO NADAAAAAAAAAAAA! — minha voz até fez eco pelo corredor. “Nada, nada, nada, nada” nada vai me tirar dali! Argh!
Saco.
De repente, enfermeiros me cercaram para me levar para o meu dormitório.
Era um quartinho pequeno, meio claustrofóbico, com uma janela pequena, gradeada, que dava para o pátio. Aí, de repente, um dos enfermeiros me entrega um copinho descartável com um comprimido branco.
— Para quê isso? Quem está doente?
— É só um calmante. — me diz.
— Olha bem para a minha cara, meu querido. Eu pareço não estar calma? — eu estava calma, até demais!
— Se eu ganhasse um trocado, para cada vez que ouvisse isso, acredite, eu não estaria aqui.
— E onde é que você estaria?
— Em qualquer lugar, menos aqui.
Err.
Depois de engolir a porcaria, eles me deram um cronograma de atividades: horário das refeições, horário da terapia grupal, horário da terapia individual, horário para recreio, horário para dormir, horário para acordar, horário para tomar banho, horário para arrumar as camas, horário para exercícios físicos, horário para o aromaterapia, horário para remédios, horário para assistir televisão... Só faltava ter horário para cagar! Err.
Depois que eles tiraram as amarras dos meus pés e punhos, fui dar uma volta pelo pátio. De acordo com o cronograma, logo teríamos a primeira seção de terapia grupal. Então, como quem não quer nada, fui caminhando por aí.
O casarão era realmente bacana, com ambientes espaçosos e tudo muito bem limpo e organizado. Algumas pessoas me encaravam. Algumas pessoas tinham problemas sérios. E eu só tinha meus cabelos cor de rosa, e um pouquinho de medinho das pessoas com chiliques e tics nervosos que passavam por mim...
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