Incógnita
13 12. O que tinha embaixo do tapete - Parte 1
Notas iniciais
E aí, quem já tá de férias?!
O ritmo constante dos amplificadores de som da festa da noite anterior ainda soava na minha cabeça.
– Acorde Bela Adormecida. – escuto Jasmine cantarolar enquanto abre as cortinas do quarto de Ísis.
– Se você não tivesse me feito ir àquela festa ontem à noite eu já teria me levantado há tempos. – murmuro contra o travesseiro.
– Mas você foi por vontade própria. E além do mais, você se divertiu e conheceu gente nova.
– É, ok. – desisti – Aquele Tyler, que cara estranho.
– Concordo. – disse Ísis enquanto saía do banheiro, agora usando um mini shorts e uma regata folgada de malha. – Estranhamente gostoso.
– Meu deus! – digo pasma – Ele tem namorada, Ísis.
– Isso não significa que não podemos admira-lo.
– Bem, tanto faz, eu só não quis dizer estranho assim. Ele estava praticamente dizendo que eu deveria sair de lá.
– Talvez, ele quisesse sair de lá com você. – supõe Jasmine enquanto procura uma roupa no armário e sai para se trocar no banheiro.
– Por favor! Desisto de vocês! Não sei como fui me tornar amiga de vocês duas.
– Foi só você chegar a uma cidade que ninguém lhe conhece, o resto é consequência. – brinca Ísis enquanto passa protetor solar.
– Ok. – murmuro – Vou me arrumar e ir para casa. – falo enquanto me levanto.
– Não, você vai conosco para a festa na piscina. – protesta Ísis.
– Que festa? Não basta a de ontem? – faço beicinho.
– A que eu vou dar hoje.
– Se só tem eu, você e Jasmine não é uma festa.
– Por isso tem mais gente. – fala orgulhosa.
– Quem você chamou? – pergunto cansada.
– Harrison, Sarah, Tyler, um pessoal da escola. – responde Jasmine deixando o banheiro e com um mini vestido com um biquíni por baixo ao invés de seus pijamas.
– Uhm, ok. É melhor eu ir me trocar, desisto de vocês. Eu já disse isso? – pergunto sarcasticamente enquanto vou para o banheiro.
Visto uma blusa e shorts com a menor intenção de entrar n’água e saio para encontrar as meninas na piscina, Ísis arrumando a mesa de petiscos e conferindo os refrigerantes e Jasmine ligando o som e decidindo qual seria a lista de reprodução a ser escolhida.
– Posso ajudar em alguma coisa? – pergunto.
– Não. – respondem as duas em uníssono.
Olho ao redor e vejo três espreguiçadeiras, pego a que está menos exposta ao sol e me deito tentando ficar acordada, mas sem êxito.
Não sei quanto tempo se passou e escuto uma risada rouca que o meu subconsciente adormecido reconhece.
– Olá Bela Adormecida!
– Parem de me chamar de Bela Adormecida. – sussurro em uma ponte entre o sono e o despertar. – Eu não sou uma princesa.
– Obviamente que não. Você deveria ver como baba enquanto dorme. Nada majestoso.
– Eu não babo enquanto durmo. E eu não estava dormindo. – abro os olhos e me sento para encarar o sorriso idiota de Harrison. Ele usa uma blusa com decote em V, não muito profundo, mas o suficiente para exibir seus músculos. Ele parece maior. Como que diabos ele cresceu e ficou mais forte em um dia?!
– Não era o que parecia. – fala apontando para a espreguiçadeira.
– Muito engraçado. Há quanto tempo está aqui?
– Alguns minutos.
– Uhm. – padeço à afirmação dele e ele sorri.
– Parece que você está de ressaca da festa de ontem.
– Jasmine me fez ficar até o fim. Bem, até o “amigo” dela ir embora. – falo fazendo uma careta e fazendo ele sorri mais uma vez.
– Talvez eu devesse ter ficado para lhe fazer companhia. – diz rindo.
– Teria sido bem melhor do que a companhia de Tyler.
– Que Tyler? – pergunta curioso.
– Ah, um cara aí, namorado de uma das amigas das meninas. – respondo indiferente – Ele estava quase me expulsando de lá!
– Uhm. – murmura em compreensão. – Vai entrar na piscina? – tenta mudar de assunto.
– Não! – quase digo em um grito. – Não tenho biquíni. E nem morta que iria entrar.
– Não ter biquíni não é problema. – fala enquanto um sorriso sagaz surge em seus lábios.
Levo um tempo para assimilar o que ele disse e sua expressão e quando o faço minha reação é descomedida.
– Han, han. Nem pense nisso!
– No quê eu estou pensando? – pergunta inocentemente.
– Você não vai me jogar na piscina. – digo em desespero e ele se levanta do chão onde estava sentado. – Eu posso pegar um resfriado. – protesto enquanto seguro os dois lados da espreguiçadeira. Ele olha para mim como se tivesse acabado de ter uma ideia e leva a mão a minha barriga fazendo cócegas e para afasta-lo eu solto a espreguiçadeira e tento empurra-lo, mas ele é mais rápido e me pega em seus braços e ouço os urros de exclamação das pessoas que estavam na festa nas quais eu nem havia reparado. Agarro-me protestando ao pescoço de Harrison e por baixo de sua blusa sinto as saliências de seus músculos. Ele caminha à borda da piscina me carregando como se eu pesasse o mesmo que uma boneca de pano. Ele olha para mim e eu sei que ele vai me jogar agora.
– Se você me jogar eu não vou cair sozinha. – e aperto os meus braços ao redor de seu pescoço e em seguida escuto o som da água ao impacto de nossos corpos e os shorts jeans ficam mais pesados. Todos começam a gargalhar e em seguida mais corpos caem dentro d’água.
***
– Parece que a falta de biquíni não lhe impediu de entrar na piscina.
– Claro, com pessoas sem limites e extremamente insistentes como você, nunca seria um impedimento. – zombo para Harrison enquanto enxugo os meus cabelos e espremo a blusa e agradeço internamente por estar usando um sutiã com bojo.
– Você quer um refrigerante?
– Uma coca, por favor. – digo e ele saí com sua blusa e bermuda pingando em busca do refrigerante, me deixando só para me sentar novamente na minha espreguiçadeira e secar na pequena exposição ao sol.
– O que foi aquilo? – pergunta Ísis se sentando ao meu lado. Ela tirou a blusa revelando um biquíni com uma estampa colorida que combinava com sua cor de pele e valorizava seu busto.
– Boa pergunta.
– Ele definitivamente gosta de você.
– Claro que não. Ele é apenas um amigo.
– Ok, se você diz...
– Onde está a Jasmine? – pergunto olhando ao redor e uma tentativa de mudar de assunto.
– David.
– Ela chamou ele?! – digo impressionada.
– Pois é, ela não perde tempo.
– Você deveria estar se divertindo também Ísis. Você que está dando a festa.
– Não estou muito a fim.
– Procure alguém para ir dançar. – digo apontando para o outro lado onde um grupo se reunia dançando no gramado.
– Talvez eu faça isso.
– Ótimo, então vá! – digo vendo que Harrison já está voltando com as bebidas.
– Sabe, o seu nome é muito difícil. – digo enquanto pego o meu refrigerante.
– É em homenagem ao meu avô. – explica.
– Então ele deve ser orgulhoso de você.
– Espero que ele seja. – diz como se estivesse relacionando isso a um segredo. – Mas se o meu nome é um problema, pode me chamar de Harry.
– Parece bem mais fácil. – digo sorrindo para ele. – Harry. – acrescento e ele sorri, mas sua expressão muda subitamente como se lembrasse de algo.
– Olhe, eu preciso falar com você sobre uma coisa. – diz me preocupando.
– Diga. – o incentivo, contudo sinto certo receio ao que ele vai dizer.
– É meio complicado e você vai me achar um louco.
– Não mudaria nada. – falo tentando quebrar a tensão.
– Certo é o seguinte- – paro ele no meio da frase ao ver quem se aproxima de nós.
– Simplesmente inacreditável!
– Qual o problema? – pergunta Harry enquanto olha para trás.
– Tyler. – explico.
– Ava, eu já disse que você não deveria estar aqui. – diz Tyler quando chega ao nosso lado.
– Por que você fica repetindo isso?
– Não posso lhe explicar. É perigoso.
– Quem é você? – Harry analisa Tyler da cabeça aos pés e parece temê-lo.
– Você tem que sair daqui. – fala Tyler ignorando a pergunta de Harry.
– Você terá que me explicar primeiro.
– Eu não posso. Mas você corre perigo. – diz e algo em meu subconsciente se alerta ao aviso dele.
– O que você sabe sobre mim? – pergunto amedrontada. Ele se abaixa e para com alguma coisa. Lentamente ele se vira para Harry.
– Você fez isso? – indaga.
– Você é não é? – diz Harry.
– Por favor, alguém me localize nessa conversa! – imploro.
– Sim, eu sou. – afirma Tyler.
– Mal posso acreditar. Um nefilim. – Um nefilim. Um nefilim? Um nefilim?!
Lembro-me da conversa que tive com Irina no dia que a conheci.
– Que nefilim? – pergunto.
– Você já sabe dos nefilins? – pergunta Tyler.
– Talvez. – respondo. – Vocês podem esclarecer o que está acontecendo?
– Ótimo! – Tyler se exalta. Ele respira duas vezes e olha para mim. – Há um nefilim atrás de você.
Minha pulsação para por um segundo e volta mais acelerada. Ao escutar a afirmação de Tyler percebo que eu já tinha uma intuição em relação aquilo.
– Ótimo! – repito. – E por que eu não posso estar aqui?
– Por que também tem um anjo caído atrás de você. – explica Harry.
– E como você sabe isso?
– Porque eu sou o anjo caído. – explica e eu sinto o sangue drenar de meu rosto.
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