Incêndio

1 Capítulo 1- ÚNICO- SOFRIMENTO


Notas iniciais
Eu tenho apenas Doze anos, então me desculpem os erros.
Essa fic foi um modo de dizer " Se eu, uma garota tão nova, consigo ver a tragédia que aconteceu, pq idiotas desalmados e sem coração, não conseguem? VOCÊ QUE DIZ ESTAR CANSADO DE OUVIR NOTÍCIAS SOBRE O INCÊNDIO, PARE, PENSE! PENSE O SOFRIMENTO DE QUEM ESTAVA LA DENTRO E PRINCIPALMENTE DA FAMÍLIA.
UM HOMEM FEZ O QUE VOCÊ NÃO TERIA CORAGEM DE FAZER, ELE VOLTOU PARA SALVAR MAIS PESSOAS!

Meu nome é Daniele e eu tinha 24 anos quando aconteceu...
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-Manhêê!- Eu gritava pela decima vez naquele dia. Estava tentando convence-la a me deixar ir a uma boate naquela noite. Eu não era muito festeira, mas minha amiga Leticia havia me convidado, era o aniversário do irmão dela e teria um show incrível.
– Por favor, Dona Maria! Eu prometo que não deixo ela beber nada!- Gabriel, irmão da Lelê, também tentava colocar na cabeça da minha mãe que nada aconteceria. Normalmente qualquer um pensaria “Ora, você é de maior, pode muito bem tomar conta da sua vida”, mas eu não era assim, devia respeito á minha velha e só saia quando ela deixava.
-Tudo bem! – Rendeu-se.
Z...z....Z...z....Z- É incrível como as coisas funcionam na vida- z...Z...z...Z...z
Sabado- 15 hrs.

-Filha, por favor, não vá. Eu tenho um pressentimento ruim.
-Poxa, mãe, eu já combinei com todo mundo, a senhora deixou lembra? E toda vez que eu vou sair, você fica com um mal pressentimento- sorri- é só uma boate e é aqui do lado, o que poderia acontecer. ­ — Realmente minha mãe vivia dizendo que seus pressentimentos não falhavam, uma vez ela mandou eu não subir para lajinha da minha casa, eu fui e acabei com a perna quebrada, mas eu, ainda com essa memória rondando meus pensamentos, fui...
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Em um momento, eu estava feliz, dançando, bebendo, brincando, mas isso não durou. O show principal começou, era uma bandinha bem famosa na nossa cidade Gurizada Fandangueira, um nome bem interessante, pensando por um lado . O vocalista acendeu um bastão sinalizador, fagulhas atingiram o teto forrado com espuma e isopor que começou a pegar fogo. Um dos melhores dias da minha vida virou um pesadelo. As pessoas ao notarem o que aconteceu, começaram a correr. O teto lambido pelo fogo e a fumaça negra cobrindo-nos.

A única luz que muitos viram e seguiram, uma porta, ao lado do portão de entrada que emanava luz, eu sabia que ali era só o banheiro, tentei gritar, mas era somente mais uma voz em um mar de gritos. Era literalmente a luz no fim do túnel, mas essa luz não levava a saída.

No meio da confusão, me perdi de meus amigos, um louco empurra-empurra que derrubou muita gente, pessoas estas, que foram pisoteadas. Meus pulmões doíam, mais ou menos mil e setecentas pessoas correndo, quase cem pessoas mortas.

Eu pensei em empurrar todos, mas valeria realmente a pena matar para me salvar? Pensei na minha mãe, uma mulher forte, mas que desmoronava só de pensar em mim machucada. Não, não valia a pena. Essas pessoas tinham mães, que, como a minha, choraria pela morte de seu filho.

Não tinha mais chances para mim, sentei-me em um canto tentando puxar um pouco de oxigênio. As pessoas se matando para tentar sair, não as culpava, no desespero valia tudo. Mais pessoas entravam no banheiro, e, as que percebiam a furada, tentavam sair, enquanto eu desistia de lutar. Os seguranças fecharam a única porta e ai todos enlouqueceram. Pessoas mais fracas, caiam no chão buscando por ar, o nervosismo os faziam respirar mais rápido e todos estavam desesperados. Os mais fortes batiam com suas ultimas forças na porta, até que finalmente, percebendo o que acontecia, os seguranças a reabriu e novamente o desespero começou.

Eu ainda estava no canto, cercada por corpos e um celular apitava do meu lado, não resisti. Uma conversa;
“- Amor – a primeira frase mostrava – você vai poder ir a festa na Kiss?
-Não me sinto bem, mas divirta-se e JUIZO!
-Sei, eu te amo! Prometo voltar um pouco mais cedo p/ ficar com vc, ok ?
-Tudo bem.”
A ultima mensagem, era do proprietário do celular e dizia;
“-Desculpe-me, eu te amo, mas não vou poder voltar para casa, estou morrendo. “
Deixei o celular ali e em um ímpeto de adrenalina levantei-me, mas estava muito fraca, olhos, braços, pernas, tudo muito dolorido. Respirar estava-se tornando impossível. Pessoas ainda tentavam a porta do banheiro e cada qual tinha um olhar de horror diferente ao perceber que ali não era o lugar, eu não via, mas eu sentia.

Um garoto, eu o vi sair, mas lá estava ele novamente, segurando uma garota no colo e segurando a mão de mais alguns. Ele cortou a multidão e conseguiu sair com mais ou menos dez pessoas na sua cola, mas ele voltou e levou mais duas. Na sua terceira entrada, ele veio até mim, mas eu balancei a cabeça, com um fio de voz eu disse:
-Salve eles – apontei para dois garotos, aparentavam ter dezoito anos, a vida ainda pela frente, vivos, mas fracos. Ele como um verdadeiro herói, acenou e levantou os dois garotos com grande dificuldade e seguiu para a multidão aglomerada nas portas. Um erro aconteceu, os dois jovens saíram, mas ele não conseguiu, tombou e caiu no chão e isso foi o suficiente para me acordar.

Ele era um homem grande, mas com ajuda de algumas pessoas que também tinham desistido de encarar a saída eu o puxei, antes que fosse pisoteado.
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Algumas pessoas se arrastavam para fora, mas não tinham chances, o fogo, a fumaça, tudo piorava a situação. Com minhas ultimas forças eu apertava a mão daquele que tentara me salvar, mas eu inalei muita fumaça e comecei a ver tudo se apagando, um buraco enorme foi feito na parede e os poucos que sobraram saíram, com o impacto, a porta do banheiro abriu-se e eu olhei, todos mortos.

A escuridão foi me tomando e a ultima coisa que eu vi foram as estrelas no céu azul, varias vozes e o corpo do jovem valente sendo separado de mim, sua mão deslizando da minha... Escuridão.
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-Minha....-
Luz/ Dor/ Sofrimento/ vazio / Dor/
Foi o que eu senti ao abrir os olhos e exasperada procurei o fogo, mas tudo o que encontrei foi o teto branco, comecei a tossir.
-Mãe- sussurrei.- Como?
-Não sei minha filha, você foi trazida pro hospital com o pulso muito fraco. Só te acharam porque você estava perto da porta.
-Eu inalei muita fumaça, não era para ter conseguido aguentar tanto tempo.
-Também não intendo, talvez um milagre? Com certeza um milagre! Se eles demorassem mais um pouco você morria com toda certeza.
-E o herói?
-Ele não resistiu. Parabéns minha filha- sussurrou minha mãe- feliz aniversário!
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Foi isso que aconteceu há três dias. Hoje o médico afirmou que os que sobreviveram poderiam ficar com doenças sérias e/ou morrerem. Ainda estou no hospital, corro risco de vida, meus amigos ainda não foram encontrados, talvez ainda estejam na boate. A única coisa que me mantém viva é minha mãe, o sanfoneiro do grupo também morreu.
Foram encontrados 235 corpos incluindo meu herói.
A pergunta que não para de rondar em minha mente é “ POR ONDE OS INTEGRANTES DA BANDA SAIRAM?” Tinha outra saída? Porque eles não falaram? Por quê?
E agora agradeço a Deus todos os dias, por mais um dia de vida.

Notas finais
Eu não consegui dormir por causa dessa tragédia, realmente me tocou muito, então por favor não me xinguem caso achem um "abuso" eu escrever sobre isso.
É realmente muito triste, e eu nunca que iria querer ofender alguém. Foi só um modo de desabafar, tirar esse fardo de cima de mim.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!