Incêndio
1 Capítulo 1- ÚNICO- SOFRIMENTO
Notas iniciais
Essa fic foi um modo de dizer " Se eu, uma garota tão nova, consigo ver a tragédia que aconteceu, pq idiotas desalmados e sem coração, não conseguem? VOCÊ QUE DIZ ESTAR CANSADO DE OUVIR NOTÍCIAS SOBRE O INCÊNDIO, PARE, PENSE! PENSE O SOFRIMENTO DE QUEM ESTAVA LA DENTRO E PRINCIPALMENTE DA FAMÍLIA.
UM HOMEM FEZ O QUE VOCÊ NÃO TERIA CORAGEM DE FAZER, ELE VOLTOU PARA SALVAR MAIS PESSOAS!
Meu nome é Daniele e eu tinha 24 anos quando aconteceu...
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-Manhêê!- Eu gritava pela decima vez naquele dia. Estava tentando convence-la a me deixar ir a uma boate naquela noite. Eu não era muito festeira, mas minha amiga Leticia havia me convidado, era o aniversário do irmão dela e teria um show incrível.
– Por favor, Dona Maria! Eu prometo que não deixo ela beber nada!- Gabriel, irmão da Lelê, também tentava colocar na cabeça da minha mãe que nada aconteceria. Normalmente qualquer um pensaria “Ora, você é de maior, pode muito bem tomar conta da sua vida”, mas eu não era assim, devia respeito á minha velha e só saia quando ela deixava.
-Tudo bem! – Rendeu-se.
Z...z....Z...z....Z- É incrível como as coisas funcionam na vida- z...Z...z...Z...z
Sabado- 15 hrs.
-Filha, por favor, não vá. Eu tenho um pressentimento ruim.
-Poxa, mãe, eu já combinei com todo mundo, a senhora deixou lembra? E toda vez que eu vou sair, você fica com um mal pressentimento- sorri- é só uma boate e é aqui do lado, o que poderia acontecer. — Realmente minha mãe vivia dizendo que seus pressentimentos não falhavam, uma vez ela mandou eu não subir para lajinha da minha casa, eu fui e acabei com a perna quebrada, mas eu, ainda com essa memória rondando meus pensamentos, fui...
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Em um momento, eu estava feliz, dançando, bebendo, brincando, mas isso não durou. O show principal começou, era uma bandinha bem famosa na nossa cidade Gurizada Fandangueira, um nome bem interessante, pensando por um lado . O vocalista acendeu um bastão sinalizador, fagulhas atingiram o teto forrado com espuma e isopor que começou a pegar fogo. Um dos melhores dias da minha vida virou um pesadelo. As pessoas ao notarem o que aconteceu, começaram a correr. O teto lambido pelo fogo e a fumaça negra cobrindo-nos.
A única luz que muitos viram e seguiram, uma porta, ao lado do portão de entrada que emanava luz, eu sabia que ali era só o banheiro, tentei gritar, mas era somente mais uma voz em um mar de gritos. Era literalmente a luz no fim do túnel, mas essa luz não levava a saída.
No meio da confusão, me perdi de meus amigos, um louco empurra-empurra que derrubou muita gente, pessoas estas, que foram pisoteadas. Meus pulmões doíam, mais ou menos mil e setecentas pessoas correndo, quase cem pessoas mortas.
Eu pensei em empurrar todos, mas valeria realmente a pena matar para me salvar? Pensei na minha mãe, uma mulher forte, mas que desmoronava só de pensar em mim machucada. Não, não valia a pena. Essas pessoas tinham mães, que, como a minha, choraria pela morte de seu filho.
Não tinha mais chances para mim, sentei-me em um canto tentando puxar um pouco de oxigênio. As pessoas se matando para tentar sair, não as culpava, no desespero valia tudo. Mais pessoas entravam no banheiro, e, as que percebiam a furada, tentavam sair, enquanto eu desistia de lutar. Os seguranças fecharam a única porta e ai todos enlouqueceram. Pessoas mais fracas, caiam no chão buscando por ar, o nervosismo os faziam respirar mais rápido e todos estavam desesperados. Os mais fortes batiam com suas ultimas forças na porta, até que finalmente, percebendo o que acontecia, os seguranças a reabriu e novamente o desespero começou.
Eu ainda estava no canto, cercada por corpos e um celular apitava do meu lado, não resisti. Uma conversa;
“- Amor – a primeira frase mostrava – você vai poder ir a festa na Kiss?
-Não me sinto bem, mas divirta-se e JUIZO!
-Sei, eu te amo! Prometo voltar um pouco mais cedo p/ ficar com vc, ok ?
-Tudo bem.”
A ultima mensagem, era do proprietário do celular e dizia;
“-Desculpe-me, eu te amo, mas não vou poder voltar para casa, estou morrendo. “
Deixei o celular ali e em um ímpeto de adrenalina levantei-me, mas estava muito fraca, olhos, braços, pernas, tudo muito dolorido. Respirar estava-se tornando impossível. Pessoas ainda tentavam a porta do banheiro e cada qual tinha um olhar de horror diferente ao perceber que ali não era o lugar, eu não via, mas eu sentia.
Um garoto, eu o vi sair, mas lá estava ele novamente, segurando uma garota no colo e segurando a mão de mais alguns. Ele cortou a multidão e conseguiu sair com mais ou menos dez pessoas na sua cola, mas ele voltou e levou mais duas. Na sua terceira entrada, ele veio até mim, mas eu balancei a cabeça, com um fio de voz eu disse:
-Salve eles – apontei para dois garotos, aparentavam ter dezoito anos, a vida ainda pela frente, vivos, mas fracos. Ele como um verdadeiro herói, acenou e levantou os dois garotos com grande dificuldade e seguiu para a multidão aglomerada nas portas. Um erro aconteceu, os dois jovens saíram, mas ele não conseguiu, tombou e caiu no chão e isso foi o suficiente para me acordar.
Ele era um homem grande, mas com ajuda de algumas pessoas que também tinham desistido de encarar a saída eu o puxei, antes que fosse pisoteado.
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Algumas pessoas se arrastavam para fora, mas não tinham chances, o fogo, a fumaça, tudo piorava a situação. Com minhas ultimas forças eu apertava a mão daquele que tentara me salvar, mas eu inalei muita fumaça e comecei a ver tudo se apagando, um buraco enorme foi feito na parede e os poucos que sobraram saíram, com o impacto, a porta do banheiro abriu-se e eu olhei, todos mortos.
A escuridão foi me tomando e a ultima coisa que eu vi foram as estrelas no céu azul, varias vozes e o corpo do jovem valente sendo separado de mim, sua mão deslizando da minha... Escuridão.
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-Minha....-
Luz/ Dor/ Sofrimento/ vazio / Dor/
Foi o que eu senti ao abrir os olhos e exasperada procurei o fogo, mas tudo o que encontrei foi o teto branco, comecei a tossir.
-Mãe- sussurrei.- Como?
-Não sei minha filha, você foi trazida pro hospital com o pulso muito fraco. Só te acharam porque você estava perto da porta.
-Eu inalei muita fumaça, não era para ter conseguido aguentar tanto tempo.
-Também não intendo, talvez um milagre? Com certeza um milagre! Se eles demorassem mais um pouco você morria com toda certeza.
-E o herói?
-Ele não resistiu. Parabéns minha filha- sussurrou minha mãe- feliz aniversário!
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Foi isso que aconteceu há três dias. Hoje o médico afirmou que os que sobreviveram poderiam ficar com doenças sérias e/ou morrerem. Ainda estou no hospital, corro risco de vida, meus amigos ainda não foram encontrados, talvez ainda estejam na boate. A única coisa que me mantém viva é minha mãe, o sanfoneiro do grupo também morreu.
Foram encontrados 235 corpos incluindo meu herói.
A pergunta que não para de rondar em minha mente é “ POR ONDE OS INTEGRANTES DA BANDA SAIRAM?” Tinha outra saída? Porque eles não falaram? Por quê?
E agora agradeço a Deus todos os dias, por mais um dia de vida.
Notas finais
É realmente muito triste, e eu nunca que iria querer ofender alguém. Foi só um modo de desabafar, tirar esse fardo de cima de mim.
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