Incursões

5 Parte 5 – As montanhas de Aurora.


Notas iniciais
Douglas e o grupo dele decidem parar na vila Aurora para obter armamento e vestimentas, é nessa hora que ele tem que entender o porque Baal o trata com tanta rispidez.

O vilarejo de Aurora é um ponto turístico importante do reino de Trachmas, cercados por montanhas verdejantes terrenos férteis é um belo local para se repousar, sendo também um ponto onde aventureiros se encontram para adquirir armas e armaduras de altíssima qualidade graças as minas que se encontram perto do local podendo assim os ferreiros conseguir metais raríssimos.

Douglas estava admirado com toda aquela paisagem enquanto galopava calmamente até seu destino, Baal e Maya seguiam na frente para planejar quais seriam os próximos passos da equipe e Mayhem atrás deles pensativo.

Os aldeões o receberam de braços abertos o que impulsionou na curiosidade de Douglas, era como se eles conhecessem o grupo que o escoltaria até a suposta fresta que o levaria para casa há muito tempo.

— Há seis anos atrás, uma das nossas missões era segurar uma onda de criaturas demoníacas que vinham do reino das sombras, foi uma batalha complicada, mas no fim acabamos dando conta.

— Foi antes de Bruhen partir?

— Sim! – Mayhem sorriu. – Você deve ter ouvido muito esse nome.

— Sim, vocês não param de falar dele.

— Realmente. – Mayhem se pôs pensativo. – Se não fosse eles eu e Maya continuaria sendo apenas ladrões que furtavam pães nos vilarejos mais pobres e Baal praticamente um aristocrata famoso.

— Baal aristocrata?

— Ele pertence a uma família nobre de homens raposas que detém quase um terço das terras do reino, mas aparentemente ele se cansou das “podridões” que a própria família jogava por debaixo do tapete e fugiu de casa.

— E no fim se tornou comandante de uma tropa de arqueiros.

— Pode-se dizer que era o destino dele fazer parte de uma área nobre, do mesmo modo que ele saiu ele retornou mais importante.

— E isso te incomoda?

— Porque está dizendo isso? – Indagou Mayhem assustado.

— Depois que Bruhen partiu você foi o único que tomou uma vida tão vangloriada assim.

— Eu só me cansei disso tudo, mas aqui estamos, como nos velhos tempos.

Douglas ao notar que a conversa havia sido encerrada deu uma olhada no smartphone, na janela de status onde mostrava aqueles que iriam guia-lo até a fresta que o levava para sua casa e também as criaturas que ele havia capturado, Baal não tinha status apresentado para ele.

— Mas que estranho.

Os quatro foram em direção a uma pousada se abrigar por alguns dias já que as vestimentas poderiam demorar para estarem prontas e assim após deixar as coisas nos quartos foram em direção ao alfaiate realizar as medições.

Uma senhora de óculos finos que vestia uma roupa remendada os recebera com muita gentileza, e após ajeitar os óculos no rosto ela apresentou um rosto de surpresa.

— Por Deuses, Mayhem, Maya e Baal, eu quase não os reconheci?

— Há quanto tempo senhora Gertrudes. – Mayhem deu-lhe um abraço apertado.

— Faz um tempo mesmo. – Gertrudes pegou delicadamente as mãos de Maya. – Veja só, Maya, como você cresceu.

— É bom vê-la novamente Gertrudes. – Disse Maya com sorriso no rosto.

— E pelas suas vestimentas vejo que retornou para vossa família.

— Na verdade sou comandante de uma tropa de arqueiros da família real.

— É praticamente retornando pra casa, e você. – Gertrudes ajeitou novamente os olhos e encarou o Douglas esperando reconhece-lo. – Você é novo.

— Eu sou o Douglas, prazer.

— Nossa, um novo integrante do grupo?

— Na verdade ele é nossa “missão”. – Corrigiu Mayhem. – Temos o trabalho de leva-lo para casa.

— Veja só, eu tinha ouvido boatos de que o grupo de Bruhen tinha sido dispersado, onde está ele?

— Bem, na verdade foi mesmo e ele não retornou.

— Ah, sinto muito querido, mas por favor sintam-se em casa, que tipo de vestimentas vocês querem agora.

— Bem, um tipo furtivo no mínimo, e dessa vez nós pagaremos. – Comentou Baal.

— Não precisa disso, nós temos um débito inestimável após salvar nossas casas naquele dia.

— Isso foi há seis anos, por favor.

— Está bem, eu aceito, mas não me impeçam de lhe darem um bom desconto.

A senhora Gertrudes fez a medição de cada um dos integrantes, Douglas foi deixado por último, enquanto ela media o tamanho do braço com a trena ela não se conteve em perguntar.

— Então garoto, você é o objetivo do grupo?

— Sim, eu preciso retornar para minha casa logo.

— Mas quer dizer que você não gostou de ficar aqui.

— Bem, não é questão de gostar ou não, apenas que este não é o meu lugar.

— Mas, e se você tivesse a oportunidade de ficar aqui, você ficaria?

Douglas se pôs a pensar.

— Permaneceria aqui em busca de aventuras, conquistas, reconhecimento, algo que você nunca conseguiria no seu mundo real. – Continuou Gertrudes.

— Espera um pouco? Como você sabe...

— Ora, está no seu semblante. – Interrompeu Gertrude. – Você demonstra um olhar deprimido mesmo tentando esconder com sorrisos e risadas.

— É que, por conta de minhas escolhas erradas no meu mundo eu acabei terminando em um momento de minha vida que eu não queria estar.

— Ora, e porque não começar do zero em um mundo novo? Você pode fazer isso, é só permanecer por aqui.

Ela então guardou a trena e secou com as costas da mão a testa umedecida.

— Eu aposto que o reino de Trachmas te receberá com braços abertos.

— Não tenho tanta certeza. – Douglas desceu do pedestal. – A última vez eles tentaram me matar.

— Ora, só olhar a sua volta, Mayhem e Maya eram simples bandidos de estrada e se tornaram os heróis dessa pacata vila, porque você também não pode se tornar?

Douglas olhou para baixo em busca de resposta e logo em seguida a encarou.

— Obrigado senhora Gertrudes, você realmente me animou.

— Ora, não precisa agradecer querido, você já pode ir. Avise eles que estará pronto daqui a três dias.

—X-

No hotel o grupo continuou discutindo sobre os planos para invadir o castelo do reino sombrio quando finalmente Baal os interrompeu.

— Vocês estão com fome?

— Agora que você disse. – Comentou Mayhem. – Vamos encerrar por enquanto.

— Vocês não precisam ir, eu trago o jantar, Douglas. – Baal olhou para ele que estava sentado na poltrona perto da janela. – Você poderia me ajudar?

— Claro.

No meio do caminho Baal pegou ele pelo colarinho e encostou na árvore com tudo.

— Pra que tudo isso?

— O que a Gertrudes falou contigo?

— Nada, porque essa neura.

— Desembucha, não me diga que ela te convenceu a ficar.

— Eu não vou ficar, tenha calma, porque tudo isso?

Baal O soltou e Douglas ajeitou seu colarinho.

— Me desculpe. – Disse Baal. – É o stress.

— Stress coisa nenhuma. – Disse Douglas apontando pra ele.

— Como é?

— Deste que a gente se conheceu você me trata com indiferença, você não vai com a minha cara? Não me importo, mas até eu ir embora você vai ter que me tolerar.

Baal se surpreendeu com a sinceridade do garoto e sorriu de canto do focinho.

— Tem razão, me desculpa por tudo isso.

— Acho bom mesmo.

Um alerta do smartphone chamou atenção de Douglas, ele então colheu de seu bolso e notou que o status de Baal havia aparecido, o sorriso de canto de boca alertou ele.

— O que foi?

— Ah, nada não.

X

Um sinal soou por todo vilarejo, uma onda de criaturas voadoras e esqueléticas partindo o céu como uma grande névoa aterradora tomou o vilarejo, os cidadãos se esconderam em seus lares e os três que acompanharam Douglas saíram da pousada, Baal pediu para que ele permanecesse lá pois seria alvo fácil.

— São muitos, será que daremos conta?

— Tenho magias espaciais e que enviara metade deles longe daqui.

— E minhas flechas bombardeiro não é o suficiente para dizimar todos.

Mayhem sacou sua espada enferrujada, Maya começou a fazer gestos com as mãos até uma energia dourada cobrisse elas e Baal sacou seu arco e se pôs em prontidão.

Os três se separaram e iniciaram o ataque, Baal deu um salto para o galho mais próximo, puxou uma flecha sem ponta da aljava e disparou contra a nuvem de seres demoníacos, no meio do caminho a flecha espalhou para todos os lados atingindo a cabeça de um terço deles.

Maya ergueu grandes rochas com a sua magia e arremessou elas contra as ondas, atingiu boa parte delas.

Mayhem finalizava as criaturas restantes que tinham caído no solo sempre com um ataque preciso na cabeça.

E assim como antigamente os três compuseram um ataque sincronizado, de longe um observador externo analisava a situação.

— Caramba, eles são bons mesmos. – O sujeito de rosto pálido e óculos com bordas douradas utilizando uma armadura negra desceu das montanhas até o vilarejo, ele materializou uma flecha negra e depois um arco, mirou contra Baal e atirou.

Baal sentiu uma descarga de energia no seu lado direito e quando ele viu o projétil indo em direção a ele já era tarde demais, uma flechada em seu ombro o jogou da árvore.

— Baal! – Gritou Mayhem.

De repente a forma de Baal começou a mudar, ficando entre quatro patas e caudas saindo de seu quadril um atrás do outro, os olhos avermelhados indicavam um ser fora de controle, ele então começou a lançar rajadas de energia pela boca para todos os lados, atingindo árvores, casas, montanhas.

Maya usou sua magia para tentar conter Baal, ele se virou furioso e disparou um projétil que Mayhem entrou na frente e defendeu com a espada.

Douglas cansado de assistir no quarto decidiu agir, pela janela ele puxou o smartphone e invocou Slug, subindo no dragão ele ordenou para que ele atacasse as ondas.

Maya invocou correntes negras que cobriram o focinho de Baal para que ele parasse de disparar energia, mas ele se debatia tanto que era impossível de se segurar, o homem que havia efetuado o disparo apenas sorria de satisfação.

Douglas vendo que os irmãos estavam preocupados em manter Baal sobre controle atacou as ondas restantes, Slug baforava chamas que aniquilavam todas as criaturas no céu, o homem pálido então fechou o alvo contra o dragão e disparou uma nova flecha.

Atingindo o peitoral, Slug grunhiu de dor e começou a cair, ele atingiu uma casa a poucas quadras dali e Douglas foi impulsionado para o feno próximo ficando inconsciente, de repente o dragão começou a perder a forma e se tornou em lava pura, toda cidade estava tomado pelas chamas.

Baal então finalmente se acalmou e voltou a forma antropomórfica e se manteve inconsciente, Mayhem e Maya assistia a cidade que há anos atrás tinha salvo sendo engolido pelas chamas.

O homem pálido foi em direção ao Douglas e o puxou pelo braço, materializou novamente um arco e frecha e disparou para o nada, que se criou um portal.

No dia seguinte quando os aldeões juntavam o que restou do incêndio os três logo perceberam que Douglas não estava mais ali.