Diversas são as suposições que estão sendo feitas em torno da misteriosa garota que agora vive com Mr. Gold, a estranha figura que pode ser vista na janela e que, todas as noites, o cumprimenta na varanda da frente.

Afinal, por mais que ela contenha um mundo inteiro, Storybrooke ainda é uma cidade muito pequena.

Gold sabia que as pessoas iriam falar e começava a esperar que Moe French viesse batendo a sua porta. Mas não se deve reconhecer uma menina que se perdeu por tanto tempo e Moe certamente não se arriscaria em se envolver com Mr. Gold outra vez.

Poucos dias depois da chegada de Bela, lá estava, alguém batendo na porta. Gold abre com certa apreensão. Ele não confia que Regina não virá roubá-la ou alertar o Sr. French: qualquer coisa para arruinar essa chance que eles têm.

Mas a mulher na porta era loira, com uma morena um tanto hesitante ao seu lado. Elas têm pilhas de roupas em seus braços.

- Olá, Mr. Gold. – diz Emma sorrindo

- Ah. Oi. — seus olhos são estreitados contra o sol da manhã, e ele espera conseguir esconder sua perplexidade — O que posso fazer por você Xerife Swan?

- Eu ouvi dizer que você tem uma convidada e que tudo o que todos viram foi ela em pijamas. Nós nos perguntamos se poderíamos ajudar. — Mary Margaret Blanchard parece profundamente desconfortável com toda situação, diferente de Emma, que nem se importa.

Ele quer dizer que pode cuidar disso por ele mesmo. Mas sabe que é totalmente inadequado para cuidar de uma menina que não consegue nem mesmo vestir-se, por isso ele acena com a cabeça e convida-as para dentro. Ele até tenta não sorrir maliciosamente quando Mary Margaret esconde um tremor ao cruzar seu caminho.

Bela sempre tem tudo o que precisa: Gold garante isso. E espera que Emma não tome essa ajuda que dá constantemente como pagamento de sua dívida.

Torna-se um habito para Gold ter de procurar por Bela. Ele a convida para a loja, todas as manhãs no café da manhã, desesperado por querer tê-la ao seu lado cada momento que ele pode. Mas ela sempre se recusa: ela odeia ficar presa em qualquer habitação por muito tempo. Ainda mais do que odeia ficar sozinha, ele descobre.

Mas, então, todas as noites, lá está ela. Esperando nos degraus da varanda da frente, olhando para ele. Seu suspiro de alívio quando ele a leva em seus braços no final do dia se torna uma parte essencial de sua rotina.

Eles passam a noite fora, sob a varanda quando chove. E, dentro de casa, ela só dorme cansada por ter ficado tempo demais do lado de fora.

Mas, então, uma noite, as coisas mudam.

Gold está em seu quarto, em sua mesa, recuperando o atraso de alguns papéis da loja, já que não consegue dormir. Bela foi para a cama horas atrás, depois de ter passado o dia inteiro andando com ele na floresta. Ela estava exausta, cinco meses de liberdade, e ainda não está em sua plena força.

Toda vez que ele percebe algo assim, uma parte pequena dela que está danificada ou faltando da garota que ele se lembrava, ele odeia Regina um pouco mais.

Um rangido oco vindo da porta assusta-o e o leva para fora de seus pensamentos.

Ele se vira na cadeira para vê-la, observando-o atentamente da porta. Ela aparece quase angelical, em sua camisola de cetim branco, ela brilha com o luar proveniente da janela.

Ele tem certeza de que ela nunca sequer entrou nesta sala: a qualquer momento ela está na cozinha ou em seu quarto dormindo. Esta sala é quente, um pouco escura e coberta por suas coisas. É a sua cova, e ela odeiam pequenos espaços.

E ainda assim ela avança hesitante para o interior do quarto.

Ele se levanta e manca para ela, tomando-lhe a mão e senti-la tremer: — Você está bem dear?

- Sim. Eu só senti sua falta.

- Eu estou bem aqui. — ele tranquiliza-a, apertando sua mão e guiando-a para sentar na borda da cama. Ele retorna a sentar em sua cadeira e se vira para encará-la, tomando-lhe as mãos mais uma vez — Você teve um pesadelo?

Ela balança a cabeça hesitante: — Eu... não sei. Não se parecia com os de antes.

Ele balança a cabeça pois sabe sobre seus pesadelos. Eles envolvem paredes de pedra inescaláveis, sendo presa para sempre em uma cela com nenhum escape. Eles são frios e escuros, e ela é sozinha.

Ele estremece sempre que pensa sobre isso, a culpa quase insuportável. As mãos de Bela são quentes nas suas e seu aperto é forte. Ela parou de tremer, e ele suspira de alívio.

- Qual foi a sensação dear?

- Como uma memória... eu suponho. Não tenho muitos desses. — ela sorri, tentando fazer uma piada e falhando miseravelmente.

Verdade seja dita, por mais que queira, ele tem medo de levá-la à loja. Ele sabe que ela quer saber quem ela é para lembrar mais de seu tempo na ala psiquiátrica, mas ele precisa dela para ser Bela. Certamente devia haver alguma pequena coisa escondida entre todas essas coisas inúteis que iriam fazê-la acreditar ser Miss. French a filha do florista.

E por permitir que ela fique longe, negando-lhe essa oportunidade, ele sabe que ainda está falhando com ela.

- Do que você se lembra?

- Você... — ela sorri iluminando o quarto — Você estava trabalhando, mas não se parecia com você. Havia uma enorme roda girando, e um ouro que sai no final.

- Como um conto de fadas. — ele sorri – Eu sou Rumpelstiltskin nesta memória?

- Sim. — ela balança a cabeça — Você era.

- Sonhos são coisas engraçadas dear. — diz ele gentilmente.

Ela balança a cabeça: — Você estava verde! — ela ri e ele ri com ela.

- Eu era maníaco certo? — pergunta ele – Insano até?

- Sim! — ela estava sorrindo para ele — E você ria. Mais do que na vida real.

- Eu rio quando você está por perto. — ele a lembra, e ela lhe dá um olhar que deixa sua cabeça girando.

É o olhar que ela lhe dá, quando sabe, mais do que ele, o que falar. Quando ela vê através de suas meias-verdades e trocadilhos defensivos e não o deixa fugir dela: — Mas você não é um monstro.

Ela se parece muito com ela, como quem ela realmente é. Tanto que quase quebra o seu coração.

- Você quer voltar para a cama agora dear?

Ela balança a cabeça: — Posso... — ela hesita, mastigando o lábio nervosamente — Posso ficar aqui por um tempo?