Ele anda com ela até sua casa com seus braços envolvendo sua cintura enquanto um dos braços dela se encontra apoiado em seu ombro buscando por mais apoio. Ele fala baixo, devagar, tentando não assustá-la.

- Meu nome é Mr. Gold. – diz ele, e ela finalmente o olha.

- Gold... — ela testa a palavra, rolando-a na sua língua.

- Será que Regina não lhe disse nada dear?

Ela hesita com o nome, o rosto torcendo de tanto horror e sofrimento, tal que Gold acha difícil esconder as profundezas da sua raiva pela rainha.

Eles caminham em silêncio nas ruas escuras, até chegar a sua casa. Ela ainda está tremula, olhando para as paredes com olhos arregalados e temerosos. Esta menina pequena de pé em seu corredor parece muito menor e com muito mais medo do que a Bela que ele se lembrava: a mulher que aceitava sempre seu destino sem olhar para traz ou ter um segundo pensamento. Ele está dolorosamente consciente de como ela está quebrada. A culpa, um companheiro constante desde o momento em que ele a colocou para fora, habita nele mais uma vez.

Assim, ele tenta fazer a esta introdução uma antítese de sua primeira vez: seu quarto é o mais brilhante e mais quente da casa.

A coisa mais distante de uma masmorra, e ainda assim ela ainda parece tão pequena.

Ela fica no centro, afogando-se nas dobras do casaco, e finalmente olha para ele.

- Podemos ir...lá fora?

Ele sorri, e parece que o seu primeiro sorriso genuíno nos últimos anos.

- Claro dear.

Ele a pega gentilmente pela mão e a conduz de volta para o jardim. Ela respira mais fácil, aqui, e ainda tira o casaco abrindo os braços para se deixar revestir pelo frio da noite.

Ela sorri para ele e, em seguida, se senta na escada. Ele se senta ao seu lado, olha para ela. Ele tem que saber.

- Qual é o seu nome dear?

Ela mastiga os lábios, e de repente parece tão infeliz que ele mal pode suportar.

- Eu não sei. — ela olha para ele, os olhos arregalados, apavorados e confiantes tudo ao mesmo tempo – Você sabe?

- Você é Bela. — ele diz — Quando nós nos conhecemos, seu nome era Bela.

Ela balança a cabeça e então dirige o seu olhar de volta para as estrelas.

Gold acaba por se acostuma com ela: ela dorme em seu quarto, mas passa o resto de seu tempo na varanda externa, se sentando sobre os degraus de madeira e olhando para o céu.

Quando pode, ele se junta a ela. Se senta ao seu lado e diz a ela sobre o mundo. Às vezes, ele se cala, e simplesmente se deleita com o simples fato de que ela está ali, ao lado dele. Que ele pode chegar e tocá-la, ouvir sua voz e ver seu sorriso, seu raro sorriso.

Ele acha que ela gosta de sua companhia: todos os dias, ela lhe diz um pouco mais. Quando ele a faz rir, inesperadamente, uma manhã, é como se ela acendesse o seu mundo.

Às vezes, ele olha para fora de uma janela, e a vê girando no centro do jardim. Ele supõe que ela precisa do céu, depois de ficar presa por tanto tempo.

Notas finais
Traduções: Dear = Querida.