Inconfidentes
11 Fazendo Amigos...
Notas iniciais

Danielle, depois de ficar quase meia hora na fila do banheiro, estava mais que irritada. Não gostava do ambiente quente, barulhento, com gente que considerava chata – fora os meninos – e apertado. Queria ir para casa, mas só poderia ir quando Matheus fosse e ele tinha pedido que ficassem pelo menos até às duas na madrugada, se ela aceitasse o primo teria de arrumar todas as suas malas e seu quarto por três dias. Como castigo por fazê-la ir aquela boate, Danielle faria questão de transformar o quarto num chiqueiro e obriga-lo a arrumar.
Mas, de certa forma, Matheus não tinha culpa se o pai dele tinha obrigado a menina a sair junto com o filho. Coagindo Danielle e ter de falar com pessoas tipo Heloisa, ou Hello – apelido ridículo na opinião da morena –, e também a fazê-la esperar meia hora para ir ao banheiro. E, ainda por cima, eram apenas uma da manhã, era como se o tempo se arrastasse apenas para irrita-la. Sem contar que seu primo e os amigos já se encontravam meio bêbados e, como a menina não bebia, era algo como a babá daquele bando de marmanjos.
Assim que entrou e trancou a porta, foi até a pia e jogou um pouco de água no rosto, como não usava maquiagem não precisava se preocupar. Respirou fundo e se apoiou na pia, pelo menos o barulho ali era bem menor. Alguma calma no meio do inferno lá fora era bem vinda. Danielle não gostava de festas, preferia estar em casa comendo, dormindo ou escutando música bem alta com seu fone de ouvido, talvez ler um livro.
— Dae, se acalme, ainda tem mais uma hora e meia disso e amanhã é domingo, poderá dormir até tarde. — Ela falou para si mesma. — Certo.
Jogou um pouco de água no cabelo e depois checou o celular, tinha mensagens para responder. Saiu do banheiro distraída com suas mensagens e acabou esbarrando com alguém, levantou a cabeça e sua face se moldou em uma careta involuntária. Era Heloísa que, de alguma forma, parecia ainda mais surpresa que a morena.
— Toma mais cuidado por onde anda. — A loira disse com arrogância, ajeitando o vestido já arrumado e olhando como se Dae fosse um bicho morto que ela tinha encontrado por acidente.
— Eu não esbarrei sozinha, preste mais atenção você. — Danielle tentou passar, mas Heloísa agarrou seu ombro com mais força do que a morena achava ser possível.
— Olha aqui, sei que deve estar adorando sair com os meninos, muito empolgante. — Os olhos claros ainda continham algum desprezo, mas mais que isso brilhava ali, era quase pena. E se tinha algo que irritava Danielle mais que tudo, era ser tratada com pena. — Mas eles não te levam a sério e, mais que isso, você não pertence ao nosso meio, pode tentar fingir e se enganar, mas não é. E, quanto mais claro isso ficar pra você, menos tempo perderá e também terá menos sofrimento. Não é que eu não goste de você, sabe, é só que água e óleo não se misturam, não tem como isso dar certo.
— Como você é estúpida! — Danielle empurrou Heloísa com força e a loira afastou a mão de seu ombro, mas não pareceu intimidada, entretanto olhava em volta, como se preocupada em chamar atenção negativa. — As pessoas andam com quem quiserem, você não pode simplesmente querer mandar nas amizades delas só por que acha alguém inferior. Eu ando com quem me der na telha e eles também.
— O que eu disse é que você não pertence ao nosso meio. — A voz dela continuava suave e Dae estava a ponto de perder as estribeiras. — E você pode andar com eles, o que eu quis dizer é que vai acabar chateada no final.
Heloísa começou a andar de volta para a mesa dos rapazes. Estava apenas tentando ajudar, já havia visto muitas meninas que se juntavam a eles por um tempo, ridículas, implorando por atenção, para depois irem embora chateadas enquanto eram escarnecidas pela ingenuidade de acreditar que seriam levadas mais a sério que as outras. Heloísa poderia ter sido uma dessas, mas não deixou e nem deixaria nunca que fizessem isso com ela, por isso se manteve. E, por se manter, acabou angariando popularidade. E, é claro, ela também temia e tinha certo ciúme de que a atenção dos meninos saísse dela por completo, principalmente se, quem lhe tirasse isso, fosse alguém como aquela menina.
Danielle se enfureceu e foi atrás da loira, ignorando a atenção que as duas começavam a ganhar. Como ela podia julgar Danielle se nem a conhecia? E, depois, quem tinha pedido a opinião dela pra algo? E como ela fala as coisas e simplesmente sai? Quem aquela loira aguada achava que era? Puxou a garota pelo braço quando já estavam em frente à mesa dos garotos. Heloísa levantou as sobrancelhas com certo desdém.
— Me larga. — Mandou a loira, com calma.
— Não, agora vai me escutar. — Danielle apertou com mais força e a trouxe para um pouco mais perto.
Os garotos pararam e, mesmo meio bêbados, prestaram atenção na cena que estava se desenrolando. Eddie era um dos menos bêbados, junto com Carlos e Gabriel, que se aproximaram para também ver o que acontecia. Heloísa tentou se soltar, mas Dae a segurava com força, provavelmente iria ficar roxo depois.
— Sua loira ridícula, tu se acha, não é? Acho que é melhor que todo mundo só por que tem uma carinha bonitinha, mas você é uma vadia, uma piranha. — Heloísa se enfureceu, sua mão livre veio com força, pronta para dar um tapa no rosto de Danielle, mas a morena segurou e riu.
— Você me acha ridícula? E você é o que? É só olhar em volta, você não combina com o nosso ambiente, nem mesmo se sente à vontade aqui, é como uma minhoca no meio de um galinheiro. — Hello falou, tentando não chamar mais atenção, o que era inútil, visto que aquela metade da boate já estava olhando pra elas.
— E você é a galinha que quer cantar de galo, é? — Dae gritou, chamando ainda mais atenção para as duas.
— Pelo menos eu não sou a cachorra que fica atrás deles. — A loira também gritou, para não sair por baixo, mas depois falou mais baixo. — E deixe de nos expor ao ridículo, já estão todos olhando. – Dae empurrou a garota com força, porém Hello foi amparada por algumas pessoas que estavam assistindo a briga por ali.
— Ah, mas eu pensei que você amasse chamar atenção. — A morena ponderou e começou a andar de costas para a mesa dos meninos, rindo debochadamente.
— Não seja ridícula.
— Inclusive, vou até te dar uma dica, quando quiser chamar atenção... — Dae falou e, sem dar tempo para que alguém fizesse algo, pegou um copo cheio e jogou se conteúdo na loira, que ficou atônica. – Fica molhadinha numa pista de dança. — O sorriso de Danielle era tão grande e maldoso que podia ser visto até do outro lado da boate.
— Sua. Idiota! — Heloísa gritou. Alguns riam dela, outros ainda assimilavam o que tinha acabado de acontecer e, para o profundo desgosto da menina, alguns filmavam.
— Deveria ficar agradecida, sabia? Até mesmo piranhas como você precisam de água. — E, com isso, a morena se virou e saiu dali, se metendo entre a multidão.
Heloísa respirou fundo e tentou se acalmar, mas quando suas amigas chegaram, com aquelas vozes de pena e toques cuidadosos, o som de alguns risos ao fundo e, a menina sabia, aquele vídeo já estava sendo compartilhado, ela não aguentou e, simplesmente se virou e saiu. Naquele momento só queria chegar em casa, tirar toda aquela maquiagem e morrer.
Passou direto, quase correndo, até a saída, esbarrou em alguém, que ela nem se deu ao trabalho de olhar ou pedir desculpas, apenas seguiu em frente, até o carro da mãe, que tinha pego emprestado. Lá dentro se permitiu chorar de raiva, deu partida e seguiu para casa.
Sol, a pessoa na qual Heloísa tinha esbarrado, ficou olhando curiosa toda aquela cena se desenrolar, encostada no muro perto da entrada da boate. Balançou a cabeça, sem entender e se virou para entrar, mas acabou esbarrando com alguém e, os dois, acabaram indo ao chão.
— Você já notou que todas as vezes que nos encontramos, você acaba caindo nos meus braços? — Jonathan balbuciou, muito bêbado, e a menina quase não entendeu.
— Ahã, claro... É que eu faço de propósito, afinal tudo que eu mais quero é estar nos seus braços. — Sol destilou sua ironia enquanto se levantava, o loiro apenas riu e, depois de tentar sem sucesso se levantar, decidiu apenas sentar na calçada, notando que o sua garrafa de uísque ainda estava intacta, com o conteúdo quase no fim.
— Você nem consegue se levantar, né? — Perguntou, suspirando.
— Não enquanto o chão fingir que é um pião. — O loiro riu e deu de ombros, mas, quando a garota não falou nada ele franziu o cenho. — Não vai me passar um sermão?
— Porque eu faria isso? — Sol perguntou, confusa.
— Não sei. — Novamente deu de ombros. — “Jonny, você não deveria beber assim”, “Jonny, por que você faz isso com você mesmo?”, “Você está se destruindo, Jonny, sabia disso?”, “Jonathan, existem formas mais saudáveis de se divertir”. — Tentou imitar a voz irritante sem muito sucesso e por pouco Sol não deixou de entender. A menina soltou uma risada.
— Não, isso não faz o meu estilo. — Ela deu de ombros e olhou para o céu, encarando a lua.
Jonathan se concentrou em olhar para a garota, demorou alguns segundos até que conseguisse focar a atenção nela. Sol tinha a parte de cima do cabelo amarrada para trás e presa com um broche, deixando o resto dos cachos livres, a maquiagem era leve, apenas o batom destonava, de um vermelho escuro. Usava um simples, porém elegante, vestido verde água, rodado e plissado na parte debaixo, que ia até um pouco acima do joelho, e justo à cintura e busto, sem mangas ou decotes e usava sapatilhas que ele achava serem prateadas. Na pouca iluminação, e na mente anuviada do garoto, Sol parecia brilhar à luz do luar.
— E o que faz seu estilo? — Jonny perguntou, tentando soar sexy, mas pareceu apenas uma pergunta normal aos ouvidos de Sol, que o encarou e deu um meio sorriso.
— Tento não julgar os outros, nem me meter em suas opiniões, eu não acho que tenho esse direito. — Deu de ombros.
— Mas... Você me julgou, por eu estar no time. — Ele acusou e tentou se levantar, mas o chão começou a balançar de novo.
— Eu falei que tento não julgar os outros e não que não julgo, são coisas diferentes, e, naquele dia, eu estava irritada, ser jogada no chão não melhorou muito o meu humor. — O sorriso dela se abriu mais e Jonny ficou confuso, achava que a menina ficaria zangada pela acusação. — Além disso, não posso julgar você por fazer coisas que possam te tirar um pouco da realidade, dar um pouco de paz mesmo que momentânea.
— Você me confunde. — Jonathan soltou e suspirou, tentando pôr a cabeça no lugar, tentando fazer o mundo parar de girar.
— Dizem que as mulheres são confusas, não é? — Sol deu de ombros, rindo internamente por discordar do que tinha acabado de falar.
— Não, elas não são, você é. — Jonny mal tinha acabado de falar e virou a cara para a sarjeta, vomitando todo o álcool que tinha passado a noite ingerindo, quando percebeu Sol estava agachada do seu lado, ajudando-o a se manter equilibrado e não escorregar.
— Você não comeu nada, por isso estava tão tonto. — A menina falou, analisando o vômito de Jonathan, depois que o estômago do garoto já tinha expulsado qualquer coisa que estivesse por lá. — Coloque um pouco da sua bebida na boca e depois cuspa, álcool pelo menos serve para lavar mais ou menos a boca em uma hora dessas e tirar o cheiro de vômito.
— Obrigada, por me ajudar. — O loiro falou, já se sentindo bem melhor. Acatou o conselho e fez o que ela tinha lhe dito.
— Deveria beber água pra evitar uma ressaca. — Sol avisou e levantou, com um sorriso suave no rosto, encostando-se novamente na parede e voltou seu olhar para a lua.
— Acho que vou fazer isso depois. — O garoto comentou e também olhou para a lua.
Começou a tocar Dangerous, do David Gueta e Sam Martin, particularmente era o tipo de música da qual Sol gostava, então ela fechou os olhos para poder aproveitar melhor toda aquela paz. Paz que acabou quando Jonathan resolveu abrir a boca.
— Por que veio aqui? — O loiro perguntou e a menina o encarou.
— Nathan me chamou. — Ela deu de ombros, o rosto de uma indiferença gritante, tão... vazio. — Nem sei por que vim, pra falar a verdade. Eu nem gosto de festas.
— Porque? — Jonathan estava curioso sobre ela, aqueles olhos escuros pareciam puxá-lo, tentando-o a descobrir o que se escondia por trás.
— Eu só... não quero dançar, nem beber e nem fazer nada disso. — Sol respondeu, ainda com a voz tão vazia quanto sua expressão.
— E você sabe dançar? — Jonny duvidou, com as sobrancelhas arqueadas.
— Claro que sei. — A voz dela demonstrou certo ultraje e ele adorou causar um efeito nela que não fosse a habitual indiferença.
— Você não sabe. — Ele pressionou, sorrindo por dentro, ainda havia álcool o suficiente correndo em suas veias lhe dando coragem.
— Sei, apenas não quero. — Sol cruzou os braços e revirou os olhos, e a única diferença em seu rosto foi um leve estreitar de olhos.
— Não acredito... Dance comigo, então. — Ela o olhou por muito tempo e, novamente, Jonathan se sentiu sugado e analisado, ele se sentia em uma sala de interrogatório, com o vidro escuro, ele sabia que tinha alguém ali, só não conseguia ver quem era. Ele sabia que havia algo por trás dos olhos dela, só não sabia o que.
— Eu não preciso provar nada pra você. — A morena falou, ainda assim se aproximou e estendeu a mão para ajudá-lo a levantar.
Quando Jonathan já estava de pé, Sol se aproximou mais e começou a dançar. Ali, no meio da rua, eles dançavam, sozinhos. Ela pegou a mão dele, fechou os olhos e deu alguns giros, de pouco em pouco seu sorriso ia abrindo e Jonny ia se encantando por ela. O cheiro dela, decidiu, ele gostava absolutamente. Sol dançava bem, era verdade, mas o que era mais bonito em sua dança era a leveza, a naturalidade e a elegância com a qual a fazia, ela não estava tentando ser sexy, estava apenas dançando.
Quando deu por si, Jonny também estava sorrindo. Sol, que estava meio afastada dele enquanto dançava, ainda mantinha os olhos fechados. Jonathan a puxou para mais perto pela mão e ela não se opôs, na verdade nem parecia ter notado. Ainda sob efeito do álcool, Jonny achou que ela estava aberta a um beijo, por isso puxou-a um pouco mais para perto e fechou os olhos, aproximando seu rosto do dela. Sol se afastou de repente, e a música acabou, o olhar dela queimava, queimava com algo que a mente ainda anuviada de Jonny não conseguiu decifrar, seu rosto continuava o mesmo, mas os olhos... Jonathan se encolheu perante aquele olhar.
— Desculpe, eu não pensei, eu... Eu não queria... — Sol se afastou mais e deu de ombros, o que de alguma forma o deixou ainda mais envergonhado.
— Vou entrar, Nathan está me esperando. — A menina apenas se virou e foi em direção a entrada, Jonny ficou olhando ela se afastar, enquanto repetia várias vezes em sua mente o quanto era burro.
Sentiu vontade de bater em algo, então preferiu andar até seu carro e ir para casa. Não sentia mais vontade de ficar ali. O garoto se sentia enjoado, ele não era daquele jeito, nunca tinha sido, em nenhum momento. Sentia nojo de si mesmo, afinal, o que é que ele achava que estava fazendo? Tinha sido mais que absurdo.
Não percebia que estava dirigindo como um louco, mas ainda assim conseguiu chegar em casa em segurança. Foi até seu quarto e, antes de apagar, apenas se jogou na cama. Dormiu ainda se chamando de idiota.
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Não foi difícil para Sol encontrar Nathan e os outros garotos do time, eles estavam em uma grande mesa perto da pista de dança, eram muitos e não parecia que queriam ser discretos, pelo volume em que riam e conversavam. Jonathan, aparentemente, tinha ido embora e ela ficou mais tranquila com aquilo. Nathan a avistou de longe e ficou surpreso, seus olhos arregalaram levemente. Sol sorriu e começou a caminhar até lá. Tinha dito a Nathan que não ia, mas acabou mudando de ideia no meio da noite e, quando viu, já estava indo para o local.
— Você está linda. — Nathan falou assim que ela se aproximou e, um por um, cada um dos jogadores olhou para ela, ficando também surpresos, o sorriso da menina se abriu mais, ela adorava aquela atenção, mesmo que não admitisse ou tentasse esconder isso de si mesma.
— Obrigada. — Ela sussurrou para ele em meio a música alta, mas logo soltou uma gargalhada mais alta. — Boa noite, rapazes.
Depois de uma série de “boa noite” bêbados por parte dos jogadores, ela notou que era observada por eles, que passavam os olhos de Nathan para ela, mas ficavam mais tempo em Sol, como se esperasse alguma reação. A morena fingiu que não tinha reparado naquilo, então percebeu uma outra menina ali, próxima o suficiente para ser da mesma mesa, mas longe o suficiente para dar a entender que não queria estar ali, a linguagem corporal e as feições também não eram as de quem estava procurando amizades. Sol sorriu internamente àquilo.
— Ah, acho que o Jonathan já foi embora. Ele não estava muito bem lá fora. — Ela avisou e então se lembrou de algo. — Falando nisso, o que aconteceu com a Heloísa? Ela quase me atropelou ao sair daqui.
Os garotos se entreolharam por alguns segundos, com seus olharem anuviados pela bebida, e depois olharam para a menina negra ali sentada que, apesar de tentar, não conseguiu impedir que um sorriso brotasse em seu rosto, em seguida os meninos também começaram a rir, como se ativados pelo sorriso da garota.
— Ah, ela e a Danielle brigaram e vamos dizer que a Heloísa perdeu. Perdeu feio. — Sol riu junto, mais por todos estarem rindo do que por ter achado graça.
— Ah, Danielle, ela também quis te intimidar? — Sol perguntou com um sorriso divertido no rosto.
— Sim, mas não acho que ela vá tentar de novo. — A menina deu de ombros. — E o besta do Jonathan foi ver se ela estava bem. — Danielle bufou e revirou os olhos.
— É que eles já foram muito amigos... — Matheus explicou balbuciando, sua voz denunciava o quanto estava bêbado.
— Então, Sol, deixa eu te apresentar o pessoal... — Nathan começou e sorriu, suas lindas covinhas aparecendo. Ele apresentou à Sol todos os garotos que, dependendo do nível de embriaguez, davam respostas inteligíveis ou não. Ela sorriu para todos e descobriu que Danielle era prima de Matheus. — Então, agora que já conhece todos esses idiotas, quer beber ou dançar?
— Acho que vou querer o mesmo que vocês estão bebendo, mas vou ficar sentada por enquanto. — Sol deu um enorme sorriso e começou a observar os garotos, tentando entender do que falavam, alguns olhavam para ela vez ou outra e ela fingia que não via. Nathan foi pegar um copo para ela e a deixou sentar em seu lugar.
— Então, Sol, o Nathan te chamou?
— Sim, sim, eu quase não vinha, mas então decidi vir e cá estou. — A morena sorriu para Matheus de forma simpática, então notou algo na camisa dele. — Isso, por acaso, é relacionado à The Last Of Us? — Perguntou, como quem não quer nada.
— Vo-Você conhece o jogo?! — Naquele momento ela tinha a atenção de todos ali, internamente ela gargalhou, como era fácil lidar com eles...
— Tá brincando?! Esse é um dos melhores jogos já criados. — Sol bateu na mesa com força, os olhos brilhavam.
Todos os meninos começaram a conversar com ela sobre o jogo, até Danielle começou a fazer perguntas. Logo todos estavam rindo juntos.
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No domingo, quase às duas da tarde, foi quando Jonny acordou. Ele apenas levantou, com a cabeça latejando, tomou banho, comeu e voltou a se jogar na cama. Não quis olhar o celular, querendo evitar perguntas de qualquer um. Ainda se sentia um idiota.
Depois de passar o domingo dormindo e ignorando o resto do mundo, na segunda Jonathan acabou se atrasando para a aula e entrando apenas no segundo horário. Conversou um pouco com os amigos, que até estranharam o quanto o loiro estava quieto – quieto para seu normal. Mas ele se sentia estranho e, principalmente, cansado, mesmo que não soubesse o que o estava cansando.
No intervalo apenas sentou na mesa de sempre, junto de seus amigos, cruzou os braços em cima da mesa e jogou a cabeça ali. Não pretendia se mover muito. Não até que algo chamou sua atenção.
— Sol! — Nathan gritou para a menina, que andava do outro lado do refeitório, ela se virou e sorriu não só para ele, mas para todos ali na mesa, acenando em seguida. — Vem pra cá. — Daquela vez não foi apenas Nathan, alguns de seus outros amigos também chamaram a garota.
Sol andou em direção a eles, foi recebida, arrumaram uma cadeira para que ela sentasse e em pouco tempo eles estavam em uma conversa animada com ela sobre jogos. De alguma forma ela conseguia conversar exatamente como se fosse um deles, Sol parecia totalmente confortável ali. Jonny arregalou os olhos, totalmente surpreso, mais surpreso ainda ficou quando Sol olhou para ele, deu um leve sorriso e perguntou se ele também jogava, como se nada tivesse acontecido entre eles.
Ele piscou algumas vezes e, devagar, também foi entrando no assunto.
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