Incondicionalmente.
4 O que eu fiz para merecer isso?
Notas iniciais
Yvie nunca sentira tanta vontade de torturar alguém até que os olhos virassem patê!
Já não bastava estar cercada de seres brutos que nem umas máquinas conseguiam montar, estava algemada a um humano tonto e pesado. Quanto aquela massa acéfala pesava? Oitenta quilos? Setenta? Era inútil tentar se mexer enquanto ele continuasse naquela posição constrangedora.
Era em horas como aquela que a Sigma queria surtar e socar aquele ser inútil até que vê-lo morto.
— Seu humano tolo! Sonso! Olha o que você fez! — bradou alto, irritada. O fato de serem descobertos havia fugido de sua mente, se tornando uma coisinha inútil perto do ódio que ela sentia.
Mas aí ela parou e fez o que mais sabia: pensou.
Se encontrarem o garoto, o matarão. E, se o matarem enquanto ela estiver algemada a ele, ela morrerá junto. Ah, que grande Skajet!*
— Como assim “o que eu fiz”? — Grewn perguntou, indignado. — Você, sabichona, que trouxe uma algema para sabe se lá o que!
O olhar dela voltou-se para ele. O que aquela... Aquela pedra sonsa tinha dito? (Porque sim, ele era uma pedra altamente sonsa).
— Se tivesse me deixado ir quando teve a chance nada disso teria acontecido! — rebateu revirando os olhos.
Grewn ignorou aquela resposta, no entanto ainda estava por cima dela, a impedindo de fugir — se bem que não era mais possível, eles estavam algemados! —, tão perto que ele poderia beijá-la. Mas obviamente não faria um ato tão louco, ela o mataria, sem dúvidas. Ele tombou o corpo para o lado, caindo no chão, ergueu sua mão vendo a da Alien vir junto, fez isso algumas vezes até sentir um soco não tão forte no braço.
— Que tipo de problema mental você tem? — perguntou irritado ao constatar que aquela algema não tinha, sequer, uma fechadura ou botão. Ele tentava puxar, mexer, cutucar, mas aquela coisa não cedia!
Yvie soltou uma risada sarcástica ao ouvi-lo.
— Claro, porque agora a maluca sou eu — ironizou, mas ainda séria. Vê-lo tentar se soltar era penoso. Que intelecto limitado. — Dá pra parar de tentar se soltar? Não sai, não quebra não solta. É uma algema de Sigm-o, sua pedra sonsa! Só nos resta esperar. — disse ainda deitada no chão, fitando o céu nublado.
Sua mente trabalhava tentando achar alguma solução para se soltar, mas não achava. Pela primeira vez estava acreditando no que lhe diziam sobre as algemas.
— Uma algema... De sei-lá-o-que... Como esse troço não quebra?! — Perguntou sem entender absolutamente nada. Não sabia do que ela estava falando, e talvez nem quisesse saber.
— Algema de Sigm-o! — repetiu devagar quase soletrando as palavras para ele. — E é impossível de se soltar. Deu pra entender ou preciso desenhar pra você?
Grewn fez uma careta desgostosa e bufou ficando em silêncio por um momento. Yvie levantou-se do chão, forçando-o a levantar-se junto, apesar da confusão estar estampada no rosto do humano ela não fez a mínima questão de explicar algo e rumou em direção a sua casa, havia sido um péssimo dia de compras.
— Ei! — O moreno tentou lhe chamar a atenção, contudo a alien simplesmente o ignorou e continuou caminhando. Cansado de ser ignorado ele parou de caminhar puxando o braço, fazendo-a voar alguns centímetros. — Ei, onde estamos indo? Eu moro pra lá. — Apontou para o outro lado, na direção da caverna, consideravelmente irritado.
Quem aquela Alien pensava que era afinal? A dona do mundo?
— Mas eu moro pra lá — Repetiu o ato, com a voz debochada antes de voltar a caminhar, pelo menos tentar, já que aquele monte de gordura e ossos não fazia questão de mexer um músculo sequer. — Quer parar de gracinhas e andar, pedra sonsa? — ordenou puxando-o da maneira que podia. A cena seria bastante cômica — uma garota pequena (ou de baixa estatura) tentando puxa um garoto com quase o dobro do seu peso e tamanho, sem contar que ele mal fazia esforço pra se manter no lugar. —, se ela não estivesse fervendo de raiva.
— Não vou pra sua casa! Vai que tem outros Aliens e cortem minha cabeça lá? Acha que sou tonto? — disse num tom quase birrento, rolando os olhos. Yvie bateu o pé no chão, brava e querendo socá-lo até que o mesmo ficasse inconsciente. Pela eternidade se possível.
— E eu não vou ficar numa caverna simplória e nojenta como sua! — retrucou irritada. — Para a sua informação eu moro sozinha e sim, acho que você é tonto, agora ande! — resmungou puxando-o com mais força, mas, novamente, ele nem se moveu.
— Como eu vou acreditar em você? — perguntou desconfiado, apesar da expressão séria, ele ria internamente por vê-la brava.
Ela parecia uma bonequinha. Pequena, de pele parda, cabelos longos castanho-escuros ondulados, e olhos assustadoramente verdes e bonitos, lhe lembrava das bonecas que sua avó gostava, claro que ele a estava imaginando sem a cara carrancuda e do olhar quase mortal que a mesma lhe lançava.
— Ou anda ou eu mesmo arranco sua cabeça, fui clara? — ameaçou sacando novamente a arma apontando-a para a sua cabeça. Grewn engoliu em seco e deu de ombros numa falsa indiferença.
— Irritadinha você. — comentou provocativo enquanto se deixava ser seguido.
— Sem gracinhas, humano. — bufou agradecendo internamente por ele não demorar demais naquela enrolação toda.
Yvie caminhava o mais silenciosamente possível, perguntando-se o que tinha feito de tão ruim para merecer aquele castigo: algemada a um humano. Arriscou um olhar para o céu lotado de nuvens cinzentas. Ela suspirou de forma cansada e continuou o caminho até o seu prédio, não ficava tão longe assim; a alien tentava de todas as formas não irritar-se com aquele assobio vindo da pedra sonsa atrás de si. Aguentou uma, duas, três vezes, a quarta foi demais.
— Dá pra parar com esse barulho? — pediu irritada virando-se bruscamente para ele, que a olhou com a expressão mais inocente que pôde.
— Mas que barulho? Esse? — Assoviou outra vez apenas para provocá-la, antes que ela sequer falasse algo.
— Pare! — grunhiu entredentes irritada, e puxou seu braço bruscamente enquanto caminhava apressada sentindo poucas e finas gotas caírem sobre sua pele.
Acelerou o passo puxando a todo custo aquele humano gordo para dentro do seu prédio sem ser vista por outros aliens. Yvie atravessou a rua correndo o mais rápido que aquelas perninhas curtas alcançavam, e, após adentrar o edifício pequeno e azul, trancou a porta principal e o guiou até o elevador.
— Hey, hey! — exclamou ele, irritado. — Pra onde estamos indo, afinal?
— Meu apartamento. — explicou como se fosse óbvio, poderia até ser pra ela, mas não pra ele.
Grewn rolou os olhos ao ser puxado para dentro do elevador, aquela garota era louca e... Espera, elevador? O corpo do garoto/homem se arrepiou por inteiro, era maldade demais estar algemado a uma garota extremamente prepotente e ainda ter que entrar num elevador. Tudo no mesmo dia! Ele era uma pessoa tão boa, tão...
— Ande logo, humano! Tenho mais o que fazer além de olhar pra essa sua cara de Huthier! — reclamou fazendo força para puxá-lo para fora do cubículo metálico. O moreno estava tão imerso em reclamações internas que mal vira quanto o balanço enjoativo acabou.
— Tudo bem, tudo bem. Estou indo! — Revirou os olhos caminhando para fora, fazendo-a cambalear no nada e ele abafar uma risada.
A alien foi à direção da porta branca de madeira que portava os números 157 grandes e brilhantes, a porta foi aberta com força e o olhar dela se direcionou ao relógio quadrado que ficava no canto esquerdo da sala, ele não teve tempo de ver as horas, fora empurrado com força para dentro de um armário qualquer. Apesar de se debater não foi rápido o suficiente.
— O que está fazendo doida, me deixa sair! — pediu forçando a porta, mas ela a fechara por fora, contudo não a trancou.
— Calado! Não se mexa, não fale, não faça nada! — grunhiu baixo desejando que ele ouvisse. O rapaz deu de ombros na escuridão do armário, que tivesse ao menos uma luzinha pra iluminar.
Por uma fresta na porta observou o que tanto desesperou a, até então, desconhecida a quem estava algemado, de início tudo estava comum, ele não compreendeu o porquê de tanto desespero, contudo, um feixe de luz brotou sabe se lá de onde revelando uma mulher.
Mas não uma mulher qualquer. Ela era alta (o oposto do besourinho a quem estava preso), provavelmente tinha uns dois metros, ou um pouco menos; tinha cabelos muito, mas muito longos (batia abaixo dos joelhos para se ter ideia) num tom castanho, lisíssimo e uma espécie de tiara com uma bola brilhante no centro, tinha a pele azul (sim, azul) e as roupas eram apenas um vestido longo, branco recortado (pelo menos ele achava que era, mas talvez fosse apenas moda) na parte superior. Ele poderia falar mil e uma coisa dela, mas o olhar... Aquele olhar era capaz de fazer qualquer marmanjo se encolher e gritar pela mãe (e foi o que ele fez internamente, só que em vez da mãe, foi o Homem-Aranha), ele era tão frio e superior. A mulher quase emanava soberba, prepotência e muita superioridade.
Pôde sentir que a garota congelara no lugar do outro lado da algema, era até um pouco surpreendente pra ele, mas não mais que as palavras que a mesma proferira com aparente dificuldade:
— M-mãe?!
Ele sabia que tinha algo familiar na mulher giganta-sinsitra-azul.nfim,
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