Incondicional

1 Não vou mentir para mim mesmo.


Notas iniciais
Eu estaria mentindo para mim mesmo se eu dissese que não te amo, mas se eu dissese que amo você continuaria a magoar meu coração.
(Junior Loureiro)

A grama afundou quando ele colocou seus pés sobre ela, o coração acelerado pedia por ar puro e calma, o cabelo loiro todo bagunçado, que ele mesmo havia bagunçado, e os olhos azuis claros um pouco mais escuros. Sua respiração ia desacelerando a medida que ele ia caminhando pelos campos do internato.

— Está sozinho loiro? — uma garota perguntou divertida para ele, ela tinha cabelos castanhos cacheados, olhos castanhos esverdeados, a pele alva, um pouco de sardas que a deixajam sexy, ele não podia negar que ela era linda mas ele tinha namorada.

— Estou Ana — ele disse suspirando.

— Como vai o Austin? — ela perguntou com um sorriso maroto.

— Ele e a namorada dele estão bem — ele disse — porque quer saber do meu irmão? Ele tem namorada não iria dar bola para você!

— Ele não me disse isso ontem na cama — ela disse rindo debochada — Mas a pergunta é porque você não dá bola para mim?

— Você é uma colecionadora e só me quer para terminar sua coleçãozinha pessoal! — o garoto disse a encarando.

— Bem, quem não caça não come — ela disse se fingindo de inocente — Aliás como vai seu namoro com a Júlia?

— Está ótimo — ele disse a olhando de cima a baixo, ela estava com um calção jeans desfiado, um top branco listrado e um Adidas, uma maquiagem simples, embora não combinasse muito com quem a usasse.

— Me come com os olhos e diz que não me quer — ela disse rindo.

— Eu não estava... — ele disse ficando vermelho fazendo contraste com sua pele pálida.

— Não precisa explicar — ela disse — Avise ao Austin que eu espero ele hoje.

— Você não foi para a cama com meu irmão, ele pode ser tudo mas não infiel — ele disse forçando a memória para se lembrar do que ouve de manhã.

~~~ Mais cedo naquele dia ~~~

Ele estava sentado na mesa comprida do salão com seus amigos, Rogério, Guilherme e Richard, e seu irmão Austin.

Guilherme tinha 18 anos, cabelos escuros, olhos verdes escuros, era alto e bonito, não era muito inteligente, mas chamava muita atenção das meninas, não tirava seu boné do seu lado era seu chodó, estava com uma calça jeans, uma camisa da King militar, um tênis de cano alto preto e seu boné.

Rogério tinha 18 anos, tinha cabelos escuros cacheados, olhos castanhos escuros, sua pele era levemente bronzeada, era alto e optava por roupas vermelhas e pretas. Estava com uma calça jeans preta e uma jaqueta vermelha, seu boné também era vermelho e escondia seu cabelo. Ele namorava Letícia, uma menina de cabelos lisos, olhos castanhos escuros, era rechonchuda e ria igual a uma hiena (na opinião de Guilherme).

Richard tinha 18 anos também, era alto, gordo e tinha cabelos castanhos cacheados, olhos castanhos da cor dos cabelos, usava uma camisa cinza e uma calça jeans azul. Ria descontoladamente de uma piada que Guilherme tinha contado, ele não tinha namorada assim como Guilherme, mas o garoto de olhos verdes era apaixonado por Ana, Felipe já tinha visto Ana mexendo no cabelo do amigo no meio da aula, ele ficava esparramado na cadeira sorrindo abóbado, até o momento em que Nicolas deu um tapa em Guilherme e então Ana parou de mexer em seus cabelos o fazendo bufar de raiva.

E Austin ele tinha 19 anos e não tinha amigos da sua idade (Só não são mais burros por falta de tamanho, ele vivia reclamando), era alto, tinha o cabelo loiro esbranquiçado todo bagunçado, os olhos azuis claros, a pele um pouco mais pálida do que a de Felipe, tinha uma semblante despreocupado e um sorriso travesso nos lábios, usava roupas cinzas e pretas e não usava boné, porque ele dizia acabar com seu topete, ele estava apoiando a cabeça nas mãos.

— Austin está pensando no que? — Richard perguntou.

— No quanto ele e Taís devem fazer menos barulho? Quase não dormi essa noite! — caçoou Guilherme, Austin ficou vermelho e se levantou.

— Tenho trabalho de geografia para fazer até depois! — ele disse correndo até a porta.

— Maluco — Rogério disse tomando um gole de suco.

~~~ Momento atual ~~~

— FELIPE!!! — Ana gritou.

— PORQUE NÃO VAI DAR PARA O GUILHERME QUE QUER TANTO? — ele perguntou fazendo Ana ficar vermelha de raiva.

— IMBECIL!!! — ela disse batendo os pés em direção ao interior do internato.

(***)

Guilherme andava acompanhando de Rogério, os dois discutiam qual seria uma opção de almoço melhor: hambúrguer ou batata frita! Os dois davam empurrões, pescotapas e socos. Quando a passagem deles foi atrapalhada por Ana que sorria para Guilherme.

— Oi — ela disse acenando tímida.

— Oi — Guilherme falou arrumando a postura.

— Posso falar com você a sós? — ela perguntou apontando com a cabeça para Guilherme.

— Claro — ele disse — Nos vemos depoia batata frita.

— Até hambúrguer — Rogério disse e se afastando para os jardins.

— Então, sobre o que quer falar? — ele perguntou e ela pegou na mão dele.

— É particular, eu levo você para meu quarto — ela disse e Guilherme corou violentamente.

— Tá — ele disse e Ana o quiou pelos corredores até seu quarto, assim que ele entrou ela fechou a porta e a trancou, ele a olhava com desejo e cobiça.

— O que tanto me olha? — ela perguntou olhando ele a observando.

— Você é linda — ele disse sorrindo malicioso.

— Sou? — ela perguntou se sentando na cama ficando na frente dele que estava sentado em uma poltrona.

— Muito — ele disse e ela colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.

— Obrigada — ela disse e se levantou, tirou o boné dele e colocou em cima da escrivaninha, ele sorriu quando ela se sentou no colo dele e o observou mais de perto — Você também é lindo — ela disse antes de o beijar, ela puxou os cabelos dele um pouco para trás e ele apertava ela mais perto do seu corpo, ele precisava urgentemente de mais contato, mais calor do seu corpo.

Ela colocou suas mãos por dentro da camisa dele e ficou arranhando e passando a mão pelo corpo bem definido dele, ele com as mãos dentro do top dela, apertava seus seios cobertos com o sutiã.

(***)

Felipe e Richard andavam até o quarto do Guilherme quando passaram na frente do quarto de Ana.

— Está ouvindo isso? — Felipe perguntou.

— Gemidos? É estou — ele respondeu rindo e indo de encontro com a porta da menina — Quem você acha que é?

— Não sei — Felipe disse encostando a cabeça na porta para escutar melhor. Por um momento jurou ouvir "Guilherme" em meio a gemidos.

— Quer descobrir? — o amigo perguntou divertido.

— É pra já — ele disse rindo e batendo na porta.

Os barulhos pararam, eles escutaram passos, depois de um tempo a porta se abriu e Guilherme se colocou para fora, só de calça e boné.

— Meus Deus até pra transar você usa boné! — Felipe provocou.

— Vai se fuder — ele disse mostrando o dedo do meio.

— Eu ia mandar você mais pelo jeito já está fazendo isso — Felipe falou debochado.

— Há há há — ele mentiu um riso — Agora podem sair?

— Quem é? — Ana perguntou abraçando Guilherme por trás — Oi loiro.

— Oi — ele disse seco, mas a observou, usava a camisa de Guilherme que para ela mais parecia um vestido por ele ser maior que ela, estava descalça e com os cabelos um pouco bagunçados, e no rosto tinha um sorriso travesso.

— O que é isso na sua barriga? — Richard perguntou fazendo Felipe desviar o olhar e ficar vermelho.

— Arranhões — Guilherme respondeu rindo — Vai demorar um pouco para melhorar mais tudo bem!

Ana que estava atrás dava pequenos sorrisos, Felipe a observava.

"Ela nunca esteve tão bonita" pensou e deu um sorriso discreto com pensamento.

"Esse imbecil não percebe que eu gosto dele?" Ana se perguntou franzindo a testa e ficando vermelha, quando o loiro reparou que ela havia visto que ele a observava deu tchau e saiu apressado até seu quarto.

— O que está acontecendo comigo? — ele se perguntou e se jogou na cama, olhou na escrivaninha, tinha três fotos, uma dele e de seus amigos, um dele e de sua namorada Júlia e uma de sua família. Afundou a cabeça no travesseiro e soltou um suspiro longo, se lembrou de Ana e do jeito que ela agia. Deu um tapa na própria cabeça e tentou se lembrar de Júlia.

Cabelos lisos castanhos (que parecia os cabelos de Ana, tirando o fato de ser liso), olhos castanhos (que lembrava os olhos de Ana tirando o fato de não serem esverdeados), e um sorriso (que perdia para o sorriso de Ana). Não dava qualquer coisa fazia ele se lembrar da castanha, qualquer coisa.

~~~ Duas semanas depois ~~~

Felipe havia aprendido a controlar seus pensamentos sobre Ana, Guilherme estava a cada dia mais animado, Ana tentava enganar a si mesma falando que ela amava Guilherme e não Felipe, Austin olhava estranho para Guilherme quando via ele e Ana e Camille, a amiga de Ana, estava gostando de Austin.

— Vocês não vão acreditar!! — Guilherme falou se sentando na mesa no horário do café da manhã.

— O que foi? — Rogério perguntou levantando as sobrancelhas por terem atrapalhado a hora que ele estava comendo.

— Eu estou namorando — os quatro pararam de comer e o encararam.

— Quem é a louca? — Richard perguntou.

— A Ana — ele disse sonhador, Felipe sentiu seu estômago embrulhar e sentiu como se apertassem seu coração com toda a força, todos cumprimentaram ele, Austin só disse um "parabéns" seco e ele se levantou.

— Parabéns — ele disse dando um sorriso amarelo — Eu vou para meu quarto, acho que esqueci meu caderno de Inglês.

Saiu a passos largos da mesa, algo amargo estava preso em sua garganta, sentia mal estar, seu coração acelerava quando ele estava a poucos passos do quarto de Ana, a probabilidade dele encontrar a castanha fazia ele sentir um frio na barriga, quando ela apareceu cruzando o corredor com mais três garotas suas pernas bambearam, sentiu a boca ficar seca, parou de chofre e olhou ela passar ao seu lado sem ao menos dizer "Oi loiro" como sempre dizia.

— Oi Ana — ele disse e ela o olhou, deu um pequeno riso e parou.

— Oi Felipe — ela disse ela disse acenando.

— Fiquei sabendo de você e do Gui, parabéns — ele disse forçando um sorriso.

— Obrigada — ela disse sorrindo — Bem te vejo na aula de matematica eu acho.

— É a única aula que temos juntos — ele disse.

— É — ela disse — Bem tenho mais três anos aqui.

— Eu só tenho dois — ele disse.

— Eu já vou indo — ela falou dando um sorriso simpático — Até depois loiro.

— Até depois morena — ele disse sorrindo e vendo ela se afastar.

Internato idiota, venho aqui com catorze anos e só saio quando faço vinte! Pelo menos eu vou para casa no Natal e na Páscoa. Tenho quartos separados, acho que tem uns 80 quartos em cada andar. Tem 13 andares então pode estar certo minha estimativa. A única aula que eu tenho com o quinto ano é a de matemática. Mas ver a Ana é necessário para minha sobrevivência, o que eu estou falando?, ele pensou.

(***)

— Tem alguém caidinho por você! — Laura disse, ela era magra, cabelos curtos escuros, usava óculos, a pele um pouco escura, era baixa, e tinha olhos castanhos.

— Caidinho? — Camille falou rindo, ela era magra, tinha cabelos loiros, covinhas, olhos castanhos, pele clara e era baixa. — Só faltou ele babar.

— Você viu o jeito que ele fala? — Emanuele perguntou, ela era alta, cabelos cacheados escuros, usava óculos também, era um pouco mais rechonchuda que Letícia e tinha olhos castanhos.

— Foi só uma conversa — Ana disse.

— Uhum sei — Manu falou fazendo a careta que sempre fazia quando estava desconfiada.

— Qual é ele é lindo — Laura disse — Você viu aqueles olhos?

— Mas ele namora a Júlia — Camille disse e todas fizeram careta.

— Que faz parte das VVVs — Ana falou fazendo as três rirem.

— Vacas — Camille disse com nojo.

— Vadias — Laura disse fazendo cara de desgosto.

— Vagabundas — Manu disse e depois deu um sorriso — Cami imagina você e a Ana sendo cunhadas?

— Já vejo a cara dela todo dia, imagina só! — Ana falou enquanto levava tapas de Camille.

— Ora ora ora — Júlia falou parando na frente das quatro com suas três amigas, Taís, Alana e Letícia. Quando Ana via a Taís sempre ria, Taís andava pelo internato inteiro falando o quanto seu namorado era perfeito e enquanto isso ele estava na cama com ela.

— Queríamos fazer um convite a você Ana — Letícia falou.

— E o que garante que eu vou aceitar? — ela perguntou.

— Uma festa clandestina, direito a bebibas, e pode ir com seu namorado — Taís falou.

— Aí você ganha minha atenção — Ana disse dando um sorriso.

— Hoje, às onze — Júlia falou — Guilherme já sabe onde é mas em via das dúvidas!

— Vai ser no Salão dentro da floresta do Colégio — Taís falou — Vá de vestido ok?

— Quem vai a uma festa de calça? — Ana perguntou incrédula.

— Exato — Júlia disse sorrindo — Ah, agora larga do pé do Felipe.

— Fala isso para ele, não aguento mais ele atrás de mim — Ana disse.

As quatro deram de costas e sairam.

— Vai ser uma longa noite — reclamou para as amigas.

Notas finais
O que será que vai acontecer nessa festa?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.