Incondicional
2 Parte II – Se descobrindo
I
No dia seguinte ela acordou meio desorientada quando pequenos feixes de luz atravessaram as vidraças do quarto, zonza ela demorou alguns segundos para perceber que estava dormido no chão. Ao perceber o ocorrido ela se assustou e teve vontade se se levantar e correr para a sua cama antes que sua mãe a encontrasse daquele jeito.
Seu pequeno momento de desespero só foi cessado quando sentiu os cabelos de Thomas resvalarem em seu braço.
Ela emitiu um pequeno suspiro ao analisar o irmão, se recordando de como haviam parado naquele lugar, se lembrou da dança, das conversas, dos risos e de como os dois cansados terminaram por dormir ali mesmo, no chão. Se a mãe deles visse aquela cena certamente eles levariam uma bronca daquelas. Algo que pareceu irrelevante ao ver sorriso nos lábios de Thomas. Ela adorava vê-lo dormir.
Na verdade, ela adorava tudo nele e ultimamente era cada vez mais difícil ficar ao lado do irmão sem beijá-lo, ele parecia um imã que a atraia, e desde que ela encontrara algumas imagens estranhas e ocultas em uns livros na biblioteca começava a vê-lo de uma outra forma.
O carmim voltava as bochechas dela sempre que o imaginava entre as suas pernas, igual a imagem oculta que havia visto em um livro de romance. Lucille adorava ler assim como o irmão, mas a mãe nunca os deixavam escolher os livros que queriam na biblioteca. Ultimamente se perguntava se era por causa de livros como aquele. O romance que leu com avidez imaginando como seria viver aquilo, imaginando como seria Thomas a beijá-la como era descrito no livro.
Um suspiro saiu dos lábios dela só de imaginar, talvez aquilo fosse coisa de sua idade, de seus recentes 14 anos.
— No que está pensando? – ela escutou uma voz sonolenta e familiar a trazer de novo para a realidade.
— Em você. – ela riu.
— Em mim? – ele indagou esfregando os olhos.
— Em como você é lindo. – ela acariciou o rosto dele.
Ele apenas riu, não sabia o que dizer.
— Thomas. – ela disse de repente, suas bochechas levemente coradas – Você confia em mim?
— Claro! – o outro respondeu convicto.
— Hoje... Hoje à tarde... – ela parecia apreensiva – Poderia me acompanhar a biblioteca quando a mamãe for ao Correio? Queria te mostrar uma coisa especial.
— Tudo o que você quiser, irmã. – aquela resposta a deixou aliviada, estava louca para mostrar aquele livro a ele e aquela seria uma das raras oportunidades. Sem a mãe por perto ou qualquer outro enxerido.
— Agora é melhor ir para o seu quarto antes que a mamãe apareça. – ela riu.
II
Lucille nunca pensou que algumas horas pudessem demorar tanto a passar, mas o alivio que a invadiu quando escutou o barulho de cavalos se afastando da casa a deixaram aliviada. Thomas observava tudo pela janela e sorriu para ela de repente, indicando que realmente a mãe deles já havia saído.
— Vamos a biblioteca? – ela pediu com o amplo sorriso, retirando de seu vestido um molho de chaves que havia pegado escondida fazia alguns meses.
O sorriso dele a deixou hipnotizada e ela precisou de alguns segundos para se recompor, tratando o mais rápido possível de se dirigir a biblioteca.
A amplitude e a quantidade de livros do local sempre impressionavam Thomas, o deixando perdido em meio a tantos livros, e vivia se perguntando se algum dia conseguiria ler todos eles.
— Thomas! – Lucille o chamou – Quero que veja isso. – ela pegou um livro e começou a andar em direção a ele.
Curioso o jovem observou o nome escrito na capa do livro.
— Amor... – ele sussurrou.
— É uma história linda. – ela pressionou o livro contra o seu peito.
Ele estreitou as sobrancelhas, visivelmente confuso.
— O que é o amor, Lucille?
— Um sentimento. – ela sorriu meio envergonhada – Algo lindo entre duas pessoas.
— Como a gente? – Thomas perguntou inocentemente.
— Sim, como a gente. – ela respondeu meio tensa.
— Ainda não entendo.
— Posso te mostrar. – ela sorriu meio envergonhada.
— Como? – a curiosidade brilhava nos olhos azuis.
Lucille estendeu o livro fechado em direção a ele e moveu as páginas levemente nas laterais, ele observou com espanto a imagem de um homem e uma mulher se formarem nas bordas do livro e a posição em que eles estavam o deixou mais confuso ainda.
— O que é isso? – foi tudo o que ele conseguiu dizer.
— Amor. – ela respondeu ruborizada – O que acontece com duas pessoas que se amam, como a gente. – falou baixinho.
— Eu... – ele parecia receoso e envergonhado.
— Eu posso te mostrar, te tocar...
— Eu... Eu não sei... – ele gaguejou.
— Você não confia em mim? – ela parecia meio triste.
— Não é isso Lucille! – Ele se apressou em dizer – Eu confio... Só que...
— Então deixe-me lhe mostrar o quanto te amo. – pediu com certa urgência.
O silêncio voltou a preencher o cômodo, a falta de resposta dele a angustiava, envergonhada ela estava prestes a sair correndo, mas Thomas segurou a mão dela com delicadeza.
— Eu quero descobrir o que é o amor. – ele sussurrou.
Aquela resposta acendeu uma fagulha no coração dela e sorrindo pediu para que ele fechasse os olhos. O jovem a obedeceu de imediato, e ela não resistiu ao impulso de acariciar a pele macia do rosto dele, tocando com as pontas dos dedos os lábios rosados e finos.
Thomas sentiu a respiração dela contra o seu rosto e não se surpreendeu quando os lábios dela tocaram os seus, mas nada comparado ao que sentiu quando ela o forçou a entreabrir os lábios e invadiu a boca dele com sua língua. Surpreso ele abriu os olhos, mas a expressão de satisfação no rosto dela o deixou mais relaxado, ela o puxou para mais perto de si, o envolvendo em um abraço apertado.
Quando se afastaram os dois estavam corados, mas sorridentes. Lucille sentia seu corpo em chamas, precisava senti-lo mais perto de si. Ali não estava mais uma garota, o desejo em seu olhar era o desejo de uma mulher.
— Venha comigo. – ela pediu estendendo a mão, temendo que alguém aparecesse ali e os visse.
Ele aceitou o convite e logo os dois estavam aos beijos novamente, tropeçando nos móveis e na escada até chegarem no local que ela queria.
Lucille o beijava avidamente, extravasando o desejo que tanto sentiu por ele nos últimos meses. Os dois estavam no quarto dela, ao lado da cama, da mesma forma como estavam na biblioteca momentos antes, abraçados e sentindo a respiração agitada um do outro. Ela tomada pelo desejo chupava sua língua e mordia seus lábios, ao mesmo tempo que acariciava os cabelos negros que tanto amava, sua mão parecia ter vontade própria e vagava sozinha por baixo das roupas de algodão, tocando com carinho toda pele que conseguia.
Ofegantes eles se separaram, e olhando nos olhos dele ela o empurrou para que se sentasse na cama. Ele a observou com adoração, se regozijando daquela sensação maravilhosa que atravessava o seu corpo, ela não parecia estar de forma diferente, tinha aquele sorriso que ele tanto adorava estampado entre as bochechas coradas, os cabelos completamente bagunçados, e os lábios vermelhos e tão convidativos.
Guiado pelo instinto ele levou suas mãos para a cintura fina e delicada, Lucille o correspondeu se curvando e tornando a beijá-lo, forçando seu corpo sobre o de Thomas, até ficar completamente deitada por cima dele.
Ele ofegou ao senti-la tão perto de si.
— Você tem certeza disso, irmã? – ele ainda parecia meio receoso.
Thomas sentia que havia algo de errado no que estavam fazendo, mas ainda não sabia dizer ao certo o que era. Ele nunca sabia.
— Sim. – ela respondeu o beijando, se debruçando ainda mais sobre o corpo dele.
Lucille descobrira fazia algum tempo que adorava beijá-lo, ele era tão belo, tão perfeito.
— Você não me disse que queria descobrir o que é o amor? – ela sorriu, resvalando os dedos na pele macia e clara como a neve.
Sim, ele queria e muito, queria entender o que era aquilo, queria ter aquele sentimento.
— Sim... – ele respondeu depois de algum tempo.
A insegurança ainda estava lá, parecia ser a parceira perfeita para ele, algo que ela queria veemente mudar e faria questão de afastar naquela noite.
— Então deixe-me te mostrar. – voltou a beijá-lo.
Thomas voltou a entreabrir os lábios, sentiu a língua de Lucille o invadir e roubar o seu ar, as mãos sempre ágeis se agarraram aos cabelos escuros. De repente ele já não sentia mais o frio costumeiro daquele lugar. Um calor intenso surgiu em seu corpo e tudo em que ele conseguia pensar era nos beijos dela, e nos toques quentes que se espalhavam pelo seu corpo.
Ele ofegou quando as mãos dela desceram pelo seu peito, o calor que sentia parecia cada vez maior, o corpo dela estava em brasas e cada novo toque despertava novas sensações.
— Lucille, o que você está fazendo? – ele perguntou ofegante quando ela passou as pernas em torno de sua cintura e se sentou ali.
— Te mostrando. – ela sussurrou contra o peito dele, beijando cada pedaço de pele que conseguia alcançar – Apenas sinta. – ela voltou a sussurrar descendo suas mãos pelo corpo magro e delicado dele.
Ela acariciou a coxa dele ainda por cima da calça e quando encontrou o membro de Thomas o empunhou, tomada pela curiosidade e excitação. Lucille explorou o órgão através do tecido. Era estranho, ela pensou, maior do que ela imaginava e duro também, completamente diferente do que vira em outra ocasião quando ele tomava banho.
Ela o acariciou com cuidado enquanto ele ofegava, descobriu que adorava vê-lo daquele jeito, o rosto corado e uma expressão de plenitude no rosto. Thomas fechava suas mãos com força sobre o lençol da cama, queria sentir cada vez mais aquela sensação e quando Lucille finalmente abriu sua calça e o tocou mais intimamente ele pensou que fosse ao delírio soltando um gemido baixo.
De olhos fechados ele ofegava quando a sentiu se movimentar sobre si, ele abriu os olhos e visualizou os dela em chamas, pensou em dizer algo, mas as palavras pareciam presas em sua garganta.
— Eu amo você. – ela falou ofegante.
A resposta aquela frase ficou presa nos lábios dele no momento que reparou que Lucille erguia lentamente o seu vestido e mexia em suas roupas intimas. A curiosidade voltou aos olhos azuis, ele queria saber o que ela iria fazer.
Lucille ergueu o quadril e voltou a tocá-lo mais intimamente, Thomas sentiu seu corpo tremer e ela guia-lo para dentro de si, precisou reprimir um grito quando a sentiu em seu corpo.
— Lucille... – ele ofegou.
Ela espalmou suas mãos no peito dele e forçou seu corpo para frente, sentiu algo se romper e soltou um grito de dor. Thomas se assustou e tentou afastá-la de si, mas Lucille o puxou novamente para dentro, começando a se movimentar sobre ele, excitado Thomas passou a acompanha-la nos movimentos.
Os dois gemiam, e de repente Thomas sentiu o seu corpo todo tremer. Lucille puxou-lhe pelo rosto, beijando-o com urgência e então fechou os olhos e gemeu alto quando o prazer a invadiu.
Aquilo era o céu, e definitivamente eles precisavam fazer aquilo de novo.
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