Incomum dia dos namorados
1 Capítulo 1: TashIan
Notas iniciais
Em algumas horas começava os dias dos namorados e eu estava saindo de um restaurante com ele. Ele. Eu nunca pensei que ficaria tão grata em ter alguém comigo naquele dia, mas ele estava e eu estava tão feliz. Por sua presença, seu toque e como ele me completava com aquelas coisas tão sutis. Coisas que eu nem sequer pensava antes que precisava ou sentia falta.
Estávamos caminhando na calçada de mãos dadas. Fazia muito frio então estávamos bem agasalhados. Eu estava com um sobretudo longo e um macacão cinza por baixo com botas pretas. Meus cabelos soltos impediam que o vento corresse pelo meu pescoço. Ele estava lindo como sempre. Calça jeans preta e uma bota também preta. Uma blusa verde azulada como a cor dos olhos dele, um casaco e uma touca.
Um vento soprou por nós enquanto descíamos a avenida em silêncio, somente compartilhando nossa presença um com o outro. O dia tinha pedido isso, pois tínhamos trabalhado imensamente e pelo frio tudo o que nós queríamos era a presença um do outro ali. Ele colocou seu braço pelo meu ombro, fazendo com que meu contato com seu se aproximasse e sorri pelo seu carinho. Ele era tão carinhoso, tão terno e sempre que ele sabia que eu tinha um dia infernal no trabalho, ele sempre contornava a situação me levando pra jantar e me dando todo o carinho que era possível, me dando o melhor que ele tinha que era seu coração. Eu porém estava tão nervosa quanto ao que eu tinha que dar a ele.
Eu nunca fui exatamente uma pessoa romântica, e eu sempre achava que ele me dava muito mais do que recebia, mas dessa vez não. Dessa vez não tinha parâmetro. Eu nem sequer sabia como ele ia assimilar aquilo, assim como nem sequer eu sabia assimilar, embora já tivesse um tanto de amor dentro de mim por tudo aquilo.
Estávamos alguns metros de casa quando o nosso telefone tocou ao mesmo tempo. Olhamos um pro outro. Sabíamos que um turno extra poderia estar ao nosso lado a qualquer hora nos últimos dias, mas justo naquele dia? Talvez sim. Virtude no nosso chefe e sua turma. Olhei meu telefone e era o telefone de Jane, Roman olhou o dele e era Kurt. Roman resolveu atender.
— Estamos alguns metros de casa, mas já estamos chegando. — Disse Roman rapidamente.
Alguns segundos de silêncio e ele continuou. — Claro que sim. Você quer que eu passe aí ou… Ok. Até mais.
Após ele desligar, nos olhamos chegando na porta de casa.
— Kurt está vindo com os gêmeos. A bolsa da minha irmã estourou. — Ele disse sorrindo.
Eu sorri de volta.
— Mais um Kruger a caminho. — Eu disse beijando rapidamente seus lábios gelados. — Parabéns, titio!
Estava tão feliz por ver a família de Kurt se formando e crescendo. Porque ele e Jane mereciam mais que tudo expandir suas vidas depois de tudo que eles passaram.
Entramos e Roman já foi colocando os protetores em alguns móveis que ele havia comprado pelos sobrinhos. Seu cuidado com tudo e com todos afundava cada vez mais meu coração nas mãos dele. Alguns minutos depois escutamos o barulho do carro do Kurt e fomos pra porta. Kurt saiu do carro com duas bolsas e eu e Roman tiramos Nikki e Lucca do carro. As crianças já estavam até com roupas de dormir. Roman foi se certificar de que tudo estava bem com Jane e Kurt parecia apreensivo.
— Espero não estar atrapalhando nada. — Ele disse.
— É um dia bem engraçado de se querer nascer, mas estamos felizes.
Eu disse com humor, mas Kurt ainda parecia nervoso.
— Ei, vai ficar tudo bem, comandante. — Eu disse passando as mãos no ombro de Kurt e tentando acalmá-lo. — Apenas vá. Seus filhos estão em boas mãos. — Eu disse e então Kurt se foi.
Entrei com Nikki nos braços e Lucca estava com Roman. Até parecíamos uma família.
Coloquei tudo das crianças sob a mesa e coloquei Nikki no chão. Roman já havia se jogado no chão e estava deitado sob o tapete da sala brincando com Lucca. As crianças de pouco mais de um ano adoravam se divertir com o tio. Me sentei para assistí-los como gostava de fazer. Agora ainda mais. Adorava ver como Roman se conectava com crianças, do modo elas viam pureza no coração dele. Um dia eu não acreditei que poderia ter algo de bom sob ele, e agora a bondade era tudo que eu via quando eu olhava pra cada centímetro dele. Como eu estava feliz em ver o quanto eu tinha quebrado a cara. Quebrar a cara nesse caso havia resultado a mim ter um homem maravilhoso ao meu lado.
Vi Nikki bocejar enquanto os dois brincavam de pular sob as costas de Roman e fui preparar um mingau que Kurt sempre deixava para eles tomarem antes de dormir. Os fiz e quando voltei pra sala Nikki já estava mais aconchegada por baixo dos braços de Roman e Lucca já estava mais quieto, embora ainda estivesse impacientemente movimentando suas mãos pela barba do tio. Ele adorava puxar a barba dele, o que fazia Roman rir embora ele dissesse que fosse um pouco doloroso. Ele no fundo achava engraçado a admiração da criança com sua barba.
Ao avistá-los, involuntariamente eu sorri.
— Tempo perfeito. — Ele disse piscando pra mim.
Eu me sentei perto deles.
— Ni, você quer vir pro colo da tia Pata? — Eu disse estendendo as mãos pra ela que saiu dos braços do Roman e veio pro meu.
Eu entreguei o mingau do Lucca pro Roman.
Nikki sempre me chamava de Pata, não importava o quanto Roman tenha tentado ensinar Tasha ou dizer que era Zapata. Eu gostava disso porém, porque isso nos ligava de um modo mais íntimo já que eu a chamava de Ni.
Ela aconchegou-se em meus braços, mas ainda estava virada pro Roman. Ela pegou a mamadeira de minhas mãos e logo Lucca também estava com a sua. Roman cantava algo pra eles que eu já sabia que era a canção de ninar dele e de Jane quando crianças.
Eu balancei Ni em meus braços e com a mão que ela estava desocupada ela ficou brincando com meus cabelos.
— Estou feliz em estar com você. tia Pata e tio Roman. — Nikki disse.
— Mamãe foi buscar Laura. — Lucca respondeu.
Eu e Roman rimos.
— Sim. Eles foram e então agora podemos ter uma noite do pijama com vocês. — Eu respondi piscando o olho pro Roman.
Embora eles já fossem grandinhos, era nosso esporte favorito tratar aqueles dois como nossos bebês quando estávamos com eles. Logo eles terminaram e Nikki caiu em meus ombros. Lucca ficou fazendo carinho na barba de Roman. Não era só eu que sentia prazer em fazer aquilo e logo as crianças caíram nos braços do sono.
Fomos colocar eles dois na cama e ficamos admirando os dois por alguns minutos. Eles eram tão lindos juntos e sempre se emaranhavam um no outro quando dormiam juntos assim.
— Eles são tão lindos, não é? — Disse Roman e logo depois seu rosto foi invadido por um sorriso genuíno.
— Você e Jane tem ótimos genes. — Respondi sorrindo.
— Como você acha que seria um filho nosso? — Ele perguntou de repente, o que fez meu coração pular, mas fomos interrompidos quando o relógio do braço dele apitou avisando que era meia noite.
Eu o puxei para sala e sentamos no sofá da sala. Aconchegamos um nos braços do outro.
— Bem, não é bem como eu planejei festejar esse dia, mas feliz dia dos namorados. — Ele disse me abraçando e beijando meu pescoço.
Eu sorri pra ele. Meus olhos estavam lacrimejando já quando eu voltei meu olhar pra ele.
— Às vezes as coisas não precisam ser planejadas pra serem inesquecíveis. — Eu respondi.
Ele me beijou com tanto carinho, ternura e mesmo que três anos já tivesse passados desde o nosso primeiro beijo, eles sempre tinham aquele sabor novo e viciante de paixão desenfreada. E aquele era o momento de expandir aquela paixão. Após nos separarmos, eu colei minha testa a dele, ainda de olhos fechados. Passei minhas mãos em seu rosto, sua barba e sua cicatriz fazendo morada sob os sentidos das minhas digitais.
— Eu amo muito você. — Eu disse e lhe dei mais um selinho.
Eu o amava. Amava cada pedaço dele e de nós. Cada centímetro externo e interno de quem ele era.
— Eu também te amo. — Ele disse após o selinho, me dando um beijo na testa com a mão direita sob a minha nuca.
Nos separamos e trocamos olhar.
— Sobre como nosso filho seria… — Eu comecei um tanto nervosa. — Eu espero que ele seja bonito como eu — Disse e nós rimos — e que ele seja fiel e dedicado a tudo que ele amar como você. Só espero que ele não seja teimoso como você.
— Ei… — Ele disse fingindo estar insultado. — Você também é teimosa. Deus, você também é muito teimosa então com certeza teremos um teimoso júnior um dia. — Ele finalizou rindo.
Limpei minha garganta.
— Eu tenho algo pra você. Eu sei que disse que não havia pensado em nada até semana passada porque essas datas não combinam muito conosco, mas como eu disse, nem sempre tudo é como planejado.
— Ok. — Ele disse.
Eu fui até o quarto tirando os dois pacotes da minha gaveta. Quando voltei, ele ainda estava como estava no sofá.
Primeiro eu entreguei o primeiro pacote. Ele abriu e logo olhou. Era uma corrente fina com um baú de pingente. Ele ficou olhando e pareceu gostar.
— Eu sei que geralmente é homem que presentea com jóia — Eu comecei com humor. — mas essa é masculina, e bem, somos bem o contrário do normal nesse relacionamento…
Ele me interrompeu pra beijar minha testa novamente.
— É por isso que amo nós dois. Eu adorei. amor. Muito obrigada. — Ele respondeu e colocou o colar em si mesmo.
— E sobre o pingente ser um baú, é que eu sempre fui fechada assim, mas você foi exatamente a chave pra me fazer abrir tudo que eu tenho dentro de mim. E também porque você me fez enxergar o quanto o seu interior era rico quando eu achava o que você mostrava pavoroso. Você me fez ver que você era meu tesouro quando eu achava que você era só uma armadilha.
Ele não deixou eu terminar de falar e apenas separou a distância entre nós.
— Eu sou muito grato por você não ter desistido de mim e por ter me ajudado a me tornar essa pessoa melhor que eu sou agora. Nós dois somos melhor agora. — Ele disse e concordei. Porém com um olhar de malícia.
— Sobre isso… — Eu disse entregando o segundo pacote e abrindo. — Eu não tenho mais certeza se somos mais dois apenas.
Um sorriso nasceu em minha boca e na dele também, acompanhados de lágrimas em todos os lados.
— Você tem certeza? — Ele disse no meio de um riso após abrir o teste que mostrava positivo. — Você… É o melhor presente que eu poderia receber. — Ele respondeu a si mesmo já colocando a mão na minha barriga ainda tão escondida.
— Eu não quis fazer um exame de sangue porque eu não queria ninguém sabendo antes de você, mas esse foi o sétimo teste que fiz nos últimos dois dias, mas nós podemos marcar uma consulta em breve.
— Claro que sim. — Ele disse sorrindo e logo ele estava ajoelhado sob mim com a mão sob a minha barriga.
Ele colocou seu olhar sob o meu. A íris do seu olho parecia mais brilhante do que nunca.
— Eu amo tanto você. — Ele disse e logo beijou minha barriga. — Agora vocês.
Me abaixei para alcançá-lo e a felicidade que vi dentro dos olhos dele invadiu não só os meus, mas todo o meu corpo.
— Eu também amo vocês. — Eu disse capturando mais uma vez seus lábios com os meus. — Como eu jamais imaginei que pudesse amar.
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