Incompreensíveis
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ían
Acordo. Demora um tempo pra eu me dar conta de onde eu estou. Onde eu estou? Sim, eu caí da cama. Tenho que arrumar aqui em baixo!
Me recupero da queda, eu levanto e caminho até o meu celular. São 06h24min, bem na hora de levantar.
O quarto está abafado. Cara que calor. A persiana ta fechada e bem escura.
Tropeço em alguns objetos não identificáveis e quase caio em cima da janela. Puxo as duas cordinhas da cortina e ela magicamente se abre. Como se existisse magia. O que seria a magia? Fenômenos físicos nos quais os cientistas coçadores de saco ainda não resolveram ou apenas umas histórias ai nos quais nos fazem acreditar! Pensamentos.
O dia está perfeito pra ouvir umas músicas lentas, sentar num banco do fundo do ônibus e deixar rolar!
Imagino isso às vezes: eu, num conversível vermelho pilotando pelas estradas do sul dos Estados Unidos ouvindo Montain Sound do Of Monsters And Men . Com o vento batendo no pára-brisa e deslizando em meu rosto. Um inseto morreu ali no pára-brisa.
Volto pra realidade com minha mãe me chamando. Eu pego uma toalha branca na gaveta e caminho até o MEU banheiro, sim eu tenho um banheiro particular.
A maçaneta da porta travou, dou quase um chute nela e ela se abre. Preciso lavar o banheiro. Me olho no espelho e começo a fazer caras e bocas. Já falei? Meu nome é Ían. Tenho 15 anos. Isso que importa.
Entro no chuveiro. A água está gelada. Toco cada parte do meu corpo como se nunca tivesse tocado antes. To meio mongol.
Termino o banho e pego a toalha. Olho no relógio são 6:35. Pego minha roupa começo a prestar a atenção na etiqueta.
Desço as escadas. Minha mãe está me esperando pra tomar café da manhã. Tem bolo de café e leite. Como o que está mais fácil de comer e vou pra escola.
Eu moro perto da escola então o caminho é rápido. Eu olho pras pessoas que estão passando pelo caminho e penso: será que eu as conhecerei um dia? Isso é estranho. As pessoas deveriam se cumprimentar. Não sou eu que vou começar com isso.
Enquanto vou chegando perto da escola avisto algumas meninas e meninos andando pelo caminho. Eles agem como se tudo estivesse bem, mas não está. Na minha vida ta correndo tudo bem. Tenho uma casa boa e uma mãe que me ama, minhas notas estão boas também. Não tenho nada do que me preocupar. Mas os problemas estão sempre presentes em nossas vidas.
Eu entro no colégio e a guerra começa. Encaro o porteiro e dou um semi-olhar malvado. Ele é muito metido, tem um ego enorme. As pessoas que são assim devem ter problemas. Todos nós temos problemas.
Eu chego até a sala e as pessoas me olham. Eu caminho até a cadeira e me sento. Desligo o meu celular e o guardo no bolso. A Isadora é uma garota linda, ela senta do meu lado. Somos amigos, mas eu não quero ter pensamentos maliciosos com ela a essa hora da manha.
Sonhos. Tive sonhos com ela. Eu estava em um campo cercado por muitas árvores. Ela estava deitada no meio desse campo, pensativa e olhando para o céu. Eu cheguei ao seu lado deitei nos seus braços e quando ia dar um “beijo de amizade” eu acordo.
A aula de Química básica começa e eu não to nem um pouco afim de ficar na sala! E o que seria a química? Átomos que formam moléculas que formam substâncias que originam matérias nos quais usados pra nossa vida e que ao mesmo tempo não damos a mínima importância.
Os primeiros tempos acabam e eu encontro o Gabriel, ele mora na frente da minha casa e somos amigos desde os 5 anos mais ou menos. Depois que meus pais se separaram, ele ia La pra casa e nós vaziamos uma cabana pra nos proteger do mundo. O Mundo. Ele fere as pessoas, mas não é o mundo que fere. As pessoas ferem o mundo que me machucam. Então a culpa é minha? Acho que sim!
Achei estranho ele não me encontrar. Eu o cumprimento. Ele fala que uma tia havia falecido nessa manhã. Por isso não veio caminhando comigo. O resto do dia foi uma chatice. Aula de história sobre a Segunda Guerra Mundial e álgebra com radicais.
O sinal da ultima aula toca e eu guardo o material correndo. A Isa aposta “corrida” comigo sobre isso.
La na portaria, eu encontro com o Gabriel conversando com uma garota que ele estava gostando. Fico feliz por isso. Acho que o nome dela é Bruna. Ela parece ser uma pessoa legal. Ela participa do grupo de teatro, têm boas notas, os pais são ricos. Essa tem uma condição de vida boa.
Durante o caminho de volta pra casa nem eu e nem o meu parceiro de caminhada dizemos alguma palavra. O clima tava tenso pra ele, mas pelos olhares e gestos eu conseguia saber o que esse estava sentindo, afinal o conheço há dez anos! Mas ainda durante o caminho percebi algumas coisas engraçadas nas quais eu nunca percebi: todos os cachorros que eu vi espirraram com a pata no focinho; todas as pessoas nas quais eu prestei a atenção não olharam quando um helicóptero passou no céu.
Eu me despeço do Gabriel e entro em minha querida residência. Minha mãe já tinha ido trabalhar e havia deixado as sobras do jantar de ontem no micro-ondas pra mim.
Eu peguei um prato e coloquei o resto de lasanha no prato com um pouco de arroz. Subi as escadas com o prato e um copo de coca-cola.
Entrei no quarto e ele estava bagunçado. A janela estava aberta e entrava um vento forte. O dia bonito já não estava mais tão bonito.
Terminei de comer a lasanha e fui escovar os dentes. A pasta estava queimando a minha boca. Coloquei um samba-canção e fui deitar. No meu sonho Gabriel estava maior do que o normal e corria atrás de mim. Depois a Isa apareceu e cresceu também. Eles começaram a se beijar. Moleque audacioso, beijando a minha garota?
Eu acordo suado e ofegante. Eram 18h49min da tarde. Perdi o meu dia!
Minha mãe chega às sete. Corri pro banheiro e comecei a tomar um banho pensando no sonho que tinha acabado de ter. Perturbador. E totalmente contra os conceitos do Gabriel. Ouço alguém batendo na porta, mamãe.
-Cheguei filho!
Eu termino o banho e coloco uma bermuda verde e uma camiseta. Minha mãe me chama e eu corro as escadas pra saber o que ela quer. Gabriel estava na sala me esperando.
-Aconteceu alguma coisa?Afinal a tia dele havia morrido hoje cedo
-Não só quero jogar vídeo-game!
As dez partidas de FIFA 12 foram cansativas. Eu ganhei quatro vezes ele três e o resto foi empate.
A noite terminou com ele jantando bife lá em casa. Minha mãe gostou de ter outra pessoa a mesa essa noite. Nós conversamos sobre a escola e ele mencionou que queria ir pra Islândia. Não sei por que ele falou isso.
Ele terminou de jantar e fomos pro meu quarto.
-Cara, posso te falar uma parada?
-Fala ai!
-Sabe a Natália?
-Mas o nome dela não era Bruna?
-Não. Tudo bem. Eu to afim dela!
-Haha, sabia.
Ele dormiu lá em casa. Umas seis da manhã ele acordou e correu pra casa.
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