Incompatíveis
1 Capítulo 1 - Único.
Eu sabia que era errado.
Claro que sabia. Não era boba. Sabia que nós pertencíamos a mundos diferentes. Mas houve um determinado tempo que eu esqueci. Esqueci por tempo demais. Violei o seu espaço e você foi mandado para longe. E doeu tanto... Uma das coisas mais dolorosas na vida, é ver o que você ama, sendo arrancando de si mesmo. Me pergunto se foi tão doloroso pra mim, quanto foi pra você.Meu coração está congelado, mas ainda penso em você. Ele ainda te pertence. Mesmo eu estando, neste momento, no altar da igreja, segurando um buquê em minhas mãos trêmulas, ao lado de Madara. Um velho muito influente a qual meu pai obrigou-me a casar. Confesso que sempre imaginei essa situação, mas com você no lugar deste estranho de sorriso riscado.— Itachi... — Murmurei entre seus lábios macios, enquanto acariciava seu cabelo negro, amarrados em um rabo de cavalo frouxo.Ahh, seu cabelo... Sedoso, longo e negro. Era a parte que eu mais gostava em você.Onde estávamos mesmo? Ah, sim... Dentro do armário do salão de festas. Como esquecer? Eu sei... Não era o lugar mais romântico do mundo, mas não tínhamos muitas opções. Mas o que importa? Só o fato de você querer estar lá comigo, era mais significativo do que realmente estar.E quando seus lábios encontraram os meus, eu esqueci completamente que estávamos em uma armário apertado e escuro. Esqueci que eu era a herdeira Hyuuga. Esqueci que você era um guarda. Esqueci tudo, excerto a fisionomia dos seus lábios. Menos a sensação que suas mãos experientes me proporcionavam ao percorrer meu corpo.Suas mãos já pairavam na fenda do meu vestido quando uma luz invadiu o cubículo onde estávamos. Você não percebeu. Estava de costas, com os olhos fechados e muito distraído. Mas eu percebi, apesar de arfante e com os olhos fortemente fechados. Meu coração sobressaltou-se e como se você percebesse, olhou para trás a tempo suficiente de ver um dos guardas o puxarem pela gola de seu uniforme e o jogassem no chão.Gritei seu nome ao te ver se contorcer, após um forte chute no estômago. Um filete de sangue deslizou por seu queixo. Mais golpes vieram. Quase podia sentir sua dor. Me aproximei, tentando intervir. Mas os guardas foram mais rápidos e me impediram. A única coisa que eu consegui, foi perder um dos sapatos.— Coloque-se no seu lugar, maldito!Você não resistia enquanto estava sendo agredido. Apenas olhava para mim, com aqueles olhos extremamente expressivos.A princípio, não entedia muito bem o que aquele olhar profundo significava. Mas olhando para Madara ao meu lado neste momento, finalmente entendo. Você estava se desculpando. Se desculpando pelo que está acontecendo justamente agora.Fui tirada dos meus pensamentos, quando as palavras do padre cessaram e Madara tomou meu rosto pra si e me beijou arduamente. Retribui, me sentindo suja. Que escolha eu tinha?Palmas foram ouvidas pela igreja inteira, como se aplaudissem meu sofrimento.Lágrimas deslizaram por meus rosto, que para os olhos externos simbolizavam alegria e emoção. Mas que realmente eram saudade e arrependimento líquidos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor