Num cenário alvo, que a qualquer ser humano causaria arrepios, observou o grande exército marchar. Apenas seus olhos notavam o que estava por vir. Não havia sons, não havia vida. Havia apenas eles e o maior temor dos vivos.

A marcha se dava de forma sincronizada, guiada por um único líder, aquele que contra seu povo agora marchava. Seria possível dizer que nele ainda há humanidade? Neste momento aqueles olhos azuis o encararam e foi como uma lança a atravessar seu corpo, fria e profundamente.

***

—O que, de fato, isso significa? — Sansa o encarou com olhos em chamas. As lufadas do vento faziam pequenos flocos acumulados nas folhas da Árvore Coração caírem ao chão, como as penas de um corvo ao alçar voo.

—Não temos mais tempo. Não podemos mais esperar. Precisamos agir agora. — Bran respondeu em um tom monocórdio.

—Jon... — Sua irmã iniciou se discurso.

—Jon está muito distante de nós. Precisamos reunir o exército que temos e nos proteger.

—Arya... Ela migrou ontem para Porto Real.

—Ela está mais segura que nós. Arya sabe se proteger.

A neve começou a fluir cada vez mais e Bran se inclinou para voltar para o castelo.

—Vou solicitar a Tarly que envie um corvo a Jon. Ele obteve informações que eu sequer soube. — O olhar de curiosidade que recebeu não o surpreendeu. — Sansa, Jon não é nosso irmão. — A confusão tomou conta do único rosto Tully que Bran agora via em sua vida. — Papai Jamais teve um filho bastardo. Jon é filho da tia Lyanna.

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—Vocês precisam marchar imediatamente para o Norte. Não temos tempo... — Sam fez uma pausa na leitura de sua carta e com olhos incertos encarou Bran, que o fitou, inexpressivo. — Você acha que nós temos chance? — As chamas da vela que Tarly usava para enxergar projetava formas indecifráveis na parede do quarto de Bran. Assim eram as minhas visões, mas isso não importa mais.

—Isso não importa.

—C...C... Como não? Você diz que nossa... que nossa luta não importa?

—Pensar em nossas chances não importa. Lutar pela vida é o único caminho que temos agora. — Sam sorriu, mas não era um sorriso de alívio. Aquela expressão ilustrava um sentimento em comum entre todos aqueles que sentiam que a vida se esvaía assim como a esperança de uma vitória.

—Eu temo pelo que pode acontecer com... — Fez uma pausa tentando afastar um pensamento. — Com minha família.

— Sam, todos nós tememos pelo pior, mas precisamos encarar tudo o que está por vir. — Bran fez uma pausa e suspirou. — Apenas fique vivo.