Incestus
1 Incestus
Notas iniciais
Subs., 1. Indecência, impureza sexual, incesto.
Dizem que as pessoas amam aquilo que criam.
Eu era a prova viva disso.
– Irmão? – Questionei, arregalando os olhos. – Você está querendo dizer que nós temos um caçula?
– Sim. – Kouen segurou a porta até que eu saísse, encostando-a em seguida. – Você sabe como o pai é. E as regras também... Era questão de tempo até que mais um aparecesse.
– Mas por que trazê-lo para cá justo agora? – Perguntei, esforçando-me para acompanhar meu irmão, passando rapidamente pelos corredores do palácio.
– Parece que... A mãe dele ficou louca. – Fora seu sussurro, esvaindo-se conforme os passos abafavam sua voz. – Ele não está no melhor dos estados também. Agora cabe a nós cuidar dele.
Baixei a cabeça, mordendo os lábios. Como príncipes, nós tínhamos inúmeras obrigações, o que por vezes nos demandava muito tempo. Eu mesmo era uma pessoa extremamente ocupada; pouco conseguia arranjar um tempo para mim.
Onde arranjaria tempo para cuidar de uma criança...?
– Mei? – Parei a centímetros de Kouen, espantado.
– Perdão, o que disse?
– Perguntei se havia entendido. – Ele repetira, o tom de voz não muito agradável.
– Ah... Sim. – Concordei, ainda relutante. Era arriscado dar minha palavra para algo que eu não sabia se conseguiria cumprir.
– Mei. – Pisquei, encarando meu irmão uma vez mais. – Nós somos tudo o que ele tem agora. Esteja ciente disso. – Seu olhar sobre mim era levemente repreensor. Engoli a saliva, ficando ainda mais relutante. Kouen pousou o braço sobre meu ombro, baixando um pouco o rosto, sussurrando: – Seria bom você dar uma olhada nele agora.
– Huh? Haa?! – Dei um salto para o lado, encarando En novamente, os olhos arregalados. – Vê-lo? Agora?!
– Sim. – O ruivo apontou para a porta à nossa frente com um sinal de cabeça. Engoli em seco, sentindo a boca do meu estômago apertar. – Eu fui visitá-lo mais cedo. Ele... Não estava muito bem. Mas as criadas devem ter resolvido, acredito. Boa sorte, Mei. – Deu um último tapinha em minhas costas, saindo dali.
Ainda observei sua figura se afastar, encolhendo-me levemente. Voltei meus olhos para a porta de madeira talhada, fitando-a longamente, desconfiado.
Aos meus atuais quatorze anos, havia sido premiado e elogiado pelos generais do império como um excelente estrategista. Fora sob meus comandos que nossa tropa conseguira avançar na última batalha – e, claro, com as habilidades notáveis de En.
Todavia eu não me via em uma posição confortável quando se tratavam de pessoas. Principalmente... Irmãos bastardos.
Não que eu os repudiasse. Era só... Medo. Sabia que eles existiam, uma vez que o Pai deitou-se com inúmeras prostitutas, sem contar as amantes. Mas eu não tinha nem ideia de como seria o seu comportamento diante de nós.
Essa era uma das minhas maiores preocupações.
Uma revolta interna poderia abalar a estrutura toda do império. E em nossa atual condição, seria catastrófico. Esses pensamentos sondavam-me durante dias, às vezes tomando-me as noites de sono.
E bem ali, atrás daquela porta, poderia estar uma dessas sementes da discórdia. Não gostaria de pensar assim, mas era inevitável.
Respirei bem fundo e aproximei-me um passo, batendo levemente na madeira. Eu nada ganharia se ficasse ali parado – talvez mais algumas olheiras e mais dores de estômago, mas não que viesse ao caso. Esperei, pacientemente, por uma resposta.
Nada. Sequer um som. Bati novamente, podendo ouvir o eco que se projetava no quarto. Levei a mão à fechadura, virando-a e abrindo a porta com cuidado.
À medida em que ela se abria era possível perceber o breu que se formava conforme a luz do corredor entrava para o cômodo. Todas as janelas estavam fechadas. Ergui uma sobrancelha, estranhando.
Estiquei o pescoço para olhar sobre a cama, mas não havia ninguém ali. Pisquei algumas vezes, espantado. Dei um passo adiante, encostando um pouco a porta, deixando uma brecha para entrar luz no lugar.
– Olá...? – Perguntei, ainda relutante.
Ouvi o barulho de algo se arrastando. Estreitei os olhos, tentando buscar na semi-escuridão a figura do caçula; nada aparecia. Fui caminhando lentamente, o pescoço bem esticado para ver onde ele estava.
– Tem alguém nesse quarto? – Perguntei, mas novamente o silêncio. Fitei o pé da cama, percebendo um pedaço de tecido largado, parecendo continuar até debaixo dela. Ergui ambas as sobrancelhas em uma expressão de entendimento.
Aproximei-me do móvel a passos de gato, abaixando-me lentamente para fitar e verificar onde terminava o tecido. Meus olhos se arregalaram levemente quando percebi aquela figura miúda toda encolhida no canto, perdendo-se em um emaranhado de tecidos, os quais formavam sua roupa.
Engoli em seco, paralisado. Ele era...
Ele era um bebê naquela época.
Deveria ter por volta de uns seis anos.
Mordi os lábios, arrependido pelos pensamentos que tivera à pouco. Seria impossível para alguém naquela idade pensar em uma revolução. Não sabia sequer se ele pensava algo a respeito de nós.
– E-então... Foi aí que você se escondeu, não? – Comecei, tentando parecer amigável, apesar de estar relutante. – Vamos, venha cá para eu... – Estiquei uma mão para tentar tocá-lo, porém fui repelido com um tapa. – Oe! – Esbravejei, mais pelo susto do que por outra razão.
– Vá embora! – Ele rosnou, encolhendo-se mais. Ouvi um soluço partindo dele, o que me deixou preocupado.
– Aconteceu algo? – Baixei-me mais, tentando novamente tocá-lo. O caçula afastou-se, fugindo de mim. – Ora vamos, não fuja de mim!
– Vá embora! – Ele rosnou novamente, fungando o nariz, parecendo quase um animal. – Não quero vocês aqui. Vocês vão fazer que nem ela fazia! Então vão embora!
Estreitei a vista, não gostando da atitude dele. Seria a isso que Kouen se referiu mais cedo? Mesmo que ele tivesse um motivo, não achava justo nos tratar dessa forma.
– Não faça assim, eu só quero– – Outra vez ele bateu em minha mão e eu pude ver, mesmo que de relance, a forma como sua bochecha estava inchada. Pisquei, surpreso. – Ei, mas o que aconteceu–
– Vá embora! Vá embora, vá embora, vá emboraaaa! – Urrava, chorando mais. Puxou todo o tecido que estava pra fora e se enrolou em um casulo, quase se encostando à parede.
Endireitei-me, suspirando, apoiando os braços na cama. Levei os dedos até a testa, massageando-a, sentindo pontadas de leve. Não estava acostumado a ser submetido à essas situações, sem contar que meu estresse psicológico estava estourado esses últimos dias.
– “Olha as ideias do En. Só me colocando em roubada!” – Pensei, apertando os olhos. Não poderia simplesmente sair dali e deixá-lo naquele estado. Iria ter pesadelos se fizesse isso.
Inspirei o ar com cuidado e, por fim, baixe-me até estar arrastando-me no chão. Com cuidado entrei por baixo da cama, deitando-me ao lado dele, cruzando os braços e apoiando o queixo ali.
– Veja bem... Eu não sei o que aconteceu ou quem fez isso com você. Mas... – Pensei em tentar tocá-lo novamente, mas não o fiz. Esperei pacientemente, vendo-o buscar minha face no meio daquele emaranhado de roupas. – Eu só estou aqui para te conhecer. Eu não sei de nada. Vê? – Ergui um pouco as mãos, demonstrando que não tinha nada para ele temer.
Aos poucos o pequeno foi se desfazendo do casulo, piscando. Reparei na cor de seus olhos, claros, parecendo uma joia de tão brilhosos; pisquei também, encantado com eles.
O menor ficou de joelhos, encarando-me curioso. Pude ver, finalmente, sua face inchada, como se alguém o tivesse batido – e com muita força. Fiz um muxoxo, desgostoso com a visão. Vi seu semblante mudar, parecendo assustado. E, então, ele baixou o rosto, escondendo-o.
– Ah, não precisa– – Exaltei-me, tentando dizer-lhe que não precisava ter vergonha, mas havia me esquecido que estava embaixo da cama e, num impulso, levantei-me com tudo, batendo a cabeça contra o estrado de madeira. – Ouch! – Abaixei até estar com o rosto enfiado no chão, as mãos sobre a cabeça.
– He. – Ouvi o som da risada infantil, parecendo se divertir com minha figura. Estava feliz, por um lado. Pelo outro, estava praguejando todos os deuses, porque aquilo iria fazer minha cabeça explodir de dor mais tarde.
Continuei massageando a região, os olhos fechados, abrindo-os somente quando senti os dedos miúdos encostarem em meus cabelos, esfregando a região em um leve carinho. Olhei de relance para o lado, ouvindo a voz menor dizer:
– Calma. Já passou.
Um pequeno sorriso começou a se desenhar no canto do meu rosto. Peguei suas mãozinhas, segurando-as entre as minhas e respondi:
– Sim, passou.
O pequeno piscou e depois sorriu o mais largo que sua bochecha inchada permitiu. Correspondi, começando a me arrastar para fora da cama. Ele veio engatinhando na minha direção, sentando-se sobre as pequenas pernas e olhando-me com o pescoço esticado quando me endireitei.
– Então... Vai me dizer seu nome? – Perguntei, arrumando o rabo de cavalo, encantado com sua pequena figura.
Seus cabelos eram curtos, com exceção de duas mechas na parte frontal do rosto, que se desenhavam por ele, chegando até os ombros. Seus olhos claros agora estavam banhados em curiosidade e ânimo, apesar de ainda estarem inchados devido ao choro. Sua pele clara como neve contrastava perfeitamente com o ruivo de seus cabelos, fazendo dele um encanto de criança.
Sua silhueta era um deleite para os olhos.
– ha. – Pisquei, pegando somente o final da fase. Comecei a coçar o queixo, duvidoso se o questionava novamente. Ele poderia se sentir ofendido. O pequeno sorriu e, parecendo perceber que eu não entendera, repetiu: – Kouha.
– Ah! Kouha! – Exclamei e ele riu novamente. – Eu sou Koumei. Mas você pode me chamar de Mei se quiser.
– Mei... – Ele piscou, ponderando sobre algo. – Nii. Mei-nii.
– Huh? – Fora a minha vez de piscar, estranhando.
– A mamãe ensinou... Que... Tem que se respeitar quem é mais velho. – Balançou a cabeça, concordando com o que dissera. – Então, é Mei-nii.
– Oh. Entendi. Muito bem! – Levei a mão até seus cabelos, acariciando-os. Os pequenos olhos de Kouha se arregalaram, encantados, parecendo necessitado desse tipo de atenção.
Senti meu peito se apertar por um momento. En dissera que sua mãe havia perdido o juízo...
Poderia ter sido ela quem...?
– Kouha, quem fez isso com você? – Perguntei, escorregando a mão para sua bochecha. Ele apertou a vista, sua mãozinha vindo juntar-se a minha. Desviou os olhos para o lado, entristecido novamente.
– Ma-mãe. – Sussurrou, as lágrimas voltando aos olhos. Comecei a desesperar-me, fazendo gestos com as mãos, tentando pensar no que fazer.
– Ah, ah, nã-não chore! – Fiz um gesto para que ele parasse. Ele fitou-me e, apesar de seu rosto estar inexpressivo, as lágrimas escorriam por ele, marcando a pele. – Ah, não, não–! – Uma ideia passou pela minha mente de súbito. Passei os braços por baixo dos seus, percebendo que ele se assustara. Porém eu não me intimidei e o trouxe para meu colo, abraçando-o, apoiando seu rosto em meu peito. – Pronto, pronto. Passou.
Podia sentir o corpo menor tencionado, tentando entender o que se passara. Engoli em seco, com medo de ser rejeitado – ou, pior, ele voltar para debaixo daquela cama, acuado – mas Kouha demonstrou exatamente o oposto: trouxe as mãos para abraçar-me também, aconchegando-se mais contra meu corpo.
Relaxei os músculos, tranquilizado. Ele continuava a chorar, baixinho. Recostei-me à cômoda, para ficar melhor para as minhas costas. Ajeitei-o então, para que ficasse com a cabeça encostada sobre meu ombro. Ele fungava de leve, soluçando às vezes.
– Calma, tá? Tudo vai melhorar agora. – Sussurrei, acolhendo-o mais. – O Mei-nii não vai deixar que te aconteça algo de novo. – Ele balançou a cabeça contra minha roupa, apertando as mãos no tecido, concordando. – Você já comeu algo?
– Hmm-hmm. – Negou, ainda sem me fitar, parando de chorar aos poucos. – As moças queriam trazer, mas...
– Entendi. – Arrumei-o melhor, levantando-me, segurando-o no colo. – Então vamos procurar algo para o Kouha comer, está bem? – Concordou, ainda acenando com a cabeça.
Caminhei com ele para fora do quarto, tencionando-me um pouco quando o pequeno abraçara meu pescoço, mas logo relaxando, entendendo que aquela era uma forma de demonstrar seu recente afeto por mim.
Aquele fora nosso primeiro encontro.
Não pensava que, logo eu, iria acabar me entregando daquela forma, anos mais tarde.
– Mei-nii, Mei-nii! – Ouvi a voz estridente de Kouha, os pombos levantando voo assim que ele viera correndo, quase pisoteando-os, agarrando minhas pernas.
– Kouha! Ah. – Fiz bico, vendo-os voarem para longe dali. – Não assuste os pombos, Kouha! – Adverti, olhando feio para ele. O pequeno baixara a cabeça, entristecido.
– Desculpe, Mei-nii. – Apertou mais a barra do meu sokutai*, o bico se formando nos lábios, os olhos entristecidos. Suspirei, passando a mão por seus cabelos, amando a forma como seu rosto mudara somente por isso.
– Diga-me porque está com tanta pressa. – Questionei, tentando manter o equilíbrio, uma vez que ele estava apertando forte as minhas pernas.
– Hmm... Na verdade, nada. Ah! – Endireitou-se, largando-me. – O En-nii pediu para que eu te chamasse. Ele disse que é um assunto importante.
– Oh? O En? – Estreitei um pouco a vista. Provavelmente era algo referente ao ataque que faríamos à cidade na fronteira. Torci a expressão, sem paciência para aquilo agora. Porém... – Tudo bem. Você vem comigo?
– Siiim! – Jogou os braços para trás, o sorriso atravessando o rosto. – Vamos ver quem chega primeiro! Anda, vamos, Mei-nii! – Saiu correndo na frente, rindo à toa.
– Ei! Desse jeito não vale! – Não arrisquei-me a correr atrás, uma vez que não tinha porte físico para isso.
Depois de alguns metros, ele simplesmente parou, esperando-me aproximar para agarrar-se ao meu braço e acompanhar-me. Continuamos colados até chegarmos ao palácio, onde tentei me afastar um pouco, mas Kouha contrariou-me.
– Vamos, Kouha. Não seja birrento. – Retruquei, observando a forma como ele inflara as bochechas, irritado.
– Mas eu quero andar com o Mei-nii! – Implicou, apertando-me mais. Suspirei, tentando pensar em uma forma de fazê-lo me soltar, sem arrumar escândalos.
Porém, antes que eu pudesse fazer algo mais, Kouen apareceu, erguendo uma sobrancelha para a situação.
– Mei. – Chamou-me, enfático. Ainda tentei tirar Kouha de meu braço, mas ele segurava muito forte. – Temos assuntos sérios a tratar. Kouha. – En fitou-o, repreensor. O caçula devolveu o olhar, não deixando barato. – Solte seu irmão, vamos.
– Mas En-nii! Eu quero ficar junto dele! – Rebateu, apertando mais minhas roupas. Estava começando a suar frio com a tensão entre eles.
– Ko-Kouha! Por favor! – Sussurrei, percebendo que os criados começaram a se amontoar ao nosso redor. – Vamos, vamos!
– Kouha. – Kouen fora mais enfático ao chamá-lo dessa vez. O menor inflou bem as bochechas e me soltou, fazendo bico. – Mais tarde o Mei fica com você. – En suspirara, parecendo desacreditado do quanto Kouha era mimado.
– Eu vou esperar. – Virou o rosto, começando a andar para o local de onde viemos. – Tenham uma boa conversa, En-nii, Mei-nii. – Sorriu, doce, saindo correndo.
– Ah... – Pisquei, incrédulo. Sorri de leve, ainda não acreditando nessa dupla faceta dele.
– Vamos? – En questionou. Acenei com a cabeça, passando a segui-lo conforme caminhávamos lado a lado. – Suponho que você saiba do que eu quero tratar.
– Sobre o ataque, certo? Eu estava evitando pensar nisso um pouco. Minha cabeça lateja. – Confessei, passando a mão pelas têmporas. – Mas eu já tenho uma ideia de como fazer o cerco.
– Excelente. – Percebi o sorriso que se formava nos lábios de meu irmão. Era iminente o seu gosto por batalhas. Não o julgava, porque minha maior paixão também eram elas, mas em sua parte estratégica.
Apesar de sempre acabarem me dando uma terrível dor de cabeça ao final do dia.
– Mei. – Ele parou ao meu lado, apoiando a mão em meu ombro. – Tem mais uma coisa que eu preciso falar com você.
– Oh? Diga, En. – Pisquei, engolindo em seco quando ele aproximara-se de mim.
– O pai quer que você comece logo com “aquilo”.* – Sussurrou e logo em seguida afastou-se, retomando a compostura. – Então, hoje à noite, você terá visitas.
– He... HEE?! – Exclamei, dando um passo para trás. – Ma-mas...
– Você vem prolongando isso por dois anos. – En estreitou a vista, desgostoso. – Sabe muito bem que nós, como os filhos mais velhos, precisamos cumprir com esse dever.
– Mas En... – Tentei argumentar, todavia seu olhar se estreitara ainda mais, deixando-me acuado. – Ugh... Não quero me deitar com prostitutas. – Murmurei, mordendo os lábios.
– E o que pretende fazer no lugar? Casar-se? – Questionou, ríspido. Encolhi os ombros, desviando o olhar. – Você sabe que não temos tempo para luxos como esse. – Encolhi-me mais, sabendo que ele tinha razão. – Além do mais... Você vai gostar. – Voltei a fitá-lo, encontrando-o com um sorriso malicioso. – Isso eu posso te garantir.
– En! – Exclamei, desacreditado com sua postura. Ele riu mais pelo meu rosto rubro do que por qualquer outra coisa.
– Se você não gostar, pode contar pra mim. Mas isso só vai acontecer se você for muito ruim. – Riu, ainda devido à minha expressão. – Agora vamos que o trabalho mais importante aguarda. Os generais já estão à postos.
– Si-sim... – Voltei a acompanhá-lo, o rosto escondido por entre as mangas do sokutai, para não demonstrar minha timidez.
...
– Mei-nii! – Kouha jogou-se sobre meu colchão, engatinhando até estar praticamente em meu colo. Atirou-se contra ele, abraçando-me, o sorriso atravessando a face. – Você vai fazer as trancinhas, não vai?
– Vou Kouha, vou. – Sorri, endireitando-o. Ele sacudiu os cabelos, em uma forma de exibir as madeixas para mim.
Durante todo o período da tarde e até mesmo após o jantar, Kouha fizera-me companhia. Já era quase um hábito deixá-lo passar as noites comigo, fosse brincando ou mesmo lendo histórias.
Estava agradecendo toda essa atenção que ele me dava, pois de certa forma eu esquecia-me um pouco dos meus afazeres diários. Apesar de as empregadas irem e virem, os generais por vezes pedindo auxílio, ainda conseguia desligar-me de tudo aquilo.
Como se o mundo lá fora não existisse.
Peguei uma pequena porção de seu cabelo ruivo, começando a fazer uma trança. A primeira vez que eu fizera isso fora em uma mera forma de matar o tédio. Todavia Kouha parecia ter se interessado pelo resultado, pedindo-me exaustivamente para fazê-las nele com frequência.
– Mei-nii vai me ensinar a trançar depois? – Questionou, piscando, tentando prestar atenção no que eu fazia, sem sucesso devido a sua posição.
– Vou, claro que vou. Principalmente porque não poderei fazer isso o tempo todo. – Ele remexeu-se, inquieto. Para ele, a mínima menção de uma futura ausência minha parecia ser incômodo.
Eu não pretendia estar ausente, porém com os recentes acontecimentos, era possível que eu me ocupasse além do necessário, varando noites para montar estratégias de combate.
Infelizmente, não poderia fugir dessa obrigação.
– Pronto! Terminei. – Os olhos menores se arregalaram em felicidade, o sorriso querendo transpassar o limite de seu rosto.
– Obrigado, Mei-nii! – Agarrou-me pelo pescoço em um abraço apertado. Devolvi o gesto, adorando seu carinho.
Leves batidas na porta fizeram-me distrair. Ajeitei Kouha melhor em meu colo, soltando um “Entre” em tom mediano.
– Com licença... – A voz fina e em tom sensual cortou o ar conforme a porta se abria, revelando uma moça de longos cabelos morenos, trajando uma roupa meio provocativa, os lábios adornados com um batom vermelho, os olhos pintados. – Koumei-san?
Engoli em seco, sentindo meu sangue começar a correr mais rápido pela situação. Baixei o rosto, não sabendo como reagir. Eis que percebo a expressão de Kouha fechar-se, como uma nuvem negra que cobre o Sol.
– Quem é, Mei-nii? – Questionou, irritado.
– Erm... Bem... – Engoli em seco, ficando ainda mais nervoso.
Kouha estava com seus oito anos de idade atualmente. Seria impossível explicar-lhe aquela situação. Fora por isso que En insistira para que saísse de nossa presença mais cedo.
– Eu sou a acompanhante do seu irmão essa noite. – A menina disse, sorridente. A vista de Kouha se estreitou mais, indicando seu nervoso. – Então, se nos der licença...
– Mei-nii! – Ele esbravejou, fitando-me diretamente nos olhos. – Eu quem iria ficar com você de noite!
– Eu sei, Kouha, mas...
– Mas o Mei-nii prometeu! Nós ficamos juntos todas as noites! – Seus olhos acusavam-me, fazendo com que eu encolhesse os ombros.
– Kouha... – Comecei, sussurrando em seu ouvido. – Vai pro seu quarto, vai. Por favor.
– Mei-nii! – A indignação pingava em sua voz, como alguém que é traído. Mordi os lábios, apavorado, percebendo a situação fugir do meu controle. – Eu queria dormir com você essa noite. Você prometeu que ia me contar aquela história! Então, por quê...?
– Kouha, eu...
– Koumei-san. – A moça cantarolou em um tom extremamente provocativo. Senti um calor subir pelo meu pescoço, atingindo meu rosto, fazendo minha garganta travar. – Vamos logo, sim?
– O que ela quer com você, Mei-nii? – Kouha questionou. No instante seguinte, arregalou os olhos, o sorriso passando por sua face. E eu sabia o motivo: – Ah! As sardas do Mei-nii estão aparecendo mais!
Senti o rosto todo começar a arder agora, os cabelos saindo do lugar. Desci Kouha de meu colo, murmurando sem jeito:
– Vai pro seu quarto, vai. Amanhã o Mei-nii fica com você.
– Mas...!
– Vai, Kouha. Eu juro que fico com você amanhã, tá? – Sorri amarelo, ainda sentindo o rosto arder. A expressão do caçula se fechou, mas ele desceu da cama, caminhando a passos fundos, passando pela moça.
Antes de sair ainda mostrou a língua para ela, o que me fez gelar. Graças aos céus ela somente riu, encostando a porta em seguida.
– Seu irmãozinho é uma graça. – Comentou, passando a chave, caminhando até a cama, seu quadril rebolando levemente enquanto passava. – Daqui a alguns anos será a vez dele, quem sabe...?
– “Espero que não.” – Foi o que eu pensei, mordendo os lábios, sentindo as mãos finas passarem por meu rosto, ela sentando-se em meu colo, trançando as pernas por minha cintura. – “E, se eu puder, farei de tudo para que ele não passe por isso dessa forma.”
– O que foi, huh? – Acariciava meu queixo com a ponta dos dedos, enquanto a outra mão soltava meus cabelos, fazendo-os caírem pelos ombros. – Nervoso por ser a primeira vez? Fique tranquilo. Já ensinei muitos homens nessa vida... – Mordeu minha bochecha de forma sensual, esfregando-se contra minha pelve, fazendo-me ofegar.
Reclinei-me mais sobre a cama, sentindo-a acompanhar meu corpo. O ar faltava, a temperatura subia gradativamente, bem como o nervoso. Aquilo estava se aproximando mais de um pesadelo do que de uma realização.
– Koumei-san... – Cantarolou, mordiscando minha orelha. – Tem mais duas que lhe farão companhia essa noite. Acho bom você se apressar...
Rangi os dentes, apertando os olhos. Respirei bem fundo e agarrei a cintura esbelta, invertendo nossas posições, encarando-a longamente, os olhos estreitos. Pela forma que seu semblante assumiu, poderia sugerir que isso a agradara.
– Já que não tem saída, então façamos isso logo. – Levei a boca até a pele alva, mordendo-a, arrepiando-me com o jeito que ela gemeu, deliciada, agarrando-se ao meu corpo, entregue.
...
– Koumei-saaan. – Ouvi uma voz cantarolar ao pé do meu ouvido, parecendo distante. Dedos finos vieram até meus cabelos, enrolando-os, fazendo um cafuné. – Koumei-san, já é de manhã.
Pisquei, gemendo, mais de dor do que outra coisa. Estava o cúmulo do exausto, por não ter pregado o olho durante praticamente toda a noite. Apertei a vista quando as cortinas foram abertas, murmurando qualquer coisa não agradável, jogando as cobertas sobre a cabeça.
– Para um príncipe, o senhor tem muitos maus hábitos. – A moça riu, parecendo se divertir. Pena que eu não partilhava o sentimento.
– Se a senhora já terminou, pode se retirar. – Disse, remexendo-me embaixo das cobertas, irritado. – E, antes de sair, feche essa janela.
– Ora. É assim que me trata depois de tudo? – Disse, indignada. Tirei somente um olho de dentro da coberta, piscando algumas vezes, não muito amigável. Ela se recolheu, encostando novamente a janela. – Muito bem então.
Foi catando suas roupas que ficaram pelo chão, vestindo-se como podia. Ao terminar, destrancou a porta e saiu, encostando-a. Murmurei novamente, incomodado, sentindo meus olhos arderem, como se areia tivesse entrado neles.
Afundei o rosto no travesseiro, retrucando por ainda sentir o perfume forte que aquelas prostitutas usavam. Sentei-me na cama num impulso, cheirando pelos meus braços, conseguindo sentir o odor impregnado no meu corpo.
– Ugh. Preciso de um banho. – Reclamei, coçando a cabeça, embaraçando ainda mais os cabelos. – AAAh, saco.
Rolei para o lado, literalmente caindo da cama, pegando as roupas que estavam ao meu alcance. Vesti-as de qualquer maneira, somente para poder chegar até a sala de banhos. E ai de En se me encontrasse pelo caminho.
Se eu tivesse um pouco mais de força física, lhe daria um soco. Como não podia fazer isso, iria me contentar em murmurar algo mal educado.
Conhecendo meu irmão, ele provavelmente iria rir da situação e me chamaria de frouxo. Mas eu realmente não entendia o que ele apreciava nessa situação toda.
– Ah! – Trombei com uma das criadas assim que abri a porta, fazendo-a derrubar as roupas de cama. – Bom dia, Koumei-san. – Cumprimentou-me enquanto recolhia as coisas. – Gostaria que eu trocasse sua cama?
– Por favor. – Fora a minha súplica, passando ambas as mãos pelo rosto, gemendo de desgosto. – Nem se preocupe em arrumar nada, eu vou deitar novamente quando retornar.
A moça assentiu com a cabeça, entrando em meu quarto. Não esperei mais e fui me arrastando, por várias vezes batendo os ombros nas paredes, até chegar à sala de banhos. Pela hora, suspeitava que não houvesse ninguém.
Entrei, deixando as roupas escorregarem para fora do meu corpo, simplesmente caindo dentro da enorme banheira. Se pudesse, dormiria ali mesmo, mas do jeito que eu era, seria bem capaz de morrer afogado.
Lavei o rosto, ficando um pouco mais desperto. Comecei a esfregar todo o meu corpo quando peguei o sabonete, aplicando certa força para ter certeza de retirar aquele cheiro horrível dali. Fiz isso até com os cabelos, mergulhando a cabeça na água para enxaguá-los.
Sai o mais rápido que pude, enrolando-me em uma toalha. Enxuguei-me, vestindo as roupas que usara para vir até aqui, saindo rapidamente do recinto. Cumprimentava o mais brevemente possível todos que encontrava pelos corredores, até finalmente chegar ao meu quarto.
– AAAh. – Suspirei aliviado ao encontrar cobertas limpas sobre minha cama. Encostei a porta e arranquei a roupa, chutando-a para um canto, para que fosse lavada depois.
Segui rapidamente até o armário, abrindo e tirando de lá um yukata* branco, vestindo-o e o amarrando bem. Por fim, após fechar as portas, atirei-me contra o estofado da cama, afundando ali sem qualquer pesar, soltando um gemido de satisfação.
– Finalmente... Paz... – Murmurei, fechando os olhos.
Pude sentir cada músculo meu relaxar conforme o sono ia chegando devagarzinho. Ouvi ao longe o som de algo se abrindo e, de repente, eu senti a cama se afundar ao meu lado. Pisquei, meio desajeitado, a vista embaçada.
– Haa? – Grunhi, abrindo a boca, quase babando de tanto sono.
Senti dedos pequenos e delicados fecharem-na, subindo pelo meu rosto, terminando em meus cabelos. Depois fora a vez da face infantil se enterrar sobre meus fios ruivos, tragando forte, fazendo-me sorrir.
– O que foi, Kouha? – Questionei, dando risada de seu jeito.
– Perfume. Ruim ainda por cima. – Fora o que ele retrucara, desgostoso. Murmurei, concordando com ele. O pequeno continuou tragando meus cabelos, fazendo-me cócegas.
– Kouha! – Virei-me para poder encarar seu rosto. Ele ria, sapeca. Levei a mão até sua barriga, fazendo-lhe cócegas, assistindo-o se contorcer, rindo alto. – Viu como é bom?
– Não vale, Mei-nii! – Disse, falsamente bravo. Atirou-se contra meu pescoço, abraçando-me apertado.
Passei os braços ao redor de seu corpo, apertando-o contra mim, virando-me de barriga para cima, deixando o menor deitado ali. Fiquei acariciando-o bem devagar, adorando a forma como ele ronronava, parecendo aprovar a carícia.
– Mei-nii, a moça não vai mais voltar, né? – Perguntou depois de alguns instantes. Pisquei, ponderando.
– Eu espero que não, Kouha. – Fora o meu desabafo. Sabia que, provavelmente, aquilo iria se repetir. Mas não desejava que fosse tão cedo.
– Hmm... – Kouha encolheu-se em meus braços, como um gatinho, aninhando-se.
Depois daquele momento, não trocamos mais nenhuma palavra. Ele permaneceu ali, quieto, somente aproveitando meu abraço. Suspirei, fechando os olhos lentamente, apreciando seu calor contra o meu corpo.
Estava começando a embalar no sono novamente, quando um novo calor fez-me abrir os olhos em espanto. Eram os lábios de Kouha colados aos meus em um selinho. Senti minhas bochechas começarem a arder, afastando-o de mim, questionando assustado:
– K-KO-KOUHA! Ma-mas o que é isso?!
– Ah! – Fora sua exclamação, antes de explicar: – Isso eu vi dois criados fazendo. Quando eu questionei, eles disseram que era algo que você fazia com uma pessoa que gostava muito, muito. – Fez um aceno com a cabeça, em concordância.
– E você fez isso em mim...?
– Porque eu gosto do Mei-nii! – Agarrou novamente meu pescoço, apertando-o. – Gosto muito, muito do Mei-nii! Então, eu fiz isso no Mei-nii!
– Ah... AAAah... – Abracei-o de volta, relutante.
Para o eu daquele instante, fora algo surpreendente.
Só que eu ainda não acreditava que aquele simples ato inocente...
Levaria a consequências tão graves no futuro.
Tão pouco imaginara que gestos simples como aquele
O afetariam tanto.
– KOUHA! – Gritei ao perceber que ele estava puxando, sem dó, os cabelos de Kougyoku, quase arrancando-os. Aproximei-me rapidamente, batendo em sua cabeça com o cano do Metal Vessel, o que o fez soltá-la imediatamente. – Pare já com isso! Mas que coisa.
– Ma-mas! – Ele tentou protestar, as mãos na cabeça, os olhos arregalados.
– Ele... Ele...!! – Kougyoku chorava, desesperada, provavelmente sentindo dor devido ao que Kouha fizera. – Mamãããããe! – Abaixou-se, ficando toda encolhida, chorando ainda mais.
– A-aaah! Princesa! – Ka Koubun viera ao seu socorro, tentando acalmá-la. Virei o rosto para Kouha, fitando-o repreensivamente. O ruivo baixara o olhos, desviando o rosto de mim.
– Kou-chan. Acalme-se! – Ajoelhei-me perto dela, acariciando seus cabelos. Kougyoku erguera levemente o rosto, secando as lágrimas com as mangas do hanfu*, fungando levemente.
– Pe-perdoe-me, Koumei-san... – Ka Koubun curvara-se, pesaroso. – Se eu não fosse tão desatento...
– Não, Ka Koubun. A culpa não foi sua. – Tranquilizei-o, observando Kougyoku agarrar-se às suas pernas, temerosa, provavelmente pela presença de Kouha ali ainda.
– Ela é muito fresca! – Fora o que Kouha grunhira, irritado. – Se não ficasse com frescuras, eu não teria feito isso.
– Você... – Levantei-me e, uma vez mais, bati com o Metal Vessel em sua cabeça, vendo as lágrimas começarem a surgir em seus olhos. – Chegou! Não pode ficar maltratando-a assim.
– Você diz isso, mas só fica de chamego com ela! – Rugiu, mostrando-me a língua. Virou-se e saiu correndo, demonstrando estar chateado. – Odeio você, Mei-nii!
Suspirei, usando o leque do Metal Vessel para me abanar, sentindo a pressão cair devido ao estresse. Após acalmar a pequena Kou, Ka Koubun recolheu-a, acompanhando-a até seus aposentos.
Bati com o Vessel na minha própria testa, apoiando-o ali, pois sua baixa temperatura era um calmante para a minha dor de cabeça. Sacudi-a por fim, retomando o caminho até o meu quarto.
Estava atolado de trabalho para fazer e, em meu escritório, não encontrava paz um segundo sequer. Num ato de desespero, nos últimos dias, transferi toda a papelada para os meus aposentos, encontrando ali o refúgio perfeito para toda aquela multidão que me atrapalhava.
Enquanto passava pelo corredor, mordia os lábios, preocupado com Kouha. Sabia que precisava ser mais duro com ele, mas vê-lo profanar tais palavras me preocupava.
Sacudi novamente a cabeça, espantando os pensamentos. Ele não iria me odiar por tão pouco; ao menos era nisso que eu acreditava. Pousei a mão sobre a fechadura, rodando-a e empurrando a porta.
– Ah...! – Exclamei, piscando, abrindo um largo sorriso. – Então, fora pra cá que você viera.
O mais novo levantara de leve a cabeça, os olhos levemente inchado, um bico enorme adornando os lábios avermelhados. Baixou novamente a cabeça quando eu entrara e encostara a porta. Fui caminhando até ele, agachando-me até ficar à sua altura.
– Vai ficar emburrado comigo por quanto tempo? – Bati com o Vessel de leve em sua cabeça. Ele sorriu, remexendo-se, mas ainda não levantou a cabeça. – Kouha...
– Desculpe, Mei-nii. – Disse, finalmente me olhando. – Mas você anda realmente dando muita atenção para a Kou-chan!
– Não. – Retruquei, levantando-me. – Só não acho justo você ficar agredindo ela de graça, Kouha. Ela ainda está assustada, você sabe disso.
Ele desviou o rosto, emburrado. Dirigi-me até minha mesa, sentando-me ali, abrindo o pergaminho que estava a analisar ontem. Pude ouvir o barulho do colchão rangendo quando Kouha subira em minha cama, ainda sem dizer nada.
E assim ficamos, em silêncio, cada um concentrado em suas coisas. Nem imaginava o que ele poderia estar fazendo, ficando cada vez mais absorto na estratégia que deveria formar a seguir.
Eis que a pergunta surge, irrompendo o ar, devorando meus pensamentos:
– Mei-nii, se eu fosse mulher, você me trataria melhor?
Pisquei, tentando digerir a informação. Larguei o papel, olhando para trás, encontrando Kouha mexendo nos próprios cabelos, fazendo um processo repetitivo de trançar e destrançar as mechas.
– Por que você me perguntou isso? – Ergui as sobrancelhas, curioso.
– Você e o En-nii tratam a Kou-chan com tanto carinho... E, por várias vezes, já me deram patadas. – Um bico se formou em seus lábios, os olhos perdidos nas pontas dos cabelos ruivos. – Talvez se eu fosse mulher...
Um sentimento de revolta começou a invadir meu peito. Não queria que ele pensasse dessa forma. Não era o sexo dele que indicava como o tratávamos; eram suas atitudes. As represálias, por diversas vezes, vinham devido ao seu comportamento extremamente volátil, por vezes desrespeitoso.
Mas como explicar isso a ele para que entendesse...?
Observando-o, reparei que estava com os pés descalços. Sorri de canto, tendo uma ideia. Levantei-me e, devagar, sentei-me a beira da cama, ainda sem ser reparado, pois o menor estava totalmente distraído.
Peguei seu pé com cuidado, trazendo-o até próximo de meus lábios, mordiscando-o. Ele mexeu os dedos, encolhendo-os. Continuei a mordiscá-lo, sentindo Kouha puxar a perna, tentando tirar seu pé de minhas mãos.
– Mei-nii! – Ele protestou, sorrindo. – Faz cócegas.
– Oh? – Sorri de canto, atentando com suas palavras. – Então você saberá o quê faz cócegas.
Avancei a boca contra suas coxas, os dedos tamborilando por ali, subindo, pulando para sua barriga. Não demorei e levei a boca até ela também, sentindo Kouha se retorcer, virando-se de costas. Continuei tamborilando os dedos pelos lados de seu corpo, beijando-o as costas, sentindo-o arqueá-la.
– Mei-nii, Mei-nii, Mei-niiiiii! – Ele ria, deliciado, perdendo o fôlego.
Fui subindo até seu pescoço, assistindo-o se encolher todo. Parei quando finalmente estava abraçado com ele, o nariz perdido em seus cabelos, sussurrando:
– Respondendo à sua pergunta... Eu prefiro você menino. – Desci e encostei a cabeça em suas costas, apertando-o contra mim. – Meu irmãozinho fofo.
– Mei-nii! Vem fazer seu trabalho aqui comigo, vem! – Kouha pediu. Sorri, não tendo como negar.
Soltei-o somente para pegar os pergaminhos, deixando-os sobre a cama. Sentei-me nela, deixando que Kouha viesse se aconchegar em meu colo. Quando estava bem disposto em meus braços, voltei a ler o que havia largado instantes atrás.
Novamente fomos dominados pelo silêncio. O menor ajeitou o rosto em meu ombro, deixando-me sentir sua respiração batendo contra o meu pescoço. Achei aquilo tranquilizador e recostei-me à cabeceira, para ficar melhor apoiado.
Depois de longos minutos sem qualquer comentário da parte de Kouha, resolvi espiá-lo, só para encontrar sua figura relaxada, dormindo em meus braços. Sorri, adorando a forma como seu rosto demonstrava total sossego e confiança em minha pessoa.
– De todos os lugares no mundo, você dorme justamente aqui. – Murmurei, não realmente chateado. Aconcheguei-o melhor, para que ficasse mais aninhado em meu corpo.
Foi quando comecei a reparar em seus lábios vermelhos meio abertos. Por alguma razão, banhados por aquela luz de início de tarde, eles pareciam bem mais brilhosos e...
Convidativos.
Engoli em seco, sentindo meu corpo começar a suar. Pisquei para ver se a sensação diminuía, mas a cada instante em que eu olhava para seu rosto, sua boca parecia mais convidativa ainda.
– Hmm... Mei-nii... – Kouha murmurou, remexendo-se.
Fui aproximando o rosto bem devagar do seu, sentindo as respirações se misturarem. Parei um instante, tentando ponderar o que faria, porém...
Estava mais forte do que eu.
Encostei meus lábios nos dele, fechando os olhos para sentir sua textura, sua temperatura, o jeito que ele estava se moldando aos meus. Chupei-os de levinho, prendendo seu lábio inferior por entre os meus, soltando-o em seguida.
Tornei a beijá-lo, pressionando firme nossos lábios, mantendo-os ali por longos e longos segundos. O murmúrio que Kouha soltou fora meu aviso para afastar-me, o coração disparado.
– Mei-nii... – Ele sussurrara, ainda perdido em seu sono, totalmente relaxado. Respirei aliviado por ele não ter desperto.
– Descanse, Kouha. – Murmurei, voltando para os meus papéis.
Aquele fora o estopim para todo o enorme problema que surgiria em seguida.
O meu descontrole me levaria à ruína.
– Mei-nii. – Levantei o rosto dos papéis para olhar Kouha exibindo sua zanbatō*, o sorriso atravessando o rosto. – Veja só o que eu consegui.
Reparei bem em sua espada, podendo ver o símbolo do Djinn brilhar, exibindo-se. Deixei o queixo cair, o que fez Kouha gargalhar, histérico.
– Vo-você–
– Sim! Eu consegui um Metal Vessel! – Proclamou, orgulhoso. – E ela ainda chamou o En-nii de playboy.
– Huh? Playboy?! – Pisquei inúmeras vezes, acompanhando Kouha conforme ele caminhava. Sentou-se sobre minha mesa, balançando as pernas.
– Sim! Leraje disse que ele era um playboy por ter conquistado três dungeons. Mas ela parece uma daquelas mulheres velhas que tomou um pé na bunda.
– Kouha! – Adverti-o, não gostando a forma como ele se referira. O menor deu de ombros, pulando da mesa, rumando para a saída.
– O que eu posso fazer se é verdade? – Sorriu. – Como você está ocupado agora, mais tarde eu vou até seu quarto para conversarmos, Mei-nii! – Acenou, seguindo para o corredor.
Suspirei pesado, deixando a cabeça cair sobre a mesa, esfregando os cabelos. O que estava deixando-me estressado, naquele instante, não era a carga interminável de trabalho.
Mas sim o fato de, a todo instante, eu ter reparado nas curvas do corpo de Kouha.
Estava se tornando insuportável. Nem eu mesmo aguentava a linha de pensamento que estava me corroendo aos poucos. Ele estava com quinze anos agora e, devo confessar, ganhara um corpo extremamente esbelto e chamativo para um homem.
– “Chamativo.” – A palavra rondava minha mente, fazendo minha cabeça dar pontadas e latejar de dor.
Continuei apertando os dedos em meus cabelos, o rosto socado nos montes de papel e pergaminhos espalhados pela mesa. Senti alguém tocar em meu ombro e saltei, como um gato acuado, olhando para trás.
– Koumei-san...? – Uma das minhas ajudantes perguntara, aflita. – Está tudo bem...?
– E-está sim... – Baixei a cabeça, suspirando. – Está.
– Hmm... – Fitei-a longamente, percebendo que estava aflita. – Bem... Se está tudo bem... Então...
– Aconteceu algo? – Indaguei, desconfiado.
– O General Kouen deseja vê-lo, senhor.
– Ah! Tudo bem. – Levantei-me, tomando o Metal Vessel em mãos, encostando a cadeira. – Irei conversar com En agora mesmo.
Passei por ela, saindo pela outra porta do cômodo, caindo no corredor principal. Enquanto caminhava, tentava afastar de mim os pensamentos em Kouha.
O pensamento de suas coxas brancas, macias, o corpo meio curvo, a forma como a boca se desenhava, vermelha; os olhos vívidos como uma joia, os cabelos ruivos como uma flor...
Sacudi a cabeça, abanando-me com o Vessel, sentindo o corpo esquentar dentro das roupas. Parei diante da porta da sala de reuniões, batendo na madeira levemente. Pude ouvir a voz de En pronunciar um “Entre” e segui abrindo-a.
– Boa tarde, generais. – Curvei-me levemente. Todos se levantaram e se curvaram conforme eu encostava a porta e me aproximara.
– Koumei-san. Nós o convocamos aqui para saber o seu parecer quanto a invasão às terras a leste. – Um dos generais adiantara enquanto eu puxava uma cadeira para me sentar.
– Oh... Quanto a isso, as estratégias correm em processo. – Disse, bufando. – Como é uma região com muitas montanhas e vales, é arriscado avançar sem ter tudo calculado. Presumindo que o exército de lá tenha bom conhecimento da região, seria burrice atacá-los de frente. O mais sensato seria armar uma emboscada, usando caminhos alternativos por detrás das rotas principais.
– Hmm... Mas isso irá nos tomar muito tempo. Se não atacarmos logo, é provável que eles fiquem ainda mais fortes. Ainda voto por um ataque direto. – Um outro pronunciou-se, relutante.
– Concordo. Se planejarmos demais, ficaremos para trás.
– Eu acredito... – En começara, sua voz grossa calando os demais. – Que Mei está correto. Nesse caso, atacar diretamente será como irmos de encontro à teia da aranha.
– Kouen-san concorda que devemos esperar, então?
– Certamente. – Meu irmão se endireitou melhor na cadeira, suspirando. – E, nessa luta, eu também levarei Kouha como meu suporte.
– Hee? – Pisquei, alarmado. – En, você vai levar o Kouha para a linha de frente?
– Claro. – Sorriu, presunçoso. – Nosso irmão acabou de conquistar uma dungeon e, durante o processo, mostrou-se extremamente habilidoso e capaz. Não vejo problema algum em levá-lo agora.
– Mas En! Kouha é só uma–
– Você também era só uma criança quando assumiu o posto de estrategista, Koumei-san. – Um General interrompeu-me, argumentando contra. Mordi o lábio, desgostoso.
Uma coisa era você assumir um posto estratégico. Outra era você ser mandado para a linha de frente de uma batalha.
– Não se preocupe, Mei. Não vou deixar Kouha desamparado. – Ouvi o som da cadeira, o braço de meu irmão pousando sobre meu ombro, pressionando-o levemente. – Afinal, eu também estarei lá.
Os generais todos concordaram, acenando de leve com a cabeça. Em seguida, um a um, foram se levantando, encostando as cadeiras. Eu permaneci no lugar, ainda pensativo.
– Entendo que esteja preocupado. – En sussurrou, afastando-me de meus pensamentos. – Mas eu não tomei essa decisão à toa. Pode ter certeza. Ele está preparado. – Deu um leve tapinha em meu ombro, afastando-se.
Observei-os saírem da sala, deixando-me só. Não os acompanharia, pois sabia que, a partir dali, a discussão não era da minha jurisdição. Bati com a cabeça contra a enorme mesa, suspirando.
– Mei, Mei. Seu irmão sabe o que faz. Ele não... Deixaria que nada acontecesse. – Anunciei em voz alta, um lembrete para mim mesmo.
Após criar coragem para me levantar e sair dali, rumei diretamente para a minha sala, trancando-me nela durante toda a tarde, para conseguir terminar a estratégia que os generais tanto queriam.
...
– Mei-nii! – Encontrei Kouha sentado em minha cama, sorrindo largo quando eu entrara. – Bem-vindo. Você demorou bastante hoje. Muito trabalho?
– Sim... Os generais resolveram ficar impacientes agora, depois de meses esperando. – Usei o vessel para me abanar, suspirando, cansado. – Sério, aqueles velhos ficam cada dia mais chatos. Não sei como En aguenta conviver com eles.
– Ele é comandante, né? – Kouha ainda sorria, o olhar meio sonhador. – Líder de frota. Eu acho que é um excelente posto para ele. O En-nii certamente merece a posição que tem.
– O que é isso? – Bati com o cano do vessel de leve sobre sua testa, rindo de canto. – Deu para elogiá-lo de graça agora, foi?
– Não é de graça! – Defendeu-se, atirando-se sobre o colchão conforme me acompanhava com os olhos, enquanto eu contornava a cama para alcançar a escrivaninha. – É que... Depois de ver o En-nii em ação, eu entendi porque todos são plenamente confiantes nele.
– Kouha, você parece uma garotinha encantada. – Um travesseiro voou em minha face, arrancando-me uma gargalhada. – Não estou mentindo!
– Você só está com ciúme dele, Mei-nii! – Mostrou-me a língua, rebelde. Endireitou-se, jogando a cabeça contra o meu travesseiro, olhando o teto. – Porque você parece um franguinho, você fica com ciúme do En-nii.
– Eu não pareço um frango! – Taquei a almofada contra ele, assistindo-o pegá-la sem dificuldade. – E eu não tenho ciúme do En. Só acho desnecessário você ficar todo encantado com ele agora.
– C–i–ú–m–e–! – Mostrou a língua novamente, forçando-me a revirar os olhos pela sua atitude. – Mas sério, espero ter a oportunidade de lutar ao lado dele mais uma vez.
Pisquei, observando o semblante satisfeito no rosto de Kouha. Em todos esses anos, essa era a primeira vez que eu o via daquela forma.
Meu coração se apertou um pouco. E, finalmente, eu pude entender o motivo de Kouen ter tomado aquela decisão mais cedo.
– Em breve. – Murmurei, percebendo os olhos do mais novo se arregalarem, espantados. – En pretende levar você na nossa próxima invasão.
– Sério?! – Vi-o praticamente saltar, seus olhos radiantes com a felicidade que o invadiu. – Wow! Isso! Vou poder finalmente testar a Leraje. E ao lado do En-nii! – Sentou-se novamente, dando leves pulos sobre o colchão.
– Não vá quebrar minha cama, hein! – Retruquei, rindo.
– Ah, se não quebrou quando você transou com aquelas putas, não quebra mais. – Fora a sua resposta. Arregalei os olhos, sentindo o rosto arder. – Mei-nii, suas sardas.
– Quieto, Kouha! – Urrei, virando-me para a escrivaninha, revirando uns papéis. – Aliás, quem é que ficou te contando essas coisas, hein?
– O pai. – Fora sua resposta. Virei-me de súbito, alarmado, encontrando Kouha observando os próprios pés. – Ele... Disse que talvez fosse bom eu fazer isso também.
– Mas–! – As palavras trancaram na minha garganta. Kouha fitou-me, espantado. Desviei o rosto, rangendo os dentes. – Até com você? O pai deveria era ter mais juízo, isso sim!
– Não é nossa obrigação...? Deixar herdeiros, digo. – Voltei para os meus papéis, irritado. – Eu entendo você, Mei-nii. Se eu tivesse escolha, optaria por transar só com quem eu gostasse...
– Você tem essa opção. – Foi o que eu murmurei, revirando as coisas em cima da mesa.
– Mei-nii não deveria falar como se soubesse das coisas.– Fora seu sussurro ao pé do meu ouvido, os braços passando por meu pescoço, apertando-me levemente.
Arregalei os olhos e me virei. Kouha fora se afastando calmamente, seus lábios desenhados em um sorriso melancólico, quase pesaroso. Baixou um pouco o rosto, caindo sentado à beira da cama.
– Mei-nii. – Ele começou, ainda olhando os próprios pés, brincando com eles. – Eu queria te contar isso faz muito, muito tempo, mas... Eu sinto que você vai ficar com nojo de mim...
Não respondi. Apenas continuei observando-o, piscando, sentindo o coração bater cada vez mais devagar, o ar começando a faltar.
– Sabe... – Ele jogou a cabeça para trás, fitando o teto. – Eu... Sempre soube quem era a minha pessoa especial. Eu sempre... Desejei poder ficar com ela. Mas conforme eu fui crescendo, fui percebendo que... Era impossível...
Movi os lábios, mas nenhum som saíra deles. Coloquei a mão sobre o peito para me certificar de que meu coração ainda batia, pois a falta de ar estava ficando iminente, minha garganta secando.
– Eu acho que... – Kouha fitou-me, aquele sorriso não saindo de seu rosto, fazendo a cor sumir do meu. – Você entendeu, né?
Ele se levantou, caminhando a passos vagarosos até a minha figura. Inclinou-se um pouco, até ter o rosto à altura do meu, os lábios tão próximos que se roçavam, as respirações se misturando.
– A pessoa que eu gosto... É você, Mei-nii. – Fechou os olhos e selou os lábios aos meus.
Fui arregalando a vista, sentindo meu corpo todo fazer o processo inverso ao que fizera segundos atrás: o coração começou a acelerar, a cor retornou ao meu rosto, o calor começou a subir e se espalhar por todos os cantos do meu corpo.
E só por um milagre meus braços não correram até a cintura de Kouha e o puxaram para perto de mim.
Nossos lábios se separaram em um estalo, o mais novo voltando a me olhar, cabisbaixo.
– É por isso que... Eu não tenho opção... – Ele baixou a vista, deprimido.
– Kouha. – Chamei-o, enfático. Seus olhos novamente procuraram os meus.
Nesse instante que nossas vistas se cruzaram, minhas mãos chegaram até seu rosto, trazendo-o para próximo do meu novamente, encostando os lábios. Chupei-os, ouvindo o murmúrio que ele soltara, provavelmente alarmado. Guiei minhas mãos até sua cintura, puxando-o para sentar-se em meu colo, apreciando o gemido que escapara de seus lábios.
Aos poucos ele foi abrindo a boca e, não perdendo a oportunidade, eu penetrei minha língua ali, caçando a sua, enroscando-me com ela. Sentia-o tentar me imitar desajeitadamente, explorando minha boca conforme eu fazia o mesmo com a sua.
Desci os dedos até sua bunda, apertando-a ainda por cima das roupas, puxando-o para que ele ficasse sentado exatamente em cima da minha pelve, praticamente trançando as pernas ao redor do meu corpo. Suas mãos passavam pelos meus ombros, tirando o sokutai do lugar.
Quando finalmente separamos os lábios em busca de ar, nossos olhos se cruzaram uma segunda vez. Eu via, no fundo daquelas íris claras como uma joia, um infinito de perguntas, as quais ele provavelmente tentava sanar olhando em meus olhos.
– Me-Mei-nii... – Kouha começou, ainda ofegante. – Você... Também...?
– Shh. – Disse, levando a boca até a curva de seu pescoço, chupando-o ali, deliciado com o gemido baixinho que ele soltara, encolhendo-se todo.
Fui descendo os lábios por sua clavícula, beijando seu peito, perdendo-me em suas roupas. Apertava-o mais contra mim, tentando fazer suas pernas passarem ao redor de minha cintura. Quando finalmente consegui, senti os braços de Kouha agarrarem-se ao meu pescoço, arranhando-o de leve, conforme eu o levantava.
Caminhei até sentir a cama bater em meus joelhos, caindo com ele sobre o colchão. Senti o mais novo se ajeitar melhor contra o meu corpo, apertando-me contra o seu próprio, usando os braços e as pernas. Comecei a arrastá-lo para cima, até que ele encostasse a cabeça no travesseiro, minha boca explorando todo e qualquer pedaço de pele que estava à mostra.
– Nii... – Foi tudo o que ele conseguiu dizer, o ar lhe faltando. Afastei-me um pouco, apoiando-me nos braços, para poder olhá-lo de cima, admirar seu corpo.
Encarei seu rosto, ainda arfante. Ficamos trocando olhares duvidosos durante alguns instantes. Ouvia minha consciência gritar como louca para parar ali, antes que tudo piorasse.
Porém quando eu reparei que Kouha mordera os lábios e começara a abrir um pouco a blusa, tudo o que existia de sanidade em mim se esvaiu.
Estiquei os braços até alcançar uma das cortinas do dossel, soltando-a. Fiz o mesmo do outro lado, até a cama estar totalmente cercada.
– Kouha... – Chamei-o, observando a forma como suas íris ganharam um brilho de empolgação contagiante. – Agora não tem mais volta.
– Tudo bem... Tudo mais do que bem. – Ele levantou-se, vindo até mim, tomando meus lábios em outro beijo.
Enquanto enroscávamos as línguas, nossas mãos trataram de ir despindo-nos. Ele usava muito menos roupas do que eu, então não fora trabalho algum retirá-las, começando por sua blusa, depois seu pequeno shorts.
Por outro lado, percebi que ele estava tendo dificuldades absurdas para fazer o inverso. Não o culpava, uma vez que eu mesmo sofria para vestir e tirar tudo aquilo.
Rompi nosso contato unicamente para tirar aquele monte de tecido do caminho, chutando tudo para fora da cama. Ele riu, divertido.
– Mei-nii. Suas sardas... Elas... – Tomei seus lábios, deitando-o, caindo por cima dele, passando as mãos por todo o seu peito, começando a brincar com seus mamilos, adorando o gemido que ele soltara, espantado. – Mei-nii!
– Ah... Agora... – Comecei a mordiscar sua bochecha, colando os lábios ao seu ouvido. – Você pode falar delas o quanto quiser.
Comecei a descer as unhas por suas coxas, sentindo-o se remexer embaixo de mim, juntar as pernas, prendendo meu quadril entre elas. Desci os lábios por seu rosto, voltando ao seu pescoço, lambendo seu pomo de adão, sentindo-o subir e descer sob minha língua, conforme os gemidos iam escapando de seus lábios.
Continuei meu caminho, beijando novamente sua clavícula, sentindo suas unhas arranharem minhas costas, subirem pelo meu pescoço, terminando nas amarras de meu cabelo, soltando-o. Seu gemido aumentou um tom quando meus fios ruivos encostaram sobre sua pele. Parei de beijá-lo, levantando levemente o rosto, só para admirar a forma como o seu estava corado, os olhos apertados.
– O que é isso? Fetiche pelo meu cabelo? – Questionei, vendo-o abrir os olhos, suas íris banhadas no sentimento de prazer, na realização.
– Hmm... Hmmm... – Foi sua concordância na forma de um gemido meio contido. Mordi o lábio, sentindo meu corpo todo pegar fogo.
Aquela era a primeira vez que eu, de fato, estava empolgado enquanto fazia sexo.
A sensação era... Incrível.
Voltei com os dentes para sua barriga alva, mordiscando-a, sentindo-o se contorcer e sorrir, provavelmente sentindo cócegas. Chupei-o na altura do umbigo, ouvindo sua risada tornar-se um gemido de aprovação.
Fui subindo a boca até alcançar um de seus mamilos, prendendo-o entre meus lábios, chupando-o de levinho. A reação de Kouha fora extremamente positiva, fazendo-me continuar, provocando o outro com as mãos.
– Mei-nii... Mei-niii... – Ele puxava meus cabelos de leve, afundando mais o corpo na cama.
Fui inclinando mais o corpo conforme ia subindo os lábios novamente, gemendo contido quando minha ereção roçara na dele, sentindo uma corrente passar por toda a minha espinha.
– Por... Deus... – Murmurei, percebendo os lábios de Kouha na curva de meu pescoço, chupando a região. Gemi outra vez, mais acentuado, gostando daquilo.
As unhas dele estavam praticamente desenhando minhas costas, ainda que de leve. Passei os braços em volta de sua cintura, sentando-me na cama, colocando-o em meu colo outra vez. Trocamos mais um beijo, demorado, esfregando as línguas uma na outra, chupando os lábios, pressionando os dedos sob as peles.
Desci as mãos por sua pele, até chegar em sua bunda, acariciando-a com cuidado, ouvindo Kouha gemer por entre o beijo, ainda sem romper o contato das bocas. Continuei massageando-a, calmamente, arranhando de leve com as unhas, até não mais resistir e deferir-lhe um tapa, o que fez o menor soltar-se dos meus lábios, arfando alto.
– Mei! – Exclamou, tão surpreso que até esquecera-se da cordialidade.
– Engoliu o “Nii”? – Questionei, chupando seu pescoço, deferindo-lhe mais um tapa, fazendo-o gemer mais acentuado agora.
– Mei-niii! – Kouha jogou a cabeça para trás, exibindo todo o pescoço para mim, parecendo deliciado.
Desci a língua até seu peito, ainda apertando com força a carne da sua bunda, sentindo suas unhas se fincarem em minhas coxas. Sentia o fundoshi* começar a incomodar, tamanho era o grau da minha excitação.
Comecei a deitar o mais novo com calma, as mãos descendo e desfazendo seu fundoshi, até que ele estivesse completamente livre. Joguei a peça para o lado, abrindo mais suas pernas, sentindo sua pele se arrepiar sob meus dedos.
– O que é isso? Empolgação? – Questionei, conforme ia descendo a boca por sua pelve, mordiscando-a de levinho.
– Ver-gonha... – Murmurou, mordendo os lábios. Arregalei os olhos por alguns instantes, incrédulo.
Foi quando minha ficha finalmente caiu: aquela era a primeira vez dele com alguém. Levantei-me, passando a mão pelos lábios, sentindo meu rosto corar após ter me colocado na mesma situação que ele.
– Mei-niii!!! – Ele reclamou, agudo, manhoso. – Não paraaaa.
Sorri, incrédulo com sua atitude. Abri ainda mais suas pernas, observando seu rosto ganhar um tom avermelhado, ele escondê-lo por entre os braços. Voltei a descer a boca até sua pelve, finalmente encostando-a em sua ereção, lambendo da base até a cabeça.
– Hmmmnnngggg!!! – Mordi os lábios pelo gemido que deixou os de Kouha, raspando sua garganta. – Mei-niii.
Prendi a cabeça de sua ereção entre os meus lábios, roçando a língua nela devagar, apreciando deliciado a forma como os gemidos saiam de seus lábios de maneira mais sôfrega que o normal, quase como uma tortura.
– Mei-niii – Deixei-o escorregar para dentro da minha boca, suas pernas se fechando ao redor da minha cabeça, suas mãos descendo para os meus cabelos. – Hmmmnnnn...
Comecei com leves movimentos de vai e vem, seus dígitos apertando minhas mexas, seus gemidos sendo contidos pelo lábio que ele provavelmente mordera. Às vezes parava para lambê-lo e brincar ao redor de sua excitação com a língua, subindo para a sua cabeça, fazendo ali a mesma coisa.
– Mei-niii...!! – Ele praticamente chorava, remexendo as pernas, começando a arremeter os quadris contra os meus lábios.
Parei instantes depois, afastando-me, ficando de joelhos na cama, observando seu rosto vermelho, seu peito subindo e descendo, a boca aberta puxando o ar com força. Engoli em seco, encantado com sua visão, sentindo minha ereção latejar de vontade.
– Minha... Vez? – Ele questionou, o sorriso atravessando seu rosto. Pisquei, sem entender o que ele queria dizer. – Mei-nii às vezes é tão bobo.
Pensei em retrucar, mas Kouha levantou-se mais rápido, tomando meus lábios em um beijo. Fechei os olhos, aproveitando a posição para abraçá-lo, descer as mãos por suas costas. Senti os dedos menores desfazerem o meu fundoshi, agarrando minha excitação, esfregando-a com cuidado, um gemido escapando, morrendo nos lábios dele.
– Entendeu agora, Mei-nii? – Kouha sorria, apesar do rosto corado.
Ele foi descendo a boca por meu peito, fazendo-me sentar na cama. Ajeitou-se melhor, lambendo minha excitação como eu fizera com a sua. Arfei, mordendo o lábio. Ele colocou a cabeça dela em sua boca, chupando-a, lambendo-a, fazendo as arfadas tornarem-se gemidos baixos, repletos de prazer.
Aos poucos Kouha foi deixando-me escorregar para dentro de sua boca, lambendo-me, chupando-me, fazendo movimentos de vai e vem, esfregando-me. Joguei a cabeça para trás, deliciado, gemendo cada vez mais alto.
– Kou–Ha–! – Fora meu gemido acentuado, agarrando as cobertas. Ele continuava, cada vez mais rápido, parecendo se divertir com aquilo também.
Quando consegui olhá-lo novamente, arfei, percebendo que conforme ele me chupava, tocava-se, desesperado. Peguei-o pelos cabelos da nuca, puxando-os levemente, até que o mais novo afastasse o rosto da minha excitação.
– Mei-nii–! – Ele gemeu e eu o trouxe para um beijo.
Conforme enroscávamos as línguas, fui tentando penetrar os dedos no meio das bocas. Quando finalmente consegui, Kouha afastara-se. Sorri, deixando que meus dedos pressionassem sua língua, adorando a forma como ele os acolhera, chupando-os da mesma maneira que fazia com minha ereção pouco tempo atrás.
Quando senti que estavam bem molhados, retirei-os de sua boca, um som molhado se produzindo quando se separaram. Puxei-o para mais um beijo, descendo os dedos até sua entrada, contornando-a com um deles, ouvindo o menor arfar, entre o receio e a empolgação.
Fiquei rondando-o até finalmente arriscar e penetrar a pontinha. Ele protestou, gemendo em meus lábios. Nossas bocas se separaram quando eu continuei, ouvindo-o arfar, até que o primeiro dígito estivesse inteiro dentro dele.
– Meiiii – Fora o que ele gemera, agarrando-se aos meus ombros. Fui brincando com ele, acariciando-o por dentro, assistindo-o se reclinar, morder os lábios, arfar. – Mei-niii.
Conforme sentia-o ceder, fui penetrando o segundo, seus gemidos ficando mais pesados, mais sôfregos. Continuei brincando consigo, até senti-lo arremeter os quadris contra minha mão.
– O que foi, huh? – Perguntei, mordiscando sua bochecha, ouvindo-o retrucar, ainda se remexendo. – Acha que já está bom? Hein?
Senti-o balançar a cabeça, afirmando, o rosto se esfregando contra o meu. Devagar fui deixando meus dedos escorregarem para fora de seu corpo, ouvindo seu protesto baixinho.
Pensei em deitá-lo, mas Kouha mesmo o fizera, separando bem as pernas. Mordi o lábio, encantado com a forma que ele pedia por mim.
Agarrei suas coxas, levantando suas pernas. Parei assim que havia encostado a cabeça de minha excitação em sua entrada, engolindo em seco.
Se havia um caminho sem volta, certamente seria aquele.
Fitei mais uma vez o rosto do mais novo, perdendo o fôlego quando o vira com os lábios meio abertos, as mãos agarrando a colcha da cama, ansiando por aquilo.
– Kouha... – Chamei-o, assistindo seus olhos buscarem pelos meus.
– Mei-nii! – Fora a súplica dele. Gemi, deliciado com tudo aquilo.
Apertei firmemente suas coxas, começando a penetrá-lo, devagar. Engoli em seco, observando seu semblante se torcer, os dentes ficando nos lábios, os nós dos dedos tornando-se brancos com a força que ele aplicava na colcha.
Parei na metade, tentando pegar fôlego. Ele era extremamente apertado. Muito diferente das mulheres com quem eu transara antes.
Era... Meio óbvio, uma vez que ele era virgem, mas... Eu não esperava que fosse tanto.
– Mei–! – Kouha praticamente engasgara, eu podendo imaginar as palavras cortando sua garganta. – Do-dói...
Engoli em seco, esperando, vendo a forma como a sua barriga alva subia e descia, conforme ele puxava o ar. Sentia meu membro ser apertado por Kouha, várias vezes, perguntando-me se realmente conseguiria fazer aquilo.
– Niii. – Ele suplicara, provavelmente incomodado.
Levei minha mão até sua excitação, masturbando-a, esperando que aquilo aliviasse um pouco sua tensão. Kouha gemeu, parecendo aprovar.
E, conforme eu aumentava os movimentos, sentia-o relaxar, abrindo mais espaço para que eu pudesse passar.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Ah... Assim mesmo, Kouha. – Sussurrei, voltando a penetrá-lo, sendo agraciado com um gemido prazeroso dele.
Quando finalmente entrei, esperei um pouco, para que Kouha se acostumasse. Ele ainda se remexeu, mas foi soltando as cobertas devagar, arriscando mover os quadris levemente, me fazendo arfar.
Inclinei o corpo sobre o seu, começando a investir de leve, sendo agraciado com seus gemidos contínuos, aprovando a situação. Aumentei a velocidade gradativamente, os braços de Kouha passando pelas minhas costas, começando a arranhá-la com suas unhas.
– Meii-nii, Meii-nii, Meii-niii!! – Ele gemia, cada vez mais entregue, passando as pernas por mim.
Estocava-o com cada vez mais força, abocanhando seu pescoço, lambendo-o, chupando-o, contornando sua clavícula com a língua. Senti seu corpo começar a se mover no mesmo ritmo que o meu, a cama rangendo devido ao movimento.
– Mei-niii...! – Ele suplicava. Escorreguei para fora de seu corpo, percebendo-o seu olhar assustado, indagador. – Nii?
Sentei-me na cama, puxando-o, fazendo-o se virar de costas. Encaixei-me em sua entrada e, devagar, o fiz sentar-se sobre mim, adorando a forma como ele me envolvera, apertado.
– Ah, Kouha–! – Fora meu gemido, junto de seu resmungo.
Abri mais suas pernas, levando a mão até sua ereção, masturbando-a. Ele atirou a cabeça para trás, deitando-a em meu ombro, sua entrada se abrindo e fechando em torno da minha ereção, fazendo-me arfar junto dele.
– Mei-niiii–! – Seu tom era alto, agudo, sôfrego, desesperado.
Parei de masturbá-lo, tirando-o de meu colo uma vez mais. Kouha deitou-se na cama, de quatro para mim, separando mais as pernas. Deitou a cabeça no colchão, o sorriso transpassando o rosto, dizendo:
– Vem me foder, vem Mei-nii.
Bufei, agarrando sua cintura, penetrando-o uma vez mais. Voltei a estocá-lo com força, rápido, meu nome saindo de seus lábios como um mantra. Dei um tapa relativamente forte em sua bunda, assistindo a pele branquinha ficar vermelha, suas costas se arquearem.
– Mei-nii! – Ele deitou a cabeça novamente, mordendo a colcha, segurando-a com as mãos. Deitei-me sobre seu corpo, ainda investindo, procurando sua ereção para masturbá-lo, vendo-o largar o tecido para gemer, ainda mais alto, mais deliciado.
Fora questão de segundos para eu inverter novamente nossas posições, colocando-o deitado de frente para mim. Quando entrei mais uma vez em seu corpo, o próprio Kouha começou a investir, acertando meu quadril inúmeras vezes, em descompasso com as minhas estocadas.
– Mei, Mei, eu– – Senti as palavras engasgarem em seus lábios quando agarrei sua ereção novamente, esfregando-o rápido, forte. Kouha agarrou-se contra o meu pescoço, o corpo estremecendo, um gemido extremamente agudo escapando de seus lábios. – AAAAAh!!
Senti o líquido quente e viscoso escorrer pelos meus dedos, seu corpo me comprimindo. Agarrei fortemente sua cintura, investindo contra ele mais algumas vezes até finalmente conseguir gozar também.
A sensação fora tão intensa e alucinante que eu pude jurar ver minha vista embaçar por um segundo. Apoiei as mãos ao lado da cama, para não desabar em cima de Kouha. Sentia seus braços ao redor do meu peito, sem apertar.
– Mei-nii... – Ele sussurrou. Escorreguei para fora de seu corpo, encostando a testa contra a sua em seguida, as respirações se misturando conforme arfávamos, buscando ar. – Mei...
– Ha. – Roubei um beijo de seus lábios, chupando-o em seguida, passando os braços ao redor de seu corpo. – Kouha...
Virei o corpo, desabando ao lado dele, puxando-o para se aninhar em meu peito. Ficamos daquela forma por alguns momentos, até Kouha se desvencilhar de mim, aconchegando-se melhor no travesseiro. Encaramo-nos, inúmeras perguntas pairando entre nós, respostas sendo obtidas somente pelos olhos.
– Nós... – Ele começou, abraçando o travesseiro. – Fizemos...
– É... É... – Fechei os olhos, levando os dedos até eles, apertando-os levemente.
– Mei-nii... Você...
– Não me arrependo. – Respondi antes mesmo de a pergunta vir. Kouha piscava, incrédulo. Sorri, levando a mão até seus cabelos, afagando-os. – Você também não, certo?
– Uhum. – O sorriso se desenhou em seus lábios. – Né, Mei-nii, eu posso dormir com você hoje?
– Que pergunta é essa? – Ele arregalou os olhos. – Você deve. Não vai a lugar algum hoje. – Aproximei-me dele, roubando-lhe um beijo, sentindo-o sorrir por entre ele. – E... Nós sempre podemos fazer de novo.
Percebi as íris claras se banharem em empolgação. Kouha atirou-se contra o meu pescoço conforme eu passava os braços por sua cintura, rolando na cama com ele.
...
A luz da manhã ainda demorou um pouco para chegar aos meus olhos, devido as cortinas do dossel ainda estarem fechadas. Bocejei, ajeitando-me melhor na cama. Ouvi um resmungo baixinho e olhei para baixo.
Kouha estava totalmente aninhado contra meu peito, dormindo o mais tranquilo dos sonhos. Apoiei o rosto em uma das mãos, levando a outra até seus cabelos, acariciando-os bem calmamente, para não acordá-lo.
A noite anterior ainda se repetia na minha mente, calorosa, fazendo-me arfar com as lembranças. A voz de Kouha, a forma como seu corpo se movia, como seus braços me agarravam.
Tudo... Beirava o impossível.
– Mei-nii... – Ele sussurrou, a voz baixinha, fraca. Ri, beijando sua testa, ainda afagando seus cabelos.
– Você está rouco, tonto. – Ele não acordara, mas remexera-se, ficando ainda mais encolhido.
Tudo poderia ficar daquele jeito.
Um segredo meu e dele; mais ninguém precisava saber.
Mas o mundo era curioso.
E, quanto mais errado você está, mais à tona as coisas vem.
– Mei, eu preciso que você... – Era a voz de En. Senti meu corpo todo gelar e, quando virei-me para levantar, me deparei com sua figura bem ali, parada ao pé da cama, a cortina levantada, encarando-me com os olhos arregalados.
Seu rosto virou-se levemente, seu olhar alternando entre a minha figura e a de Kouha. Eu pude ver suas íris se estreitarem, ganhando a ira de um tigre, seus dentes começarem a trincar.
– Mei, o quê... – Ele começou, encarando-me, a cor do meu rosto desaparecendo. Endireitei-me, tentando argumentar:
– En, eu posso–! – Senti sua mão agarrar meu pescoço, fazendo-me bater com a cabeça na madeira da cama, engasgando devido ao aperto. – En–!
– O que no mundo você–! – Kouen levantou a voz, a raiva pingando em cada palavra.
Mas tudo se amenizou quando Kouha reclamou, remexendo-se ao nosso lado. Ambos olhamos para ele, mas o menor não havia acordado ainda. Virou-se, ficando de costas, ainda em sono profundo.
E deixando à mostra o enorme roxo que eu largara próximo ao seu pescoço. Meu irmão fitou-me longamente, os olhos tão estreitos que fariam qualquer um tremer como vara verde.
– Vista-se. Qualquer coisa serve. – Rugiu, largando-me. Tossi um pouco, esfregando o pescoço.
Olhei uma última vez para Kouha, mordendo o lábio, receoso por deixá-lo dessa forma. Fitei por entre a cortina, percebendo Kouen parado à porta, impaciente.
Inclinei-me uma última vez para beijar os cabelos de Kouha, levantando-me. Não fiz questão de esconder minha nudez, uma vez que ele já havia entendido tudo mesmo. Abri o armário e peguei um yukata vermelho, amarrando-o o mais bem fechado que consegui.
Saímos, encostando a porta. Kouen adiantou-se, correndo à frente, dando passos fundos, quase quebrando o chão.
– En! Espera, En! – Tentei chamá-lo, mas ele me ignorava. Parou de repente, quase fazendo-me trombar em sua figura. – En...!
Abriu a porta da primeira sala que surgiu, puxando-me com força para dentro dela, batendo-a, quase a arrancando das dobradiças.
– En, eu posso–! – Tentei novamente, mas fui empurrado contra a parede, tossindo outra vez, por ter faltado ar em meus pulmões.
– VOCÊ PERDEU O JUÍZO?! – Foi o que ele berrara, pegando-me pelo colarinho, batendo-me novamente contra a parede. – Tem noção do que fez?!
– Tenho. – Fora minha resposta. En largou-me, passando a mão pelos cabelos, desesperado.
– Por Deus... Mei... Mei, você sabe o que isso pode acarretar? Você tem noção? – Olhou-me e eu desviei o rosto, não arrependido. – Mei... Mei, me diga que você estava bêbado, que você...
– Não, En. Eu fiz isso consciente.
– VOCÊ SÓ PODE TER PERDIDO A RAZÃO! – Sua voz parecia o rugir de um tigre, seus olhos claramente demonstrando sua vontade de me matar. Ele pegou-me novamente pelo pescoço, apertando-o com força, fazendo meu ar faltar. – Koumei, você tem noção do que você fez? Tem mesmo noção?!
– Eu... – Agarrei o pulso de Kouen, apertando-o. – Eu transei com Kouha. – Ele largou-me, afastando-se, o olhar assustado. – Feliz assim? Eu transei com Kouha.
– Koumei... Koumei, ele é seu irmão...
– Eu sei, En.
– COMO VOCÊ SABE? – Outro rugido. Mantive-me firme, o olhar frio, não sendo intimidado por ele. – Ele é sangue do teu sangue. Você cometeu um–
– Pecado?
– CRIME! – Avançou novamente contra mim, o rosto a milímetros do meu.
– Não adianta, Kouen. Eu não me arrependo. Foi consensual.
– Consensual?! – Ele riu, irônico. – Onde aquilo é consensual?! O Kouha é só–
– UMA CRIANÇA?! – Fora a minha vez de levantar a voz, dando um passo à frente. – Quer dizer que para isso ele é uma criança, mas para ir na frente de batalha não? ESSA é a sua visão?
Kouen calou-se. Passamos longos segundos nos encarando, os olhos firmes. A todo momento eu via nele a forma perfeita de uma fera que cercava a sua presa.
Entendia porque muitos se rendiam diante dele. Mas eu ainda era seu irmão. E, acima disso, era seu conselheiro e estrategista.
Eu deveria ser o último a ter medo dele.
– Vá pro seu quarto. – Fora seu veredito. Arqueei as sobrancelhas, estranhando.
– En, quantos anos você acha que–
– Vá pro seu quarto. E volte aos seus afazeres. – Repetiu, rumando para fora dali, sem me olhar. Antes de rodar a maçaneta, ainda acrescentou: – Quanto ao plano da nossa próxima invasão... Você está dispensado de organizá-lo.
– Muito bem então. – Fora minha resposta. En saiu, sem sequer olhar para trás.
Passei a mão pelos cabelos, sentindo o corpo começar a tremer. Em todos esses anos, aquela fora a primeira vez que eu enfrentara meu irmão com tanta convicção.
– Acho que estou ficando louco. – Sussurrei, esfregando o rosto.
Encostei-me à parede, escorregando até estar sentado. Ali fiquei, por incontáveis minutos, até que meu corpo estivesse recuperado do estresse que acabara de passar.
– E... Agora...?
Duvidava muito que Kouen fosse espalhar o que vira. Ele, mais do que ninguém, sabia que isso se tornaria um escândalo e, provavelmente, desestruturaria todo o império.
A questão agora seria o que fazer a seguir. Não pretendia desistir de Kouha, não agora que eu finalmente havia conseguindo a realização.
Eu sabia que era errado.
Mas não conseguia ver erro naquilo.
Não queria abusar dele. Eu só queria estar com ele. Poder acariciá-lo sem medo de ser mal interpretado. Poder ficar junto dele, sem amarras, sem me culpar por tudo.
Suspirei, levantando-me com um pouco de dificuldade. Sai da sala onde estava, voltando a passos lentos para o meu quarto. Quando abri a porta, percebi que Kouha não estava mais lá.
Caminhei calmamente até a cama, sentando-me e, logo em seguida, deitando-me, sentindo o doce perfume dele nas cobertas. Demorei-me longos minutos ali, até ouvir leves batidas na porta.
– Koumei-san, eu vim trocar suas cobertas. – A criada dissera, educada.
– Ah... Tudo bem então. – Levantei-me, pesaroso. Enquanto ela fazia o trabalho de recolher e trocar a cama, rumei até meu armário, para buscar o sokutai que vestiria.
Após pegar todos os elementos, retirei-me, rumando para a sala de banhos. Passei uma boa parte do tempo lá, para conseguir organizar meus pensamentos.
Apesar de todos eles sempre terminarem em uma só pessoa.
Kouha.
...
Já era bem tarde, uma vez que o Sol passara do meio do céu. Os pombos há muito haviam levantado voo, mas eu continuava ali, observando a imensidão azul, as poucas nuvens passeando, tranquilas.
Depois da confusão de mais cedo, não vira mais Kouen. Muito menos Kouha, que sequer pude ver levantando.
E não vê-lo mais nenhuma vez desde então estava começando a me preocupar.
Baixei o rosto, vendo uma das empregadas passar por ali com um cesto de roupas limpas. Fiz sinal, observando-a piscar e, logo em seguida, aproximar-se.
– Sim, Koumei-san? – Perguntara, ajeitando melhor o cesto nas mãos.
– Por um acaso você viu Kouha em algum lugar? – A vi espantar-se, chocada com minha pergunta.
– Ele saiu com as tropas hoje cedo. Não estava sabendo? – Foi sua resposta. Ainda demorei alguns segundos para digerir a informação, arregalando os olhos em seguida, levantando-me.
– Como assim saiu com as tropas?! – Peguei-a pelos ombros. – Eles foram atacar?!
– Si-sim...
Senti o sangue começar a subir, enchendo meus olhos. Rangi os dentes, um único nome ecoando sem parar na minha mente, engolindo qualquer outro pensamento.
– KOUEN! – Berrei, assustando não só a menina que estava ao meu lado, como todos os outros que passavam.
Sai em disparada para o palácio, abrindo as portas com solavancos, atraindo olhares por onde passava.
– KOUEN! – Berrei novamente, olhando por todos os lados, as pessoas se afastando, abrindo passagem, acuadas. – KOUEN! Onde você está? KOUEN!
Ouvi burburinhos vindo da parte dos estábulos. Peguei o caminho mais curto até lá, abrindo a porta em um quase murro, assustando a todos. Estreitei a vista ao encontrar Kouen ali, conversando com um de seus soldados.
– KOUEN! – Rangi seu nome, recebendo de todos ao redor um olhar assustado, menos de meu irmão. Aproximei-me dele, pegando-o pelos colarinhos, trazendo-o para mais perto de mim. – Você mandou o Kouha para a linha de frente sozinho?!
– Como? – Ele estreitou a vista, estranhando. – É claro que não! Minhas tropas ainda não saíram!
– Como não! Eu não o vi o dia todo e a menina disse–
– Com licença, comandantes. – Um soldado aproximou-se, temeroso, fazendo uma reverência. – Mas... As tropas dos outros generais saíram mais cedo. Kouha-san estava com eles.
Em um instante, todo o sangue do meu corpo se gelou, fazendo a cor sumir de meu rosto. Soltei Kouen, as mãos tremendo levemente, a mente paralisada devido ao choque.
– Como assim, soldado?! A estratégia nova não está montada, eles não poderiam...
– Sim, eu sei, senhor. Mas eles foram de toda forma. Disseram que já havia passado tempo demais e...
– MALDITOS! – Berrei, assustando todos ali. – Vão pagar caro por terem feito isso. – Passei pelo meio de Kouen e o rapaz, indo diretamente até um dos cavalos que estava ali.
– Mei! Mei, espere um pouco, Mei! – Ouvia Kouen chamando-me, mas ignorei completamente, montando no primeiro animal que vi preparado. – Mei, onde você pensa que...
– Eu vou atrás do meu irmão! – Rugi, batendo com as rédeas, colocando o cavalo para cavalgar.
– KOUMEI! – Só pude ouvir o grito de En perder-se no ar, conforme eu saia em disparado no cavalo.
Era verdade que eu não tinha porte físico algum para entrar em batalhas. Mas eu ainda era um estrategista nato. Não ficaria intimidado diante de um campo de batalha.
E, naquele momento, só me importava em encontrar Kouha.
Estava tão concentrado em meus pensamentos que não vi o cavalo de En entrar na minha frente. Puxei as rédeas com força, fazendo o meu empinar, caindo nos cascos em seguida.
– En! – Exclamei, irritado. – Não pense que vai–
– Vou te impedir. Mas acalme-se. – Olhou-me sério, firme. – Eu vou trazer o Kouha de volta. Mas eu preciso que você esteja calmo, caso contrário tudo será um desastre.
Pisquei, tentando entender o motivo daquilo. Foi quando eu ouvi o som de vários cavalos, um após o outro, pararem. Virei-me levemente, reparando que En trouxera a frota consigo.
– Mei... – Fitei-o, assentindo com a cabeça. – Ótimo. Diga-me o que fazer.
– Avancem pelo extremo oeste. Quando se aproximarem da rota principal, haverá um desvio pela montanha. Peguem-no. Certamente eles não usarão essa rota. Usem os arcos para atacar e, quando estiverem enfraquecidos, corram para a linha de frente.
Kouen assentiu e, com um urro, ordenou que as tropas o seguissem. Esperei que a maioria passasse e fui atrás, querendo ver de perto o resultado.
Assim como eu havia mandado, toda a frota seguira pelo caminho alternativo através da montanha. Dali era possível ver o vale por onde a rota principal passava.
Arregalei os olhos, espantado por ver inúmeros corpos atirados, a maior parte sendo da infantaria inimiga. Quando olhei para frente novamente, vi dois generais aproximando-se de Kouen. Bati as pernas ao lado da barriga do cavalo, avançando por entre os soldados, para ouvir o que eles diziam.
– Nós conseguimos dominar tudo, mas... Eles prenderam o príncipe Kouha! Estão fazendo-o de refém!
– COMO?! – Berrei, descendo do cavalo, agarrando o homem pelo colarinho. – E VOCÊS DEIXARAM ELES CAPTURAREM MEU IRMÃO?
– Mei, acalme-se! – Kouen tentou deter-me, descendo também do cavalo. – Desespero não nos levará a nada!
– Foi um golpe baixo! Eles pegaram o príncipe quando ele estava enfraquecido, depois de usar muito magoi.
– Droga. – Kouen fizera um muxoxo, irritado. Estreitei a vista, ficando ainda mais irritado com a situação. – E vocês sabem onde ele está?
– É uma pequena casa. Nós conseguimos cercá-la de frente, mas temos medo de invadir e eles matarem o príncipe.
– E só agora se preocupam com isso. – Voltei ao cavalo, puxando suas rédeas. O animal relinchou, dando alguns trotes para trás.
– Mei, onde você–
– Vou trazer meu irmão de volta. – Afirmei, colocando o cavalo para andar.
Comecei a descer pelo morro, uma vez que não era muito íngreme. O cavalo pulava de pedra em pedra, achando seu melhor equilíbrio, deslizando em algumas partes. Quando finalmente cheguei ao campo de batalha, fui em galope, procurando a tal casa.
Não fora difícil de encontrar, uma vez que todo o exército estava na frente dela. Parei a uma distância bem segura, ouvindo o galope do cavalo de En aproximar-se, parando ao meu lado.
Fiz um gesto para que ele contornasse e entrasse por trás. Kouen desmontou, afastando-se de nós. Eu sabia que ele iria usar o djinn para fazer isso; era inevitável.
Continuei aguardando, observando-o passar por cima da casa, com o full ativado. Comecei, então, a me aproximar em galope. Antes que pudesse desmontar, já conseguia ouvir os homens reclamarem, desentendidos do que acontecia.
A porta se abriu em um solavanco, dois sendo atirados para fora dali. Tentaram fugir, mas foram rendidos pelo exército. Um terceiro estava rendido nos braços de En, o qual o trouxera para junto dos demais.
Fui costurando por entre os inúmeros soldados que se amontoaram, procurando por Kouha, desesperado. Quando finalmente consegui avistar seus cabelos ruivos, gritei:
– KOUHA!
O menor levantou a cabeça, procurando-me. Quando finalmente me avistou, seus olhos brilharam, o sorriso transpassando a face.
– Mei-nii!
Sai empurrando todos que estavam à minha frente, ouvindo reclamões, até mesmo xingamentos. Mas só pude parar, de fato, quando me ajoelhei à frente de Kouha, abraçando-o apertado.
– Graças a Deus. – Suspirei, finalmente conseguindo relaxar. – Você está bem? Eles fizeram algo com você? – Segurei seu rosto em minhas mãos, percebendo vários arranhões. Kouha era só sorrisos, extremamente bobo.
– Eu estou bem! Só com as pernas doendo... E cansado... – Fora sua resposta. Aninhei-o novamente contra meu peito, sentindo sua cabeça se encostar ao meu queixo. Expirei o ar, aliviado.
– He. Essa putinha só sabia nos ameaçar. – Fora o comentário de um deles, sorrindo presunçoso. – Queria ver o quanto ela iria latir quando eu a arregaçasse.
– Ora seu... – Kouha rugiu, mas eu apertei de leve seus ombros, levantando-me. – Mei-nii?
Cerrei com força o punho direito, aproximando-me do desgraçado. Levantei e, em um único movimento, deferi-lhe um soco, acertando sua bochecha, fazendo-o cair para o lado, tossindo, um de seus dentes caindo.
– Você tem sorte por não morrer aqui e agora. – Fora o que eu pronunciei, a garganta raspando pelo tom que usara. En apoiou o braço em meu ombro, em um gesto mudo para que eu me contivesse.
Os soldados vieram para levar os três infelizes. Eu só os assisti, ouvindo vários burburinhos entre os homens, coisas como “O que aconteceu com Koumei-san hoje?” ou “Eu não pensava que ele fosse assim”.
– Mei-nii! – Ouvi Kouha chamar-me, desviando o olhar para ele, observando que não saíra da posição que estava, sentado sobre os joelhos. – Eu retiro o que eu disse. Você não é um franguinho!
– Calado! – Aproximei-me, batendo de leve sobre sua cabeça. Ele soltara um “Ouch”, levando as mãos até os cabelos, massageando-os. – Consegue se levantar?
– Na verdade... Não... – Baixou a cabeça, envergonhado. – Eu acho que... Usei além do que deveria o meu magoi...
– Tudo bem. – Abaixe-me até ele, pegando-o pelo meio dos joelhos, a outra mão passando pelo meio de suas costas, erguendo-o em meu colo. – Isso é pra você aprender a se controlar.
– Sim... – Fora sua concordância.
Passei pelos soldados, sobre olhos meio suspeitos. Eles pareciam achar a cena engraçada. Kouen seguiu em nosso encalço. Quando chegamos até os cavalos, deixei que Kouha subisse primeiro, posicionando-me atrás dele.
Quando En montara, todos os outros fizeram o mesmo. Com um gesto, ele liderou os homens para voltarmos até Kou. Saímos de lá com as cabeças erguidas, vitoriosos.
Mas a minha maior vitória fora ter Kouha bem ali, ao alcance de meus braços, são e salvo.
...
– Mei. – Ouvi a voz de En, parando com a mão na maçaneta, olhando para ele.
Após retornarmos, a primeira coisa que fiz fora tomar um bom banho, para lavar toda a preocupação e o estresse do dia. Agora, devidamente trocado, estava para entrar em meu quarto e resolver meus problemas, quando Kouen aparecera no corredor.
Ele foi se aproximando, sussurrando baixo em meu ouvido:
– Quando ao assunto de hoje cedo... – Estreitei a vista, desgostoso. Não estava nem um pouco a fim de começar outra briga com ele. – Se você está certo sobre isso... Só... Mantenha sigilo.
– HAA? – Exclamei, virando-me para encará-lo. Kouen recuara um passo, estranhando. – Você acha que eu sou o quê? Idiota?
Ele suspirou, soltando uma risada baixa. Deu um leve tapinha em meu ombro, voltando a caminhar.
– A propósito. – Parou, olhando-me por cima dos ombros. – Aguardo você na próxima reunião estratégica, comandante. – Sorriu, presunçoso que só ele, tomando seu caminho.
Sorri de canto, fazendo um leve sinal de negação com a cabeça. Virei a maçaneta, finalmente entrando em meu quarto.
– Mei-nii! – Arregalei os olhos quando vi Kouha sentado sobre minha cama, trajando suas vestes de dormir já.
– Ora, então você está aqui? – Ri, fechando a porta.
– Claro! Onde mais eu estaria? – Fui aproximando-me dele, roubando-lhe um selinho, adorando a forma como seus lábios se curvaram em um sorriso.
– No seu quarto, espertinho. – Ele foi se reclinando, obrigando-me a acompanhar seu corpo, até que estivesse deitado comigo por cima de si.
Comecei a mordiscar suas bochechas, sentindo seus braços passarem por meu pescoço. Beijei-o uma vez mais, entrando com a língua em sua boca, enroscando-a com a sua, dançando com ela, recebendo um delicioso carinho em minha nuca.
– Chegou. – Interrompi, afastando-me. – Tenho trabalho a fazer.
– Awn. – Ele se remexeu conforme eu deixava a cama, deitando-se de barriga para baixo, fitando minha escrivaninha.
Sentei-me nela, colocando o Metal Vessel ali, relaxando no encosto. Observei Kouha sentar-se, ainda sorrindo que nem bobo. Encarei-o até que ele finalmente se manifestara:
– Né, o En-nii perguntou sobre você para mim hoje.
– Haa? Quando? – Questionei, piscando.
– Quando voltamos da batalha. – Cantarolou, colocando as pernas para baixo, balançando-as.
– E o que você respondeu?
– Eu respondi que... – Apontou o polegar para si, a cabeça levantada, posando de arrogante. – O Mei-nii é todinho meu.
Esperei um... Dois... Três segundos até começar a gargalhar, baixando a cabeça, incrédulo.
– Mas é verdade! – Kouha protestou, irritado.
Já havia entendido porque Kouen me falara aquilo antes de eu entrar no quarto.
– Eu estou mentindo por um acaso, Mei-nii? – Indagou, fazendo bico. Levantei-me, indo agachar-me à sua frente, beijando seus lábios com carinho.
– Não está, Kouha. – Sorri largo, sendo correspondido por ele, ganhando um beijo extremamente gostoso nos lábios.
Sabia plenamente que aquilo era errado.
Mas não tinha arrependimentos.
Porém, se existisse algo do qual eu me arrependia...
Era não conseguir amá-lo mais do que já amava.
Notas finais
- Aquilo refere-se ao que Hakuryuu disse no vol.13, pg.188. Por bem, fora adiado a idade. Ele cita entre 13-14 anos, mas Koumei fizera com 16, para o bom andamento do enredo.
- Yukata: Vestimenta informal feita principalmente de algodão. Atualmente é muito usado em festivais, com várias estampas, todavia também pode ser usado diariamente em casa. Hotéis, pousadas e onsens costumam disponibilizá-los para os hóspedes também. Novamente, é o termo aproximado.
- Hanfu: Traje usado por vários milênios na China, até a dinastia Qing, em 1644. Por ter atravessado tantos milênios, existem inúmeras variações e formas de se usar, desde a informal até a totalmente formal. Termo aproximado para descrever a roupa que Kougyoku usa.
- Zanbatō: Nome dado às espadas largas, curvas e extremamente longas usadas em animes e mangás. Não existe uma referência histórica de que tais espadas tenham sido usadas durante a Era Feudal japonesa. Entretanto, sabe-se que seu comprimento se assemelha às antigas zhǎn mǎ dāo, espadas chinesas usadas na dinastia Song (960-1279). Todavia a sua curvatura é tipicamente diferente, parecendo-se mais com uma katana.
- Fundoshi: Roupa íntima tradicional usada por homens japoneses adultos até a Segunda Guerra Mundial. Após esse período, passou a ser usada somente em momentos especiais, como comemorações e afins.
Primeira MeiHa do Nyah!. Como eu disse, foi feita de presente para uma amiga minha, de aniversário. Gostaria de ouvir a opinião sincera de cada um que ler, mesmo não gostando da história. Ficarei extremamente grata se apontarem meus erros, seja em questão gramatical quanto referencial.
E, como manda o protocolo, adoraria receber reviews! Isso alimenta a alma de qualquer autor!
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