Notas iniciais
Hehehe e ai meu povo? (gostaria de avisar que essa é minha risada nervosa) Eu tinha prometido a mim mesma que eu ia postar quarta, mas ela chegou e eu não tinha escrito nem metade. Enfim, eu gostaria de avisar que eu estou usando meu tumblr para postar imagens dos personagens. Já tem lá tanto do capítulo anterior quanto desse ( o desse tá organizado assim: A primeira imagem é o primeiro personagem a ser mencionado e assim por diante.) O link é esse: https://queenword.tumblr.com/ A imagem de hoje foi editada pela leitora e dona da Cameron, a Dhuly. Alias, eu comecei a editar as imagens por causa dela, pois ela havia mandado essa junto com a ficha e devo dizer que estou VICIADA nisso. Então se alguém quiser me mandar alguma foto de alguma pessoa relaciona ao seu personagem, eu to aceitando! Principais erros corrigidos no dia 08/07/2017, mas se achar mais algum pode comentar ♥ Desculpa por enrolar vocês com essa nota GRANDONA. De qualquer forma, espero que gostem :)

Ainda remoía todas aquelas memórias, mesmo depois de tanto tempo aquilo ainda me assombrava. Seis meses não era bastante para esquecer a visão de todos aqueles que amava morrendo. Minha bela Los Angeles agora abrigava pessoas violentas nas ruas, minha vida destruída após ver Andrew (ah, meu querido Andrew), com sua barriga aberta, seus órgãos estavam expostos e um monstro deliciando-se de sua carne, como se fosse a última refeição da sua vida. Tudo havia acabado. Todos aqueles três anos juntos, todas as tardes passadas juntas planejando o nosso casamento, o meu sonho em dizer sim a ele, em me tornar a Senhora Roberts, o meu desejo em ver, um dia, juntos, os nossos filhos crescendo. Tudo destruído.

A cena ainda está nítida em minha cabeça, cada detalhe, cada sentimento. Eu não conseguia sentir o chão, era como se o mundo estivesse desabando, pois estava. Estava paralisada, a única coisa que se mexia eram minhas pernas, tremendo e bambas, sentia que nem o meu pulmão funcionava. Mas aquela criatura havia notado minha presença. Correu em minha direção, fazendo grunhidos animalescos. Fui salva por um vizinho, esfaqueando o monstro. Nunca consegui agradecê-lo, muito menos soube o nome dele.

Quando pus o pé para fora, encarava a impotente mansão da minha família em minha frente, mas eu não tinha tempo de admirá-la. Peguei a chave, com as mãos tremendo. A porta rangeu. Igor, meu irmãozinho, então correu até mim me abraçando, seguido de meus pais. Bastou eu picar por um segundo, que o seu calor já havia sumido. Quando abri os olhos, ouvi o som de tiro. Aquele maldito som de tiro!

Em minha frente, a porta do meu quarto. Abri, desesperada e subi as escadas em frente em uma velocidade que desconhecia. Entrei no escritório do meu pai, onde o encontrei caído no chão, com uma arma em sua mão e seus miolos espalhados. A cena fez com que meu estomago revirasse, vomitando ao lado de seu corpo.

Como se não bastasse, gritos. Peguei a arma em sua mão e desci as escadas que pareciam infinitas. Era Igor, os monstros haviam invadido a nossa casa e ele estava sendo devorado. Minha mãe, com as tripas para fora. Não me restava escolha, apenas chorar e fazer o que tinha que ser feito. Fechei os olhos e atirei.

Finalmente acordei. Estava suando, mas duvidava que estivesse relacionado ao ambiente quente e abafado. Olhei para os lados. Algumas meninas que trabalhavam na cozinha já tinham levantado, mas de resto, das 12 meninas nove ainda dormiam. Justo. O tic-toc do relógio revelava que não era nem 6 horas. Algumas eram lavadeiras, outras faxineiras, era um trabalho árduo e cada minuto de descanso era necessário.

Abracei meu joelho e deixei as lágrimas rolarem. Todo dia aquele mesmo pesadelo. As mudanças eram poucas e rasas, às vezes não passava no meu apartamento e ia direto para a mansão, outras acordava antes de chegar ao condomínio, algumas eu percorria o trajeto do meu apartamento até em casa. Mas isso não fazia lembrar menos doloroso.

Devia parar com isso. Já que eu tinha levantado antes do horário, se eu fosse tomar banho agora, talvez conseguisse água quente. Peguei as únicas roupas que haviam me dado: uma blusa de gola alta e manga comprida cinza e uma calça feita com um tecido similar. Fui em direção ao banheiro público e abri um dos banheiros enfileirados. Esperança tola. A água que caia em minha pele era tão fria quanto aquele lugar.

Precisava de ar fresco, para aliviar minha cabeça. Mesmo sempre recomendando para que ficássemos no subsolo, pois caso tivesse uma invasão dos monstros, estaríamos mais seguros abaixo da terra, eu tinha que sair, respirar ar puro.

Caminhava no corredor em direção as portas que levavam as escadas. Quase não entrava luz do Sol e as lâmpadas responsáveis por iluminar eram fracas, dando um visual meio macabro, além disso, estava tudo silencioso, o único barulho era o som do meu andar.

— Você vai lá fora também? — perguntou Sophie, o que fez eu dar um pulinho, com isso, ela sorriu. Fiz que sim com a cabeça.

— Posso ir junto?

— Claro.

Sophie tinha apenas 16 anos, mas já trabalhava comigo na enfermaria. Ela era doce e inocente. Em qualquer situação ela estava feliz, sempre sorrindo, sempre muito educada. Muito diferente de mim, em todos os aspectos. Também era muito bonita, seu cabelo, quase sempre trançado, era bem escuro, sua pele bem clara estava sempre com algum hematoma, que ela insistia ser fruto de alguma batida que havia dado em um lugar qualquer, também tinha olhos claros que, dependendo da luz, hora eram verdes, hora azuis. Contribuindo em seu aspecto delicado, não era muito alta, nem tinha muitas curvas. Ela era perfeita, praticamente.

Guardas abriram a porta dupla em frente à escada. Quando subimos, um vento forte nos atingiu, respirei fundo, aproveitando o momento. A caminhada foi tranquila até começarmos a ouvir uma tosse. Sophie correu em direção à grade, eu a acompanhei, mas com a mão na cintura, junto a minha pistola.

Era um garoto, não deveria ter nem 10 anos. Ele respirava com dificuldade e tossia, muito.

— Alguém o ajude! Ele ainda está vivo! — Sophie gritava.

Um soldado apareceu para nos afastar, dizendo que o levaria para a enfermaria e que era para irmos para o refeitório. Sophie parecia relutante em obedecer a ordem, mas não é como se tivéssemos escolha.

O refeitório era uma sala bem grande ligada à cozinha, com um balcão onde as cozinheiras nos serviam. Para sentar haviam várias mesas compridas de bancos comunitários. Apesar de termos saído antes, eles já estavam cheios. Guardando o ambiente, estavam cerca de seis guardas, dentre eles estava Matt, meu irmão o único Windsor além de mim.

Conversando com ele estava Olena. Ela era de uma classe superior a nossa, de forma que não havia motivos dela estar ali além de paquerar meu irmão. Isso me irritava profundamente, não pelo fato dela transar com Matt, se fosse assim teria brava com 80% das garotas da base. Irritava-me o fato de que ela não tinha importância para ser uma classe A sua avó sim, Margo Flowers era uma mulher importante, uma das responsáveis de fazer o abrigo funcionar, já Olena apenas desfrutava dos benefícios que esse parentesco trazia.

A base funcionava assim: a Classe A era composta de gente importante para o governo, os políticos, cientistas importantes e a alta patente militar. Eles desfrutavam da melhor comida, tinham alojamentos pessoais, não comiam no refeitório conosco e sabiam de tudo. Os Bs eram os soldados, sua comida era boa e suas camas não eram das piores, mas seu trabalho era difícil, de tempos em tempos eles saiam à procura de sobreviventes e taxa de mortalidade nessas missões não era tão baixa quanto o ideal. Por fim, sobrava a C, minha classe, éramos enfermeiros, cozinheiros, podíamos cuidar desde o lixo até as crianças da classe alta. Havia boatos que existiam mulheres designadas especialmente para satisfazer os desejos sexuais dos senhores As, eu duvidava disso, se eles realmente quisessem fazer sexo, eles não tirariam alguém do seu trabalho, só escolheriam alguma menina e ela teria que fazer ambos, querendo ou não. A maioria de nós estava apenas no lugar certo e na hora certa, de certa forma eu me incluía nisso.

Quando passamos por Matt, a Flowers já havia ido embora.

— Cuidado ou você vai acabar fazendo um filho nela. — eu disse.

— Não se preocupe, eu não pretendo dar um bisnetinho para Margo. — respondeu com um sorriso torto.

Pegamos nossas bandejas, nos deram uma tigela com uma papa bege que nos disseram que era mingau (definitivamente não era) e um copo d’água, mas quando passamos por uma menina albina do outro lado do balcão, ela entregou uma maçã para Sophie. Até onde eu sabia, praticamente todas as frutas eram reservadas aos As e Bs, tornando o consumo delas pela nossa classe proibido.

— Obrigada, Yar. — agradeceu.

Yar sorriu.

Sentamo-nos em um dos poucos lugares vagos e começamos a comer, tentávamos conversar, mas isso era meio difícil devido à barulheira causada pelas outras pessoas. Eu encarava com nojo a tigela, a comida era precária demais para um trabalho de 12 horas ininterruptas, podendo apenas fazer pausa para o banheiro.

Como eu sentia saudade de casa...

***

A enfermaria estava relativamente calma, Ana cuidava de uma criança de colo, provavelmente da Classe A, Luka ajudava Fernando com um soldado ferido sem uma perna. Lucy, uma mulher com 30 anos com cara de 20, nossa chefe, parecia que também ia ajudar, mas antes veio dar ordens para gente.

— Cameron, vá cuidar daquela criança — Ela indicou a maca com a cabeça — E Sophie, vá ajuda-la.

Era o garoto de hoje de manhã, ele não estava mais tossindo e respirava melhor. Tiramos toda a sua roupa, cobrindo apenas a virilha com um lençol. Quando estávamos limpando seus ferimentos (ele tinha muitos arranhões e algumas marcas de mordida), Daemon Vahalla, o cientista mais importante da base apareceu.

— Dr. Vahalla, ao que devemos a sua presença? — perguntou Lucy um pouco nervosa.

— Nada de mais, só quero falar com a Srtas. Windsor e Walker. — Ele caminhou até nós, parando ao lado da Sophie. Ela parecia mais desconfortável que qualquer um ficaria naquela situação.

— O que deseja, Dr. Vahalla? — perguntei

— Bem, caso não consiga salvar nosso paciente, peço para mandá-lo para o laboratório, estamos sem corpos para nossos... testes. — Estranhei o pedido. Os ferimentos não eram graves. Durante toda a sua fala, ele mexia com alguma parte do corpo de Sophie, seja em seus cabelos ou passando a mão em seu rosto.

— Ah e Srta. Walker... — Ele aproximou sua cabeça da orelha dela. Seja o que quer que tenha sussurrado isso a deixou ainda mais desconfortável — Não se atrase!

Quando ele já havia saído da enfermaria, perguntei baixinho:

— Está tudo bem?

Ela concordou com a cabeça, mas não olhou em meus olhos. Mesmo se ela me falasse o que estava acontecendo, não se podia fazer nada, a Classe A era intocável, mas eu queria que soubesse que podia contar comigo.

— Ei, eu preciso fazer xixi, você pode ir cuidando dele para mim? — Realmente precisava.

— Claro, pode ir.

Não tinha do nem 1 segundo que eu havia virado de costas quando eu ouvi Sophie gritando. Por que eu fui virar?! O garoto estava mordendo seu pescoço. Peguei minha pistola e atirei no monstro. Lucy deve ter notificado a central, pois em menos de um minuto, os cientistas apareceram e a levaram para o laboratório.

Sophie não apareceu no jantar, nem nos dias seguintes, nem nunca mais.

Notas finais
E ai, o que acharam? A menina que me ajudou a revisar os capitulos viajou hoje e eu não consegui contacta-la a tempo. Por isso, talvez tenha mais erros do que o anterior, então, não tenham medo nem dó de me notificar sobre eles. Alias, não se acostumem com esse tamanho, ok? Se você é o dono de algum personagem, e acha que não ficou bem representado, pode me falar, eu não mordo. Eu não exijo comentários, apenas que respondam meus MPs, mas eu gosto muito quando vocês comentam.