Incapacidade Criativa

1 (In)capacidade Criativa


Olhava, fixamente, para a tela do computador, entre movimentos de mouse aleatórios e olhadelas para o relógio, pensamentos que não paravam de chegar em sua mente “O que eu ia fazer mesmo.... Caramba.... Meia noite e meia.... A cama tá tão longe.... Mais tarde.... Eu durmo.... Queijo.... “. Fez esforço, e ainda mais esforço, e finalmente conseguiu forças para se levantar; coçou a cabeça, lentamente, arrotou. Dois ou três minutos depois, voltou, com sua típica cara de nada, sentou-se novamente.

Puxou o mouse para a direita, com força, trombou numa enorme pilha de folhas em branco, elas voaram, esticou-se preguiçosamente, mais lento que uma preguiça morta, alcançou, depois de muito esforço, as folhas espalhadas por todo o quarto, inclinou-se demais; a cadeira escorregou, ficou deitado por cerca de meia hora, levantou-se e escorregou de novo. Impensadamente puxou o primeiro cabo que viu pela frente, tentou levantar-se, o mouse escorregou pela mesa, furiosamente em direção a sua cabeça; depois de um ou dois berros de dor, decidiu desistir; alcançou um pequeno espelho largado pelo chão, ao lado de sua trilha de roupas sujas, e inclinou-o na direção no monitor.

Continuou movendo o mouse, olhando pelo espelho, e como se nada tivesse acontecido, continuou. Abriu o facebook, atualizou, voltou ao desktop, abriu novamente o facebook, atualizou, e permaneceu imóvel por algumas horas, até cair no sono.

“E se uma hq no Capitão América chegasse por uma máquina do tempo, até o renascimento e pousasse na cabeça do Leonardo da Vince? “ Perguntou-se em voz alta depois de se debater por alguns momentos. “É isso... Eu sou um GÊNIO! ” Gritou energicamente. Levantou-se rapidamente, como se não fosse a mesma pessoa da noite anterior; puxou um lápis, uma folha, rabiscou, fez esboços, incessantemente por mais de uma hora. Ao lado dos rabiscos de um velho barbudo escreveu, com a letra mais ilegível possível “Leonardo”.

Com uma caneta e uma régua na mão, ele se tornava um verdadeiro gênio, enquanto dava forma aos seus desenhos e cenários extremamente detalhados, a história se criava em sua mente, era tão rápido, que chegara ao extremo de apostar uma corrida com seu próprio cérebro, e de repente escapou-lhe fumaça dos ouvidos, e ele caiu da cadeira; simplesmente ignorou, puxou sua prancheta e continuo, mesmo deitado, ele era simplesmente uma máquina. Estava completamente envolvido com a sinfonia do despedaçar do grafite do lápis no papel, e as gotas de tinta que lhe caiam sobre o cara, o piso, e as folhas ainda espalhadas.

O esforço foi tão grande que seu punho deslocou-se, e num preciso golpe, com a mão esquerda apanhou o lápis no ar, e continuou, ignorando o seu punho direito, deslocado e dormido, espalhado no chão. “O homem Vitruviano... De escudo azul, vermelho, e branco...” cochichava, enquanto seguia num ritmo frenético.

“’Alexandre será seu nome...’ e então ele pegou um pincel e iniciou um quadro ‘O imperador, de um império ultra marino e desconhecido... Se chamará... América’ talvez devesse colocar umas expressões em italiano... ‘Va bene, un’imperatore! ’ Mas, de repente, surge do meio de nada, uma série de homens vestidos de preto, eram executivos, executivos da... Marvel, eles tinham aks e umas granadas. ‘Scusi, come tu te chiama? ’ ‘Me chiamo Leonardo da Vince’, e virando a ak em sua direção ‘Stupido’ Leonardo ria, e puxou uma Desert Eagle de madeira projetada por ele mesmo.

E então empipocou de tiros a cara do homem. Os outros conseguiram fugir. Ele colocou o terno do homem. Vestido elegantemente com um terno preto, todo manchado de sangue do Jack, e com sua desert eagle de madeira.

Ficou meia hora envernizando sua Desert, e logo depois disparou sete tiros, um inclusive, na direção oposta. Acertou a cabeça de sete homens de terno. E então pegou uma faca, encaixou no cada do revólver, e esfaqueou outro. Esse último tinha a foto e nome de todos os outros. Ele puxou seu Death Note, e escreveu, obviamente ao contrário ‘Jack Antônio, Léia Zéfa, Cristina Antonieta, Maria da Silva, Wardersclaisson José, Chuck Norris, Olívia de Almeida, Joaquim José da Silva Xavier, Pedro de Alcantara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocárdio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Habsburgo e Bragança, JOÃO DO PÃO’ de longe ele viu, um cair morto atrás do outro.

Havia uma mulher porém, que não caiu morta, ela segurava uma espada ‘João do Pão? ’ Perguntou-se Leonardo, ela riu de longe ‘seu burro, era um nome falso hahahahha’ ele gritou ‘Super aranha ninja, eu a invoco! Ops, io non parlo portughese...’ Então surgiu uma grande cratera, e dela saiu uma aranha gigante, fazendo cosplay de homem aranha. Ele sentou em suas costas, juntos correram atrás da mulher.

Foi uma aventura épica, monstros, batalhas mortais, e piadas sem graça da Super Aranha Ninja. Depois de algumas páginas de enrolação: a luta final. ‘Quimera Assustador, apareça! ‘ Gritou a mulher. E Leonardo perguntou ‘Il nome della creatura è Quimera Assustador? ‘ Ela confirmou ‘Si, perchè? ‘ ‘Niente ‘ respondeu caindo na gargalhada. Após 40 segundos a criatura sofreu um ataque cardíaco.

‘Tudo bem, eu perdi... ‘ A mulher disse cabisbaixa. ‘Tutto bene, mai qual è il tuo nome? ‘ ‘Yuno Naruto’ ‘Se ferrou! ‘ E então Leonardo da Vince venceu Yuno, e roubou a máquina do tempo ‘Adesso la Marvel é mia! ‘ E depois de uma risada maligna veio até o presente. Yuno morreu de ataque cardíaco, mas foi só coincidência, Leonardo não sabia escrever Naruto”.

“Caramba, ficou ótimo! “ Ele cossou a barriga, olhou novamente para os desenhos, tão detalhados e lindos, que humilhariam o próprio Leonardo da Vince, pensou bem, rasgou todos, juntou numa bola e jogou no lixo “É.... Pensado bem ficou uma bosta...” Levantou-se lentamente, sentou-se de volta em sua cadeira, segurou o mouse, arrastou até o ícone do facebook, atualizou; e voltou para ao desktop, repetiu diversas vezes, como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso, na porta do seu quarto, seus pais observavam “Acho que nosso filho tem problemas mentais” disse o pai.

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