Incandescente
7 Capítulo 7 - "Aula de Voo"
Notas iniciais
Descemos as escadas e seguimos até o salão. Como sempre, estava muito cheio, e com muita comida. Parecia mais divino a cada segundo. Sentei-me com Rose na enorme mesa da Grifinória, e de longe avistamos Albus. Ele nos viu, e veio correndo até nossa mesa, e se sentou na minha frente. Ele me abraçou, e abraçou Rose também.
– Como estão vocês duas? Pelo visto só estou conseguindo ver vocês na hora de comer. – Disse ele.
– A hora da comida é a melhor. – Disse eu distraidamente, olhando os pratos se encherem. Rose me olhou e sorriu, não sei por que. Ela começou a falar.
– Pois é. Estamos bem, Emilly é uma ótima pessoa. E adivinha, ela foi a primeira a conseguir realizar o feitiço Accio na aula do Flitwick!
– Sério Emilly?! Que ótimo! – Disse ele contente. Só percebi agora que estavam falando comigo. Deixem-me comer, por favor? Obrigado.
– É ótimo mesmo. Estou muito animada com tudo isso. Eu acho que arranjei uma amiga nova, da Lufa – Lufa. Hm me deixa ver onde ela está. – Disse eu, olhando em volta a procura de Tália. A achei no canto da mesa, conversando com umas meninas. Ela me viu e aceneu para mim, eu acenei de volta.
– Ela tem cara de ser legal. – Falou Albus. Neste momento eu comecei a comer. Não to nem aí, eles que fiquem conversando. Eu to com fome. – Que fome é essa Emilly?
– Eu não comi no café, to morrendo. – Disse eu de boca cheia. Eles sorriram.
– Em questão de comida, você é igualzinha ao meu pai. – Falou Rose.
– Se isso for um elogio, muito obrigado. – Eu sorri.
– Sim, é um elogio. – Os dois sorriram de volta. Rose se virou para Albus.
– Queridinho.
– Fale queridinha. – Ele disse na ironia. A convivência dos dois era legal.
– Diga para o Malfoy ficar longe da minha “protegidinha trouxa” aqui.
– Vou dizer. Mas acho isso paranóia sua. Ele não é tão mal.
– Para mim é Albus. E você sabe disso. – “Albus era amigo de Malfoy. Albus não era mal. Pode ser mesmo paranóia da Rose. Mas eu também não vou muito com a cara do Scorpius.” Pensei.
– Sim eu sei. Eu vou dizer, mas só por que eu te adoro muito. E Emilly, se cuida. – Ele deu um beijo na testa de nós duas. E foi para sua mesa.
Rose finalmente começou a comer. E não falamos muito até acabarmos. Saímos, e subimos as escadas. Muitas escadas. Escadas. Chegamos ao dormitório e ela se espreguiçou na cama. Eu ri, peguei meu horário. Eu tinha aula de vôo. Meu Deus voar! Tinha me esquecido desse detalhe. Eu vou chorar de emoção. Pulei na cama com Rose, ela quase caiu, e nós rimos. Que bom que não tinha mais ninguém no quarto, senão iam achar que somos doidas. Ela perguntou.
– Que alegria é essa menina?
– Vou me arrumar pra minha primeira aula de vôo!
– Meu Deus Emilly! Corre então. A aula é lá no campo! Boa sorte!
Eu a abracei. Rose era uma amiga ótima! Sempre preocupada comigo. Arrumei-me, e desci correndo como uma louca. Parece até que eu só sei correr. Mas, to nem aí. Desci as escadas de novo. E fui para o campo, lá tinha alguns alunos em fila um de frente ao outro, e uma professora engraçada. E vassouras no chão. De longe avistei Tália ao lado de uma vassoura. Fui correndo até ela e fiquei ao seu lado.
– Oi Emilly! – Disse ela. – Está ansiosa?
– Estou demais! Nunca imaginei isso.
– É assim mesmo. Olha lá! Parece que eles estão treinando! Se conseguirmos voar, será que a gente consegue os ver treinar?
– Não sei, pode ser que a gente consiga. – O treino que ela estava falando, é de Quadribol. Harry nos falou disso também. Que era um jogo difícil e meio “perigoso”, mas muito divertido. Eu acho que não me identifico com isso, sou muito lerda. Se não, quando pudesse , eu me inscreveria. Não dava para reconhecer ninguém que estava jogando, que pena.
– Olha, a professora começou a falar. – Virei para frente, e comecei a prestar atenção.
– Bom dia alunos. – Seu bom dia foi um tanto severo. – Sou Madame Hooch e estou aqui para ensiná – los os princípios do vôo. Não vamos enrolar. Fiquem a direita de suas vassouras. – Obedecemos. – Agora se concentrem e digam: SUBA! Estendam a mão acima da vassoura. É a vez de vocês. Vão lá.
Eles começaram. Diziam “suba!”, mas as vassouras mal saiam do lugar. Eu ainda não tinha começado a tentar. Tália estava tentando, mas em vão. Até que uma hora, a vassoura caiu em seu pé. Ela começou a pular segurando – o. E eu, como sou uma ótima pessoa, comecei a rir.
– Hey Emilly! – Disse ela também rindo. – Isso acontece ta?! Agora é sua vez.
– Está bem. – Eu disse rindo. Me concentrei, coloquei a mão por cima da vassoura e disse. – SUBA!
Eu senti uma força muito grande na minha mão. A vassoura tinha me obedecido! Tália ficou encantada. E eu também. Eu nunca fui à primeira em nada no mundo de trouxas, não sei por que estou sendo aqui, e ainda em duas coisas! Depois de mim, Tália tentou, e conseguiu também. As outras crianças também conseguiram. Parece que eu fui o marco inicial da coisa. E que coisa estranha. Senti-me orgulhosa, mas Madame Hooch nem percebeu que eu fui à primeira. Acho que ela não liga muito pra isso.
– Bom, agora montem na vassoura, e se inclinem para cima, dando impulso com os pés. – Disse ela. – Tomem cuidado com o campo. Ele está longe, mas, ainda podem vir jogadores de lá atrás de alguma bola, e vocês não iriam querer cair.
Fiz exatamente isso e comecei a sentir a vassoura subindo, e me levando junto. Os outros alunos também começaram a subir. A sensação era mágica. Quanto mais eu subia, mais eu podia ver tudo que estava em volta. Tália também conseguiu, e ela estava igualmente contente. Fomos subindo juntas, até que conseguimos ver o campo, e as pessoas jogando. Era demais, era tudo demais. A sensação é indescritível e perfeita. Ficamos lá em cima, admirando o campo e a paisagem. Madame Hooch permitiu ficarmos lá mais um pouco. E eu comecei a ver o treino. Distraída como eu sempre sou. Até que vi uma coisinha dourada se aproximando ao longe. Chamei Tália para ver também. A coisinha dourada foi se transformando em uma bolinha, e depois, uma bolinha com asas. Por isso ela estava flutuando. Ela passou por nós, e nos viramos para olhar ela indo embora. Escutei um grito, mas nem dei muito moral. Tália também ouviu, voou para o lado, e logo se virou. Ela gritou meu nome, me disse para desviar de alguma coisa, mas não deu tempo. Até que veio o baque.
Primeiro: Senti algo bater em mim. Algo não, alguém. Por que era o corpo de uma pessoa sem dúvidas. E estava em uma vassoura também. Não deu pra raciocinar direito. Eu me desequilibrei, e comecei a me sentir numa queda. Eu me desesperei. Senti meu corpo mole, solto, e eu estava caindo. Só deu tempo de ver a pessoa descendo rapidamente com a vassoura para tentar me acompanhar, só que eu estava caindo muito rápido e eu não consegui ver quem era que estava tentando me segurar. Eu acho que foi uma queda muito longa por que demorou alguns segundos para eu bater no chão.
Segundo: A dor. Dor por todo o meu corpo, mas, principalmente nas costas. O chão era duro. A grama parecia rocha. E eu cai em cima dela. Estava doendo muito, estava não só doendo, como latejando também. Era horrível. Parecia que tinha uma pata de elefante em cima de mim. Comecei a ofegar, sem ar. E a dor aumentava. Ela vinha de trás e me engolia por completo. Possuía-me A dor me deixou sem reação, e estava consumindo meu fôlego. A dor não queria me deixar respirar. Eu ainda estou de olhos abertos e vejo vultos se aproximando de mim, mas, não consigo ouvir nada. Só as imagens na minha cabeça. Como se a dor estivesse consumindo meus sentidos também.
Terceiro: A escuridão. Parei de ouvir tudo em minha volta. A dor me consumiu. As coisas começaram a girar. A última coisa que consegui fazer foi dar um grito. Depois, a dor chegou ao resto do meu corpo. Eu perdi a visão. Não consigo mais ver mais ninguém. Só senti – los perto. Alguém está mexendo em mim. Mas não consigo me mexer. Não sinto mais nada. Só dor por todo lado. Mas a diferença, é que agora, a escuridão também está em minha companhia. E eu finalmente apaguei.
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