Incandescente
2 Capítulo 2 - "Não era uma brincadeira"
Notas iniciais
Sim, minha mãe não está batendo bem. Eu? Emilly Addae, uma bruxa? Eu sou má? Eles tão indo longe demais com essa brincadeira, podem parar. Isso ta parecendo àquelas historinhas de conto de fadas que a garotinha descobre que do nada tem poderes. Está quase isso. Ela viu minha expressão estilo “What’s the fuck?!” e disse:
– Eu sei como você está se sentindo filha. E nós não brincaríamos com isso. È uma coisa séria, e nós dois queríamos que você fosse para Hogwarts. Lá iria aprender tantas coisas! E não, você não é má. Existem bruxos bons, e esses vão para a escola para aprender tudo sobre o mundo deles. Nós não somos bruxos, nem estudamos lá quando mais jovens, mas minha irmã sim, e você tem o sangue de bruxo dela. Ela sabia disso desde sempre, e pediu sua vaga à McGonagall. – Meu Deus, às vezes parece que mamãe lê meus pensamentos!
– Mas, a senhora sabe que nada disso faz sentido. – Rebati.
– Sei sim. Nada faz sentido nessa vida. E se você aceitar a proposta, mandaremos a carta de resposta o mais rápido possível.
– Mas eles usam... Corujas.
– Pediremos a tia Ro para mandar, sem problema. Ela tem uma.
– Mãe eu... Preciso pensar.
– Pense minha querida, e depois, nos conte o que decidiu.
Subi para o meu quarto e fiquei a noite inteira refletindo. Vou ou não? Eu ia ficar longe dos meus pais por muito tempo, mas em compensação, iria me divertir muito e aprender muito sobre coisas que eu nem imaginava que existiam! Eu não ia mais precisar daquela maldita matemática, e eu ia poder fazer coisas diferentes! E quanto meus amigos daqui? Bem, vou continuar vendo eles quando puder. Mesmo isso ainda não parecendo real, eu quero aproveitar. Acho que já estou decidida.
Dormi. E sonhei. Sonhei com Hogwarts, com tudo que eu posso esperar dessa reviravolta na minha vidinha chata.
Acordei animadíssima e corri para ver minha mãe. Pulei, literalmente no colo dela e lhe disse:
– Sim mamãe! Eu quero ir pra Hogwarts! – Ela me abraçou forte, chamou meu pai, e lhe contou minha resposta. Ele ficou super contente, e depois do café, nós fomos à casa da Tia Ro, e pedimos para ela enviar a carta.
Antes de Setembro chegar, eu já estava super ansiosa. Principalmente quando chegou a minha lista de materiais. Lá tinha instruções de como chegar às lojas, e ao famoso “Beco Diagonal”. Quando já tínhamos comprado tudo, aqueles materiais nada normais, acabamos esbarrando com um homem que se chamava Harry Potter. Ele era famoso pelo visto, e estava com seus filhos, e sua esposa, muito bonita por sinal. Ele nos contou que era o segundo ano de seus filhos em Hogwarts, e que no dia do embarque na plataforma onde fica o expresso para nos levar à escola, eles poderiam me ajudar. Ele também nos contou tudo o precisávamos saber, sobre... Tudo. Eu agradeci e fomos embora.
Chegou o dia, e já estávamos na estação bem antes das 10 da manhã. Harry Potter nos tinha explicado como chegar à plataforma nove três quartos, e não era muito confiante, mas fomos mesmo assim. Quando chegamos, fiquei encantada com tudo aquilo, e comecei a olhar as pessoas à minha volta. Todas com materiais e animais parecidos, e todas muito felizes. Olhei para frente e dei de cara com uma família se despedindo. Uma mãe, um pai, e um garoto, do tamanho dos filhos de Harry. O garoto olhou para mim, e meu Deus, que olhos lindos! Eu acho que ele percebeu que eu estava o encarando, por que se virou rapidamente, como se não tivesse me visto. Que vergonha, cara, como eu sou burra! Por que eu tava encarando um garoto? Eu tenho 11 anos caramba! To parecendo as puta da minha cidade que começa o programa com as “olhadinhas” dos 11. Esqueci do garoto, me despedi de meus pais, com muita coragem por sinal, e embarquei. Eu sabia que dali pra frente minha vida nunca mais seria a mesma.
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