Incógnita: Sexo, Drogas e Rock N Roll
19 Cerca Elétrica
Notas iniciais
INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL
By Amanur
Capítulo 19 – Cerca elétrica
Nós passamos por vários maus bocados durante essa viagem. Além do ar condicionado quebrado, da Hotaru perguntando infinitamente se já chegamos, do fato de não termos pegado nossas roupas na casa invadida e do Naruto resmungando todas as suas infelicidades, ficamos com fome, sem gasolina, sem lugar para dormir, e como se não fosse o suficiente, um pneu furou no meio do caminho.
— Olha, não é por nada não, mas acho que as forças da natureza estão lutando contra nós. — o japinha, sabiamente, diz.
— Bobagem, isso é só um pouco que azar que vocês, agourentos, trouxeram. — o carneiro resmunga — Sakura, vá rodar a bolsinha na esquina para conseguir uns trocados, vá! Aproveita que está só de calcinha e sutiã mesmo.
Chutei sua canela.
— Querido, eu valho muito mais que míseros trocados. — ora essa.
— Ahn, posso ser contra essa ideia? — o cabeludo pergunta.
— Não. A não ser que você tenha dinheiro! — o carneiro sem vergonha retruca, massageando sua perna.
— E por que será que nós não temos dinheiro? — o cabeludo resmunga, entre os dentes.
— Boa pergunta, meu caro. Se você fosse milionário, nada disso teria acontecido! — err.
Aí, Naruto, que andava inquieto de um lado para o outro, para e nos olha com aquela cara de preocupação mordendo a ponta do polegar.
— Sabe, eu poderia ligar para o meu pai e pedir para que ele transfira alguma grana para a minha conta, mas eu não quero fazer isso!
— Por quê??? — o carneiro o sacode.
— Por que ele vai me matar por ser um fracasso!
— Estou perguntando por que você já não fez isso antes, seu idiota! — esse carneiro tava merecendo apanhar, isso, sim.
— Por que não quero fazer issoooo! — o loiro choraminga.
— Tudo bem, Naruto, não precisa fazer isso. — o sobrancelhudo lhe diz, com uns tapinhas de consolo nas costas.
— Claro que não precisa. — Itachi resmunga — Vamos todos morrer aqui no meio da estrada, para depois sermos comidos por urubus e corvos. Aham, vai ser muito melhor do que ouvir um sermãozinho.
— Cala a boca, Itachi! — Kibe ralha.
— Pensem só! Seria perfeito. Pegamos o dinheiro da conta dele, e aproveitamos que pai dele vai matar o coitado mesmo, e ainda vendemos alguns dos seus órgãos para juntarmos mais dinheiro! — esperto.
— Eu acho que deveríamos ligar para a empresa que você alugou o carro para pedir para que eles venham busca essa joça, — Neji resmunga, chutando o pneu murcho da van — e sugiro pegarmos uma carona de volta para casa. Essa ideia toda, de vir aqui buscar o Sasuke, foi uma idiotice! Uma GRANDE idiotice!
— Papai, papai, já chegamos? — a menina pergunta — A Mulé Malavila tá cansada.
Faltavam poucas horas para amanhecer mesmo.
No fim das contas, o que aconteceu foi o seguinte: ligamos para a empresa usando o celular do loiro e pedimos para que buscassem o carro. Nós deveríamos esperar pelo guincho da empresa, mas, ao invés disso, logo em seguida, todos nós ficamos na beira da estrada com os polegares estirados para cada carro que passasse. Quero dizer, para o único carro que passou naquela porcaria de fim de mundo em que estávamos, em mais de duas horas de espera: uma caminhonetezinha com um monte de sapos estranhos, que coaxavam de um modo incomum e pareciam dopados, meio imóveis na caçamba, e um velho de barba recém feita sentado ao volante.
— Para onde estão indo? — o motorista perguntou.
— Para casa. — o loiro responde.
— E onde fica isso? — o motorista pergunta.
— Ah, cê sabe... Seguindo por essa estrada, em direção contrária ao que o senhor está indo, a gente chega lá. — err. O loiro me olha — Só tenho senso de direção quando estou dirigindo.
O Carneiro o empurrou para o lado.
— Estamos indo pra fronteira do país, meu bom senhor. —diz, se fazendo de polido, indicando o caminho contrário de casa.
— Ahh, entrem aí. Estou indo para lá também!
Nós tínhamos duas opções: ir com o velho com cara de louco (ele era cabeludo, e seus cabelos estavam todo arrepiado, como se tivesse acabado de acordar) e seus sapos, ou ficar mofando até Deus sabe quando um outro carro iria passar ali, naquele fim de mundo. Bom, para mim, a solução era bem óbvia.
— Vamos ficar, é claro! — eu disse — Quem é que vai querer sentar com os sapos?
— A Hotalu qué sentá com os sapinhos, mamãe.
— Não senhora! Nem pensar!
— Mas eu quelo blincar com os sapinhos! — choraminga.
— Ela vai é esmagar os sapinhos... — o ruivo resmunga.
E eu temia que isso fosse verdade mesmo.
Entretanto, eles me encheram o saco para irmos com o velho. Só que teríamos que dividir nosso grupo em dois. Dois iriam na frente com o velho que, à propósito, fedia a álcool, enquanto o restante iria com os sapos.
— Eu posso ir atrás. — Amoreco declara — Adoro sapos. Eles ficam tão deliciosos no meu prato com ovos frito e torradas com queijo e manteiga... — err.
— Eu também, eu também! — o sobrancelhudo diz, já subindo atrás, enquanto Naruto, sem dizer nada, também sobe.
— Ok, está decidido, então. — o carneiro se prontifica — Eu, a Hotaru e a neném vamos na frente com o velho.
— Não senhor! — Neji o empurra para o lado — Eu acho que você deveria ir com os sapos, depois de tudo pelo que nos fez passar!
Eu concordei. Os outros também concordaram.
O Itachi, no entanto, quis bancar o espertinho, jogando com a psicologia reversa.
— Há. Ótimo! Na verdade, eu só estava testando vocês. Por que ir com os sapinhos eram o que eu realmente queria. Foi tudo o que mais sonhei na vida. Há-há, enganei vocês. Não queria mesmo ir na frente...
— Há. Ótimo! — e Neji lhe dá outro empurrão, o fazendo cair pra trás, dentro da caçamba.
Hehe.
Enfim, eu e o cabeludo fomos na frente, com a Hotaru no meu colo, por que o coitadinho ficou com medo da criança.
Então, o velho andou pela estrada por um bom tempo sem dizer nada, até que, de repente, ele resmunga qualquer coisa e pega uma garrafinha de bebida no seu porta-luvas.
— Vocês não se importam, né? — o velho pergunta.
— Ah, nos importamos, sim! Temos uma criança aqui! — o cabeludo retruca.
— Ah, não tem problema, eu posso dividir com ela também. — err.
— Ah, não senhor, esse não é o problema...
Aí, meio mal humorado, o velho tira uma pistola debaixo do seu banco e a aponta para o cabeludo.
— E qual é o problema? — pergunta.
— Nenhum, senhor, nenhum. Bonita pistola.
— É de brinquedo. Hahaha. — ele ri, guardando-a de volta — Nunca se sabe quando precisa de uma dessas para assustar frangotes — e então, ele nos olha mais do que deveria — Eu não quero ser grosso, mas já sendo... Por que vocês estão de cueca e calcinha? — nos pergunta.
— Ah, é que... Fomos assaltados no meio da estrada... — respondo, sem saber o que mais dizer para explicar nossa situação cabulosa.
—Ahhh! Deve ter sido o mesmo bando de marginais que invadiram a minha casa, agora à pouco! — o velho diz, cheio de ressentimentos.
Oh-oh.
Eu e o cabeludo trocamos olhares.
— Esses infelizes, aproveitadores, desordeiros, insensíveis, destruidores de lares, mal educados, desgraçados, hereges, pilantras, anarquistas, vagabundos, marginais, ladrõezinhos... Onde eu estava mesmo? Ah, sim, esvaziaram quase toda a minha dispensa e ainda tiveram a cara de pau de usar a minha piscina, cês acreditam?
— Nossa, mas que gente sem noção! — o cabeludo resmunga.
— E cara de pau, né? — eu resmungo.
Ele me olhou de canto, me dando uma cutucada com o cotovelo.
— Pois é, me digam vocês, onde é que esse país vai parar desse jeito?! — o velho diz — Ninguém mais respeita ninguém, onde é que esse país vai parar?
Eu queria dizer a ele que ele estava fazendo aquela pergunta para as pessoas erradas, mas achei melhor nem comentar.
— E esses sapos? De onde vieram? — o cabeludo pergunta, pra desviar a conversa. Mas ele me olha de canto, cochichando — Não lembro de ter visto sapo algum lá.
— Eu coleciono sapos. E depois os como.
— Ok. — isso é totalmente normal. Só que não.
O cabeludo fez cara feia, e o velho revirou os olhos.
— Eles são muito saborosos! Possuem a carne branca e macia como carne de galinha. Você come vaca, galinha e porcos, mas tem nojo de sapos?
— Vaca, galinha e porcos são bonitinhos. — o cabeludo responde.
— Me desculpe, mas meus sapinhos são muito lindos, tá?! — ele parecia ofendido.
— E mesmo assim você mata eles?
— Você como os seus!
— Mas não mato eles!
— É a lei da cadeia alimentar. Assim como você come os bichinhos bonitinhos que você acha!
— E o que o senhor está indo fazer na fronteira? — pergunto, achando melhor mudar de assunto. Aquele papo todo estava revirando o meu estômago.
— Ah, estou indo lá para fazer o que todo homem tem que fazer! Me casar.
— Ah, parabéns.
— Obrigado!
— E para quê todos os sapos? — Neji pergunta — Vai servi-los de banquete?
— Nãaao. Esses não são de criação. Eles são convidados. — o velho diz.
O cabeludo me olhou de canto, e resmungou:
— Estou começando a me preocupar com a nossa segurança.
Mas quando o velho apontou a arma para nós, ele não se preocupou não? Er.
Enfim, a viagem com o velho levou mais algumas boas horas. Estávamos todos exaustos, desidratados, desnutridos, desmanchados e quase desmaiados. Mal acreditávamos que tínhamos chegado vivos. Estávamos um horror! No entanto, o velho sem noção fez a bondade de nos emprestar um dinheiro (com a garantia de qualidade Tabajara do Itachi que o devolveria) para roupas novas. O que era uma grande ironia. Quero dizer, se ele soubesse que, na verdade, éramos os marginais que invadiram sua propriedade e profanaram sua piscina e cozinha...
Eu e o cabeludo concordamos em levar aquele segredo para o túmulo, antes que algum deles desse com a língua nos dentes.
Então, caminhamos, ou melhor, rastejamos como lesmas desidratadas por um bom caminho até acharmos o local em que o cretino, filho da mãe, causador de todo o nosso sofrimento do Sasuke se apresentaria com sua banda nova.
Eu achei estranho, mas achei melhor nem comentar que o lugar estava vazio demais para um dia de show. Até por que um dos seguranças do local se aproximou de nós.
— Estão aguardando alguém? — nos perguntou.
— Claro. Viemos para o show da Vakarin e o Emorróidas. — o ruivo diz — Uma linda dupla...
— Não há dupla nenhuma se apresentando aqui.
— Ah, não, não... Eles vieram com a banda deles.
— Não há nenhuma banda se apresentando hoje.
— Haha. Não agora, é claro, são recém duas da tarde, né? — o ruivo resmunga, olhando para o seu relógio de pulso — Mas provavelmente daqui a algumas horas, né? NÉ?
— Não há banda nenhuma para se apresentar hoje. — o segurança esclareceu.
Olhamos para o Carneiro.
— ELE ME DISSE... — berrou, indignado. Mas aí, de repente, como quem se dá conta de que foi feito de trouxa, ele murcha — que era hoje...
— E VOCÊ ACREDITOU NELE?!!!!!!!! —Neji avançou para engolir o carneiro vivo, mas Lee, Naruto e Sininho o seguraram — NÃO ACREDITO QUE NOS FEZ VIR ATÉ AQUI PARA NADA!!! EU VOU ARRANCAR OS SEUS CABELOS, CUSPIR EM CIMA DELES E PISOTEAR ATÉ NÃO RESTAR NADA! OU MELHOR AINDA, VOU COMER A PORCARIA DOS SEUS CABELOS!
— Eca. — a Hotaru diz — Mamãe, ele vai come cabelo. Tia Ino semple me disse que come cabelo faz clescer cabelo no bumbum.
— Você comia cabelo, quando era criança? — o retardado do loiro pergunta do ruivo que, por sua vez, dá um empurrão que o faz cair de bunda no chão, e a Hotaru rir da cara dele.
— Tsc. Aposto quem nem aqui nesse lugar é a merda do show! — Neji ainda resmunga.
E assim, bem fofinho e querido, Sai vai até o carneiro e lhe dá um beijinho do rosto.
— É sua punição por ser malvado conosco. — err.
O carneiro o empurrou pra longe, e pegou seu celular.
— Vou ligar para minha mãe! — diz.
— Oh, o bebê chorão vai ligar pra mamãe? Gu-gu-dá-dá? — o cabeludo resmunga, cheio de sarcasmo e ressentimentos.
— Não sei o Gugu, mas eu quero dar. — o japa cochicha para mim. Err.
— Não é isso, seu retardado. Vou pedir para que ela ligue para o Sasuke e pergunte onde ele está!
— Vocês estão procurando pela banda do Sasuke? — de repente, o segurança pergunta — Ele se apresentou aqui ontem, com a banda dele. E ouvi um papo de que eles iriam se apresentar na cidade vizinha amanhã.
— MUITO obrigado, meu bom senhor! Deus lhe abençoe! — o Carneiro lhe diz — Eu sabia que não estava errado.
— Eu me admiro que o retardado do Sasuke tenha dito a verdade. — o ruivo resmunga.
Enfim, são Valentin, que levou o meu pudim e depois vomitou tudim. Err. E lá fomos nós até a tal da outra cidade. Pelo menos, a viagem de carona foi mais tranquila, com gente normal, e mais curta. Algumas horas depois, estávamos lá, plantados no local do show, pedindo esmolas para quem passasse por nós.
— Tenha piedade, senhor. Estamos morrendo de fome! — Naruto resmungava para cada um que passava.
— Misericórdia!
— Glória!
— Tenha pena!
— Somos um bando de coitados esfomeados.
Sim, muito coitadinhos. Er.
Mas não importava o que fizéssemos, ninguém nos olhava.
— Sakura, tire as roupas e vá rodar a bolsinha na esquina!
Chutei a canela do carneiro. Já deveria está tomada por hematomas. Tsc.
— A Hotalu vai lodá a bolsinha na esquina, tá? — ela diz, em toda sua inocência. E eu rosno pro carneiro.
Aí, lá pelas tantas, uma mulher, que estava passando com sacolas de compras, olhou para eles.
— Poxa, pobrezinhos. Eu compro um cachorro quente para vocês!
Então, muito gentilmente, ela foi até um quiosquezinho do outro lado da rua e trouxe o cachorro quente.
Digo, UM cachorro-quente.
Um único e mísero cachorro-quente para seis gorilas gigantescos e famintos e uma pessoa e meia (eu e a Hotaru). Quase chorei, pensando no que sobraria para nós. Migalhas! Talvez nem isso.
— Perae, perae, perae! — Neji, aquele lindo, diz interrompendo as babas e mordida que o Naruto ia dar — Primeiro devemos alimentar as mulheres e crianças.
— Ah... Claaaaaaro. — o loiro diz, sem a menor simpatia — Mas, sabe, acho que estou me sentindo meio mulher hoje! — err.
Neji tomou aquele ouro da mão dele, e me entregou o cachorro-quente.
Bom, eu também estava babando por ele. Digo, o cachorro-quente. Ok, o Neji e o loiro também. Ahém. Mas é que o cheiro dele (o cachorro-quente) estava delicioso (mas o deles também era, mesmo suados. Ahém), ele parecia bem suculento (todos eles), cheio de recheio transbordando. O ketchup escorria pelos cantos, e o pão estava quentinho e macio (como o churros deles. Ahém).
Resolvi dar a primeira mordida à menina. Era melhor. Err.
E ela, que, com sua boquinha minúscula, praticamente tirou uma migalha mesmo. Mas feliz da vida, lambuzou sua bochechinha com o molho e lambeu seus dedinhos melecados.
E a baba deles escorrendo pelos cantos de suas matracas, sem conseguir tirar os olhos da salsicha. Digo, do cachorro-quente. Err.
Bem, a minha também, confesso. Minha barriga começou a resmungar, esbravejar ainda mais com a aproximação daquela delicia deliciosa recheada de carboidratos, calorias, colesterol, glicídios e glúten. Minha boca começou a salivar só com o cheirinho dela. Inalei aquele cheiro como se minha vida dependesse daquilo. Como se aquela fosse a minha última refeição antes da morte. E quanto mais abria a boca, mais baba furiosa transbordava pelos cantos.
E então, veio a tão maravilhosa e esperada mordida, que quase me causou um orgasmo alucinante.
Quase.
A salsicha, o molho e o recheio explodiram para o chão. Voaram numa curva perfeita! E um cachorrinho de rua, que passava por acaso ali, se aproximou e comeu toda a salsicha, o recheio e lambeu o molho do chão. E ainda me olhou agradecido.
Olhei para os meninos. E eles olharam para o que um dia foi um cachorro-quente. E olharam para mim.
E Naruto tomou o pão das minhas mãos.
— Eu te odeio.
Mas eu não conseguia me sentir mal por eles. Nem um pouquinho.
É.
Lá pelas tantas, quando faltavam trinta minutos para a abertura dos portões, nos demos conta de um detalhe muito importante: não tínhamos ingresso. Nós tínhamos sono, fome, cansaço, bolhas nos pés , mas não tínhamos dinheiro e nem ingresso. Err.
— O que vamos fazer? — o sobrancelhudo pergunta.
A solução, é claro, é lógico, é óbvio que não poderia ter sido outra.
— Vamos dar um jeito de invadir o show! — é claro, é lógico, é óbvio que foi o carneiro quem disse isso.
Então, saímos da fila em que estávamos e fomos contornando o local. Era uma casa noturna, que ficava numa esquina, de modo que atrás dela havia um prédio comercial de muro alto. Mas sabíamos que os convidados a dar o show nunca entravam pelas portas da frente, o que significa que deveria haver uma outra entrada. Então, indo pelo outro lado, encontramos um grande portão de grades que dava para uma garagem, onde havia uma van estacionada. Certamente, eles já estavam lá dentro. Para nossa sorte, não havia câmeras, nem seguranças ali. Porém, todavia, contudo, entretanto... O portão era protegido por uma cerca elétrica.
— Mas que cacete! Como é que vamos entrar? — amoreco pergunta, chutando as grades.
Ficamos um tempo parados ali, botando nossas cacholas para funcionar. Vimos que havia uma caixa preta, mais ao fundo da garagem, com uma luz vermelha. Aquela caixa, provavelmente, tinha o interruptor que ligava e desligava a cerca elétrica.
— Naruto, você vai primeiro! — o carneiro o empurra para frente — Pula o portão, toma um choque, e desativa essa porcaria naquela caixa ali!
— Eu não! Vai você primeiro! — o loiro resmunga.
Então, eis que algo inesperado aconteceu:
— Essa caixinha aqui, paizinho? — a menina pergunta.
Quando vimos, a diaba já estava lá dentro, porque conseguiu passar pelas grades, de tão magrinha e pequenininha que era. Delicada como a mãe. Ahém.
— FILHINHA LINDA, QUERIDA DO PAPAI! — o carneiro diz, emocionado, grudando a cara no portão.
Isso teria sido perfeito demais para nós, se não fosse o fato de que a tal caixa mágica ficava alta demais para ela alcançar. Então, no final das contas, não adiantou de nada.
— Naruto, você vai primeiro! — o carneiro o empurra para frente.
— Eu já disse que não vou, cacete! Vai você, a ideia é sua mesmo! — o loiro resmunga.
— Será que o choque é muito grande mesmo? — amoreco indaga.
— Já vi notícias sobre pessoas que morreram por encostar nesses fios — Kibe comenta —, mas parece que o normal é não matar. Mata quando a instalação é feita clandestinamente e o proprietário pede para burlar alguns fios que torna a voltagem mais alta.
— E agora? Arriscar, ou não arriscar? Eis a questão. — Sai diz.
— Naruto, você primeiro! — o carneiro insiste.
— @#&@$#%$#(%RGHENBFIRE($#$&@$@! — o loiro tentou avançar, mas Lee e Sininho o impediram — Eu acho que você é quem deveria ir primeiro! Por todo o sofrimento que nos causou com essa viagem, Itachi, como o Neji disse!
— Eu concordo. — o cabeludo um diz, cruzando os braços, encarando o carneiro. E o restante também concordou.
— Hehe. Meus queridos, não se esqueçam de que eu sou pai! Se eu morrer, como é que a menina fica? Vocês não têm pena, não?
— Não se preocupe, Itachi — Neji retruca, com tapinhas amistosas no ombro do carneiro — nós não temos pena. Além disso, candidatos a pai dela é o que não vai faltar!
Eu sei que não deveria, mas não conseguir conter o sorriso. Era tão fofinho!
Em seguida, o cabeludo empurrou o carneiro para frente, incentivando-o a ir primeiro.
Se vendo sem outra saída, ou melhor, sem outra entrada para o local, o Carneiro resolveu se preparar física e mentalmente. Prendeu o cabelo num coque para que não atrapalhasse sua visão, tirou a camisa para exibir o seu corpão, ahém, dobrou as pernas da calça para quê, eu não sei, e se pôs-se na frente do portão. Tomou um longo e profundo suspiro para adquirir coragem naquele corpinho, e nos olhou.
— Mas que levem a culpa para o caixão de vocês, se a menina ver o pai morrer!
— Não seja por isso! — aí, o cabeludo tirou sua bandana da testa e foi até o portão, chamando ela. Enfiando as mãos dentro da grade, ele amarrou sua bandana cobrindo os olhos dela — Vamos brincar de esconde-esconde, tá, Hotaru? Quando eu disser três, você pode tirar a venda!
— Tá!
E então, diabolicamente, ele sorriu para o Carneiro.
— Já chegou ao tlês? — ela perguntou.
E então, diabolicamente, o Carneiro sorriu para o cabeludo um.
Err.
Empurrei o diabo logo de uma vez. Já estava perdendo a paciência. Sem falar que o nosso tempo estava ficando cada vez mais curto.
— Vai logo, praga!
Itachi revirou os olhos, meio irritado. Na verdade, ele estava mais esperançoso de que desistíssemos da ideia de deixá-lo ir primeiro. Mas azar o dele.
Enfim, ele começou a escalar o portão.
— Jáaaa chegooooou ao tlêeees? — ela pergunta outra vez, impaciente.
— Aguenta mais um pouquinho aí, Hotaru. — o cabeludo resmunga.
— Mas que tio mais bulo, não sabe contar até tlês, não? É bem lapidinho, óh: um, cinco, sete, dois, tlês! — diz ela, mostrando os dedinhos: dois, quatro, oito, seis e um.
— Linda como a mãe, intelijumentinha como o pai! — o cabeludo murmura.
E o carneiro mostra seu dedo do meio. Pelo menos, ela estava vendada. Err.
O carneiro fez o sinal da cruz, o sinal do diabo, o sinal da paz e do amor, sinal de para, sinal de vem... Fez todos os sinais possíveis, até que resolveu passar a perna pro outro lado, sem encostar nos fios. Mas pela posição cabulosa em que se encontrava, com bunda para o alto e as mãos e pernas no portão, não tinha muito como ele passar a outra perna sem encostar nos fios. Aí, ele começou a choramingar.
— Eu quero que vocês saibam que esses últimos meses com vocês foram os melhores da minha vida! Nunca comi tanta comida boa, nunca viajei tanto, nunca dormi tanto!
— Nunca vagabundeou tanto, né, seu filho da mãe? — amoreco resmungou.
— Mas pelo menos posso morrer sossegado com a consciência limpa de que tentei trazer meu único irmão de volta para o mundo dos vivos!
— Bem que poderia levá-lo junto para o mundo dos mortos... — Neji diz.
— E que a dívida que vou deixar para vocês, acho que jamais poderão pagar nesta vida.
Aí, todos eles avançaram para cima do portão, chacoalhando as grades, até o carneiro sem vergonha se desequilibrar e cair para o outro lado, agarrado nos fios da cerca elétrica.
— AI, MEUS DEUS, AI MEU DEUS, AI MEU DEUS, EU NÃO QUERO MORRER ASSIM! QUERO MORRER RICO NA CAMA COM TRINTA MULHERES! — berrou, desesperado, se debatendo. Mas, então, de repente, ele para e olha a sua volta — Olha, eu não morri! — err — Acho que está desligada.
E aí, bem sapeca, pula para o outro lado, e sorri.
— Sobre a dívida, esqueçam o que eu disse. Foi só brincadeirinha.
Aí, todos eles suspiraram aliviados.
Err. O pior é que algo me dizia que aquilo não era brincadeirinha alguma. Sabe como é, né, a gente brinca de dizer que a pessoa está com o nariz maior por mentir, mas não que está com uma dívida tão grande que nem com sete vidas se pode pagar ela!
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