Incógnita

2 Capítulo 01 — Dominic


Notas iniciais
Hey! Mais um capítulo... Espero que gostem, boa leitura ^u^

Capítulo 01 — Dominic

É claro que eu não sabia que isso ia acontecer. Aliás, eu não tinha como prever. Sai do meu prédio e, na escuridão das três da madrugada comecei a caminhar. Eu estava morrendo de medo, é claro. Não havia ninguém nas ruas, e tudo era mal iluminado. O frio não ajudava. Comecei a acelerar meus passos quando percebi o quão perigoso era o que eu estava fazendo. Nervosa, sequei minhas mãos — soadas de medo — na minha calça jeans.

Caminhei até o ponto de encontro e avistei ali um dos capangas do cobrador do meu irmão. Ele me olhou da cabeça aos pés, secando descaradamente meu corpo. Ele era jovem e tatuado, apesar do frio, usava apenas uma regata branca e calças. Seus olhos castanhos ficaram nos meus até eu franzir a testa, confusa.

— Você não pode fazer isso. — ele disse com uma voz incrivelmente suave.

— Você não pode me dizer o que fazer. — soltei e cruzei os braços na frente do meu corpo.

Ele sorriu.

— Está com medo.

— Não estou.

— Sua linguagem corporal te entrega.

Descruzei os braços e bufei.

— Afinal, você vai me levar até lá ou não?

Ele cruzou os braços e me encarou.

— Você não entende, não é mesmo?

— Não entendo o que?

— Que se você fizer isso você vai morrer.

>>:

Depois de ele parar o carro, desci e já ia entrando. Ele vinha atrás e eu podia sentir seus olhos sobre mim.

Eu estava muito nervosa, e tinha quase certeza de que isso estava totalmente transparente, já que não consegui nem abrir a porta do estabelecimento direito, tive de tentar três vezes.

O capanga do Dominic, o cobrador de meu irmão, suspirou atrás de mim. Entramos e ele parecia meu guarda costas. Subimos cerca de quatro lances de escada, e caminhamos até o fim de um corredor, onde uma porta preta foi aberta.

Entramos e logo uma voz que me fazia ficar arrepiada soou por toda a sala.

— Sage, vejo que chegou cedo hoje. — disse com sua horrível voz, Dominic.

Sage então era o nome do capanga, que, atrás de mim, não disse nada.

Dominic deu uma risada estranha e me fitou.

— Vejo que a bonequinha resolveu aparecer novamente.

Em alguns e rápidos segundos de coragem insana, proferi;

— Por que não vamos direto ao ponto?

— Sempre rude, Kayla. Engraçado que todos acham você um amor.

Ignorei aquilo e fui direto ao ponto.

— Eu quero que o solte.

Uma gargalhada histérica saiu de sua boca, e não pude deixar de enrijecer meu corpo de raiva, e fechar meus punhos tão fortemente ao ponto de sangrarem. Pude ouvir Sage suspirando atrás de mim.

— Menininha, sua coragem é surpreendente, não é Kayla?

— Só me diga o que você quer que eu faça, Dominic.

— Oras, como você pode vir aqui sem saber? Eu quero o dinheiro, é claro.

Meu irmão estúpido havia se metido em problemas. É claro, isso era típico do Martin. Depois de nossas pais falecerem, dois anos atrás, ele começou a se drogar. Antes era “apenas” maconha, mas agora eu nem sei mais o que ele usava. Metanfetamina? Eu sei que era caro. E ele havia se endividado durante esses dois anos. Agora ele tinha sido pego e estava sabe-se lá onde, e se eu não pagasse sua dívida ou fizesse um favor para Dominic, ele morreria. Tremi só de pensar.

— Eu não tenho tanto dinheiro assim.

— Então faça-me um favor.

— S-sim?

— Saia daqui e depois me encontre no velório do seu irmão.

Olhei para trás e andei rapidamente até onde Dominic estava parado, antes que ele pudesse reagir saquei minha arma e a coloquei contra sua garganta. Sage deu um passo para frente e sem me virar apenas o avisei.

— Não ande, Sage.

Dominic riu mesmo com uma arma em sua garganta.

— O que você vai fazer? Atirar?

Coloquei meu dedo sobre o gatilho.

— Ou você esquece que meu irmão te deve aquele dinheiro, e nos deixa em paz. Ou sim, eu atirarei.

Sua expressão de diversão se esvaiu um pouco.

— Vá em frente.

Apertei o gatilho.

Dei uma risada ao ver o pânico de Dominic. A arma não estava destravada, isso fora proposital. Rapidamente tirei a arma de sua garganta e a destravei. Agora, alguns passos para trás, apontando-a para ele.

— Kayla, meu bem... — começou.

— Não me venha com essas. — respondi ríspida.

Ele se levantou em um pulo, e tinha, para minha surpresa, uma adaga em mãos.

— Largue isso ou você vai morrer.

— Você não mataria ninguém, Kayla. Não pense que me engana.

Ele se aproximou com a adaga, rapidamente, e atirei em sua perna. Ele caiu sobre o chão, com os olhos arregalados e uma expressão de dor, além de ter proferido um pequeno grito.

— Tem razão, eu nunca mataria ninguém.

Me virei para trás e Sage não estava mais lá. Assustada, coloquei a arma em posição e comecei a andar, até a saída. Eu estranhei, afinal, como um cobrador daqueles não tinha outros guarda costas noturnos?

>>:

Sai pela porta e uma mão pegou no meu pulso me fazendo soltar um grito de susto.

— Não acredito que fez isso, menina imprudente.

Soltei meu pulso da mão de Sage.

— O que você queria que eu fizesse? Deixasse ele matar meu irmão?

— Você acha que dar um tiro na perna dele vai impedir de matá-lo?

Abri um sorriso, por que as pessoas pensavam que eu era tão ingênua a esse ponto?

>>:

[Flashback] Corri até a parte de trás da casa de negócios de Dominic. Eu vinha observando ele e sua equipe há um tempo. Exatamente às duas e vinte, dos cinco capangas habituais, quatro iam almoçar dentro da casa, e o que sobrava, ficava do lado de fora. Creio que esse descuido era pelo fato de todos saberem que Dominic era Dominic, e o temerem tanto a ponto de não tentarem nada contra ele.

Esse capanga podia ser enorme e assustador, mas não era inteligente. Lá atrás, observei a caixa de eletricidade e vi também onde ficava a “caixa” que controlava a linha telefônica da casa. A abri e cortei o fio correto, desligando-a. Visto que eles usavam muito mais celulares descartáveis, não perceberiam a falta, mas isso seria essencial para mim no dia seguinte.

Eu já sabia onde meu irmão estava. Só precisava esperar até amanhã.

>>:

Eu não era um gênio nem nada, mas eu era uma estudante de engenharia da computação. E não pelo curso, eu havia aprendido a hackear, afinal eu amava tudo em relação a computadores.

Dominic podia ter força bruta, um punhado de capangas e fama. Mas ele era até que bem descuidado. Meu “amigo”, Oliver, havia conseguido pegar o endereço do computador principal de Dominic, mas, em primeiro lugar, ele não sabia quem era Dominic e muito menos o que ele fazia, porém um dinheirinho o incentivou e pronto. Com o endereço do computador consegui acesso a contas de cartão, e, ali em destaque aos meus olhos, estava a compra de um galpão a 100km dali. Era lá que devia estar meu irmão.

>>:

Sai correndo de perto de Sage, fui até minha casa e peguei a moto do meu irmão. Tudo bem que um carro seria mais seguro mas, em primeiro lugar: eu não tinha um carro, e em segundo: a moto era mais prática, talvez.

Tenho quase certeza de que Sage vinha atrás de mim, e isso foi confirmado quando um farol apareceu atrás de mim. Acelerei, quanto tempo levaria até que eu chegasse lá? Era três da manhã então eu não tinha problema de trânsito, felizmente.

Eu estava muito nervosa, confesso. Eu tinha lá minhas cartas na manga, mas eu não sabia se seria o suficiente.

Depois de não sei quanto tempo, andando perigosamente na velocidade máxima da moto de Martin, avistei um galpão que era isolado. Parei e virei para trás, mas Sage não estava atrás de mim.

Havia um cadeado e com um clips, que havia no meu bolso, o abri, entrei no galpão escuro e enorme. Droga, eu não tinha nem uma lanterna.

Com passos cautelosos e me apoiando em uma parede, andei até eu achar um interruptor, coloquei meu dedo sobre ele, aliviada. Quando o apertei, nenhuma luz se acendeu. Soltei um suspiro trêmulo.

Como eu era idiota, não tinha pensado no mais óbvio, assim que me toquei disso comecei a chamar por meu irmão. Eu não obtive resposta.

Uma lágrima frustrada ameaçava cair, mas não deixei. Respirei fundo, tentando controlar minha respiração, que agora era acelerada e desregular. Será que o haviam levado daqui assim que sai da casa de Dominic? Eu fui rápida, tinha certeza. Ele não tinha capangas quando eu estava lá além de Sage, eu cortei a rede telefônica, e ele não usava celular descartável, já que os capangas dele falavam por ele. Será que aquele nem era o galpão certo? Tinha de ser. Tinha de ser. Se não meu irmão estaria morto ao nascer do sol.

Me agachei com a cabeça entre os joelhos.

— Martin? — tentei mais uma vez.

Um feixe de luz apareceu no meu campo de visão e surpresa olhei em sua direção de olhos arregalados. Sage trazia uma lanterna e um alicate enorme em suas mãos.

— Vamos. — ele disse.

O segui e subimos uma escada que eu não fazia ideia de que estava lá, no segundo andar, seguimos por um pequeno e apertado corredor e então havia uma porta com uma corrente enorme e um cadeado.

— Que clichê — murmurei.

Sage se virou para me olhar e quebrou a corrente. Respirei fundo e afobada, entrei em sua frente e abri a porta. Peguei a lanterna de sua mão e olhei ao redor, a sala era enorme. E preso a um poste estava meu irmão, desmaiado, de pé, com os braços para cima e machucado no rosto.

Coloquei a mão, que tremia, sobre a boca.

— Martin.

Notas finais
Obrigada por ler! E não deixem de dizer o que acharam do capítulo :) Até o cap 2?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.