In your hands
1 Capítulo 1
Para Nora, era evidente que existiam vários tipos de toques. Quando ela era pequena, gostava das mãos grossas de seu pai, que afagavam sua cabeça e bagunçavam seus cabelos em um gostoso cafuné que sempre era seguido do pai a colocando em seus ombros e levando-a para passear em algum lugar. Era o tipo de toque reconfortante e que aos poucos era apagado de sua mente pois seu pai estava morto. Então as vezes ela se pegava apertando a cabeça com ambas as mãos, tentando a todo o custo se lembrar de como era. Da sensação. Se era quente, fria, mas não conseguia. Aos poucos até mesmo o sorriso se apagava.
#
As mãos de sua mãe eram sedosas e calejadas nas pontas dos dedos de tanto escrever e assinar papeladas para o seu trabalho. Elas cheiravam a canela e chocolate nos fins de semana, e a hidratante de algodão durante a semana. As vezes, Nora podia passar dias, até mesmo semanas sem vê-la, mas isso não mudava o fato de que sempre iria gostar do toque em sua testa antes de dormir. Como se Blythe Grey pudesse afastar todos os pesadelos enquanto estivesse por perto. Algum tipo de super poder de mãe.
#
As mãos de Dorothea eram gordas e ásperas, provavelmente de todo o trabalho duro que ela havia feito durante toda a sua vida para sustentar uma família tão grande. Eram as mãos de uma guerreira, alguém que nunca desistia de lutar pela sua família e até mesmo pelos estranhos sonhos que possuía. Provavelmente eram mãos que já haviam visto muitas coisas e estado em muitos lugares, mas que agora procuravam descanso, geralmente sobre o colo quando ela assistia a novela, ou fazendo crochê. Várias tentativas falhas de crochê. Dorothea era como suas mãos: áspera, mas por dentro uma pessoa gentil e doce. Nora não sabia como se viraria se não a tivesse por perto na ausência de sua mãe.
#
As de Vee eram pequenas e sedosas por causa do excesso de produtos de beleza que ela usava. Suas unhas eram sempre bem feitas e alinhadas, e ela se preocupava excessivamente com sua beleza. Eram também macias e sempre que ela precisava de consolo, as mãos de Vee em seus cabelos era tudo de que precisava. Então as lágrimas vinham naturalmente. Depois o riso. E era bom, porque com as mãos dela havia cumplicidade. Elas podiam tocar as mãos de Nora e apertá-las com força. Significava que ela nunca estaria sozinha, pois Vee era sua melhor amiga. E nunca a deixaria.
#
Eliot tinha mãos fortes e grandes. E assustadoras, Nora pensou, quando ele esmurrou a entrada de sua casa. Eram mãos cheias de ódio, pois os punhos viviam cerrados. Eram as mãos de alguém que não possuía auto-controle ou amor próprio. Mas que no começo parecem sensíveis e gentis, mascarando suas reais intenções. Por sorte, Nora havia sido capaz de enxerga-las antes que fosse tarde demais.
#
Nora nunca havia reparado muito em Jules, mas ele sabia que suas mãos eram inquietas e um pouco finas. Ele sempre estava mexendo elas, e Nora sempre tinha a impressão de vê-las brilhando pelo suor, como se a todo o momento ele estivesse assustado por qualquer coisa que pudesse se aproximar demais dele. Mas talvez fossem apenas os momentos em que Eliot estava por perto, porque na verdade ele nunca ficava tempo demais. Talvez as mãos de Jules representassem apenas o medo que ele sentia sempre que o amigo estava por perto.
#
E tinha Patch.
Nenhuma descrição se encaixava nele. Suas mãos se encaixavam em seu rosto e a puxavam para perto. Suas mãos tiravam sua respiração e seus toques queimavam sua pele, mas de uma maneira totalmente boa e totalmente sexual por mais que Nora quisesse mentir para si mesma e dizer que não.
As mãos dele não eram grandes ou finas, grossas ou ásperas, pesadas nem leves. Eram perfeitas, e deslizavam por seu corpo causando excitação. E quando os dedos dele se entrelaçavam aos seus, Nora experimentava uma sensação de satisfação que não sentia em nenhum outro momento.
Patch não passava segurança, mas a sensação era de alívio constante, torpor, desejo e um turbilhão de outros sentimentos que só podiam ser explicados com seus toques ou com seus beijos.
Ele era loucura, era paixão. E seus toques o representavam, suas mãos firmes o representavam.
Desejo, ardor, luxúria, intensidade, querer
(amor?)
e tantas outras coisas.
Patch Cipriano era loucura. E suas mãos a puxavam para uma realidade totalmente diferente onde nada além de seus toques pareciam ter importância.
#
Nora tinha mãos frágeis. Ela achava que era por conta de sua doença, mas na verdade sempre haviam sido assim. E quando Patch as envolvia com seu calor e com seu charme, ela se sentia segura novamente.
Sentia-se completa e nada mais faltava porque ele invadia seus pensamentos e tudo tomava forma.
- Patch? – ela chamou baixinho, sentindo as mãos dele lhe envolverem a cintura, tão firmes e seguras do que queriam.
- Hum? – ele perguntou, os lábios buscando os seus enquanto as mãos traçavam um caminho infinito por seu corpo.
- Suas mãos.
- O que tem?
- Gosto delas.
Ele sorriu. Também gostava da fragilidade de suas mãos, mas se perguntassem a Patch ele jamais admitiria.
Notas finais
Enfim, quis dar a idéia de que os toques eram algo essencial para ela. Podia ter focado no Patch, talvez eu faça isso na próxima vez. Ele é alguém interessante pra explorar esse lado.
Espero que gostem!
Lia, te amo. Você faz as melhores capas ♥
Comentem para eu saber o que acharam.
Fale com o autor